BİRİNCİ DÜNYA SAVAŞI YILLARINDA BALIKESİR’DE SOSYAL HAYAT
3.1. Balıkesir’de Cihad-ı Ekber’in İlanı
A utilização das terras no Extremo Noroeste Paulista está diretamente relacionada com os aspectos de colonização, como foi observado, em dois principais momentos de seu processo de construção do espaço agrário. É necessário que se considere as condições existentes no contexto da região para que se possa compreender como se procedeu a utilização das terras pelos trabalhadores rurais, dispostos diferentemente sobre o espaço, com características distintas, em momentos diferenciados, uma vez que não se pode considerar a análise produtiva sem considerar os aspectos que dinamizam o espaço, assim como suas imbricações com o geral.
Os trabalhadores rurais utilizam a terra conforme as suas necessidades e anseios. Dentre os aspectos que necessitam de maior destaque, está a necessidade do pagamento em um período curto para a CAIC, o que remete aos trabalhadores um maior investimento nas lavouras temporárias, que permitem uma produção em um período menor, utilizando também menos recursos para a produção. Porém, o anseio que permeava entre os trabalhadores agrícolas, principalmente no segmento produtivo encontrado até 20 ha, era da plantação de café, uma vez que a maioria dos produtores era de colonos de antigas fazendas
de café, e tinha nessa cultura seu principal expoente, como base para que pudessem concretizar um progresso econômico.
Outra característica, ainda baseada nas culturas temporárias, era o predomínio dos arrendatários, que não tinham muito tempo para produzir, assim como os compromissos feitos verbalmente ao fazendeiro e seus subarrendatários, intensificando a utilização dos produtos temporários. Fica evidente que as características impostas de fora para dentro trouxe uma caracterização à região como sendo colonizada de maneira em se aproveitar do território e dos atores que se dirigiam para ele, sob a égide do capital. Segundo Santos & Silveira (2001, p. 22)
É nesse sentido que um território condiciona a localização dos atores, pois as ações que sobre ele se operam depende de sua própria constituição. Uma preocupação com o entendimento das diferenciações regionais e com o novo dinamismo das duas relações tem norteado particularmente a busca de uma interpretação geográfica da sociedade brasileira.
A utilização das terras é realizada conforme, principalmente, as necessidades de grupos de produtores, e/ou pelo valor pago pelo produto, assim como pela facilidade e rapidez da produção e comercialização. Neste momento, a necessidade daqueles que se utilizavam a terra, era a produção em um período curto, pois se fazia necessário o pagamento de contas junto a Companhia e ao fazendeiro, e a produção para subsistência, sem muito investimento, pelos proprietários rurais e arrendatários.
Baseado nessas características, na frente pioneira havia um predomínio de estabelecimentos utilizando a lavoura temporária como principal fonte de recursos no estabelecimento rural, que se desencadeou durante o final da década de 1940 até início da década de 1960. Esse fato ocorreu devido a necessidade dos produtores, assim como a presença de arrendatários, de produzir em um período curto, uma vez que em ambos os casos deveriam pagar suas dívidas, o primeiro para a CAIC, e o segundo para o fazendeiro, incluindo o empório que localizava dentro da fazenda. Era necessário que as lavouras entrassem em produção rapidamente, para que os produtores obtivessem retorno em períodos curtos, sem grande aplicação financeira inicial, já que não a possuía.
Em 1960, os estabelecimentos com utilização de lavouras temporárias, dentre elas, o algodão, o milho, a mamona, o arroz, que possuía um bom preço de mercado, o feijão, o amendoim, entre outros, representavam 47,1% de todos os estabelecimentos produtivos, ocupando uma área correspondente a 24,3%, enquanto que a quantidade de estabelecimentos que cultivavam as lavouras permanentes correspondia a 24,9%, dispostos
em 15,5% da área total. Durante o processo de colonização, a cultura temporária sobressaía sobre a permanente, caracterizando a policultura temporária como principal responsável pelo dinamismo econômico do período, devido aos fatores já explicitados, que levaram os produtores a se utilizarem desse tipo de cultura para subsistência e comercialização, como demonstram as Tabelas 6 e 7.
Em contrapartida, a quantidade de estabelecimentos que possuía área destinada às pastagens, correspondia no período a 16,2% dos 42% da área total, como será apresentado posteriormente. Já as matas e florestas estavam presentes em 8,7% do total de estabelecimentos, em uma área que compreendia 14,2%. Essa quantidade já se encontrava muito reduzida, devido a extração de madeiras para a formação de áreas destinadas à produção agrícola, assim como para a pecuária, além da venda de dormentes para a Estrada de Ferro Araraquarense (EFA), que seguia com os trilhos em direção ao rio Paraná.
Ocorreu uma pequena redução da quantidade de estabelecimentos com área para pastagem em meados da década de 1980, pois algumas áreas foram ocupadas pela atividade cafeeira, com 32,2% do total em 69,4% da área. Nesse período, ocorreu um aumento na quantidade das lavouras permanentes, que passou para 32,8% dos estabelecimentos, no auge da cultura cafeeira na região, ocupando 13,2% da área, representando a grande maioria dos produtores rurais do Extremo Noroeste Paulista em 1985.
Tabela 6 – Utilização das Terras no Extremo Noroeste Paulista (Estabelecimentos)
1960 1970 1980 1985 1995-6 Lavouras Permanentes 2571 1021 1618 1628 758 Lavouras Temporárias 4862 1619 1174 1193 1039 Pastagens 1677 1701 1662 1599 1612 Matas e Florestas 902 702 682 427 611 Terras em Descanso 305 164 96 118 33 Total 10317 5207 5232 4965 4053
Fonte: Censo Agrícola de 1960; Censos Agropecuários de 1970, 1980, 1985 e 1995/6.
Em meados da década de 1990, quando a erradicação do café já se encontrava em andamento na região, houve um aumento na produção de lavouras temporárias, porém, acompanhando a crise regional, passou a diminuir juntamente com o café. Os 25,6% dos estabelecimentos rurais ampliaram a produção de lavouras temporárias em relação às culturas permanentes, que era produzida em 18,7% dos estabelecimentos, em áreas respectivas representando 10,9% na cultura temporária e 5,3% na permanente.
Tabela 7 – Utilização das Terras no Extremo Noroeste Paulista (Área – ha)
1960 1970 1980 1985 1995-6 Lavouras Permanentes 12328 6542 8393 10055 4040 Lavouras Temporárias 19347 15206 6570 10075 8303 Pastagens 33489 47497 58717 52560 60832 Matas e Florestas 11341 4405 2567 2865 2778 Terras em Descanso 3089 813 245 166 232 Total 79594 74463 76492 75721 76185
Fonte: Censo Agrícola de 1960; Censos Agropecuários de 1970, 1980, 1985 e 1995/6.
Houve um pequeno aumento na quantidade de estabelecimentos com área destinada às pastagens, representando 39,7% dos estabelecimentos em uma área equivalente a 79,8% do total, demonstrando que mesmo com o número de estabelecimentos voltados para a pecuária ter permanecido praticamente o mesmo, a quantidade de estabelecimentos com produção de lavouras diminuiu, aumentando, portando, a importância da pecuária junto aos produtores. Tem-se, portanto, na década de 1990, uma crescente importância econômica na produção pecuária, tanto de corte como leiteira, porém concentrada, já que não houve uma ampliação na quantidade de estabelecimentos com área destinada às pastagens.
Porém, se tomar para análise o total de estabelecimentos destinados à produção agrícola, ou seja, as lavouras temporárias e permanentes, constata-se que a maioria dos produtores rurais, volta sua produção para a atividade agrícola em detrimento da pecuária, mesmo que o valor da produção animal, em termos gerais, ultrapasse o valor da produção vegetal na maioria dos municípios do Extremo Noroeste Paulista durante o período analisado, devido ao próprio valor da produção animal, que é superior ao valor da produção vegetal, em termos quantitativos.
Ocorreu, portanto, uma concentração na utilização das terras da década de 1960 até meados da década de 1990. Essa concentração é observada também, nas áreas destinadas às pastagens, sendo que a quantidade de estabelecimentos manteve-se praticamente estável, e a área ocupada por ele foi ampliando, aumentando 81,5% entre 1960 e 1995. No período do auge do café, em meados da década de 1980, quando aumenta a quantidade de estabelecimentos ocupados com lavouras, verifica-se (quando se estimava uma grande redução na quantidade de estabelecimentos destinados a pastagem, uma vez que a área diminuiu), o não desencadeamento dessa diminuição de estabelecimentos, que se manteve durante toda a década de 1980, assim como no período analisado. Porém, existe uma diferenciação entre estabelecimentos com área de pastagem, e estabelecimentos informantes
com produção pecuária, segundo o IBGE, uma vez que em estabelecimentos com área para pastagens, não necessariamente existe uma atividade criatória.
Os principais aspectos a serem considerados nesse segmento são os apresentados, com o predomínio da cultura temporária sobre a permanente, exceto na década de 1980, devido a expansão da cafeicultura, e a área ocupada pelas pastagens, que teve aumento significativo em relação à quantidade de estabelecimentos, mantendo-se progressivamente em crescimento, porém, cada vez mais concentrada.
Alguns artifícios do governo poderiam modificar a estrutura vigente na região desde meados da década de 1960, porém não houve ação significativa. Segundo Belik (1998, p. 16)
A partir da constituição do Sistema Nacional de Crédito Rural em 1965, o setor agropecuário passa a contar com fundos permanentes destinados ao financiamento das atividades agropecuárias. Esses fundos tinham como fontes: a) as exigibilidades bancárias sobre os depósitos a vista dos correntistas; b) os empréstimos externos; e c) os recursos do orçamento fiscal da União.
O surgimento do SNCR poderia ser um benefício, principalmente para os pequenos produtores agrícolas, porém, o que acarreta, como explicita Delgado (1985, p. 45) é que “Sua clientela preferencial é o produtor modernizado ou modernizável, inserido na malha das relações interindustriais do CAI”. Isto ocorre porque os principais interesses de financiamento estavam direcionados ao custeio, investimento e comercialização, com um sentido claramente modernizador, principalmente para aqueles que certamente poderiam pagar a dívida posteriormente.
Para Soboll (1993, p. 87) “O pico máximo de recursos reais foi alcançado pelo SNCR nos anos 1979 e 1980”, e o “último suspiro do SNCR ocorreu durante o Plano Funaro, em 1986, quando o aumento da demanda de alimentos, via salários, gerou uma expectativa de aumento da produção.” (p. 89).
Esse sistema teve pouca influência, portanto, aos produtores agrícolas da região, já que acabavam de alicerçar as bases para a formação de uma sociedade, sem maiores condições de utilização do crédito, até mesmo pelas condições precárias que se encontrava a cidade de Santa Fé do Sul, ainda em formação, e com pouca infra-estrutura, incapaz de suportar toda a população que se dirigia para o local, sendo construída gradativamente as bases para suportar a movimentação de produtos e da própria sociedade que se alicerçava.