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Atatürk İlkeleri Ve Ulusçuluk-Halkçılık (Halkçılık Temelinde Köycülük-

2.2. KEMALİST ULUSÇU İDEOLOJİNİN ULUS-DEVLETİN OLUŞUM SÜRECİNE

2.2.2. Atatürk İlkeleri Ve Ulusçuluk-Halkçılık (Halkçılık Temelinde Köycülük-

As tentativas de categorização da presença da religião e da religiosidade nas redes digitais se destacam nos estudos acerca da intersecção entre religião e comunicação digital. Dentre esses taxonomias, ou tipologias, a distinção operada inicialmente por HELLAND (2000 apud DAWSON & COWAN,2004, p. 7) entre

religion online e online religion se destaca e é base de outros estudos no campo.

Por Religião online (religion online) se entende toda a sorte de disponibilização de informações ou serviços relacionados a uma variedade incalculável de grupos e tradições religiosas. Nesse sentido existem uma infinidade de sites organizados por congregações, mesquitas, templos, sinagogas e demais instituições religiosas. Também se enquadra nessa definição de religião online os sites comerciais que disponibilização a venda de artigos religiosos, como livros, produtos, etc. Religião online é o padrão de utilização da internet por organizações religiosas hierárquicas, que controla unilateralmente as informações que disponibiliza. A comunicação digital é utilizada do mesmo modo que as mídias analógicas tradicionais, isto é, não se oferece qualquer possibilidade interativa e de contribuição para o internauta.

Já Online Religião(online religion) se entende aquelas arquiteturas informativas que convidam o usuário a participar ativamente das práticas religiosas. Tais práticas podem variar de oração e meditação online, mapa astral online, conselho espiritual por chats, jogos de runas, leitura online de tarô, enfim, toda a sorte de atividade que exigem a intensa interação entre atores do campo religioso e circuitos informativos. A ocorrência da online religion é mais provável, portanto, em sites não oficiais ou de novos movimentos religiosos ou ainda sites de grupos pagãos. No limite, são oportunidades que ultrapassam a possibilidade de visita a diferentes sites de diferentes crenças e podem alcançar o domínio da tridimensonalidade e dos mundos virtuais, no qual cada um como um avatar pode interagir com outros, e a contribuição de visões e crenças particulares é imperativa.

A análise de Dawson & Cowan(2004) a respeito dessas tipologias é no sentido de entendê-los não como uma rígida e absoluta dicotomia e sim, antes, como uma distinção, afinal muitos sites apresentam a combinação desses dois tipos:

106 Cada vez mais sites de congregações, por exemplo, não apenas informam os visitantes quando os serviços são realizados e onde a igreja está localizada, mas também oferecem correntes de oração on-line, páginas de devoção, e até mesmo confessionários eletrônicos. (DAWSON & COWAN,2004, p. 7. tradução nossa)

Mesmo Christopher Helland que em 2000 desenvolveu essa distinção, em artigo mais recente tem oportunidade de rever algumas de suas posições (Helland 2005). Para o analista, naquela fase do desenvolvimento das redes, havia uma clara distinção entre websites em que as pessoas tinham liberdade e alto grau de interação(online religion) e a grande maioria dos outros websites que apenas forneciam informações a respeito de assuntos religiosos(religion online). Naquela época o analista estabelecia uma correlação entre sites de organizações oficiais e a

religion online e sites religiosos não oficiais e a online religion. Contudo, o

desenvolvimento e a importância cada vez mais central das redes nos últimos anos, apesar de não invalidar a distinção, exige a consideração de outras variáveis sobretudo no que diz respeito a adaptação dos sites oficiais a essa demanda por altos graus de interação. É necessário considerar que a distinção não pode ser rígida porque além de um mesmo site poder prover tanto informações unilaterais de uma dada profissão de fé e também possibilidades interativas, é importante considerar que existem graus de interação, desde bem rudimentares (como mandar um e-mail) até modos mais complexos.

Outro autor que trabalha com essa distinção a reelaborando e a aplicando no contexto de sites do universo cristão é Young (2004). O autor além de entender a

online religion como a disponibilidade de informações e a online religion como a

possibilidade de participação ativa nas experiências, entende as categorias a partir de outra distinção que diz respeito às referências primárias dessas presenças, isto é, se a referência primária é o contexto online ou o contexto off-line. Assim, enquanto a

religion online refere-se a tradições religiosas preexistente e portanto tem uma

referência primária predominantemente no contexto off-line, a referência primária da

online religion é o próprio contexto online, isto é, atividades que acontecem

exclusivamente online. Como esclarece Young (2004) essa outra distinção refere-se ao locus da atividade em que um site de internet faz referência primária. Enquanto

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originalmente a categoria proposta não explicitamente operava esta distinção, para o autor, tal operação parece bastante razoável:

Porque fornece informações sobre religião, religion online faz referência primária para o offiline, preexistentes tradições religiosas e instituições. Online religion, que envolve participantes em atividades religiosas, refere-se ao desenvolvimento online nele mesmo como o contexto primário da atividade. (YOUNG,2004, p. 94, tradução nossa)

De qualquer modo, entendemos também que a distinção entre religion online e

online religion é importante pois além de diferenciar a utilização das potencialidades

das mídias digitais retrata dois momentos históricos distintos do desenvolvimento da internet. A religion online é ligada a chamada web 1.0, onde os elementos textuais eram predominantes e os sites possuíam um caráter ainda muito informativo, considerados como meras ferramentas de anúncio limitando a participação do usuário a expressar alguma opinião, tendo sempre uma referência ao contexto off- line, no qual a grande novidade introduzida é que qualquer um com acesso a internet, em qualquer lugar e em qualquer tempo poderia aprender alguma coisa sobre qualquer religião, antiga e contemporânea. Já a online religion está ligada ao advento da web 2.0, isto é, ligado ao deslocamento da ênfase nos conteúdos para a conexão. São novas possibilidades surgidas a partir da difusão da banda larga e de outras inovações tecnológicas que permitiram a circulação na rede de vários tipos de mídia, como vídeos, fotos, sons, etc., além de preservar também as inovações já presentes na web 1.0 dando contornos ainda mais radicais aquelas características. Na web 2.0, por exemplo, podemos não só aprender sobre qualquer religião, como muitas vezes participar ativamente dessas.

Ainda nesse esforço classificatório das manifestações religiosas das redes, Karaflogka(2003) distingue ‗ religion on cyberspace‟ e ‗religion in ciberspace‟. Trata- se de uma construção bastante similar daquela entre ‗religion online‟ e ‗online

religion‘ sobretudo no sentido retrabalhado por Young(2004). Karaflogka entende que ‗ religion on cyberspace‟ e ‗religion in ciberspace‟ são dissemelhantes porque a primeira categoria se refere a toda sorte de informações religiosas disponibilizadas por qualquer religião (institucionalizada ou não), igreja, indivíduos ou organizações que também existem no contexto off-line. A internet nesse caso é meramente usada

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como ferramenta comunicativa de informações pré-existentes. Por outro lado,

„religion in cyberspace‟ é uma expressão religiosa ou espiritual que existe

exclusivamente no ciberespaço se valendo de notável nível da chamada realidade virtual. A internet nesse caso é o ambiente que forja e estrutura a experiência religiosa.

Pashe (2008) ao empreender um estudo empírico sobre sites de compartilhamento de vídeo como o youtube e outros mais específicos como o Godtube5 ou FaithTube6 rejeitou ambas categorias por entendê-las como não aplicáveis em seu objeto, pois cada presença singular da religião nos sites de compartilhamento de vídeos podem ser classificados em uma ou outra categoria ou mesmo em ambas as categorias de uma só vez. Diante da limitação de qualquer contraposição dicotômica, Pasche (2008) propõe uma tipologia com 10 formas diferentes que a religião pode estar presente nas redes7.

Outra pesquisadora que desenvolve uma crítica em relação a essas tipologias mais consagradas no campo é a brasileira Fernanda Costa e Silva que partindo dos trabalhos de Helland e Karaflogka e de um quadro teórico próprio propõe a classificação das manifestações religiosas virtuais em três categorias. (Silva,2005). A primeira categoria é a ‗manifestação religiosa informativa – ferramenta‘. Nessa categoria a internet é percebida como ferramenta na qual informações religiosas existentes ou não off-line são transmitidas unilateralmente. Como esclarece a pesquisadora:

Manifestações desse tipo incluem informações religiosas de qualquer teor disponibilizadas em sites por qualquer tipo de usuário – organização religiosa oficial ou não, indivíduo etc. – jornais religiosos, artigos acadêmicos sobre religião, sermões disponibilizados online, entre outras. (Silva, 2005,p.12)

5 Disponível em:< http://www.godtube.com/>. 6 Disponível em:< http://www.faithtube.com/>

7 Conforme Pashe(2008:5) essa tipologia é composta pelos seguintes 10 tipos: (1)Reportagens e entrevistas; (2)

Filmes(documentário ou ficional, inteiro ou trailer); (3) PPP: Propaganda, proselitismo e polemicas; (4) Crítica ou debate moderado, geralmente com uma pitada de humor;(5) Testemunhos pessoais (conversão a uma religião, curas, milagres, biografia espiritual); (6) Homenagem ou tributo a alguém especial(líder religioso, mártir, santo, etc.); (7) Ensinamentos religiosos ou instruções morais; (8) Interpretação religiosa, exegese, opinião sobre textos ou eventos sagrados; (9)Práticas, atos ou rituais religiosos, filmados na realidade e postados on-line e (10) Específicas instruções de como executar um ritual.

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A segunda categoria é a ‗manifestação religiosa espacial – lugar‘ na qual a rede é entendida como lugar e envolve a interação entre usuários, tanto rituais como práticas religiosas em geral: “Exemplos de manifestações religiosas espaciais são fóruns de discussão, chats, listas de discussão. Ambientes religiosos 3d, rituais de acender velas, peregrinações virtuais etc”.(Silva,2005,p.14)

As ‗manifestações religiosas metafísicas – modo de ser‘ é a última categoria proposta pela pesquisadora que a entende como, “...formas de alcançar a transcendência online proposta pelas tecno-religiosidades, isto é, grupos religiosos que vêem na tecnologia a solução dos problemas do mundo e/ou ciberespaço um espaço sagrado de salvação pessoal”(Silva,2005,p.15). No limite, a mídia digital é

entendida como religião em si. Essas manifestações religiosas metafísicas remetem a discussão acerca do imaginário da cibercultura, conforme discutimos no quinto capítulo dessa dissertação quando da articulação do conceito de ciber-religião. Aliás, é importante ressaltar que o conceito de ciber-religião conforme é concebido por Højsgaard (2005) também é uma classificação das manifestações religiosas nas redes, mas dado sua importância capital nessa pesquisa será discutido separadamente, no capítulo quinto, momento no qual também retomaremos essa questão do imaginário da cibercultura.