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Bağdat (Dâru’s-Selâm, Burc-ı Evliyâ)

Como mencionado nas páginas iniciais, os Pontos de Cultura são as uni- dades institucionais para onde convergem processos relacionados com a vivência cultural, a criação e a experiência artística. O Ponto de Cultura é concebido como um espaço público que promove o diálogo entre diferentes atores, incentiva a prática da interculturalidade, da construção de identidades múltiplas e o trabalho compartilhado e em rede.

A adesão ao programa é realizada mediante processo de convênio entre as entidades da sociedade civil e o Ministério da Cultura que são selecionadas através do edital público, por meio de comissão que analisa os projetos apresentados.

Entre as principais motivações para ingresso no programa, na pesquisa de 2006, 44% dos Pontos indicaram a necessidade de captar recursos para fortalecer as atividades em andamento, e apenas 20% para desenvolver uma nova iniciativa/ projeto. Nessa ocasião, constatou-se que 59% das propostas surgiram da própria instituição e 33% de uma demanda expressa da comunidade, sendo que 67% das propostas tiveram como estímulo a falta de acesso das populações locais aos bens e produtos culturais, e 14% a preservação das tradições.

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O Programa Cultura Viva e os Pontos de Cultura: a constituição de uma rede democrática de produção político-cultural

A avaliação do IPEA (2009) também conirma essa tendência, visto que 49% dos entrevistados mencionaram a busca por recursos como uma grande motivação para aderir ao Programa, seguida por ampliação das atividades (47%), que teve um peso maior com relação à pesquisa anterior. De fato, em 2009, 76% das insti- tuições declararam que os recursos geridos pelas organizações eram originários do Programa Cultura Viva. Em 2006, para 88% das entidades, os recursos inanceiros do MinC eram a principal fonte de renda para o gerenciamento e administração dos projetos desenvolvidos. O atendimento à demanda também foi um estímulo importante para ingresso no Programa, indicada por 24% dos Pontos; diversiicação e transformação da cultural local, e a necessidade de preservação e valorização da memória local foram citadas por 21% e 23% dos Pontos, respectivamente.

As informações apresentadas nos permitem concluir que no início do Progra- ma os Pontos de Cultura buscaram fortalecer e sustentar as ações em andamento, e no decorrer do tempo foi possível incorporar novas iniciativas e projetos. Também, observa-se uma redeinição das prioridades de atuação por parte dos Pontos de Cultura, já que nas etapas iniciais o foco estava voltado para a democratização do acesso e a preservação das tradições, e, recentemente (após cinco anos de execução), a diversiicação e transformação da cultura local e valorização da memória. As in- formações apresentadas indicam que desde as etapas iniciais, os Pontos de Cultura tiveram a preocupação de alinhar a sua atuação com os objetivos do Programa44.

Chama a atenção a destacada presença de organizações não-governamentais como entidades proponentes (59% em 2006). Com relação ao tempo de atua- ção dessas entidades, no ano de 2009, 28% das instituições tinham sido criadas entre as décadas de 1930 e 1980, com predomínio desta última (18%); 35% na década de 1990; e 37% nos anos 2000. Na pesquisa de 2006, 11% das entidades tinham mais de 30 anos de atuação, 18% entre 20 e 30, 32% entre 10 e 20 anos de existência, 22% entre 5 e 10 anos, e 15% entre 2 e 5 anos. A partir destas in- formações pode-se airmar que a maior parte dos Pontos de Cultura é composta por organizações com ampla trajetória e experiência no campo social e cultural. Embora a presença de organizações “jovens” não seja signiicativa (porém desejável), é possível airmar que a rede de Pontos de Cultura está conformada por institui- ções com capacidade de articulação com o tecido social, considerando o tempo de atuação no âmbito do terceiro setor brasileiro. Levando em conta que a rede está conformada por uma importante maioria de Ongs e que a busca por recursos constitui uma grande motivação para participar do Programa, é possível airmar que o Cultura Viva representou uma estratégia signiicativa de sustentabilidade

44 Como mencionado nas páginas anteriores, na pesquisa de 2006, 54% dos Pontos indicaram

ter por objetivo garantir o acesso à cultura, 32% assegurar a valorização da cultura local, e 26% promover as identidades étnicas, de gênero e regionais.

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inanceira dessas organizações, considerando o contexto de crise que o terceiro setor vem atravessando desde os anos 2000.

Com relação às atividades desenvolvidas pelos Pontos de Cultura, vale des- tacar que as linguagens tradicionais estão presentes, mesmo que atualizadas, em gêneros mesclados ou hibridizados e contemporâneos, como o hip hop, o graite, e também na atualização e utilização de tecnologias com a inalidade de valorizar tradições culturais45. Na pesquisa de 2006, 66% dos Pontos de Cultura realizavam

atividades utilizando linguagens audiovisuais; 61% trabalhavam com música; 56% em teatro; 42% com dança e fotograia; 40% com artes plásticas e 33% com artesanato. Em 2009, destacaram-se a música (68% ); as manifestações populares (61%); as atividades audiovisuais (58%); o teatro (54%); a literatura (52%); e o artesanato (48%). Além disso, os Pontos de Cultura constituem locus privilegiados de formação e fortalecimento da cidadania e da identidade cultural, visto que, em 2006, 68% dos Pontos manifestaram desenvolver atividades voltadas para o fortalecimento da cidadania e 49% de conscientização política.

Na pesquisa de 2009, observa-se que os Pontos de Cultura mantiveram, em linhas gerais, os focos de atuação. Entretanto, foram incluídas outras atividades, como as artes plásticas e a fotograia, que começaram a ganhar destaque (44% e 41%, respectivamente) e também as artes gráicas (31%) e o cinema (21%), forta- lecendo o trabalho artístico e expressivo do fazer cultural no contexto do capitalis- mo cognitivo46. A avaliação de 2009 indica que os espaços mais recorrentemente

presentes nos Pontos são salas de aula (85%), salas de projeção audiovisual (70%), laboratório de informática (69%), biblioteca (68%), salas de exposição (65%), auditórios (54%), ateliês (44%), palcos tablados (41%) e teatro/arena (34%). Observa-se a presença de Pontos com estúdio de música (32%), com quadras de esportes (24%), com discoteca (22%) e com laboratório de fotograia (11%). Certamente, a presença de equipamentos audiovisuais e de informática permitem que os Pontos possam desenvolver estratégias de inclusão digital.

As informações apresentadas revelam que a infra-estrutura e as tecnologias disponíveis nos Pontos de Cultura foram se soisticando no decorrer do tempo, já que anteriormente, em 2006, os espaços mais recorrentes se limitavam a bibliotecas

45 Grupos indígenas, dança gaúcha, a capoeira, os artesanatos e a literatura de cordel, para

mencionar alguns poucos exemplos.

46 A noção de “capitalismo cognitivo” torna-se pertinente para caracterizar a especiicidade do

novo paradigma produtivo no qual a circulação (e difusão) da informação, os conhecimentos e a comunicação constituem elementos centrais na organização do trabalho e na produção.

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O Programa Cultura Viva e os Pontos de Cultura: a constituição de uma rede democrática de produção político-cultural

(presentes em 62% das entidades); auditórios (51%); sala de exposições (45%) e cinemas (21%). Inclusive, nesse momento, apenas 45% das entidades dispunham de 1 a 5 computadores com acesso à Internet de banda larga e 15% não contavam com esta tecnologia.

Com relação às articulações institucionais – aspecto que constitui uma ação estratégica do Programa – na pesquisa de 2006, 51% dos Pontos de Cultura decla- raram ter relacionamentos com outros Pontos. Já em 2009, a rede foi fortalecida, considerando que 85% dos coordenadores airmaram realizar articulações com outros Pontos de Cultura para compartilhamento de dúvidas e experiências; reali- zação de atividades em conjunto; intercâmbios de pessoal; divulgação de trabalhos; elaboração de projetos em comum; e, por último, para a captação de recursos.

Quanto à sua capacidade de articulação, os Pontos de Cultura vêm demons- trando habilidades para manter relações estáveis com outras instituições, além do próprio MinC: 83% têm outros parceiros inanceiros e 97% se relacionam estavelmente com escolas, empresas, organizações não-governamentais (ONGs) e secretarias municipais e estaduais, entre outras. Esta tendência já podia se observar desde o início do Programa, pois, em 2006, 56% dos Pontos se relacionavam com escolas públicas, 30% com organizações privadas, 59% com associações comunitá- rias, 53% com instituições públicas e municipais e 46% com ONGs. Nessa ocasião, para os coordenadores entrevistados, a participação no evento Teias da Cultura foi fundamental porque facilitou o intercâmbio de experiências com instituições e projetos diversos, oferecendo aos atores envolvidos um panorama amplo sobre as atividades desenvolvidas e em andamento.

Com relação às comunicações estabelecidas entre os Pontos e o MinC, os contatos estiveram prioritariamente orientados para resolver problemas vinculados à implementação das ações, especialmente no que diz respeito ao repasse de recursos, atrasos de pagamentos e também às regras e critérios de aplicação dos recursos. Esta tendência pode se observar desde o início do Programa, tendo em vista que, na avaliação de 2006, 41% dos contatos foram para realizar consultas sobre o repasse de verbas e 39% para realizar consultas sobre a prestação de contas.

Benzer Belgeler