Usando a taxonomia de Vergara (1990), este estudo de caso qualitativo e quantitativo teve, quanto aos fins, caráter descritivo, usando documentos, entrevistas e questionários.
A pesquisa quantitativa, segundo Mattar (1999) visa medir o grau em que algo está presente. Nesta pesquisa trabalhou-se com descrição de dados e análise relacional dos mesmos. Pode-se encontrar num mesmo instrumento perguntas quantitativas e qualitativas.
A pesquisa qualitativa, para o mesmo autor, visa identificar a presença ou ausência de algo, os dados são colhidos através de perguntas abertas, entrevistas e testes projetivos. Visa responder a demandas pessoais que não podem ser quantificadas porque nela se trabalha com um universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à
operacionalização de variáveis, que não podem ser captados nem expressos pelos dados matemáticos (MINAYO, 1994). Num certo sentido, prioriza-se o processo, em vez do produto, com objetivo de verificar como o problema se manifesta nas atividades, nas ações e nas interações cotidianas. Entende-se como necessidade perceber os indivíduos como sujeitos com percepções e sentimentos próprios, o que, consequentemente, diferencia suas ações e reações. Buscou-se verificar a perspectiva dos participantes, sua maneira de encarar as questões focalizadas. Para isso, tendeu-se a analisar dados seguindo encadeamento indutivo (ANDRE & LUDKE, 1986).
Minayo (1994) e Alves (1991) consideram que as duas abordagens, quantitativa e qualitativa se complementam, afirmando o último autor ser mais uma questão de ênfase que de exclusividade. Pode-se, portanto, adotar metodologia qualitativa e incluir métodos quantitativos. A pesquisa qualitativa adequa-se bem a estudos de caso, como este.
O Estudo de Caso foi a forma de pesquisa escolhida porque, nas Ciências Sociais aplicadas, esse tipo de pesquisa visa definir o problema, delineá-lo, coletar dados, analisá-los, compor e apresentar seus resultados. É estratégia adequada para se tentar responder a perguntas “como” e “por quê” , quando se tem pouco controle sobre o evento e o foco de controle está em uma situação real, num estudo organizacional/gerencial (Yin, 2001). Para André & Ludke (1986) é um tipo de pesquisa que visa à descoberta de novos elementos. Há um delineamento inicial da pesquisa pelo quadro teórico que servirá como base para novos aspectos que poderão surgir no decorrer da mesma. Além disso, os estudos de caso dão ênfase à interpretação contextual, devendo ser as ações, percepções, comportamentos e interações das pessoas relacionadas à problemática específica onde ocorrem ou à problemática determinada a que estão ligadas. Objetivam descrever situações reais, de forma integral e profunda, enfatizando a complexidade natural das ocorrências e evidenciando a relação entre seus componentes. (MATTAR, 1999). Esse é um estudo descritivo analítico com objetivo de analisar os dados a partir das respostas dos questionários e do discurso dos entrevistados. Há o risco de a unidade escolhida para análise não ter características comuns, freqüentes, o que é uma limitação da técnica. Estudos de caso expressam distintas e às vezes contraditórias opiniões manifestadas numa situação social, devendo o pesquisador, nesse caso, procurar evidenciar essas divergências, além de expressar sua
própria opinião (VERÍSSIMO, 2000).
A identificação desta metodologia como favorável deve-se ao fato de ser o Programa de Desenvolvimento de Talentos um tipo de treinamento diferenciado em suas características formais e ter contado com uma clientela selecionada para mobilizar mudanças na empresa. Foi um curso promovido para quatro turmas, em quatro anos, a saber 1997, 1998, 1999 e 2000, sendo que o último terminou há dois anos e todos os seus participantes estão no mercado, na própria empresa ou não. Este estudo de caso poderá contribuir para novas propostas de treinamento, avaliando desempenhos na empresa e redimensionamentos de carreiras dentro ou fora da mesma para seus funcionários, bem como favorecer reflexões e revisões de práticas pedagógicas para os organizadores do programa, o CEPEAD.
Não se pretende esgotar o assunto neste estudo de caso, mas promover a discussão de questões decisivas no contexto atual sobre o tema, a partir de um programa de treinamento especial. No
aspecto descritivo tratará das características do grupo de funcionários da PCO que participou dos cursos de Desenvolvimento de Talentos, na UFMG, usando, para isso, de questionários e coleta de dados documental, entrevistas e desenhos interpretativos para verificar inter-relações entre as variáveis propostas (MATTAR, 1999).
Com a investigação documental buscou-se a obtenção de dados secundários, ou seja, não colhidos especificamente para fim desta pesquisa, tentando-se evitar riscos de inferências (MATTAR, 1999). Foi feito o levantamento dos documentos arquivados na UFMG relativos à empresa , aos ex-alunos e ao curso ministrado. Espera-se alcançar alternativas para o problema desta pesquisa e possibilitar outras investigações mais sistematizadas (GIL, 1995).
A pesquisa de campo, por meio de dados primários, possibilitou a identificação de circunstâncias ambientais pós-treinamento que funcionaram como favorecedoras ou dificultadoras para a aplicação dos conhecimentos e habilidades adquiridos pelos treinados em suas atividades diárias - transferência de treinamento.
levantados por questionários, enriquecendo e esclarecendo pontos essenciais para a pesquisa (ANDRE & LUDKE, 1986). Neste caso as entrevistas foram conduzidas de forma semi- estruturada, possibilitando descrever percepções, expectativas dos empregados da PCO sobre a política de qualificação de pessoal em relação aos investimentos em treinamento. Além disso seu roteiro procurou contemplar efeitos concretos do curso, sentimentos dos ex-alunos e de suas chefias associados ao evento de treinamento e suas relações com o processo de reestruturação da empresa. Os questionamentos que nortearam o trabalho buscaram retratar situações vivenciadas no treinamento e pós-treinamento de forma a melhor identificar as expectativas dos participantes. Cada trecho da entrevista foi associado a um item relativo ao referencial teórico e aos objetivos da pesquisa.
O uso de desenhos interpretativos teve como objetivo ilustrar e ajudar na concretização de percepções apresentadas em entrevistas e questionários, contemplando o que sugere Mattar (1999), favorecendo maior diversificação de métodos e facilitando a compreensão do fenômeno estudado.
No próximo item serão descritos o universo e a amostra da pesquisa.