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2.4. YENĠ TÜRK TĠCARET KANUNU’NA GÖRE BAĞIMSIZ

3.1.1. Bağımsız Denetim Skandalları

americanos a partir da metade do século XIX. Os imigrantes implementaram na região o cultivo do algodão em pluma, cuja boa qualidade forneceu subsídios para a instalação de uma importante indústria de fiação e tecelagem, às margens do ribeirão Quilombo, nas imediações da sua foz no rio Piracicaba, denominada Fábrica de Tecidos Carioba S/A. As águas do ribeirão movimentavam os teares hidráulicos da indústria e a matéria prima era proveniente da própria produção de algodão da fazenda Salto Grande. Para abrigar os funcionários construíram-se casas, dando origem a uma vila. No fim do século XIX, a empresa já havia se tornado a segunda maior têxtil do Brasil. No começo do século XX, foi fundada no município de Americana uma fábrica de tecidos de seda, a Tecelagem de Seda da Carioba. (ANDRADE, CORREA e SILVA, 2001)

Em 1875 inaugura-se a estação da Companhia Paulista de Estrada de Ferro nas terras da antiga fazenda Machadinho e instala-se uma indústria de fiação e tecelagem de algodão pela firma Queiroz e Ralston, na fazenda Salto Grande próxima à estação. A ferrovia teve fundamental importância para o desenvolvimento da cidade, pois atraiu muitos imigrantes americanos para a região elevando-a para Vila dos Americanos. Em 1900 oficializou-se o nome de Vila Americana e em 1904, transformou-se em Distrito de Paz. Nesse mesmo período, a fábrica de tecidos de algodão Carioba S/A, passou a ser a segunda grande indústria têxtil do país, assumindo maior relevância que o próprio distrito de Vila Americana. (RODRIGUES, 1978)

O período de 1910 a 1930 foi marcado pelo progresso das fábricas do bairro Carioba, o que gerou o aparecimento da atividade façonista em Americana. Após a I Guerra, essa

atividade modifica a configuração urbana, pois pequenas fábricas se espalham pela cidade. (LIMA, 2002),

Fato importante retomado por Rodrigues (1978) foi à instalação de uma indústria de fitas de seda em 1921, marcando o povoado de Americana. A partir da década de 30 a indústria têxtil começou a se multiplicar, devido aos inúmeros operários que adquiriram um ou dois teares. Assim, os primeiros estabelecimentos a fação abrangiam apenas um ou dois teares, instalados em cômodos comuns da residência de um operário capacitado (mestre ou contra-mestre) da Indústria de Fiação e Tecelagem Carioba ou da Indústria de Seda. A matéria-prima era fornecida pela própria indústria onde os operários trabalhavam. Após algum tempo, a mulher ou alguns filhos maiores aprendiam a trabalhar no tear, possibilitando uma ampliação nas horas de funcionamento da máquina.

Na década de 40 e 50, destaca o autor, com a criação dos fios artificiais no Brasil, houve grande avanço na indústria têxtil de Americana e, conseqüentemente, elevou-se consideravelmente o aumento de façonistas. Dentre as vantagens de se trabalhar com fios artificiais, destacam-se: a facilidade, pois são mais resistentes que o algodão e menos sujeitos às variações atmosféricas; e, a maior demanda de tecidos fabricados com esta matéria-prima, devido ao preço mais baixo em relação à seda. Desse modo, o número de indústrias aumentou muito, principalmente as que utilizavam os fios artificiais.

Na década de 40, as tecelagens e tinturarias se instalaram às margens do ribeirão Quilombo, devido ao uso intenso da água. Mas, com o desenvolvimento urbano, essas indústrias ficaram concentradas no centro da cidade, desencadeando sérios problemas de poluição sonora, do ar e da água do ribeirão. (GOBBO, et al., 1999)

No período da II Guerra Mundial, a decadência de Carioba promove profundas transformações. A fábrica é ampliada, porém já com características da indústria local e o centro da atividade têxtil passa definitivamente de Carioba para Americana. (LIMA, 2002)

Para complementar, Troppmair (1965) enfatiza, que a década de 40 foi marcada por um grande surto industrial e entre 1940 e 1960 a área urbana construída triplicou, a população aumentou 4 vezes, o número de estabelecimentos cinco vezes e o valor da produção trinta vezes. Em 1960-62, o parque têxtil de Americana foi completado pela fundação de duas fiações, instaladas com capital japonês; dentro de padrões muito modernos para a época e eram altamente mecanizadas, com grande concentração nas atividades de produção. A indústria têxtil impulsionou a instalação de outros tipos de indústrias: a de máquinas têxteis e a de confecções.

Para demonstrar o avanço industrial desse período, Rodrigues (1978) cita a instalação da indústria de teares Nardini, em 1946, estimulando ainda mais a instalação de novas indústrias e a expansão das que já estavam em funcionamento. Também, na década de 50, surgiram inúmeras indústrias de fiação que utilizavam modernas máquinas, cuja produção se destinava em grande parte ao consumo das indústrias de Americana.

Segundo o autor, todos esses fatos conduziram à multiplicação do setor e à ampliação da indústria façonista na área urbana. Os estabelecimentos façonistas não se caracterizam por amplas construções, também não têm aspecto tipicamente industrial, porém a maioria se espalha em simples e rústicos barracões, ou velhos edifícios, os quais englobam mais de um estabelecimento.

As áreas de maior concentração de estabelecimentos façonistas surgiram ao longo da rua Carioba e transversais, setores mais antigos ligados à tecelagem, onde velhos estabelecimentos e depósitos foram aproveitados para abrigar centenas de teares. Outros exemplos são o da Vila Redher, onde havia muitos destes estabelecimentos, constituídos por um pequeno cômodo ou parte de um salão; o bairro Cordenonsi, Vila Jones, Vila Gallo, Sta Catarina e Conserva. No entanto, era na área central que ficava o quarteirão com o maior número de indústrias façonistas: localizado próximo à estação ferroviária, na quadra formada pelas ruas Carioba, Francisco Manuel, Almeida Júnior e a ferrovia. (RODRIGUES, 1978)

Impulsionados por esse desenvolvimento industrial, continua o autor, muitos operários das indústrias façonistas vinham de outros municípios, ocasionando uma migração marcada por alguns períodos mais intensos, principalmente entre 1960 e 1964. Muitos migrantes vieram de municípios vizinhos, outros de São Paulo e de diversos municípios paulistas. A maioria dos operários deixou a área rural e se dirigiu para Americana, fase marcante do êxodo rural brasileiro, a fim de obterem trabalho tanto para eles como para os filhos. Por isso, havia o predomínio de operários do sexo masculino nos estabelecimentos façonistas.

A partir do final da década de 60 até a década de 70 configura-se uma nova fase para Americana, que começa a receber grande número de migrantes oriundos da metrópole de São Paulo para atender às grandes empresas que estavam se instalando ao longo do eixo da rodovia Anhanguera. Com a entrada do capital multinacional, a industrialização e a urbanização crescem e em 1967 o IBGE considera Americana como o mais importante centro têxtil do interior paulista, depois da grande São Paulo. (LIMA, 2002)

Nesse processo, acrescenta a autora, surgem vazios urbanos, que influem na configuração urbana tentacular de Americana, com aglomerações próximas a alguns eixos viários principais intermediados por áreas livres e algumas ilhas de ocupação. O crescimento

industrial provocou um fenômeno de dispersão fabril pelo território devido ao façonismo, gerando um desenho peculiar de indústrias entremeadas em áreas centrais e residenciais. Todos esses fatores induziram à discussão sobre a importância do planejamento para o futuro da cidade, que deveria reservar áreas para a expansão urbana futura e solucionar problemas antigos, que a cidade já não comportava.

Segundo Lima (2002), a década de 80 caracterizou-se pela transição entre a fase de intensa expansão econômica e a crise que se iniciava. Contudo, a partir dos anos 90 a crise no setor têxtil tornou-se mais intensa, vinculando-se a dois fatores: sucateamento do parque têxtil, pois não houve investimento em modernização de sistemas de produção e gerenciamento; e, abertura de mercado aos tecidos estrangeiros, destacando-se a entrada de tecidos asiáticos que já estava causando muito desemprego e desestabilização nas indústrias. Nessa fase de decadência, grande parte das indústrias fechou e outras foram transferidas para o Distrito Industrial7.

Sob esse aspecto, Garcia (1996) destaca que houve uma intensificação da concorrência internacional, com redução relativa na demanda global por produtos têxteis e de vestuário a partir da década de 1970. Nesse contexto, ocorreu um crescimento considerável na participação dos países subdesenvolvidos, principalmente aqueles do Sudeste Asiático, no mercado mundial da indústria têxtil. Essa inserção das indústrias têxteis asiáticas no mercado guarda estreita relação com as vantagens do baixo custo de mão-de-obra e aos fortes investimentos em equipamentos de alta tecnologia.

De acordo com o autor, essa concorrência estimulou os países desenvolvidos a investirem em tecnologia, inserindo inovações no processo produtivo, tornando a produção mais ágil e de melhor qualidade, mais flexível, eliminando perdas. Já os países em desenvolvimento não tiveram a mesma capacidade de resposta, e sua participação no comércio internacional ficou reduzida ao mínimo, levando-se em conta que tradicionalmente, o Brasil sempre produziu para atender o mercado interno.

Para Troppmair (1966), a indústria está à mercê de crises constantes, que prejudicam especialmente as pequenas tecelagens. A moda, que determina a aceitação ou não dos tecidos, e as novas técnicas de fabricação empregadas pelos concorrentes de grande possibilidade financeira, são fatores que desencadeiam crises. A falta de capital e de financiamento a longo prazo, impedem a automatização do parque fabril de Americana.

7

O Distrito Industrial foi criado em 1970, na porção Norte do município, nas proximidades do rio Piracicaba e da rodovia Anhanguera, onde se localizam grandes indústrias.

Devido ao processo de industrialização, o município de Americana já alcançou 98% de urbanização, aspecto relevante quando se pretende propor o planejamento, considerando-se a conurbação existente entre os municípios Santa Bárbara d´Oeste e Nova Odessa, sem contar a questão da verticalização, alternativa importante de crescimento.

A fim de demonstrar a evolução do crescimento populacional do município fortemente concentrado na área urbana a tabela 2 evidencia o total da população, discriminada entre a urbana e rural, bem como a densidade demográfica, no período de 1960 a 2002. Nota-se que no período de 1970 a 1980 houve maior incremento populacional, coincidindo com a fase da entrada maciça de migrantes, em razão do processo de interiorização da indústria ao longo da rodovia Anhanguera, gerando intenso desenvolvimento da indústria têxtil em Americana.

Tabela 2 - População do município de Americana (1960-2002) Ano Urbana Rural Total Dens. Demográfica 1960 32.000 5.856 37.856 283 hab/km2 1970 62.387 4.384 66.771 499 hab/km2 1980 121.794 261 122.055 912 hab/km2 1991 153.591 187 153.778 1.148 hab/km2 2000 182.159 434 182.084 1.865 hab/km2 2005 200.131 476 200.607 1.393,1hab/km2

Fonte: Informativo Sócio-econômico de Americana 2003 (ano base 2002) Elaboração e organização: Medinilha Pancher (2004)

Associado a esses aspectos, o conjunto de leis predominantes em Americana tem se mostrado ultrapassado quanto à adaptação da cidade à nova fase de economia globalizada, com reformulações na produção têxtil, o fator constante de renovações para o município ao longo de todo o século XX. (LIMA, 2002)

No que tange às leis de uso do solo, há três que estão em vigor no município de Americana: a Lei no 3.269, a Lei no 3.270 e a Lei no 3.271, todas criadas em 15 de janeiro de 1999. Para o presente estudo de caso vale mencionar a:

Lei no 3.269

o Artigo 1º - o planejamento deve ser compreendido como um processo contínuo que busca sempre disciplinar e orientar o desenvolvimento do Município de forma sistemática, respeitando seu processo evolutivo, sua vocação econômica e sua realidade social.

o Artigo 2º - institui o Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado (PDDI), como instrumento básico da política urbana e do processo contínuo de planejamento do Município.

o Artigo 3º - o PDDI é o instrumento básico da política de desenvolvimento e de expansão urbana, em conformidade com as disposições pertinentes da Constituição Federal, especialmente de seu artigo 182, da Constituição do Estado de São Paulo e da Lei 0rgânica do Município de Americana.

o Artigo 4º - O PDDI tem como objetivo assegurar a melhoria da qualidade de vida da população, promovendo e desenvolvendo os aspectos econômicos, financeiros, urbanísticos, educacionais, culturais, habitacionais, esportivos, recreativos, agrícolas, de lazer, de saúde, de saneamento, de transportes, de meio ambiente e turismo e de promoção social. No § 1º o PDDI é enfatizado como instrumento fundamental normativo de planejamento, estabelecendo as formas de intervenção e de ação e informando os programas de governo, identificando as potencialidades, carências e ociosidades do Município.

o Artigo 5º - dentre os objetivos do PDDI, destacam-se: a reorganização do território de maneira a reduzir os conflitos de uso e maximizar o rendimento social da ocupação do solo e do desempenho das atividades privadas; estruturar a área urbana de forma a oferecer o suporte físico adequado ao desenvolvimento dos sistemas de relações sociais e econômicas.

o Artigo 9º - O PDDI deve consubstanciar as aspirações ou objetivos da comunidade para o desenvolvimento integrado do Município, a médio e longo prazo.

Lei no 3.271

o Artigo 1º - seu objetivo é a promoção da liberdade de instalação dos diversos usos em todo território municipal e sua necessária compatibilização com a qualidade das estruturas ambientais urbanas e naturais, bem como do equilíbrio das relações sociais de vizinhança.

Apesar de todas as disposições legais, o município de Americana denota sinais da intensa crise econômica, com fortes alterações na fisionomia da cidade, redução dos investimentos em equipamentos públicos e melhorias urbanas e, principalmente, na transformação dos salões industriais, os quais são abandonados ou recuperados para novos usos. Embora outros setores econômicos estejam se desenvolvendo na última década, as perdas se mostram inevitáveis.