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3.2. İkinci Dönem: Köy Kanunu’nu Etkinleştirme Çabaları ve Uygulamaya Yansıması

3.2.2. Aydınların Yaklaşımı: Köycülük Söylem

e o Sefer ha-Zohar (Livro do Esplendor, compilado cerca de 1200 dC), ensinam verdadeiras liturgias da relação do Criador com o universo, dos significados das letras hebraicas sua influência e conexão com a vida e sua espiritualidade.

A Cabala com sua teologia da criação, uma hermenêutica da humanidade e do mundo, um código de comportamento e regras litúrgicas, que leva em conta o corpo, a sexualidade e a alimentação; as relações afetivas e sociais; a valoração da prece, do trabalho e do repouso; a administração do tempo; a relação com a terra, a água, os vegetais e animais. (cf. Halevi, 1994)

Todas as criaturas formam uma unidade místico-ontológica com sua fonte ilimitada, Ein-Sof. (Deus Criador) um modelo sistêmico e de inter-relação. No pragmatismo cotidiano e na erudição das lições, A Cabala de (Scholem, 1989, p. 55- 139), desenha o mundo com traços originais e oferece à Ecologia algumas linhas paradigmáticas:

A coesão dinâmica e ontológica do Uno – Deus, o mundo e a humanidade, para a Cabala, formam uma síntese dinâmica. Toda a existência é assinalada por Ehad (a unidade divina professada pelo Judaísmo). Quando Ein-Sof se derramou nos ―vasos‖ de cada sefirot, configurando os corpos (astrais, racionais e irracionais), ele comunicou a cada ser alguma centelha de Si próprio. Estas centelhas buscam a união entre si e com sua Luz Primordial. Por isso, o universo se mantém coeso; não se desintegra, apesar de seu movimento. E cada coisa ocupa o lugar que Deus determinou, na ordem celeste e terrestre. Portanto, provocar divisão e desequilíbrio (espiritual, moral ou ambiental), por violência, omissão ou irresponsabilidade, é ir contra Deus, contra a humanidade, contra a vida.

A sacralidade de todas as coisas – Os corpos todos do universo possuem ―centelhas‖ divinas, apontando para uma origem comum. No esquema da árvore sefirótica estas ―centelhas‖ são consideradas interiores, como a ―seiva‖ que corre desde a raiz (Ein-Sof) até as últimas ramagens (Malkut). Em toda criatura mana a ―seiva‖ da Divindade. Portanto, as criaturas são sagradas; e a vida deve ser preservada e sustentada nos reinos mineral, animal e vegetal. 44

O equilíbrio das esferas – A unidade e movimento do mundo se mantêm pelo equilíbrio das sefirot: razão (Binah) e inspiração (Hokma), rigor (Ghevurá) e compaixão (Hesed), cálculo (Hod) e instinto (Netsah), interioridade (Yessod) e corporeidade (Malkut), relação com o Outro-Divino (Keter) e relação consigoself (Tíferet). Assim as esferas executam a sinfonia do universo.

De seu lado, o cabalista cultiva a ética, o discernimento e a relação com Deus, para viver como tsadik (justo). A cada sete dias – por ocasião do Shabat – ele acende as velas, invoca a Shekiná e toma consciência do movimento das esferas no cosmo e no seu corpo. Assim, o fiel coopera – por decisão consciente e participação ontológica – no equilíbrio das esferas, ou seja, no equilíbrio da criação.

A Cabala crê que, a cada sete dias, as sefirot cumprem uma determinada órbita ou ciclo, executando mais uma pauta da sinfonia cósmica. Portanto, a imoralidade, a impiedade e o abuso da Natureza podem acarretar desequilíbrios pessoais, sociais e cósmicos. (cf. ZOHAR, TSE, 1994, pt. 1)

A santidade e integridade dos corpos – O equilíbrio das ―esferas‖ no cosmo e no corpo solicitam o cuidado do ser, a dosagem correta entre labor e descanso, entre atenção a si e aos demais; pede também higiene e qualidade na alimentação; leva ao cultivo do orgânico, do artesanal; valoriza o que é simples; previne contra abusos, excessos e toda sorte de agressão à Natureza. Pois os corpos foram constituídos santos e íntegros, física e moralmente, desde sua criação à imagem do corpo sefirótico. Toda a humanidade partilha a natureza adâmica, conforme o Adão Primordial (Adam Kadmon), amigo de Deus e amigo das criaturas.45

Em Moltmann (1984) Deus na criação envolve conceitos teológicos e ecológicos, que se fundem na óptica trinitária. Quando a Imago Dei (imagem de Deus), no ser humano se expressa na Terra. A co-responsabilidade se apresenta no sentido de proximidade, parceria, cumplicidade e liberdade perante sua vontade criadora. Três momentos litúrgicos são expressos, a saber:

a) A figura do Pai, como criador; b) A dimensão pneumatológica, que retoma o sentido da presença do Espírito criador infundido na criação e na comunhão entre todos os seres; c) A cristologia, é elo paternal-filial que condensa e consuma a realidade proto-escatológica com o evento Jesus Cristo na história e no tempo.

A reflexão de Moltmann assume a vertente teórica que propõe a comunhão ecológica mundial, em vista da superação da crise. Essa comunhão ecológica na comunidade da criação segue o caminho da libertação integral, total e global.

Como poderá haver uma ―conversão‖ das concepções e dos caminhos que conduzem a uma previsível morte universal, para um ―futuro da vida‖ que assegure a sobrevivência comum do homem e da natureza? (...) Como compreender e reformular a fé cristã na criação para que ela deixe de ser um fator da crise ecológica e da destruição da natureza e se converta em fermento de ―paz com a natureza‖, objetivo absolutamente irrenunciável? (cf. 1994 p. 34-37)

Ele acredita que o ser humano, imagem de Deus, ocupa um lugar especial na criação. Sua função, juntamente com as demais criaturas da terra e do céu, é a de louvar a Deus, um ato litúrgico. (cf. 1984, p. 49). Deste modo, a Criação e sua relação com o logos expressam princípios das estações litúrgicas base da fé cristã. Como a páscoa, obra da reconciliação de Deus.

45 O Zohar na citação pouco acima. A partir daí, a Cabala desenvolve uma ontologia, psicologia e antropologia sefiróticas, interpretando o ser humano a partir de analogias estruturais com as dez sefirot.

Para Moltmann a Criação reflete toda a caminhada cristã; é toda litúrgica, mesmo num contexto ecológico. A ―Palavra que se fez carne‖ (Jo 1,14). O Logos de Deus se faz corpo humano, criança, salvador dos enfermos. Ele padece os tormentos físicos na cruz. Epifania, natal e ressurreição estão incluídas na obra da Criação como memorial para uma nova criação dos seres. (cf. MOLTAMANN, 1984, p. 250-257)

Moltamann, pergunta: ―O que significa Deus para o mundo que ele criou e conserva? O que significa para o mundo ser criação de Deus? (...) O que significa para Deus ser criador de um mundo que é distinto dele, mas que deve corresponder com ele? O que significa esta criação para Deus? O que Deus pretende com essa criação, como a experimenta e como participa dela?(MOLTAMANN, 1984, p. 87)

Todas as doutrinas teológicas da nova criação, do testemunho neotestamentário da criação, o kerigma da ressurreição e a experiência do Espírito, como também a cristologia escatológica, a pneumatologia assumem profundamente a ação criadora de Deus, uma práxis divina para esperança da humanidade que tem suas origens nas fontes da liturgia da palavra, do espírito, da eucaristia e inclusive da cósmica. (cf. MOLTAMANN, 1984, p. 79 – 157)

Wesley faz-nos chegar a um conhecimento do propósito divino na criação original. Ex: Salmo 19 ―Os céus proclamam a Glória de Deus e o firmamento as obras de suas mãos‖. Como na Oração do ―Pai Nosso‖, onde os Céus participam da plenitude e igualdade do reino que vem à terra, o pão como fruto da terra, o plantio para a provisão, no compartilhar da estação do dia para visualizar o próximo, sem o poder da desobediência, num sentimento de igualdade, solidariedade e compartilhamento com o Criador. (cf. Gingerich, 2000) Expressou que a Criação é ―Um livro Universal com linguagem clara, que pode ser lida e entendido por todos‖ Wesley. E ‖viu Deus que era bom‖, todos estavam perfeitamente interligados, uma totalidade, dependentes uns dos outros, um equilíbrio em harmonia do Cosmos com seu Criador.

Tal era o estado da criação, de acordo com as escassas idéias que hoje podemos formar sobre ela, quando seu grande Autor, avaliando todo sistema num relance declarou-o ―muito bom‖... ―Havia uma cadeia dourada, baixada do trono de Deus – Platão‖, Uma série de seres perfeitamente conectados, desde o maior até o menor, desde a terra morta, através de fósseis, vegetais, animais até o homem, criado à imagem de Deus e feito para conhecer, amar e apreciar o seu Criador por toda a eternidade. (Sermão de Wesley – 56)

Wesley ressalta a práxis litúrgica da criação baseada no ato do ―conhecer, amar e louvar como o apreciar‖ uma questão de relação integral.

A renovação do Cosmos começa então com a renovação do homem na busca pela busca de viver a imagem de Deus na humanidade.

A liturgia como elo do homem com Deus está expresso em sua visão ecolitúrgica da criação e de sua existência, isto é, obter uma nova criação em Deus.

A vida cristã necessita de uma nova releitura teológico-ecológico- litúrgica, das fontes bíblicas na busca do sentido original de Bereshit (a gênese do mundo), em resposta às acusações de interpretações dos versículos ―dominai e multiplicai‖, e o ―oferecer sacrifícios‖ o que teria causado, direta ou indiretamente, a exploração danosa da natureza pelo homem, onde muitos entendidos dizem que o cristianismo e judaísmo não teriam motivos de preservação da natureza. (cf. MOLTMANN, 1984, p. 157-325)

Buyst questiona de quem é a culpa em compromisso com a justiça social e ecológica:

E com quem fica a responsabilidade pelo cosmos, pela ecologia, pela história? Tudo depende de Deus? Tudo depende de nós? Ou haveria um tipo de parceria em co-responsabilidade? Por exemplo: quem é o cuidador do universo? Quem é responsável pela crise ecológica e quem poderá solucioná-la? O compromisso com a justiça do Reino, justiça social e ecológica é inerente a toda e qualquer ação litúrgica. Prometemos viver na prática daquilo que expressamos e experimentamos na celebração. Talvez seja o caso de explicitar isso mais claramente em determinadas ações rituais. (cf. 2010, p. 4-7)

Hoje muitos historiadores, antropólogos e pedagogos; biólogos, físicos e engenheiros; teólogos e pastores unem suas competências para buscar soluções sustentáveis à crise ambiental, numa relação sistêmica, integral de atitudes na práxis cristã.

Assim Capra fala sobre três dimensões importantes na ciência contemporânea que é: ―Quando se vive – Vê o mundo e atua Nele‖. Capra (1996).

A visão da totalidade está incorporada em nossas ações diante dos seres da natureza, das coisas que no planeta não são independentes, separadas e individualizadas. Como diz Kahaner:

A crença ambiental talmúdica é uma marca que aquilo que uma pessoa faz em um lugar pode afetar outra, não importa a distância entre elas. A poluição do ar atravessa fronteiras de estados e países, e até mesmo oceanos. Sabemos que as partículas de poeira vulcânica em Montserrat podem mudar o tempo do outro lado do mundo, e que os vestígios da radioatividade do acidente na usina nuclear de Chernobyl surgiram no leite de vacas que pastavam na Escandinávia. Os oceanos, um dia considerados um imenso local para despejos, estão mostrando sinais de séria poluição. A antiga prática de nos livrarmos do nosso lixo jogando-o em outro lugar não é cientificamente correta e está se voltando contra nós. (KAHANER, 2005, p. 136)

Makower observa que as empresas que imitam os processos da natureza no meio ambiente são as mais eficientes e, portanto, as mais rentáveis. ―Para serem competitivas, as empresas têm de ser tão eficientes quanto a natureza em seus processos produtivos‖, afirma Makower. ―A floresta é o modelo é o modelo perfeito para as empresas, porque nela não há desperdícios.‖ (1995, p. 138)

Em seu boletim informativo, Makower escreve:

Essa é a nova visão do mundo para a maioria dos empresários, uma visão que reconhece que, embora quase ninguém queira desperdiçar ou poluir, isso se tornou uma parte normal e aceita dos negócios, uma parte dos custos de produção. Como esses custos aumentaram – porque o preço de poluir se tornou aceitáveis, tanto em termos financeiros quanto em termos morais -, alguns empresários estão repensando o modo como suas empresas operam, em alguns casos mudando de uma visão linear, em o dinheiro, a matéria-prima e outras coisas fluem de um ponto para outro, para uma visão mais cíclica, em que tudo opera em círculo. (KAHANER, 2005, p. 139)

Empresas como a General Motors, GM, a Ford e a Du Pont, trabalharam a questão do reciclável, como investimento e obtiveram lucro geral, reduziram em 80 por cento o lixo, minimizando o desperdício e maximizando os lucros. Estudos demonstram que as empresas que mais investem na sustentabilidade e nas questões ambientais são as obtiveram um maior retorno acumulado em mais de 60 por cento, e, que o rendimento estava relacionado à liderança ambiental. (cf. KAHANER, 2005, p. 139)

Analisando o contexto podemos ver que as questões ambientais estão relacionadas às questões econômicas e espirituais que influenciam no resultado final.

Castro diz que a palavra ―Shalom‖ é a que mais expressa a integralidade e totalidade do Ser. Is 32.17-18. Shalom é a obra da justiça que se constitui na tranqüilidade e na segurança, uma liturgia ecológica, que designa bem-estar da existência quotidiana, do corpo da alma e do espírito, o estado do homem que vive em harmonia consigo, com a natureza e com Deus. (cf. 2003, p. 165)

É o bem-estar social na abundância de todas as coisas para todos os seres humanos; é um projeto de integralidade da fé.

A palavra shalom deriva da raiz shin-lamedh-mem (ש. . ), que nas línguas semíticas aparece com o sentido de ser completo, ser cheio ou ser pleno, aparecendo em diversos textos, significando paz interior do indivíduo e com o sentido de paz, salvação e prosperidade de indivíduos e nações. (cf. RICHARD, 2005, p. 174-177)

Shalom, em suas três letras é o homem que aprende (lâmed) o nome (shem) de Deus, misericórdia, justiça e bondade (shim), garante o gozo do universo, em harmonia (mem) e paz. A letra inicial de shalom, Shim, corresponde na Árvore da Vida a seus atributos de misericórdia, justiça e bondade. Seu valor numérico 300. A segunda letra da palavra shalom é lâmed. Seu valor numérico é 30, e o sentido ontológico é movimento. Em hebraico significa aprender. A letra vav possui uma cabeça semelhante à letra iud (mergulhada no mistério do alto). Ela representa o homem, com os pés na terra (nas coisas terrenas) sem deixar de se voltar aos mistérios do alto. Com a forma fálica expressa que a duração do mundo dependerá da vontade/ação humana. Seu valor numérico é 6. Tal número remete-nos ao sexto dia da criação, quando Deus criou o ser humano. A letra ―Mem‖ tem por sua forma pictórica relação com o equilíbrio e está relacionada com o elemento água, que em hebraico é ―maim‖, que traz harmonia, com valor 600. (cf. RICHARD, 2005, p. 174- 177)

Shalom expressa o melhor desejo que se pode ter em relação a uma pessoa, estima-se a paz, a harmonia - o melhor que se pode desejar a alguém. O ser humano é responsável pelo gozo da terra, pela felicidade do mundo. O trabalho humano ajuda a completar o processo de criação do mundo - ainda não concluído. Assim, criador e criatura agem juntos: natureza e cultura, uma aperfeiçoando a outra. (cf. RICHARD, 2005, p.177-180)

Para Castro a palavra Shalom pode se constituir uma referência para a questão ecológica, vista a partir de uma ação Pastoral missionária. Pois significa: ―O bem estar da existência quotidiana, o estado do homem que vive em harmonia com Deus, com a natureza, consigo próprio e com Deus. O bem estar - social e a abundância de todas as coisas para todos os humanos, um estado de harmonia, prosperidade, plenitude de vida e realização pessoal, comunitária e nacional‖. (2003, p. 165)