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3.2. BÜYÜK VE ORTA BOY İŞLETMELER İÇİN FİNANSAL RAPORLAMA

3.5.9. BOBİ FRS Kapsamında Finansal Araçlar ve Özkaynaklar

Colocamos aqui as duas perguntas, oriundas de Lambert & van Gorp (1985), que conduzem ao aprofundamento de nossa análise microestrutural. Propositalmente fizemos a inversão de tais perguntas por considerarmos que o desenvolvimento da questão 6 nos dará subsídios para elucidarmos as questões mais amplas contidas na questão de número 5.

Lambert & van Gorp (1985, p.48-9) coloca-nos, portanto, a seguinte pergunta: “O tradutor acrescenta ou omite parágrafos, palavras ou imagens no texto?” Respondendo a esta pergunta, chegamos à seguinte interpretação: primeiramente, na tradução de MA não constatamos nenhuma omissão. Esta postura adotada pela tradutora pode também ser visualizada por tradutores da contemporaneidade que, devido às exigências vigentes no campo da tradução, não lhes permite ter o mesmo procedimento de MQ/GC, tradutor a apresentar a maior incidência de omissões, presentes sobretudo na Epístola e no capítulo Les énigmes. Constatamos também que o seu texto é mais sintético que o de MA e AS, sendo que este último tradutor omite uma única passagem na Epístola. O trecho “quoique vous soyez belle, et que vos talents ajoutent à votre beauté” não foi traduzido por AS e MQ/GC traduziu- o apenas parcialmente, omitindo assim a primeira parte da oração (em negrito) e deixando de lado o adjetivo axiológico belle, a nosso ver importante. Outro trecho da epístola, repleto de axiológicos, omitido por MQ/GC é o seguinte: “Vous êtes discrète et vous n’êtes point

défiante; vous êtes douce sans être faible; vous êtes bienfaisante avec discernement; vous aimez vos amis, et vous ne vous faites point d’ennemis ”(VOLTAIRE, 2001, p 7); MA traduz da seguinte forma : “Sois discreta e não sois desconfiada; sois meiga sem serdes fraca; sois benévola com discernimento; amais vossos amigos e não fazeis inimigos” e AS, assim: “Tu és discreta e não és desconfiada, és doce sem ser fraca; és benfeitora com discernimento; amas teus amigos e não crias inimigos”.

Em Les énigmes, um indicador interessante a ser observado na tradução de Mário Quintana é a sua liberdade ao retirar a oração encaixada sans qui rien ne se peut faire e acrescentar o advérbio irreparavelmente. Um ethos mais sintético é o que aparece por trás de tal opção tradutória. Todavia, consideramos esta opção inviável para o sentido expressado no texto de partida, pois a substituição da oração “sem a qual nada se pode fazer”121 pelo advérbio não produz o mesmo efeito de sentido da oração encaixada, comprometendo a elucidação do enigma pelo leitor do texto traduzido. Diferentemente de Mário Quintana, Márcia Aguiar e Antônio Silva preferiram preservar a comparação plus regrettée e não omitir a oração encaixada, o que neste caso a nosso ver foi a melhor escolha. Observemos o quadro abaixo que contribui para ampliar a visualização das possíveis comparações:

Voltaire Mário Quintana/

Galeão Coutinho

Márcia Aguiar Antônio Silva

1º ENIGMA

“Quelle est de toutes les choses du monde la plus longue et la plus courte, la plus prompte et la plus lente, la plus divisible et la plus étendue, la plus négligée et la plus regrettée, sans qui

rien ne se peut faire,

qui dévore tout ce qui est petit, et qui vivifie tout ce qui est grand? “ (...)

Qual é de todas as coisas do mundo a mais longa e a mais curta, a mais rápida e a mais lenta, a mais divisível e a mais extensa, a mais negligenciada e a mais irreparavelmente lamentada,

que devora tudo o que

Qual é dentre todas as coisas do mundo a mais longa e a mais curta, a mais veloz e a mais lenta, a mais divisível e a mais extensa, a mais negligenciada e a

mais lamentada,

sem a qual nada se pode fazer, que

devora tudo o que é

Qual é, de todas as coisas do mundo a mais longa e a mais curta, a mais rápida e a mais lenta, a mais divisível e a mais extensa, a mais

negligenciada e a mais

lamentada,

sem que nada se possa fazer, que

devora tudo o que é

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é pequeno e que vivifica tudo o que é grande? (...)

pequeno e que vivifica tudo o que é grande? (...)

pequeno e que vivifica tudo o que é grande? (...)

2º ENIGMA

Quelle est la chose qu’on reçoit sans remercier, dont on jouit sans savoir comment, qu’on donne aux autres

quand on ne sait où l’on en est, et qu’on

perd sans s’en apercevoir?

Qual é a coisa que se recebe sem agradecer, que se desfruta sem saber como, que damos aos outros quando não sabemos

onde é que estamos, e

que perdemos sem o perceber?

Qual é a coisa que recebemos sem agradecer, da qual se goza sem se saber como, que damos aos outros quando não

sabemos onde

estamos e que

perdemos sem nos

aperceber?

Qual é a coisa que se recebe sem agradecer, que se usufrui sem saber como, que é entregue aos outros quando não se sabe

onde é que se está e

que perde sem perceber?

Quadro 14 Quadro Comparativo dos Enigmas Fonte: (VOLTAIRE, 2004: 11; 14; 20; 2001: 65; 66; 68, 2002: 03; 07; 12-13, 2006: 15; 17; 26-27)122.

A análise linguística deste enigma está interligada à sua decifração. Sabendo que sua resposta é a vida percebemos que as escolhas de Mário Quintana e Márcia Aguiar, ao traduzir quand on ne sait où l´on en est por “não sabemos onde é que estamos” e “não sabemos onde estamos” enfatizam idéia de lugar, tornando excessivamente objetivo o que no texto fonte, a nosso ver, produz um efeito diverso por ser mais amplo e subjetivo. Consideramos a tradução de Antônio Silva mais adequada, neste caso, pois ao usar a partícula de indeterminação do sujeito na oração “não se sabe o onde é que se está” ele conserva o efeito de uma subjetividade implícita, ao dar por meio desta escolha, uma impessoalidade presente no original pelo pronome on.

Quanto aos acréscimos, temos aqui dois exemplos: em sua primeira experiência amorosa, no capítulo Le borgne, quando estavam a passear, Zadig e sua noiva foram atacados por inimigos e, após tê-la protegido do ataque, Zadig a levou “para casa ” (AS), ”de volta a casa ” (MA) ou “para a casa de seus pais ” (MQ/GC). Na concepção de mundo das pessoas nos anos 50, uma moça que vai se casar, naturalmente mora com seus pais. Vemos aqui claramente MQ/GC explicitar a condição de homem do seu tempo ao traduzir assim “ramena chez elle Sémire ”. Para ele, a casa de uma moça não podia ser outra do que a casa “de seus

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Os quadros presentes neste trabalho contêm fragmentos do texto original e suas respectivas traduções que compõem o seu corpus.

pais ”. Tal pequeno acréscimo tem origem portanto na concepção de mundo do tradutor, que vem se revelar aqui enunciativamente.

Outra passagem que achamos relevante analisar situa-se ao final da epístola que antecede o conto. Há diferença nas traduções : “esses reis é que fariam a minha viagem ” (MQ/GC) ; “esses reis é que fariam a viagem ” (MA) e “esses reis que teriam empreendido a viagem para te ver ” (AS). Inferimos que o acréscimo ocorrido em MQ/GC e AS se deu pelo desconhecimento de uma referência mítica, que também não conhecíamos : Talestris, rainha das Amazonas vai visitar Alexandre, o Grande e a rainha de Sabá empreende longa viagem para ver o rei Salomão. “A viagem ”, sem estar associada a essa referência mítica, guarda apenas contato com a sultana e seu interlocutor, que se refere à “minha viagem ” (MQ/GC) e “a viagem para te ver ” (AS). Ao pesquisarmos sobre quem foi Soleiman e a rainha de Sabá e Scander e Talestris, descobrimos que foram esses dois reis (Salomão e Alexandre) que receberam a visita de tais rainhas e que, ao querer enaltecer ainda mais a sultana, o autor da epístola123 diz-lhe ser, ela, merecedora de receber a visita dos referidos reis, tornando-a ainda mais importante que as duas grandes rainhas. Apenas quando compreendemos tal referência, fomos capazes de avaliar que o acréscimo de AS é tolerável por explicitar uma relação de certa forma coerente. No entanto, o pronome possessivo de primeira pessoa em MQ/GC, aplicado à viagem mítica, não faz nenhum sentido. Pressupomos que o referido tradutor desconhecia a viagem de tais personagens e se aventurou a traduzir seguindo uma interpretação, de acordo com nossa pesquisa, equivocada. MA traduz literalmente do francês, e não corre o risco de errar, embora, a nosso ver, pudesse também ter posto o nome dos reis da forma como nós os conhecemos hoje (Soleiman Salomão e Scander Alexandre). A referência ao conhecimento enciclopédico ficaria dessa forma um pouco mais facilitada para o leitor brasileiro.

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Tal sugestão estaria adequada para um tradutor que quisesse construir um ethos de facilitador da leitura do público brasileiro, que estivesse mais vinculado ao contexto de chegada, tornando a tradução mais “aceitável ”, da forma como o colocam Lambert & van Gorp, (1985). O tradutor que mais se aproxima desse tipo de ethos nesse momento do texto é AS, ao tentar explicitar a relação construída entre a sultana e os reis míticos.

Passemos agora à próxima questão: “O que o tradutor privilegia na sua tradução: o texto fonte, a língua meta, os leitores da tradução, o aspecto estético do texto...? Ele traduz todos esses níveis com o mesmo grau de sutileza? (ele pode, por exemplo, sacrificar o nível lexical pela beleza literária do texto)” (LAMBERT & VAN GORP, 1985, p. 48-9).

Percebemos algumas singularidades presentes em cada tradução. No caso de MQ/GC, vemos uma nítida preocupação em adequar os pronomes franceses aos alocutários vernaculares. Na epístola, por exemplo, há uma escolha pronominal diferente do restante do conto como foi visto anteriormente. No que concerne ao plano dialogal ele é o tradutor que possui uma diversidade maior de pronomes com relação aos outros dois tradutores. Tal escolha de MQ/GC denota estar o mesmo voltado para o texto meta e, portanto, o leitor brasileiro. Verificamos também, por parte deste tradutor, a utilização acentuada de um recurso estilístico, a inversão, o que caracteriza que o mesmo prima por um aspecto estético mais proeminente, como apontado pelos autores de gramáticas da língua portuguesa124. Já MA concentra suas escolhas pronominais num quadro reduzido de pronomes, fazendo de seu texto o mais semelhante ao texto fonte. O emprego do pronome vós dá a sua tradução o caráter estético vinculado à elegância de um pronome associado ao registro culto da língua portuguesa. Por outro lado, a sua maior preocupação com os leitores reside nas escolhas lexicais, por fazer uso de um padrão de vocabulário mais coloquial, conforme declaração feita pela tradutora durante o congresso previamente mencionado. Finalmente, o tradutor da

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Editora Escala apresenta escolhas lexicais semelhantes às de MA. No entanto, há em sua tradução inúmeras confusões pronominais, tais como a utilização indiscriminada de pronomes de terceira e segunda pessoa, além do efeito de estranhamento provocado pelo uso do pronome de segunda pessoa do singular quando o personagem se dirige à sultana, na Epístola. Por este último aspecto, sua tradução torna-se mais próxima do registro oral da língua de chegada. Notamos, dessa forma, pouca preocupação com o caráter estético do texto.

As sutilezas da ironia, marca constante de Voltaire, são em geral mantidas nas três traduções. Entretanto, no capítulo Les disputes et les audiences125, há a seguinte sentença: “On l’admirait et cependant on l’aimait”, da qual a conjunção adversativa cependant é traduzida por no entanto (MQ/GC), entretanto (MA) e por também (AS). Há, portanto, uma ironia perdida pela tradução equivocada de uma conjunção adversativa pela conjunção aditiva

também no texto de AS. A relação de oposição entre amar e admirar alguém (que produz um

efeito ironicamente crítico), encontrada no texto de partida, é mantida em MQ/GC e MA, mas não em AS. Esse é um caso típico erro de tradução, que só se pode atribuir a distração, provavelmente decorrente da pressa dedicada ao trecho em questão, além de falha na revisão do texto. Portanto, esse descuido do tradutor levaria o leitor a não apreender a concepção voltariana de que amar e admirar podem não estar associadas, ao contrário do que comumente se espera, duas atitudes opostas e não convergentes, o que constitui uma ligeira crítica banhada de ironia.

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