O universo pesquisado foi de profissionais da PCO participantes do Programa de Desenvolvimento de Talentos, curso de "Gestão Estratégica", ministrado pelo CEPEAD- Centro de pós-graduação e pesquisas em Administração da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais. Escolheu-se trabalhar com todas as turmas: 1997, 1998, 1999 e 2000, visto estarem estes profissionais num período próximo do final de treinamento, em diferentes momentos, considerando-se os dezoito meses de duração do evento.
O curso de Desenvolvimento de Talentos analisado ofereceu subsídios para a pesquisa sobre impacto do treinamento no desempenho e na carreira dos participantes.
O acesso à empresa foi favorecido pelo orientador, que participou ativamente do processo de implantação e programação do curso junto ao departamento de Recursos Humanos da PCO. Houve, a princípio, uma resistência da empresa, manifestada por atrasos e não resposta a contatos e confirmada, posteriormente, pela restrição a diversas perguntas de questionários programadas e pelo impedimento da chefia do departamento de RH para a realização de entrevistas na empresa. A liberação da pesquisa só aconteceu mediante interferência pessoal de um empregado que não estava inicialmente envolvido nas negociações da pesquisa e que usou de redes sociais internas para conseguir a aprovação. Foi autorizada, então, a liberação do envio de questionários, já alterados pela própria PCO, a todas as unidades onde se encontram os ex-alunos. As chefias dos ex-alunos foram identificadas e também receberam, por intermédio da empresa, os questionários a serem respondidos sobre seus subordinados. Os questionários foram sendo devolvidos durante os meses de outubro e novembro de 2002. Alguns participantes telefonaram interessados na pesquisa, buscando maiores esclarecimentos ou curiosos e, com alguns desses, aproveitou-se para marcar entrevistas.
Diante da dificuldade de se manter contatos com os funcionários para entrevista dentro da empresa, foram feitas marcações de horários durante os meses de outubro, novembro e dezembro de 2002, a partir de indicações de pessoas amigas, com três funcionários participantes do Desenvolvimento de Talentos que, de maneira contrária à receptividade da chefia de Recursos Humanos, foram abertos e disponíveis, indicando eles mesmos outros colegas a serem entrevistados, os quais, por sua vez, indicaram outros, até serem conseguidos os treze encontros. Duas entrevistas aconteceram na Universidade, quatro se deram no hall de entrada da PCO após o horário de trabalho e dois entrevistados desconsideraram a barreira colocada pelo RH e marcaram horário em sua própria sala de trabalho. Dois dos entrevistados residentes fora de Belo Horizonte e que estavam em treinamento pela PCO num hotel fazenda próximo de Belo Horizonte lá foram contactados. Três entrevistas foram realizadas numa subsidiária da PCO. Um entrevistado, que trabalha atualmente no Estado do Espírito Santo, foi contactado nas férias da pesquisadora, por indicação de colegas da PCO. Por fim, uma entrevista foi realizada a partir de coincidência, em férias, num encontro casual da pesquisadora com uma gerente de Recursos Humanos que se dispôs a marcar um tempo para participar e, na entrevista chamou um colega
para ajudar a esclarecer alguns detalhes sobre aspectos atuais, filosofia e posturas da empresa. O RH foi o setor responsável diretamente, na época, pela promoção do curso de Desenvolvimento de Talentos e hoje responde por investimentos em treinamento sob a responsabilidade da PCO. Deve-se destacar que todos os participantes da pesquisa mostraram-se muito à vontade e interessados no trabalho.
A partir de levantamentos de características do programa e das turmas registrados na secretaria do CEPEAD foram feitas observações gerais dos aspectos formais e as bases de percepção de desenvolvimento pessoal e profissional foram levantadas a partir dos dados de questionários - perguntas abertas e fechadas- e entrevistas semi-estruturadas.
A amostra foi composta de todos os participantes do programa de Desenvolvimento de Talentos, o que representou cento e cinco ex-alunos advindos das quatro turmas e seus respectivos superiores, ou seja, setenta e dois gerentes. Esses números representam os questionários enviados. Participaram da pesquisa, por meio de questionários devolvidos, 65% dos ex-alunos (sessenta e seis treinados) e 60% dos gerentes (trinta e nove chefias); por meio de entrevistas, em caráter confirmatório e esclarecedor, 12% dos treinados. Desenhos ilustrativos foram solicitados a 5% dos participantes.
A pesquisa de campo teve, assim, abrangência ampla, contando com dados de todas as turmas, em questionários e de forma semi-estruturada por meio das entrevistas, garantindo boa confiabilidade à amostra. Em relação à disposição dos participantes para responder os questionários e participar de entrevistas, deve-se notificar sua extrema boa vontade e disponibilidade. Manifestaram interesse e admiração, valorizando bastante a iniciativa como fundamental para um processo contínuo de desenvolvimento de funcionários e conseqüentemente da organização. Observaram que a pesquisa poderia ter sido objeto de estudo e avaliação da própria PCO, como balizamento de novas iniciativas e de aproveitamento de estudos e habilidades desenvolvidos, e manifestaram desejo de conhecer os resultados do estudo.
de uma forma geral, para PCO em particular; e eu acho que para a gente também, não é? Para cada um que fez o curso, precisa fazer um levantamento... (Entrevista 1)
Houve questionamentos quanto ao fato de essa iniciativa não ter partido da empresa, mas estavam todos motivados para dar suas opiniões e curiosos em relação aos resultados finais da pesquisa. Com certeza essa foi uma situação facilitadora do processo de coleta de informações e confirmadora da importância da avaliação do investimento da PCO em treinamentos como o curso de Desenvolvimento de Talentos.
...Só tenho a falar do que você está fazendo...acho superimportante esse tipo de trabalho que você está fazendo e fico até com inveja. Que eu acho que deveria ter partido de dentro da PCO, ... fico bobo de não se avaliar com as pessoas de dentro da PCO, mas como não partiu de lá, tem que partir de você, de alguém, senão...(entrevistado 6)
Apresentados o universo e a amostra trabalhados na pesquisa, passa-se a falar da coleta de dados.