2.2. Kemalist Kadın Hareketi ve “Türban Meselesi”
2.2.2. Başörtüsünün “Türbanlaşması”
98 Seminário Internacional
integração atuantes antes da Revolução de 30, e as elites estaduais panicipavam desse processo. Estavam fazendo alguma coisa para integrar o país, antes do trabalho iniciado pelos revolucionários e, daro, bem antes da chegada do Estado Novo, quando o processo se acelerou. No trabalho de Ângela Maria de Castro Gomes,A
burguesia
e otraballw,
encontramos bons exemplos de grupos econômicos articulando-se nacionalmente para tomarem conta de problemas que realmente tornaram-se nacionais, e não mais regionais. Então, como a elite econômica e politica da República Velha estava tomando a iniciativa, era mais diflcil acabar com elas. Elas não foram completamente irrelevantes. E mesmo depois da Revolução de 30, continuaram agindo nesse sentido de integrar. Assim, a integração avançava no cenário nacional e no cenário estadual e local. em um processo complexo. Vargas e o grupo que o cercava levaram quase sete anos para dominar esse processo de integração que outros conduziam a nível estadual.Em terceiro lugar, falando sobre a ideologia daquele grupo,já havia também um
tipo de democracia oligárquica. Um tipo de democracia que não era completa mente falsa, e por isso foi mais diflcil acabar com aquele grupo que controlava o poder. Se não fosse assim, seria impossível imaginar a capacidade de o grupo pennanecer no poder.
O voto era imponante tanto para o Congresso quanto para
os legislativos estaduais.O sistema liberal da época funcionava até ceno ponto. E
podemos dizer que a Revolução de 30 foi, em seus modos de pensar, um tipo de revolução liberal frustrada Isto porque, anteS da revolução - em 1929 especial mente -; havia um movimento de modernização dos partidos. e ainda precisamos investigar muito mais sobre aquela possível abenura liberal que se delineava na época Realmente, foi um tipo de liberalismo frustrado, ainda com possibilidades de se desenvolver. Abalado pela crise econômica, este liberalismo perdeu-se rapidamente por causa do ataque vindo dos direitistas. Acho que o trabalho dos tenentes foi muito imponante. porque eles desautorizaram o liberalismo, ocupando o centro do debate ideológico. Fizeram isso com um grande sucesso. O liberalismo quase desapareceu da politica. E desapareceu rapidamente da historiografia da época também. A direita ganhou decisivamente nesta batalha contra o liberalismo, porque também ela tinha meios de incorporar os novos grupos.O liberalismo falava sobre os problemas da dasse média das cidades, dos
sindicatos, do populismo urbano. Tudo isso estava daro no programa da Aliança Liberal. Mas a direita também tinha possibilidades de incorporar esses mesmos setores com outro tipo de politica, que era realmente, como todo o mundo sabe, um tipo de modernização conservadora. E eles ganharam, porque aquele tipo de liberalismo oligárquico ainda continua nos Estados Unidos quase até 37. E por isso foi ainda mais diflcil acabar com ele.Um quano ponto que quero focalizar brevemente é sobre o papel da liderança política, porque foi um pouco por acaso que a revolução aconteceu. Se não fosse a campanha de Washingron Luís, empenhado em punir Minas Gerais, é diflcil imaginar o êxito da revolução em meio a tantas lutas interoligárquicas. A crise
A Revolução de 30
99
econômica mundial é uma coisa. A campanha de Washington Luis contra Minas Gerais - chegando quase ao ponto de uma intelVenção militar, que jamais havia ocorrido em Minas antes - é outta coisa. E porque Washington Luis puniu tanto Minas Gerais, reduzindo o tamanho de sua delegação - refiro-meà
degola de Washington Luís contra Minas -, cortando o acesso aos créditos externos, quase terminando com o poder político de Minas ... Era o tipo de liderança da época. É também importante o papel dos tenentes depois da revolução. Foi um grupo bem po deroso no sentido de que eles tinham idéia de como manobrar o poder. Eles queriam fazer alguma coisa, e as oligarquias estavam atadas à situação econômica. E nesse tipo de mudança, é fundamental haver um grupo que realmente saiba o que quer fazer com o poder. Confuso como eles eram, eles ainda assim constituíam um grupo de poder. A intelVenção dos tenentes foi, de fato, decisiva.Poderia fazer mais comentàrios sobre isso, mas acho que o meu tempo está chegando ao fim. No entanto, não posso deixar de falar sobre a liderança de Vargas e a liderança de Roosevelt. Depois de
1929, o liberalismo no mundo ocidental
declinou, e mesmo nos Estados Unidos o sistema de Rooseveltdemorou a ganhar. Foi ele quem salvou o capitalismo nos Estados Unidos, daro, e o liberalismo também, Lá, ainda estamos vivendo no sistema de Roosevelt. Porém, naquela época, a força, a direção da história não era tão clara. Em tomo de1940, Roosevelt
ganhou mesmo, e depois tomou-se um grande lider mundial. As forças liberais recuperam-se, e o jogo do mundo ocidental venceu mais uma vez. Mas isso levou dez anos, fato que abriu espaço para outras lideranças. Ao mesmo tempo, no Brasil, Vargas tornava-se um grande lider, fazendo a sua politica muito hábil. Esperando. manobrando e finalmente conseguindo um grande triunfo no sentido de erguer um Estado competente, um Estado que realmente foi o berço do Estado Nacional no Brasil, e que ainda continua.DEBATES
LÚCIA LIPPI OLIVElRA - Aspásia caracterizou bem o penodo de 30 a 37 como período de confronto. de luta, e colocou o processo de centralização como a ques tão principal em tomo da qual se travam os debates. Vargas é o homem que vai desenvolver o controle das oligarquias, e Góis, o controle do Exército. Pensando nisso e incorporando a sugestão de Elisa de se considerarem os interesses organizacionais do Estado, fico com a seguinte dúvida:
37
estava ou não contido em30?
Os ideólogos do Estado Novo reafirmam a cada momento que 30 só se completa em37. Mas a meu veristo não é claro. Não era fatal que esse processo de
controle das oligarquias obtivesse êxito. A história não estava necessariamente escrita em tudo. Agora, se eu incorporo o problema dos interesses organizacionais do Estado, a coisa fica mais di/lcil ainda. Do ponto de vista desses interesses, a tônica da centralização já vinha sendo dada antes de 30. A pergunta que me fica é a seguinte: quando essa oligarquia que existia, que funcionava nos estados se une a um projeto do Estado, por que é que ocorre um processo liberal burguês? O que resulta é uma proposta do tipo autoritário-burocrático. Será que essa possibilidade liberal burguesa está afastada da nossa história? E por que isso?
ASPÁSIA CAMARGO - Acho que essa questão do desdobramento do processo revo lucionário é realmente muito importante, sobretudo porque os equívocos se acumu lam em tomo dela. É uma posição oficial do Estado Novo admitir que a Revolução de
1930 permaneceu inconclusa até racionalmente desembocar no pacto de 1 937. O
Estado Novo aparece, portanto, como o desfecho natural de um processo conflituoso. E como a pacificação forçada, e necessária, de conflitos ideológicos insolúveis.Tive oponunidade de observar também recentemente, nos debates acadêmi cos que decorreram no cinqüentenário da Revolução de
1 930,
posiçôes idênticas. Apenas com o sinal inverso. Dentro desta mesma lógica, surgia o seguinte comentário: "A Revolução de 30 é 37, ponanto não interessa estudar o que veio antes, e sim o seu próprio desfecho", ou seja, o pacto autoritário tal como foi montado em 37, e não suas origens: a Revolução de 30. Minha discordância comesse tipo de posição é total. A conclusão a que cheguei é de que 3 7 é, de fato, o momento de triagem e de depuração dessas elites. Nesse particular, penso que o esrudo dos atores que compôem essas elites toma mais compreens(ve! todo o processo. Mas é preciso não esquecer que os focos de conflito são muitos, e que os
102 Seminârio Internacional
temas do dissidio são diversos. E mais ainda, que eles se sucedem ao longo do tempo, estabelecendo uma lenta filtragem entre os diferentes segmentos e as diferentes propostas que ascendem com a Revolução de 1 930. A Revolução de 32, que nos remete ao confronto regionalismo/centralização,
é um deles; a rebelião
de 35, que remeteà polarização ideológica, é outro. E desse processo resulta a
maior integração de um universo político antes bastante disperso e heterogêneo. A dose de autoritarismo necessária à criação do consenso seria, a meu ver, objeto de controvérsia. Mas não resta dúvida de que as tendências autoritárias da ordem mundial influenciaram diretamente o nosso próprio modelo. Como irão influen� ciar a abertura de 1945, em sentido inverso.Realmente, acho que o estudo do periodo 30/37 é de uma importãncia fundamental.
É um periodo rumultuado que em geral desencoraja os historiado
res; daí uma cena tendência a simplificar as coisas. Hoje, podemos ver com maior clareza que a conjuntura de 3 1 no pais é bem diversa da conjuntura de 33, que por sua vez é totalmente distinta da de 34 ou 36. E mais, que estas diferenças importam. de modo que " a aceleração do tempo histórico". que mencionei aqui como uma característica dessa revolução das elites, mais do que nunca está presente nesse periodo conjunturalmente muito rico. Julgo que vale a pena fazer uma pesquisa de laboratório sobre ele, buscando investigar divagens, alianças e formas de aproximação desses grupos, seja ao nivel ideológico, sej a ao nivel das instiruições, seja ainda ao nivel regional e do próprio Estado.E o liberalismo,como ficou? O segmento "liberal", passadas as três etapas da revolução a que aludi, será paulatinamente marginalizado. Embora atue como elemento legitimador da "etapa liberal" e mobilizadora da revolução - marcada pela campanha pública, os movimentos populistas e rudo o mais -, esse segmento será alijado no momento seguinte. E será alijado, não por uma simples fatalidade estrutural, mas porque as forças de
condução
da revolução no seu final, decisivo, são tenentistas, castilhistas, positivistas - antiliberais por excelência -, embora com nitidas conotações reformistas. Essas forças não são, de fato, sequer sensíveis ao voto secreto, embora acenem para a modernização das estruturas políticas. Em outras palavras, pretendem implantar a modernidade mais pela via do Estado do que da representação.O liberalismo entre nós foi sempre muito capenga. Algumas lideranças, como por exemplo Assis Brasil, que tinham compromisso com o programa, não se nudeavam em tomo de panidos com clientela e plataforma consistente. A prova é que Vargas conseguiu neutralizar esses grupos no pós-30, manipulando exata mente seus interesses e reivindicações particularistas.
Em suma, a condusão a que se chega é de que o liberalismo foi destruido nos anos 30 porque já era muito frágil desde antes. Isto se evidencia tanto ao nivel do processo revolucionário em si quanto de seus desdobramentos no periodo pós-30.
A Revolução de 30 103 Procurei apenas mostrar que a hierarquização e o desempenho das forças revolucionárias explicam muito do que virá a seguir.
ELISA MARIA PEREIRA REIS - Vou tentar dar uma resposta rápida para a ques tão demasiado complicada, que a Lúcia Lippi colocou.
Acho que, quando a gente fala na inviabilidade do liberalismo na conjuntura revolucionária de 3D, não vai nisso nenhuma afirmação de cunho genealógico, de que o Estado brasileiro estava geneticamente comprometido com alguma coisa antiliberal. A meu ver, se se parte de duas noções muito concretas, chance histórica e escolha politica, dá para entender a evolução do processo e o triunfo da orientação não-liberal. Em outro contexto histórico, por exemplo, na Revolução
de 1848, na Alemanha, não estava implícita a aliança entre
junkers
e indústria que vai se processar mais tarde. Não sei tampouco se 1 9 1 7 estava implicito em 1905. Em suma, a nível de chance histórica e pensando no Estado como organização há dados muito concretos. Não me refiro apenas ao fato de o Estado estar se fona.Jecendo, já que o fona.Jecimento é uma tendência de qualquer Estado moderno (a modernização implica nisso). Mas o Estado tem uma vantagem estratégica: otiming
do seu fona.Jecimento avança mais do que otiming
de incorporação de novos atoreS políticos. Em 30, o Estado está numa posição privilegiada para tutelar a entrada de novos competidores, novos atores na arena política. Ao nível da chance história, é isso que ocorre. Ao nível da escolha concreta, ai tem-se toda a margem de liberdade poss[vel para entender que os homens fazem a sua própria história: fazem coisas concretas diante de situações também concretas.VÍTOR NUNES LEAL (PRESIDENTE) - Eu gostaria de colocar dois ou três problemas - mais problemas do que propriamente objeções. Um deles diz respeito à acumulação profissional, observada em São Paulo, entre fazendeiros, banqueiros e �andes comerciantes. Se eu estiver enganado, o prof. Celso Furtado me corrigirá. E uma noção corrente a de que a acumulação de capital em São Paulo começou na agricultura, que tinha sobras das exportações e, ponanto, foi a agricultura que fez a indústria, foi a agricultura que fundou os bancos. Então, era muito natural que, numa cena fase, banqueiros. agricultores e industriais em São Paulo fossem a mesma gente, o mesmo grupo social. E ste é um dado que me parece relevante na composição profissional das elites.
Outro ponto se refere