3.2. BÜYÜK VE ORTA BOY İŞLETMELER İÇİN FİNANSAL RAPORLAMA
3.5.5. BOBİ FRS Kapsamında Hasılat
Tal como expusemos no capítulo precedente, a teoria da tradução de Lambert & Van Gorp (1985) vai nos guiar nas análises macro e microestruturais do nosso corpus.
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Fizemos uma consulta via email à Denise Bottman, enquanto editora do blog naogostodeplágio, em outubro de 2009 e qual não foi nossa supresa quando encontramos três postagens consecutivas (19/01; 20/01 e 22/01) sobre o caso que lhe havíamos revelado. O caso até o encerramento deste trabalho ainda aguarda solução. Fazemos votos de que a visibilidade dada pelo blog acelere o desvendar da questão.
Primeiramente, efetuaremos uma descrição das circunstâncias de produção das traduções através das seguintes questões, propostas pelos autores:
1. Quem foi o tradutor? (se era escritor, ou seja, autor de obra criativa ou se era tradutor profissional, em que época viveu etc).
2. Quando foi publicada a tradução? (é uma retradução, com outra tradução que antecede a essa?);
3. Quem solicitou tal tradução e por que? (qual é a editora? se está vinculada a algum projeto editorial maior, etc);
4. O tradutor ou editor fornece algum comentário meta-textual (prefácios, notas de rodapé)?
5. O que o tradutor privilegia na sua tradução: o texto fonte, a língua meta, os leitores da tradução, o aspecto estético do texto...? Ele traduz todos esses níveis com o mesmo grau de sutileza? (ele pode, por exemplo, sacrificar o nível lexical pela beleza literária do texto);
6. O tradutor acrescenta ou omite parágrafos, palavras ou imagens, etc no texto? 7. Outras observações que se fizerem pertinentes.
As questões 5 e 6 serão discutidas no Capítulo 4, dedicado à análise microestrutural das traduções. Passamos a seguir à resposta das demais questões acima:
1ª questão: Quem foi o tradutor? (se era escritor, ou seja, autor de obra criativa ou se era tradutor profissional, em que época viveu etc). É importante ressaltar que a projeção do nome do tradutor interfere na construção do ethos deste.
Mario Quintana MQ Márcia Aguiar MA Galeão Coutinho GC Antonio G. da Silva AS Autor de obra criativa e tradutor, falecido em 1994. Escritor de renome. O seu nome na capa, como tradutor, é um Tradutora profissional. Presente no Congresso de Professores de Francês (UFMG, 2005). Ao contrário Jornalista, poeta, autor de obra criativa (escreveu o romance Simão, o caolho). Morto em 1951. Embora tenha sido
Provavelmente tradutor profissional. Da mesma forma que MA, seu nome vem na folha de rosto e não acrescenta nada
indício de que a menção à sua pessoa representa um “selo de qualidade” para o conjunto das
prováveis pessoas que lerão o seu texto.
de MQ, seu nome não figura na capa. Vem na folha de rosto pois, por não ser conhecida, não acrescenta àquilo que se espera do texto
escritor como Mário Quintana, não alcançou a projeção deste. Seu nome vem no verso da folha de rosto.
àquilo que se espera do texto. Traduziu alguns livros para a Editora Escala (Auguste Comte Discurso sobre o espírito positivo e diversos livros de Diderot e Montesquieu). Para a editora Larousse traduziu Larousse das civilizações antigas. Vol. 1.Não há ficha catalográfica
Quadro 2 Como se caracterizam os tradutores de Zadig
Síntese da questão 1: No que concerne a esta questão chegamos a seguinte constatação: os autores Márcia Aguiar e Antônio Silva são tradutores profissionais e não escritores. Já Mário Quintana e Galeão Coutinho foram escritores, poetas, bem como tradutores em outro período da história da tradução no Brasil, o que configura outro estilo de tradução. Segundo Heloísa Gonçalves Barbosa esse período difere das exigências tradutórias do período atual, no qual os tradutores não podem se permitir certas liberdades, tais como omitir passagens do texto de partida (BARBOSA, 200992).
2ª questão: Quando foi publicada a tradução? (é uma retradução, com outra tradução que antecede a essa?).
Mario Quintana MQ Márcia Aguiar MA Galeão Coutinho GC Antonio G. da Silva AS
Feita por Mário Quintana, a primeira publicação dessa tradução remonta a 1951, editada pela editora Abril Cultural. É a primeira tradução de que temos
conhecimento. Reeditada em 2001 pela Ediouro (versão analisada por nós)
Feita em 2002. É uma retradução, posterior à de Mário Quintana. Está dentro do contexto da volta da disciplina Filosofia para o currículo de Ensino Médio e, portanto, será potencialmente lida por adolescentes na faixa etária de 15 a 18 anos.
Provável plágio, publicada em 2004. Também, como a de MA, está no contexto da volta da disciplina Filosofia para o currículo do Ensino Médio, vindo a ser, também,
potencialmente lida por adolescentes na faixa etária de 15 a 18 anos.
Não consta a data de publicação. Entretanto em correspondência com a Editora, averiguamos tratar-se de 2006. Como as duas anteriores insere-se na volta da disicplina Filosofia ao currículo de Ensino Médio. Quadro 3 Data de publicação de Zadig em português
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Síntese da questão 2: As três últimas traduções encontram-se dentro do contexto da retomada do ensino de filosofia e de sua acessibilidade a um leitor mais jovem. Neste caso percebemos uma tentativa de adaptar a linguagem a esta faixa etária, como a própria tradutora Márcia Aguiar salientou em sua comunicação apresentada no Congresso mencionado na introdução da presente tese. No tocante à tradução de Mário Quintana, dada a época em que ela foi produzida, temos a expectativa de encontrarmos um vocabulário mais condizente com a época e, portanto, mais erudito. Tal hipótese, já anunciada anteriormente, conduzirá a análise microtextual realizada no capítulo posterior.
3ª questão: Quem solicitou tal tradução e por que? (qual é a editora? se a tradução está vinculada a algum projeto editorial maior, etc).
Mario Quintana MQ Márcia Aguiar MA Galeão Coutinho GC Antonio G. da Silva AS
Reeditada pela Ediouro dentro da coleção
Clássicos de bolso.
Intitula-se Contos e
novelas, sendo o título
do conto, Zadig ou o
Destino. Em 2005, a
Ed. Globo também reeditou Contos e
novelas.
Ed. Martins Fontes dentro do Projeto “Voltaire Vive”
coordenado por Acrísio Tôrres, inserida na
Coleção Clássicos –
Literatura. Intitula-se
Zadig ou Do destino.
Publicado pela Ed. Itatiaia (Belo
Horizonte), dentro da Coleção Excelsior, vol. 7. Intitulado Zadig ou O Destino. Ed. Escala, no 29 Coleção “Grandes Obras do Pensamento Universal” (edição em papel jornal). Intitula- se Zadig ou o destino.
Quadro 4 - Editora que solicitou a tradução de Zadig
Síntese da questão 3: Podemos constatar nesta questão que a única tradução publicada numa editora de pequeno porte foi a de Galeão Coutinho. Todas as outras encontram-se em editoras com sede nos grandes centros, o que lhes permite uma maior visibilidade. A única tradução vinculada a um projeto editorial explicitamente definido é a de Márcia Aguiar, tendo como mentor e coordenador um, na época, professor da Universidade de Brasília, num projeto de cunho acadêmico denominado “Voltaire Vive”. Constatamos que a única tradução republicada por várias editoras é a de Mário Quintana, tendo a singularidade de ser a mais antiga, bem como ter sido feita por um escritor renomado. Além disso a sua publicação pela Ediouro tem a característica de constar numa edição juntamente com outros contos e novelas,
diferentemente das outras edições que publicam apenas o conto, separadamente. A Ed. Martins Fontes também acrescenta ao apêndice no qual figuram os dois capítulos póstumos de Zadig, outro no qual figura um mini-conto de Voltaire antecedido por uma nota de René Pomeau. No entanto, na capa dessa edição faz-se menção apenas ao primeiro conto.
4ª questão: O tradutor ou editor fornece algum comentário meta-textual (prefácios, notas de rodapé)? Mario Quintana MQ Márcia Aguiar MA Galeão Coutinho GC Antonio G. da Silva AS
Possui Prefácio com Sérgio Milliet; na tradução publicada pela Ediouro, há notas do tradutor, colocadas ao final do livro. Possui Apresentação de Acrísio Tôrres, o coordenador do Projeto “Voltaire Vive”; Introdução: Nota sobre
Zadig de René Pomeau
e Cronologia de Voltaire. Nenhum comentário meta-textual: sem Apresentação, Introdução ou Prefácio. As notas do tradutor são absolutamente idênticas àquelas da tradução de Mário Quintana, com a única diferença por virem no rodapé das páginas do conto.
Apresentação de Ciro Mioranza; Vida e Obras do Autor sem assinatura; Índice sem numeração.
Quadro 5 - Comentários meta textuais nas traduções
Síntese da questão 4: Depreendemos que das quatro traduções, aquela a possuir maior quantidade de comentários meta-textuais feitos por especialistas é a de Márcia Aguiar pela editora Martins Fontes. Constatamos que nenhuma dessas editoras abre espaço para que os tradutores exponham seus projetos de tradução, salvo pela presença das notas do tradutor, presentes nas traduções de Mário Quintana e Galeão Coutinho. Essas notas, por serem idênticas, confirmam a suspeita de plágio cometido por um dos dois tradutores.
As questões 5ª e 6ª serão trabalhadas no capítulo 4 dessa tese como já anunciado 7ª questão: Outras observações que se fizerem pertinentes.
Mario Quintana MQ Márcia Aguiar MA Galeão Coutinho GC Antonio G. da Silva AS Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP completo (Câmara Brasileira do Livro). Índice de todos os contos, inclusive dos
CIP completo acrescido do título original em francês; Índice, os capítulos não são numerados. Capa: padronizada, com título, nome do autor,
Ausência de CIP (ficha catalográfica). Índice numerado; mesmas notas de MQ, só que não estão ao final da obra e sim ao longo do texto em pé de página.
Ausência de CIP. Erro no início da obra:
Epístola Edicatória (e
não Dedicatória). Índice sem numeração. Os capítulos também não estão numerados.
comentários meta- textuais; os capítulos são numerados e, no interior desses, há quebra de parágrafos para cada fala de personagem, o que inexiste no texto de partida. Há ainda outra diferença: diálogos em destaque por meio de travessão.
Capa: padronizada da Ediouro (Clássicos de bolso + símbolo da editora, títulos), consta a referência ao responsável pela tradução (Mário Quintana, à esquerda) e ao prefácio (Sérgio Milliet, à direita). Quanto a comentários meta-textuais do tradutor, há apenas algumas notas do tradutor, dentre as quais a de numero 23 explicando o acréscimo dos últimos capítulos:
A dança e Os olhos azuis. Introdução de René Pomeau, pequena ilustração única indicando a figura de Voltaire e o nome do projeto “Voltaire vive”. Não há nenhum
comentário meta- textual da tradutora MA. Os dois capítulos acrescentados mais tarde estão em apêndice (A dança e
Os olhos azuis), com
uma nota atribuída à edição francesa da qual partiu sua tradução.
Consta a seguinte informação: “Direitos de propriedade literária adquiridos pela EDITORA ITAITAIA”. Capa: Voltaire, título e grande ilustração colorida indicando um tapete persa e a figura de um oriental. A mais semelhante à edição francesa da Librio. Os dois capítulos A dança e Os olhos azuis seguem na numeração com a mesma nota do tradutor, publicada na tradução de MQ. No interior desses, ocorre a quebra de parágrafos, inexistentes no texto de partida, com a mesma característica do texto de MQ: diálogos em destaque. Capa: padronizada, uma única cor, autor e título, pequena réplica do pensador de Rodin e o nome da Coleção. Colocam-se os
capítulos A dança e Os
olhos azuis em
apêndice, com uma nota contendo informações mais resumidas que a de MA e redigida de forma diferente que nas edições de MQ/GC. Nessa edição, não constatamos também nenhum outro comentário meta- textual do tradutor.
Quadro 6 - Comentários gerais sobre as diferentes traduções
Síntese da questão 7: Observamos que as duas primeiras traduções possuem CIP completo, já as duas últimas não o possuem. Todas as traduções colocam uma nota explicativa a justificar o acréscimo dos dois capítulos póstumos, sendo que a nota que consta na tradução de Mário Quintana e Galeão Coutinho são idênticas, ao passo que as notas elaboradas por Antônio Silva e Márcia Aguiar são textualmente diferentes, o que nos permite inferir um certo cuidado e a ética no trabalho de traduzir desses dois tradutores. No que concerne à capa, a edição mais semelhante à edição francesa que possuímos é a da editora Itatiaia. Para finalizar, ao compararmos as edições em mãos, constatamos que as que são melhor elaboradas são as edições da Ediouro e da Martins Fontes. As duas últimas não
possuem CIP, como mencionado acima, sendo que a da Editora Escala, além de apresentar erros de digitação, é impressa em papel de qualidade inferior.
Em razão dos aspectos que denotam problemas no que se refere à obra publicada pela Editora Escala, podemos presumir que possivelmente as condições de trabalho do tradutor não tenham sido adequadas. Certamente, piores do que aquelas nas quais trabalharam os demais tradutores.
Em suma, o que intentamos com o presente capítulo foi dar o primeiro passo em direção à nossa análise por meio de uma visão macroestrutural, tendo como ponto de partida os aspectos gerais que sobressaem do trabalho do tradutor. Nesse sentido, estar a par das circunstâncias evidenciadas pela materialização das traduções, visível através da editoração de cada uma das obras (seja aquela que compõe o texto na língua de partida ou aquelas na língua de chegada), nos dará subsídios para cotejarmos microestruturalmente os textos que compõem nosso corpus.
A partir do que foi discutido no Capitulo 2 e dos dados que elencamos no presente capítulo, podemos dizer que os textos de GC e de MQ representam uma enunciação e não duas, uma vez que são idênticas. Temos portanto uma enunciação em francês e três em português. Como pudemos ver, há em todas as edições ou uma apresentação de Voltaire, ou de um projeto editorial, ou um prefácio da sua obra, com exceção daquela editora que publica a pretensa tradução de GC. Nesta edição, não há nenhum texto antes do conto, nem depois. Há apenas as mesmas notas do tradutor da versão de MQ.
Exceto por essas notas do tradutor, não há em nenhuma das quatro edições do nosso corpus, comentários meta-textuais do tradutor expondo explicitamente seu projeto de tradução ou mesmo as dificuldades que encontrou na sua tarefa. Tais informações implícitas
começaram a ser visualizadas mas serão passíveis de ser enxergadas aprofundadamente quando cotejarmos os textos entre si e com o original, como o faremos no próximo capítulo93. Cabe esclarecer que o contexto brasileiro no qual foi feita a tradução por Mário Quintana simbolizava um momento em que esta atividade intelectual era assumida por escritor e não por tradutor (PAES, 1990). Galeão Coutinho, escritor e tradutor, pertence ao mesmo contexto de Mário Quintana. De acordo com informação também obtida com Denise Bottman, por correspondência pessoal em outubro de 200994, dentre as obras traduzidas por este primeiro escritor-tradutor está Cândido, publicado em 1944 pela Saraiva. Márcia Aguiar e Antônio Silva estão vinculados a outra conjuntura, em que não mais escritores são convidados a traduzir, mas sim tradutores contratados por uma editora. José Paulo Paes, poeta, professor e tradutor assinala essa diferença ao longo do tempo: “Os que mais competentemente a exercem não são tradutólogos, mas escritores que optaram por dividir o seu tempo entre a criação propriamente dita e a recriação tradutória” (PAES, 1990, p. 31). Recriação esta que evidencia um ethos tradutório, a demarcar a singularidade do tradutor. Estas explicitações constituem as principais diferenças quanto às condições de produção das traduções que utilizamos para compor nosso corpus.
Nesse capítulo apresentamos a análise macroestrutural dos textos de Zadig e passamos a seguir, no Capítulo 4 à análise microestrutural. A leitura do “fazer” de cada um dos tradutores nos levará a identificar um perfil só seu, que aqui estamos chamando de ethos, conceito exposto no Capítulo 1 e que será nossa principal ferramenta no próximo capítulo.
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O ethos não se diz, se deduz.
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4 ETHOS DOS TRADUTORES E PARTICULARIDADES DAS TRADUÇÕES