O Jornal da Noite é veiculado de segunda a sexta-feira, das 18h às 19h, na rádio FM 95, frequência de 95,9 MHz. O programa é apresentado pelos jornalistas Eugênio Bezerra (ex-diretor de jornalismo da emissora e blogueiro), Juliana Celly (apresentadora de televisão) e Thaisa Galvão (blogueira), com participação diária de informações de trânsito com o setorista Kennedy Diniz. A equipe se completa com a presença do radialista Erick Nobre, que
ocupa a função de produtor-redator. Os formatos predominantes em sua programação são notícia, nota e entrevista.
Percebe-se a predominância de assuntos de polícia, cidades, política e economia nas informações veiculadas. O programa também permite interação com ouvintes a partir do aplicativo de comunicação instantânea WhatsApp. Verifica-se descontração na condução do programa, principalmente entre os apresentadores e na relação com os entrevistados. Ao longo do jornal há veiculação de anúncios publicitários, principalmente como testemunhal dos apresentadores.
No início de nossa pesquisa, o programa era veiculado das 18h30 às 19h, de segunda a sexta-feira. Havia dois jornalistas na apresentação e veiculavam-se, por edição, duas radiorreportagens, sendo uma tratando de conteúdo mais comportamental e outra de caráter mais factual. Em 27/04/2015, o programa passou a ter uma hora de duração e incorporou uma terceira apresentadora, a blogueira Thaisa Galvão. Desde então, o formato reportagem não é mais utilizado no programa.
Durante o período analisado as edições tiveram perfis semelhantes, que passamos a descrever:
A edição de 11/05/2015 apresentou assuntos de várias áreas, com destaque para os assuntos de polícia. Não houve menção a veículos de comunicação impressos, apenas ao blogue editado por uma das apresentadoras. Durante o programa teve um intervalo comercial e, no retorno do intervalo, os apresentadores falaram sobre um dos anunciantes. Nesta edição foi realizada uma entrevista de política. Não houve veiculação de sonora ou reportagem de nenhuma espécie, com predominância das vozes dos apresentadores e do entrevistado. Um locutor da emissora lia mensagens enviadas por ouvintes pelo aplicativo WhatsApp, em geral tratando-se de elogios ou denúncias, relatados sem aprofundamento ou checagem. A respeito dos formatos radiofônicos, foram percebidos: dois comentários, uma entrevista, três notas, oito notícias, uma participação de ouvinte, um testemunhal e um serviço de trânsito.
A partir da edição de 12/05/2015 um dos apresentadores não estava presente, por problemas de saúde. O programa foi apresentado pelas duas jornalistas. A segunda edição analisada trouxe também conteúdo diversificado, contemplando as diversas temáticas de forma quase equânime. O programa teve um intervalo comercial e repetiu o procedimento de anunciar um dos patrocinadores no retorno. A edição contou com duas entrevistas, uma realizada por telefone. O programa foi iniciado e encerrado com uma entrevista, com duas personalidades da área política, mas a primeira delas tratou de assunto da editoria de cidades. Não houve veiculação de sonora ou reportagem de nenhuma espécie, predominando as vozes
das apresentadoras e dos entrevistados. Um locutor da emissora leu mensagens enviadas por ouvintes pelo aplicativo WhatsApp, em geral tratando-se de elogios ou denúncias, relatados sem aprofundamento ou checagem. A respeito dos formatos radiofônicos, foram percebidos: quatro comentários, duas entrevistas, três notas, dez notícias, duas participações de ouvinte, um testemunhal e um serviço de trânsito.
A terceira edição analisada, referente ao dia 13/05/2015, seguiu o perfil das edições anteriores, havendo um equilíbrio na distribuição dos temas abordados. Foram realizadas igualmente duas entrevistas, uma da área econômica e outra de política. Depois do intervalo comercial, foi lido um testemunhal anunciando um dos patrocinadores. Não houve veiculação de sonora ou reportagem de nenhuma espécie, predominando as vozes das apresentadoras e dos entrevistados. Um locutor da emissora leu mensagens enviadas por ouvintes pelo aplicativo WhatsApp, em geral tratando-se de elogios ou denúncias, relatados sem aprofundamento ou checagem. A respeito dos formatos radiofônicos, foram percebidos: duas entrevistas, cinco notas, seis notícias, duas participações de ouvinte, um testemunhal e um serviço de trânsito.
A edição da quinta-feira, 14/05/2015, contou com notas e notícias de várias temáticas e apenas uma entrevista tratando da segurança pública. Não houve veiculação de sonora ou reportagem de nenhuma espécie, com predominância das vozes das apresentadoras e dos entrevistados. Um locutor da emissora leu mensagens enviadas por ouvintes pelo aplicativo WhatsApp, em geral tratando-se de elogios ou denúncias, relatados sem aprofundamento ou checagem. A respeito dos formatos radiofônicos, foram percebidos: três comentários, uma entrevista, três notas, dez notícias, duas participações de ouvinte, um testemunhal e um serviço de trânsito.
E a edição de 15/05/2015 contou com o retorno do terceiro apresentador que estava de licença médica. O programa contemplou diversos temas e se diferenciou das demais edições por causa da realização de três entrevistas (uma por telefone) em uma única edição. Também foi o único dia da semana em que foi contemplada, ainda de forma distante, a área de cultura, abordando um evento religioso e o falecimento de um artista internacional. Não houve veiculação de sonora ou reportagem de nenhuma espécie, predominando as vozes dos apresentadores e dos entrevistados. Um locutor da emissora leu mensagens enviadas por ouvintes pelo aplicativo WhatsApp, em geral tratando-se de elogios ou denúncias, relatados sem aprofundamento ou checagem. A respeito dos formatos radiofônicos, foram percebidos: dois comentários, três entrevistas, sete notas, sete notícias, três participações de ouvinte, um testemunhal e um serviço de trânsito.
A observação dos relatórios diários permite afirmar que o programa tem se organizado em uma estrutura que privilegia as notícias de trânsito e da área policial no início das edições. Em seguida são apresentadas as informações da área de cidades, economia, esportes e política, possibilitando a inclusão de notícias de outros assuntos a intercalar os blocos temáticos.
Ao longo da semana, não foi percebida a veiculação de nenhuma sonora ou reportagem. Também não foi convidado nenhum entrevistado representante de categorias populares ou sindicais noticiadas no programa, estando a informação unicamente concentrada nas fontes escolhidas pela equipe de produção do radiojornal. A tabela e o gráfico a seguir mostram uma distribuição dos formatos por cada edição analisada:
Tabela 11– Formatos radiofônicos no Jornal da Noite – Período de 11 a 15/05/2015
Formato 11/05 12/05 13/05 14/05 15/05 Total % Coluna 0 0 0 0 0 0 0% Comentário 2 4 0 3 2 11 11% Entrevista 1 2 2 1 3 9 9% Manchete 0 0 0 0 0 0 0% Mesa redonda 0 0 0 0 0 0 0% Nota 3 3 5 3 7 21 21% Notícia 8 10 6 10 7 41 40% Ouvinte 1 2 2 2 3 10 10% Previsão do Tempo 0 0 0 0 0 0 0% Reportagem 0 0 0 0 0 0 0% Testemunhal 1 1 1 1 1 5 5% Trânsito 1 1 1 1 1 5 5% Total 17 23 17 21 24 102 100%
Fonte: elaborado pelo autor.
No dia 03/09/2015, realizamos uma visita técnica à rádio 95 FM para acompanhar, a partir do estúdio da emissora, o desenrolar de uma edição do Jornal da Noite. A chegada à sede da emissora ocorreu uma hora antes do início da edição. No momento, estava na sala de jornalismo apenas o produtor-redator, que trabalhava na elaboração do script. A primeira apresentadora chegou à redação faltando 45 minutos para o início do programa. O entrevistado chegou aproximadamente 30 minutos antes e sua participação só aconteceu nos últimos 20 minutos de programa. Ele esperou aproximadamente uma hora até o momento de ser entrevistado no radiojornal. O segundo apresentador chegou à emissora faltando dez minutos para o início do programa e a terceira exatamente no horário em que todos se deslocavam para o estúdio.
A bancada de apresentação do radiojornal continha tablet para utilização de dois apresentadores e um script impresso para uma das apresentadoras. O programa teve início com a leitura dos destaques da edição, seguida de cumprimentos a ouvintes e da participação de um profissional que dá informações sobre a situação do trânsito em vários pontos da cidade, havendo, inclusive, troca de informações e leitura de comentários enviados por ouvintes via rede social WhatsApp. A participação dos ouvintes foi gerenciada pelo produtor- redator, que encaminhava os comentários para os apresentadores lerem durante o programa.
Apenas depois de transcorridos 15 minutos de radiojornal, veiculou-se a primeira notícia previamente redigida para o programa. Os apresentadores se revezaram na leitura das notícias. Antes do intervalo do programa, os apresentadores realizaram uma promoção para o primeiro ouvinte que ligasse para a rádio, o qual foi beneficiado com ingressos para uma feira de produtos em cartaz na cidade. Em seguida, os apresentadores anunciaram o intervalo e a entrevista do bloco seguinte. Durante o intervalo, o produtor conduziu o entrevistado até o estúdio.
O radiojornal foi retomado depois do intervalo com notícias da editoria de esportes e, em seguida, com a entrevista. Quando os apresentadores começaram a interrogar o entrevistado, o produtor-redator fotografou o ambiente e postou a imagem no perfil do Jornal da Noite na rede social Instagram. A entrevista foi transmitida pelo perfil de uma das apresentadoras no Periscope. Faltando quatro minutos para o horário de encerramento do radiojornal, o produtor sinalizou aos apresentadores que deveriam encerrar a entrevista. Depois disso, o programa foi finalizado com a leitura de uma mensagem bíblica.
Em seguida à apresentação do programa, realizamos entrevista com os apresentadores Eugênio Bezerra e Thaisa Galvão, que forneceram informações sobre execução, conteúdo e avaliação do radiojornal estudado e como observam o radiojornalismo
em Natal-RN. Durante a conversa, que foi gravada e transcrita, os jornalistas informaram que o Jornal da Noite está no ar há apenas dois anos.
A equipe do programa é formada pelos três jornalistas apresentadores e pelo produtor-redator, que é radialista por formação. Os quatro profissionais não têm vínculo empregatício com a emissora. Os apresentadores ocupam o espaço da programação com o radiojornal, com liberdade para explorarem, inclusive, o caráter comercial.
De acordo com um dos entrevistados, o programa era estruturado em um estilo que contemplava diversos formatos radiofônicos, incluindo reportagens, notas, notícias e entrevistas. Mas, desde o mês de abril, o programa passou por uma mudança, aumentando o tempo de veiculação (de trinta minutos para uma hora) e contando com uma terceira apresentadora. No início, o programa tinha dois apresentadores.
Entre os temas abordados, destacam-se as informações sobre política, o que se justifica, de acordo com os profissionais, pela relação de uma das apresentadoras que possui um blogue com atuação nessa área. O critério de seleção das notícias acontece, segundo eles, pelo assunto do dia e pelo interesse. Sobre esse tema, um dos apresentadores destacou que o ouvinte do Jornal da Noite escuta o programa para saber o que os três apresentadores têm a falar sobre aquele assunto e não propriamente com o objetivo de se informar.
O programa segue a um roteiro elaborado pelo produtor-redator, mas há liberdade para que os apresentadores acrescentem mais informações. As notícias têm como fonte, em geral, os veículos de comunicação da cidade. A produção das entrevistas é definida pelos quatro profissionais a partir de conversas que têm em um grupo da rede social WhatsApp, sendo as perguntas elaboradas durante a entrevista pelos próprios apresentadores. Sobre a reportagem, os apresentadores entrevistados nesta pesquisa têm opinião divergente. Uma acredita que a reportagem não é interessante para o veículo rádio. O outro disse que o formato inexiste no Jornal da Noite por causa do custo que seria gerado.
Ao avaliar o Jornal da Noite, os apresentadores creditam sua qualidade ao nível dos profissionais envolvidos.
Thaisa: Eu acho que a gente tem uma qualidade bacana, nós somos três pessoas com uma bagagem de jornalismo, com uma bagagem já de vários veículos, de experiências passadas. Então, assim, eu acho que a qualidade de um noticiário começa pela qualidade das pessoas que fazem o noticiário. E eu acho que não falta qualidade. Eu acho que tem qualidade, que a gente tem qualidade. Entendeu?! A minha resposta é essa.
Eugênio: É, eu também endosso o que Thaisa falou. O nosso jornal, ele é pautado nos apresentadores, na bagagem individual de cada um e na química dos três. Eu acho que é por aí. Isso que faz o nosso jornal ser completamente
diferente dos demais. Você vai observar no teu trabalho, aí na tua pesquisa, que o nosso formato é diferente. Aqui cabe tudo, né? Guardado aí o devido respeito, a temática daquele momento, cabe sempre descontruir o óbvio. (BEZERRA e GALVÃO, 2015, não paginado)
Os jornalistas alegaram inexistirem dificuldades na produção do radiojornal e que consideram, inclusive, fácil de fazer por não depender de muitas pessoas e de muita estrutura. Sobre a situação do radiojornalismo em Natal, os apresentadores avaliam que se tem avançado bastante, havendo migração de profissionais de outros meios de comunicação para o rádio, abrindo espaço para o jornalismo nas programações. Eles creditam essa migração a uma eventual falência do jornalismo impresso e da dificuldade de se fazer televisão com pouca estrutura. Além disso, acrescentam que apenas o rádio é capaz de acompanhar a velocidade de divulgação das informações proporcionada pela internet.