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BİRLEŞMİŞ MİLLETLER E-DEVLET GELİŞMİŞLİK ENDEKSİ

Guba e Lincoln (1987) fazem referência a uma série de paradigmas utilizados em diversas áreas de investigação. Entre os dois mais frequentes no campo da investigação social — “científico” e “construtivista” — apontam este segundo como mais vantajoso em uma série de aspectos. É importante esclarecer a aparente disparidade entre a classificação diádica de Guba e Lincoln — paradigmas científico e construtivista — e a classificação triádica de Alves-Mazzotti — paradigmas pós-positivista, teórico-crítico e construtivista social. Alves-Mazzotti (1996) refere-se à visão de Guba, expressa em texto de 1990, de que os pós- positivistas e os teórico-críticos parecem julgar possível algum tipo de acomodação entre seus paradigmas. Os construtivistas, ao contrário, consideram os pressupostos de seu paradigma incompatíveis com os dos outros dois e imprescindíveis à total substituição do positivista, cujas graves falhas não permitiriam uma mera troca de roupagem. Concluímos, assim, que Guba engloba pós-positivismo e teoria crítica naquilo que ele denomina “paradigma científico” e considera pouco adequado à investigação na área humana e social. Em outra abordagem, Guba e Lincoln (1994) reconhecem certa possibilidade de aproximação entre os paradigma construtivista e teórico-crítico, no tocante ao questionamento feito por ambos da separabilidade dos aspectos ontológico e epistemológico.

A discussão feita nesta seção tomará por base principalmente a classificação diádica, que parece suficiente para destacar as principais características do paradigma adotado nesta pesquisa e possibilita a apreciar a recomendação de Guba e Lincoln (1987) sobre a importância de tomar como critério de escolha o melhor ajuste entre os pressupostos e posturas do paradigma e o fenômeno a ser estudado ou avaliado. Esses autores discutem a questão contrastando as visões do cientista e do construtivista.

4.1.1.1 Pressupostos característicos dos paradigmas

Em termos gerais, Guba e Lincoln (1987) contrapõem, agrupados em três categorias, os pressupostos dos praticantes dos paradigmas científico e construtivista. Quanto à visão da realidade, o cientista tem o mundo como série

fragmentável de entidades reais, descritíveis por variáveis, e de processos fixos,

representáveis por funções matemáticas e outras interrelações, tudo constituindo a descrição de fenômenos convergentes para a única verdade; o construtivista, ao contrário, vê os fenômenos do mundo mais como divergentes e percebe como igualmente importantes, intrinsecamente relacionadas e complementares — como as camadas de uma cebola — as múltiplas perspectivas de realidade cujo estudo compreensivo e interrelacionado leva a modelos da “verdade”.

Quanto ao caráter da relação pesquisador-objeto, o cientista assume que o estudo do fenômeno será independente da influência do pesquisador, a quem cabem cuidados (contraditoriamente baseados no senso comum) para que isso ocorra; o construtivista, ao contrário, assume que o investigador estuda os fenômenos de forma interrelacionada, sendo infrutífero pretender desconsiderar as percepções de quem colhe os dados e as consequências destas sobre a informação. O dualismo sujeito-objeto é suposição razoável nas investigações de sistemas fechados (comuns em Química e Física), mas não nas que envolvem pessoas, quando há reflexos de fatores como fadiga e preconceitos, mesmo na elaboração e na interpretação de resultados de questionários.

Quanto à natureza das declarações de verdade, o cientista considera possível a produção de generalizações e focaliza a pesquisa nas semelhanças, pretendendo gerar uma base de conhecimento nomotética;1 o construtivista evita generalizações e lança mão de hipóteses de trabalho, atém-se mais às diferenças, na caracterização de contextos distintos, e considera mais complexa a questão da transferibilidade de descrições entre situações, levando a uma base de conhecimento idiográfica.2

1 Nomotético: diz-se de método ou disciplina que formula ou trata de leis gerais para o

entendimento de determinado evento, circunstância ou objeto (HOUAISS; VILLAR, 2001).

2 Idiográfico: diz-se de método de conhecimento científico ou de disciplina que trata de fatos

Conforme Alves-Mazzotti (1996), Guba resumiu do seguinte modo, em 1990 — ressaltando serem as suas construções a respeito — essas mesmas três categorias de pressupostos do construtivismo social (nos termos da autora):

1. ontologia relativista — decorrente da visão de subdeterminação da teoria: considera não haver um processo fundamental que determine nem a veracidade nem a superioridade de uma teoria, implicando a necessidade de reconhecer que as realidades existem sob a forma de múltiplas construções mentais, locais e específicas, fundadas na experiência social de quem as formula;

2. epistemologia subjetivista — decorrente da visão de que as realidades existem apenas nas mentes dos sujeitos: vê na subjetividade a única forma de fazer vir à luz as construções mantidas pelos indivíduos, em investigações cujos resultados são sempre criados pela interação pesquisador-pesquisado;

3. metodologia hermenêutico-dialética, na qual as construções individuais são provocadas e refinadas por meio da hermenêutica e do confronto dialético, com o objetivo de gerar uma ou mais elaborações caracterizadas por um significativo consenso entre os respondentes.

4.1.1.2 Posturas derivadas dos paradigmas

Entre as posturas metodológicas típicas do paradigma construtivista, conforme descritas por Guba e Lincoln (1987), destacamos aqui as mais importantes para compreender a adequação desse paradigma ao objeto de investigação proposto. É importante entender que os autores insistem em que há incompatibilidade apenas entre os conjuntos de pressupostos dos paradigmas. No tocante às posturas, eles aconselham moderação na busca de balanceamento, sempre com os olhos postos no objeto de estudo. Novamente aqui, os próprios autores apresentam, de forma contrastiva, os pares de posturas derivadas dos dois paradigmas, referindo-se sempre ao cientista e ao construtivista. Isso facilita a percepção de como essas posturas podem complementar-se na composição de uma metodologia que propicie uma rica visão de abertura na reflexão sobre as questões de áreas tais como a Ciência da Informação, nas quais aspectos técnicos e humanístico-sociais entrelaçam-se de modo tão imbricado.

O propósito da pesquisa, para o cientista, é a verificação de hipóteses especificadas a priori; para o construtivista, é a descoberta de elementos de

introspecção não incluídos em teorias existentes. Essas duas abordagens

apresentam diferenças e importância suficientemente grandes para não serem relegadas a estágios isolados da pesquisa, sendo vantajoso buscar intercalação e intermediação entre elas.

A perspectiva típica dos cientistas é reducionista (estrutural, focalizada, singular), enquadrando a pesquisa entre os limites das restrições impostas às condições prévias e aos resultados; a dos construtivistas é expansionista (aberta, exploratória, complexa), buscando descrições e entendimentos que reflitam a complexidade dos fenômenos, pela reunião de insights sobre o campo estudado.

Quanto aos tipos de conhecimento utilizados, os cientistas restringem- se ao conhecimento proposicional, ligado à forma e ao sentido denotativo da linguagem; os construtivistas valorizam também os conhecimentos conotativo e

tácito na geração da teoria, em vista do conteúdo comunicativo que encerram.

Quanto à origem da teoria, o cientista valoriza a geração a priori da teoria e sua posterior verificação, enquanto o construtivista admite a geração

contextual da teoria e o exame do contexto como fonte desta.

No tocante às técnicas preferidas, não há — nem deve haver — uma divisão rígida. Em geral, os cientistas preferem os métodos quantitativos, o que provavelmente decorre da ênfase do paradigma científico no controle e na verificação, ligados a definições a priori de variáveis e à utilização de métodos de medida e tratamentos estatísticos; os construtivistas inclinam-se mais para os

métodos qualitativos, devido a razões que incluem o fato de eles focalizarem melhor

os conceitos e as características que, estando ainda por descobrir, não podem ser especificados de antemão.

Em relação aos critérios de qualidade, o cientista decide o que é ou não uma boa pesquisa por meio de critérios que traduzem o rigor (objetividade, confiabilidade, validade interna) e produzem experimentos de projeto elegante e extensão limitada; o construtivista prefere critérios ligados à relevância, que favorecem a consideração da dimensão humana do fenômeno. Também aqui, extremismos são prejudiciais.

Quanto ao momento da especificação das regras de coleta e análise

dos dados, os cientistas fazem-no antes da pesquisa, acreditando que isso

aumente a objetividade; os construtivistas não têm a possibilidade de desenvolver formulações apriorísticas, pois os dados têm de ser unificados e categorizados pós-

prova, segundo regras definidas e aplicadas nessa fase da pesquisa, num processo

possivelmente menos rigoroso, mas certamente mais flexível.

O plano de investigação deve ser concebido, na pesquisa científica, de modo pré-ordenado (antes da prova) e não modificável posteriormente (fixo), para garantia do significado na interpretação dos resultados; na pesquisa construtivista, o plano é emergente e variável, podendo ser especificado previamente apenas de forma incompleta, já que o detalhamento imporia restrições antitéticas à postura e ao propósito do pesquisador. Os autores recomendam a valorização do segundo tipo e a utilização do primeiro apenas em situações nas quais haja possibilidade de levantar hipóteses muito específicas.

O estilo de testagem de hipóteses, no paradigma científico, é

intervencionista, restringindo a explicação das descobertas às variáveis previamente

definidas, com a vantagem do rigor e a desvantagem da perda de relevância; no

construtivista, o estilo é não-intervencionista, com a valorização dos chamados

experimentos naturais e a preferência da relevância ao rigor.