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BÖLÜM IV. ARAŞTIRMANIN BULGULARI

4.5 İlişkisel Bulgular

4.5.1.1 Bilişim Teknolojilerine Yatırım

O objetivo central desta dissertação foi analisar algumas questões referentes ao processo de Implantação do Complexo Aracruz Celulose S/A (1972) no município de Aracruz, litoral norte do estado do Espírito Santo, com destaque especial para o discurso de modernização e progresso que tal investimento traria para a região.

No bojo desse discurso, destacamos os reflexos desse processo de modernização sobre as comunidades indígenas Tupinikin e Guarani Mbya.

Para tanto, fizemos um breve recorte temporal, que abrangeu desde a chegada da empresa Aracruz Celulose, em 1967, até a primeira homologação das terras indígenas, em 1983. Reservamos atenção especial para os condicionantes históricos da implantação da Aracruz Celusose S/A, a participação do Governo do Estado do Espírito Santo, a atuação da Funai e o efeito desses elementos sobre o ritmo da organização da luta pela terra indígena no Estado.

Não há como negar que houve, no Espírito Santo, um processo de modernização que alterou substancialmente a condição de vida de uma parcela da sociedade nas últimas quatro décadas. Essa modernização significou profundas mudanças na organização econômica, fundiária e social do Estado. Não obstante, não podemos omitir que isso foi resultado, sim, de uma política agrária conservadora, que incentivava os Grandes Projetos de Investimentos e excluía do cenário político parte significativa da sociedade brasileira. A implantação da empresa transnacional Aracruz Celulose S/A, por exemplo, desencadeou uma luta pelas terras indígenas, no município de Aracruz, que se desenrola há quase quatro décadas.

Como se demonstrou no Capítulo I, a ação das forças político-econômicas do Estado, em consonância com os interesses dos projetos dos generais-presidentes, no intuito de promover a modernização da agricultura, bem como a industrialização do estado do Espírito Santo, foi fundamental para mudar os desígnios do desenvolvimento econômico capixaba.

A partir da análise de uma bibliografia considerável, inferimos que o projeto modernizante da agricultura capixaba deve ser pensado sob duas perspectivas: a primeira é de que a implantação dos Grandes Projetos de Investimentos no Espírito Santo é conseqüência tanto de um transbordamento da industrialização nacional, que se iniciou no estado de São Paulo (no início do século passado), quanto parte integrante do elenco de projetos implantados sob a égide do II PND, levados a cabo pelo então governador Arthur Carlos Gerhardt Santos (1971–1974).

Na análise da consolidação do projeto de modernização e/ou diversificação da economia capixaba, é mister considerar tanto os fatores endógenos – a ação dos agentes políticos locais – quanto os fatores exógenos – por exemplo, as transformações e o aprofundamento do processo nacional de modernização da agricultura implementado principalmente a partir do movimento político-militar de 1964, sobretudo com a implantação do II PND (1974).

Como visto, ao longo desta pesquisa, a escolha do município de Aracruz para “abrigar” o Complexo Paraquímico representado pela empresa Aracruz Celulose S/A levou em consideração três relevantes questões, vinculadas a fatores internacionais, nacionais e regionais.

Em nível internacional, a expansão do mercado de celulose, a insuficiência das reservas florestais nos países tradicionais produtores, o longo prazo de maturação das florestas, as dificuldades em expandir as áreas reflorestadas e o aumento de pressões sociais contra a poluição industrial foram fatores responsáveis por uma primeira reorganização espacial da indústria mundial de celulose que, “[..] ao induzir a busca de novas fontes de matérias-primas, despertou interesses por florestas tropicais”.430

Em âmbito nacional, a implantação do Plano de Metas (1956-1960), do II PND (1974-1979), do I PNPC (1975) e, ainda, uma gama de leis e incentivos fiscais aos “reflorestamentos”, que se iniciaram com a Lei n.º 5.106/66, viabilizaram a constituição e a consolidação da indústria de celulose no País, em especial no estado do Espírito Santo.

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No contexto estadual, a ação das forças políticas locais representadas pelo governador Arthur Carlos Gerhardt Santos, que centrava cada vez mais seus esforços no sentido de promover a modernização e/ou diversificação da economia

capixaba; a criação da Lei n.o 5.106/66, que redundou em um forte impulso da

atividade de reflorestamento no Estado; as condições edafoclimáticas; uma suposta disponibilidade de terras; a localização privilegiada devido à proximidade dos grandes centros nacionais e uma população nativa com pouca capacidade de fazer frente ao processo de expropriação territorial. Todos esses fatos foram, sem dúvida, determinantes para escolha do estado do Espírito Santo, mais especificamente do município de Aracruz, para “hospedar” a grande indústria de celulose.

A instalação da empresa Aracruz Celulose S/A no litoral norte do Espírito Santo alterou de forma significativa o modus vivendi das populações nativas (índios, quilombolas, posseiros, pequenos produtores agrícolas), impondo a essas populações um rearranjo em seu cotidiano. No caso das comunidades indígenas Tupinikin e Guarani Mbya, a violência cometida, a expropriação de praticamente todo o território pertencente aos índios (40.000ha de terras) desencadearam a luta pela propriedade da terra indígena no estado do Espírito Santo.

Ao analisar a implantação da Aracruz Celulose S/A e a conseqüente luta pelas terras indígenas Tupinikin e Guarani Mbya e pela afirmação étnica dos índios Tupinikin, tidos como “extintos” desde o final do século XIX, nossa pesquisa evidenciou que houve na atuação do Estado (1967 a 1983) capixaba, junto com a empresa Aracruz Celulose, um discurso de modernização e progresso que a nosso ver repetia antigos discursos já bastante conhecidos: o Mito sacrifical do índio e da natureza em prol não mais da civilização, como acontecia na Colônia e no Império, mas em favor da modernização capitalista do Espírito Santo e do Brasil.

Os colonizadores lançaram mão de um argumento religioso que pudesse justificar o massacre, o extermínio, o encobrimento do Outro, a fim de levar a civilização cristã às terras descobertas e retirar os índios da condição de selvagens. A esse respeito, foi nossa intenção destacar a dialética intrínseca a esse processo civilizatório, que traz em seu bojo o seu contrário: a barbárie.

Enfim, quando analisamos o processo de desenvolvimento da empresa Aracruz Celulose, não podemos deixar de expor as arbitrariedades que ela cometeu e ainda comete contra as comunidades indígenas, ao invadir e expropriar a terra de seus verdadeiros proprietários, quase sempre com o apoio do aparato repressivo do Estado. Enfatizamos que os argumentos, vinculados ao discurso modernizante da Empresa e do Estado capixaba, estão fundados na lógica do capital. Dessa forma, buscamos sublinhar que essa prática discursiva não é algo que surge com a atuação da Empresa, tampouco com o Estado capixaba em particular. Trata-se de um discurso de longa data, cujos estudos e pesquisas podem ser exemplificados nos esforços acadêmicos de autores, como Bosi (A dialética da colonização, 1992), Dussel (O encobrimento do Outro, 1993), Ribeiro (O povo brasileiro, 1995). Ribeiro esclarece:

Assim é que a Ibéria e a Grã-Bretanha, tão recheadas de duras resistências dos povos que englobam em seus territórios, que jamais conseguiram digerir, aqui deglutem e dissolvem quase tudo. Onde se deparam com altas civilizações, seus povos são sangrados, contaminados, decapitados de suas chefaturas, para serem convertidos em mera energia animal para o trabalho servil. Essa gente desfeita só consegue guardar no peito o sentimento de si mesmos, como um povo em si, a língua de seus antepassados e reverberações da antiga grandeza.431

Procuramos demonstrar como ocorreu essa dialética do progresso, do desenvolvimento, da modernização do estado capitalista que, para modernizar, civilizar, precisa exterminar, eliminar a alteridade, o não-idêntico, pois o Outro (no caso os índios) aparece como um entrave para o progresso, para a modernização e, sem progresso, sem modernização, não há estado capitalista. Contudo, se se argumenta que a civilização é o melhor estágio da humanidade, como pode esse melhor estágio estar fundado sobre a barbárie, sobre o sofrimento, a negação do Outro? Não custa lembrar, aliás, que a origem dos Estados Modernos ocorreu a partir de um desejo de total aniquilação do Outro.

O discurso político-econômico do Governo Capixaba que comandava o Estado no período de implantação da empresa Aracruz Celulose, em consonância com esta, de tão esclarecedor, de tão racional, portanto portador de uma verdade universal, transformou-se em um mito: o mito da modernização. É como se o Estado

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Salvacionista, conforme argumenta Ribeiro, pudesse elevar o padrão de vida dos cidadãos. Estes, ao terem emprego, teriam renda e poderiam consumir. No ato de consumo, movimentariam o comércio, e este, ao escoar as mercadorias, faria com que a indústria produzisse mais. Tudo estaria resolvido. Eis o modelo (o discurso é esse) perfeito para a utópica sociedade capitalista.

A nosso ver, “a conta a pagar” foi alta demais. Além do sangrento processo de tentativa de extermínio e exclusão das comunidades indígenas, que são os verdadeiros proprietários de parte considerável das terras ocupadas pela Aracruz Celulose S/A, não se pode deixar de enfatizar os enormes danos ambientais ocasionados pela Empresa (como, por exemplo, a poluição do ar e da água resultante da liberação de resíduos sólidos e líquidos na água e no ar). Por sua vez, os benefícios, do ponto de vista da condição humana, foram apenas superficiais, pois toda a infra-estrutura que se instalou como “progresso” volta-se ao funcionamento e desenvolvimento da própria instituição empresarial. Citando Vieira: “É como se a fábrica e seu entorno fosse um sistema fechado cujo mecanismo de feedback fosse a própria máquina e não o ser humano”.432

Nosso esforço foi tentar recuperar a trajetória de inserção do estado do Espírito Santo à corrente modernizante hegemônica mundial. Na pesquisa, ressaltamos as forças atuantes em todos os níveis, desde a política estadual/nacional/internacional até o ponto oposto, que é o indígena em seu resistente esforço para não sucumbir ao incivilizado processo civilizatório, que se impõem quando se implanta um Grande Projeto de Desenvolvimento.

A partir do processo de investigação, podemos concluir, também, que o dilema dos povos indígenas se situa no âmbito da problemática da reforma agrária. Esta, por sua vez, é aqui entendida não apenas como mera redistribuição de terras a pequenos agricultores, mas como medida política destinada a reconhecer a concepção que da terra têm diferentes grupos sociais e étnicos, sem a qual sua

sobrevivência fica comprometida. 433 No Brasil moderno, ressalta Martins, o próprio

capital impôs a luta pela terra, como luta contra a propriedade capitalista da terra. Desse modo, não há dúvidas quanto ao “[...] caráter anticapitalista das diferentes

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VIEIRA, 1990, p. 89.

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modalidades de lutas pela terra levadas à frente por trabalhadores do campo, sejam

índios ou brancos”.434

Nossa intenção foi problematizar a modernização brasileira e, em particular, a capixaba trazendo para o foco de análise mais um ponto de vista: a do Estado. É hora de superarmos os estreitos limites da modernização autoritária e conservadora que marcou o desenvolvimento econômico e social do estado do Espírito Santo e, encararmos o desafio de construir um processo de desenvolvimento mais democrático.

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