3. GİRİŞİMCİ BELEDİYELERDE İŞBİRLİĞİ DENEMELERİ (2005-2009)
3.1.2 Büyükşehir ölçeğinde yönetişim çabaları: İstanbul Metropoliten Planlama
Ao ser condenado à pena de reclusão e encaminhado a um dos estabelecimentos penais destinados ao cumprimento de referida pena, o delinquente, além de ser privado de sua liberdade de ir e vir, perdendo o direito de exercer livremente suas ações, passa, com o decorrer do tempo, a incorporar uma série de normas formais e informais que lhe são impostas e a integrar um novo contexto social, levando-o a lidar com diferentes aspectos da vida na prisão.
Com efeito, existem alguns problemas que são inerentes à própria natureza da pena privativa de liberdade, como o isolamento do preso em relação à sua família, a sua segregação da sociedade, a convivência forçada no meio delinquente, o controle de todos os seus atos a todo tempo e as relações que estabelece com o pessoal penitenciário, ora de subordinação e disciplina, ora de assistência.
E esses problemas estão diretamente relacionados com um fenômeno denominado prisionização, cujo termo foi cunhado por Donald Clemmer, em sua obra The Prision Community, publicada em 1940, para explicar como os indivíduos se adaptam ao encarceramento.
Clemmer foi um dos primeiros a estudar e documentar os efeitos psicológicos que a vida na prisão pode ter sobre os presos. O estudo de Clemmer foi o resultado de uma carreira que durou mais de 30 anos de trabalho nas prisões, além de ter se tornado a base para mais pesquisas sobre os efeitos sociais e psicológicos do cárcere.
A ideia de prisionização, embora não se confunda com o conceito de assimilação, com ele guarda semelhanças. Assimilação, segundo THOMPSON, é o processo lento, gradual, mais ou menos consciente, pelo qual a pessoa adquire o bastante da cultura de uma unidade social, na qual foi colocada, a ponto de se tornar característico dela190. A partir disso, é possível definir o fenômeno da prisionização como a adoção, em maior ou menor grau, do modo de pensar, dos costumes e dos hábitos do cárcere, ou seja, da cultura geral da penitenciária191.
Em verdade, todo recluso sucumbe, de alguma maneira, à cultura da prisão. Conforme explica THOMPSON192,
O primeiro passo, e o mais obviamente integrativo, diz respeitoa seu status: transforma-se, de um golpe, numa figura anônima de um grupo subordinado; traja as roupas dos membros desse grupo; é interrogado e admoestado; logo descobre que os custodiadores são todo-poderosos; aprende as classes, os titulos e os graus de autoridade dos vários funcionários; e, usando ou não a gíria da cadeia, ele vem a conhecer seu significado; embora possa manter-se solitário, termina por referir-se, ao menos em pensamento, aos guardas como os samangos, aos médicos como receitador de roda de jipe (aspirina) e usar os apelidos locais para designar os individuos; acostuma-se a comer apressadamente e a obter alimento através dos truques usados pelos que lhe estão próximos. De outras maneiras, o preso novo desliza para dentro dos padrões existentes: aprende a jogar ou aprende novas maneiras de fazê-lo; adquire comportamento sexual anormal; desconfia de todos; olha com rancor os guardas e, até, os companheiros etc. Em suma, vem a aceitar os dogmas da comunidade.
Em verdade, a cadeia é um sistema de poder totalitário formal, com o qual o detento é controlado 24h por dia, sem alternativa de escape. Extramutos, o princípio é considerar lícito tudo não expressamente interdito, enquanto na cadeia, a lei é considerar proibido todo que não autorizado193.
190 THOMPSON, Augusto. A questão Penitenciária. 2ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 1980. p. 23. 191 Id Ibidem. p. 23.
192 Id Ibidem. p. 23-24. 193 Id Ibidem. p. 43.
A prisão, neste sentido, diferencia-se das demais instituições da sociedade justamente por se constituir em uma instituição total que, conforme explica GOFFMAN194,
(...) pode ser definida como um local de residência e trabalho onde um grande número de indivíduos em situação semelhante, separados da sociedade mais ampla por considerável período de tempo, leva uma vida fechada e formalmente administrada.
Com efeito, a prisão rompe com todas as barreiras que separam as diversas esferas da vida cotidiana: alimentação, trabalho, descanso e lazer, as quais passam a se dar em um mesmo local e sob uma única autoridade. No cárcere todas as atividades são desempenhadas sempre em horários pré-estabelecidos e na companhia de grande número de pessoas, todas tratadas de modo igualitário e obrigadas a trabalharem em conjunto a fim de atender os objetivos da instituição que, primordialmente, acaba sendo a manutenção da ordem e disciplina, não obstante devesse ser a reabilitação dos condenados.
E é desse ambiente superficial, controlado integralmente e ininterruptamente, que surge o fenômeno da prisionização. Com efeito,
Nenhum ser humano normal aceita naturalmente um poder totalitário que o controla 24 horas por dia. Daí, emergem entre os presos um poder informal e uma cultura paralela, definindo regras, costumes, uma ética própria e até mesmo critérios e condições de felicidade e sobrevivência. Não é descabido conjecturar-se sobre um pacto latente, não verbalizado, entre esses dois sistemas de poder, a fim de se garantir a tranquilidade, ainda que aparente, perante a sociedade e a opinião pública, da instituição prisional. Constitui-se pois, assim, um ambiente artificial, do qual ninguém gosta, num primeiro momento, mas ao qual todos, com o tempo, acabam aderindo, de uma forma ou de outra. Desta adesão, surge a prisionização, a qual pode atingir não só os presos, como a Direção, os Agentes de Segurança e, quem sabe, até os próprios técnicos195.
A vida na prisão e a adesão aos costumes e hábitos que lá se estabelecem, ou seja, à cultura da prisão, acarreta aos presos, a depender do tempo de duração da reprimenda, uma verdadeira desorganização da personalidade, caracterizada pela perda da identidade e aquisição de uma nova; sentimento de inferioridade; empobrecimento psíquico, consistente na pobreza de
194 GOFFMAN, Erving. Manicômios, prisões e conventos. Trad. Dante Moreira Leite. 8ª ed. São Paulo: Perspectiva, 2013. p. 11.
195 SÁ, Augusto Alvino de. Criminologia clínica e psicologia criminal. Prefácio Vico Mañas. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007. p. 115.
experiências, por exemplo; infantilização e regressão, manifestadas, entre outras coisas, pela dependência, pela busca de proteção, inclusive, religiosa, e pela projeção da culpa no outro196.
Não obstante todos os efeitos negativos ocasionados pela prisionização, deve-se ter em mente, como já mencionado, que se trata de um fenômeno inerente à própria natureza da vida carcerária e, portanto, inevitável. Seus efeitos, porém, podem e devem ser minorados, diante de uma estrutura penitenciária adequada que vise, primordialmente, uma harmônica integração do condenado à sociedade.