3.2. BÜYÜK VE ORTA BOY İŞLETMELER İÇİN FİNANSAL RAPORLAMA
3.5.3. BOBİ FRS Kapsamında Muhasebe Politikaları, Tahminler ve Yanlışlıklar
Quanto ao status enunciativo da tradução, há importantes considerações dentro do campo associado à psicanálise. Partindo de um ato falho que ocasionou um erro de tradução cometido por uma aluna, Maria Paula Frota (2000) se põe a expor uma série de autores que se propõem a refletir sobre as “diferenças singulares (inconscientes) que inscrevem o tradutor no texto, não importando sua (in)visibilidade”, fazendo em seguida a seguinte constatação: “Para o senso comum, o bom tradutor, fiel é aquele que se mantém neutro, que não interfere na ‘mensagem’ e na interpretação ‘originais’, vistas como transparentes e transportáveis” (FROTA, 2000, p. 26). Essa é a visão tradicional de que a tradução é uma reprodução, tal e qual, da mensagem do texto original, explicitada por Barros em A tradução como local de produção de discurso (2009, p. 204). A interferência do tradutor pode ser vista como um erro, indevida, ou como uma criação permitida, admitindo-se o status autoral do tradutor. Passeando pela linguística estruturalista de Saussure, Frota (2000) refere-se ao extremo cientificismo ao qual chegou um de seus discípulos – o francês Georges Mounin (1975) – nome imprescindível quando se trata desse campo do saber. Tal linguista, valendo-se dos postulados estruturalistas, sinalizou para um paradoxo que nos interessa também ressaltar: a tradução, embora muito praticada e de extrema necessidade, não era legítima nem tampouco possível. O par saussureano langue/parole (língua/fala) é por diversas vezes retomado em Frota para explicar a exclusão do tradutor quando a prioridade recai sobre a langue. A linguística da langue não acolhe as singularidades do ser falante e sutura as falhas, constituídas pelos lapsos de língua, inevitáveis para Freud e Lacan. A pesquisadora defende a tese de que o único paradigma capaz de superar a dicotomia linguagem-sujeito é a psicanálise. “Inexorável, a ação do inconsciente não pode ser evitada” (FROTA, 2000, p. 216). O tradutor fica visível por meio de seus lapsos e erros, pois ao emergirem dão a ver o sujeito e a verdade
de seu desejo. Para finalizar, a autora lança o seguinte alerta: “[...] gostaria de assinalar a importância da conscientização pelos tradutores, do processo psíquico que resulta em tais lapsos, ainda que tenhamos como alvo principal a sua eliminação” (FROTA, 2000, p. 216-7). Para a pesquisadora, vemos portanto que, mesmo que o tradutor não pretenda estar enunciando, ele o estará inexoravelmente. A autora, entre outros aspectos, tece importantes considerações a respeito da linguística estruturalista saussureana e da teoria da (in)visibilidade do tradutor de Lawrence Venuti e finaliza com a proposta de uma linguística pós-estruturalista associada aos avanços propostos por Freud e Lacan quanto às teorias da linguagem humana.
Ainda na linha da psicanálise, encontramos no site da editora Agalma, uma editora de publicações psicanalíticas, o artigo Tradução e enunciação, escrito pelo psicanalista Francisco Settineri, contendo afirmações que vão ao encontro de nossa tese:
[...]Em primeiro lugar, gostaria de esclarecer que a tradução implica uma
enunciação, onde o tradutor, por escondido que esteja, segundo o costume
infelizmente atual da "tradução invisível" , está dizendo que "Fulano de Tal, no ano tal, na língua e lugares tais, disse - e foi impresso pela editora X, etc. - o seguinte". Tanto isso é verdade que se separam as notas do autor das notas do tradutor. O tradutor meta-enuncia sobre suas dificuldades de transmitir o sentido . É ele que está enunciando, e a tradução vai depender de sua posição subjetiva, em maior ou menor grau. O desejo do tradutor vai estar presente, necessariamente, e sua "técnica de tradução" - tão sem sentido como uma técnica da psicanálise - irá ser tributária de seu amor à língua. Assim, ao enunciar, ele se autor-iza (SETTINERI, 2009, grifo nosso).
As teorias da tradução, segundo Frota (2000, p. 265-6), se apresentam movidas pelo interesse em “tirar da marginalidade – cultural e econômica – uma atividade tão antiga e tão fundamental em nossa história e, por conseguinte, o profissional que nela atua”. Em nosso estudo destacamos também esse objetivo.
Antes de passarmos aos capítulos 3 e 4 nos quais apresentamos as análises que desenvolvemos sobre as diferentes traduções do Zadig, queremos abordar, ainda que brevemente, como entendemos, com Eco, um conceito que julgamos importante em nosso trabalho, o de negociação.
Umberto Eco (2007) em Quase a mesma coisa não pretende elaborar uma teoria geral da tradução e sim levantar questões surgidas a partir de experiências práticas do próprio autor ao ter seus textos traduzidos. Eco afirma exigir “fidelidade” a seus tradutores e define tradução como uma forma de interpretação que “deve sempre visar [...] reencontrar não digo a intenção do autor, mas a intenção do texto, aquilo que o texto diz ou sugere em relação à língua em que é expresso e ao contexto cultural em que nasceu” (ECO, 2007, p. 17). E, logo em seguida, apresenta o conceito de “negociação”, central em toda sua reflexão.
A tradução se apóia em alguns processos de negociação, justamente, um processo com base no qual se renuncia a alguma coisa para obter outra – e no fim as partes em jogo deveriam experimentar uma sensação de razoável e recíproca satisfação à luz do áureo princípio de que não se pode ter tudo” (ECO, 2OO7, p. 19).
O semioticista e romancista chega a afirmar diversas vezes gostar mais de algumas soluções encontradas por seus tradutores, dizendo que talvez - se tivesse que reescrever o romance – a adotasse (ECO, 2007, p. 177-8). E acrescenta que “uma boa tradução é sempre uma contribuição para a compreensão da obra traduzida” (ECO, 2007, p. 291). Ao final, conclui:
A fidelidade é, antes, a tendência a acreditar que a tradução é sempre possível se o texto fonte foi interpretado com apaixonada cumplicidade, é o empenho em identificar aquilo que, para nós, é o sentido profundo do texto e é a capacidade de negociar a cada instante a solução que nos parece mais justa. Se consultarem qualquer dicionário, verão que entre os sinônimos de
fidelidade não está a palavra exatidão. Lá estão antes lealdade, honestidade, respeito, piedade. (ECO, 2007, p. 426).
Para chegar ao conceito de negociação, o semioticista diverte-se apresentando o conceito de reversibilidade. Eco executa alguns experimentos com o serviço de tradução automática do Altavista, traduzindo um verso do francês para o inglês e voltando com o mesmo para o francês. Chega assim ao conceito de reversibilidade e de tradução “ideal”: “O texto B na língua Beta é a tradução do texto A na língua Alfa quando, retraduzindo B para a língua Alfa, o texto obtido, A2, tem, de alguma maneira, o mesmo sentido que o texto A”.
Claro que a reversibilidade total não é o que acontece. Em geral, constata-se um continuum de reversibilidade: vai-se da reversibilidade máxima à reversibilidade mínima. Eco afirma: “o que me parece importante ter presente por ora é que uma tradução, mesmo errada, permite que se retorne de alguma maneira ao texto de partida” (ECO, 2007, p. 67).
Todas as questões apresentadas e discutidas nesse capítulo e no anterior, constituem para nós um conjunto que possibilitou o desenvolvimento das análises, tanto macroestrutural quanto microestrutural, tanto do conto de Voltaire, Zadig, quanto de suas quatro traduções. Especificamente, as questões que discutimos nesse último capítulo nos permitiram situar as condições de produção dos nosso quatro textos de chegada e encontram-se no Capítulo 3, voltado para a análise macroestrutural das traduções.
3 O CONTO, O ESCRITOR E SEUS TRADUTORES: