Auxilia Birlikleri EQUITES’LER
5. ARKEOLOJİK VERİLER
A lentidão entre as decisões liminares e a definitiva de mérito, conforme apresentado no tópico anterior, não é diagnóstico novo. Ainda que sem a precisão de análises quantitativas, intuitivamente, o problema já era enxergado há mais de uma década por juristas e políticos, especialmente em relação às ações de controle concentrado de constitucionalidade. isso porque, já na década de 1990, era possível identificar volume elevado de liminares que suspendiam provisoriamente a validade de leis e outros atos normativos cuja decisão definitiva demorava anos a ser tomada, gerando insegurança nas relações jurídicas.
em resposta a esse cenário, a Lei nº 9.868, de 10 de novembro de 1999, que regula a forma de processar e julgar as ações nas quais o Supremo (e apenas ele) avalia se uma lei viola a Constituição Federal, traz a possibilidade de escolha ao relator do processo. Diante de um pedido de decisão liminar, se entender que a questão é absolutamente urgente, o relator pode decidir abreviar o andamento do processo, deixando de julgar a liminar, para imedia- tamente julgar o mérito da questão. A ideia é que com isso o processo seria encurtado. o indicador nesse capítulo mede o número de dias entre essa decisão do relator de deixar de julgar a liminar para abreviar o andamento do processo e o efetivo julgamento de mérito.
Tecnicamente, o artigo 12 da Lei nº 9.868/99 trouxe inovação no controle abstrato de normas brasileiro. o dispositivo passou a permitir que o relator sub- metesse diretamente ao Plenário do Tribunal, após procedimento abreviado, ação
de controle abstrato com pedido de medida cautelar, desde que haja relevância da matéria e especial significado para a ordem social e a segurança jurídica.
em linhas gerais, tal procedimento abreviado significa: a) prazo de 10 dias para a prestação de informações dos órgãos ou autoridades dos quais emanou a lei ou o ato normativo impugnado (o prazo comum previsto no art. 6º da Lei é de 30 dias); b) 5 dias para manifestação do Advogado-Geral da União (ordinariamente, consoante o art. 8º da Lei, o prazo é de 15 dias); e c) também 5 dias para o Procurador-Geral da república (igualmente, o prazo regular é de 15 dias). Após tais procedimentos, a ação poderá ser encaminhada pelo relator para julgamento pelo colegiado máximo do STF.
Normativamente, a diferença, portanto, entre os prazos ordinário e abreviado é de somente 40 dias. Nesse sentido, é importante destacar que a adoção do procedimento previsto no art. 12 não afasta a possibilidade de o relator submeter à apreciação de medida cautelar ao Plenário, conforme previsto no art. 10 da Lei, admitir amici curiae ou fixar audiência pública.
Da perspectiva histórica, esse artigo adveio, a partir do diagnóstico supramencionado, da necessidade de aumentar a celeridade na tramita- ção de ações diretas de inconstitucionalidade, inclusive por omissão, e de ações declaratórias de constitucionalidade que passam por crivo especial de relevância7. exemplo constantemente utilizado nos debates prévios à Lei era o julgamento de ações referentes a medidas provisórias. isso porque, pelo entendimento da Corte, uma vez convertida, ação cujo objeto era MP perde seu objeto.
Atualmente, embora não presente expressamente na Lei nº 9.882/1999, além das ADis e ADCs, tal dispositivo é aplicável por analogia às arguições de descumprimento de preceitos fundamentais (ADPFs). Com efeito, dife- rentemente dos outros indicadores deste relatório, o indicador deste tópico
7 o ministro Gilmar Mendes, que participou da redação da referida lei – compunha Comissão de Juristas criada (Portaria nº 634, de 23/10/96, do Ministro de estado da Justiça) para, dentre outras inalidades, propor projetos de lei sobre ações constitucionais de controle de constitucionalidade – escreveu o seguinte: “A medida parece-me salutar, visto que, hoje, mais da metade das ações diretas de inconstitucionalidade ajuizadas não foi julgada, estando esquecida nos gabinetes da Procuradoria-Geral da república, assoberbada pelo excesso de trabalho e escassez de procuradores, o que torna, em verdade, demorada a tramitação para o julgamento deinitivo, hoje levando em torno de três a quatro anos entre a apreciação da liminar e a decisão inal”. (MENDES, Gilmar Ferreira; MARTINS, Ives Gandra da Silva. Controle concentrado de constitucionalidade: comentários à Lei nº. 9.868, de 1999, p. 216. 1ª ed. São Paulo: Saraiva, 2001.)
permite aferir a efetividade de alternativa já existente, pensada para dar celeridade ao julgamento de matérias relevantes e de especial significado para ordem social e segurança jurídica.
Nesse contexto, observa-se que o rito previsto no art. 12 foi adotado em 1.711 processos. Após identificar cada um deles, calculamos a concentração de processos nos quais foi adotado o rito em cada classe processual. ou seja: qual a porcentagem de ADis e ADCs nas quais foi adotado o rito dentre aquelas protocoladas desde a entrada em vigor da lei? Da mesma forma, qual a porcentagem de ADPFs e ADos com o rito do art. 12 dentre aquelas protocoladas após o precedente do Supremo que determinou tal possibili- dade? No caso das ADPFs, a contagem é a partir do dia 24 de outubro de 2008 (decisão na ADPF 137), e, no caso das ADos, é a partir do dia 7 de abril de 2009 (decisão na ADo 7). o resultado consta no gráfico a seguir.
G r á f i c o 2 1 C o n c e n t r a ç ã o d e P r o c e s s o s c o m A d o ç ã o d o R i t o d o A r t . 1 2 p o r C l a s s e P r o c e s s u a l ( 1 9 9 9 - 2 0 1 3 ) 0 10 20 30 40 50 60
ADI ADO ADPF ADC
57%
18%
11%
4%
O rito do art. 12 é utilizado sobretudo nas ADIs.
Mais da metade das ADis a partir de 1999 passaram a transitar pelo rito acelerado do art. 12 – isto é, 1.672 ADis. Nas demais classes processuais, a concentração é muito menor. São apenas 17 ADPFs, ou 11% daquelas pro- tocoladas desde o precedente que reconheceu a possibilidade de tal rito também nessa classe processual.
Foram contabilizados os dias decorridos entre a decisão do ministro relator do processo no sentido de passar ao rito do art. 12 e a posterior decisão de mérito (a data da sessão de julgamento, no caso de decisões colegiadas), cuja urgência havia justificado tal medida. A média geral é de 929 dias ou 2 anos e meio. Nos processos em que a decisão ainda não ocorreu, a contagem foi feita entre a data da adoção do rito e aquela do final do recorte temporal da base de dados – 31 de dezembro de 2013. Nesses casos, a média geral é de 1.748 dias ou 4,8 anos.
G r á f i c o 2 2
M é d i a d e A n o s d e s d e a A d o ç ã o d o R i t o d o A r t . 1 2 p o r C l a s s e P r o c e s s u a l n o S T F ( 1 9 9 9 - 2 0 1 3 )
Ainda sem decisão de mérito Com posterior decisão de mérito 2,6 4,8 0,8 2,9 4,8 2,6 1,2 1,8 2,5 0,0 1,0 2,0 3,0 4,0 5,0 6,0
ADC ADI ADI ADO ADO ADPF ADPF Geral Geral
Nas ADIs, o rito supostamente sumário leva em média 2,5 anos nos melhores casos e quase 5 anos nos piores casos.
É fácil perceber que a média tende a ser maior entre os processos nos quais já ocorreu a decisão de mérito em comparação com aqueles nos quais essa ainda não foi tomada. entre as ADCs com adoção do rito nenhuma teve tal decisão posterior.
A média mais alta é entre as ADis com decisão de mérito pendente – 1.763 dias, ou 4,8 anos. A média é muito maior do que aquela das ADis já decididas, com 933 dias – 2,6 anos. A segunda maior média é a das ADPFs com decisão pendente: 1.063 dias ou 2,9 anos.
A segunda variável é a de assunto dos processos. A partir daqui sepa- ramos a apresentação dos dados entre os dois grupos: o de processos com a decisão de mérito já tomada e o de processos com a decisão pendente em 31 de dezembro de 2013. G r á f i c o 2 3 N ú m e r o M é d i o d e A n o s d e D u r a ç ã o e n t r e A d o ç ã o d o R i t o d o A r t . 1 2 e D e c i s ã o d e P r o c e s s o s n o S T F , p o r A s s u n t o ( 1 9 8 8 - 2 0 1 3 ) 2,5 2,5 2,7 2,8 3,3 3,4 3,5 4,2 5,5
Proc. Civil e Trabalho Consumidor Proc. Penal Civil Administrativo Trabalho Previdenciário Tributário Penal
As ocorrências do rito sumário já concluídas levaram mais tempo nos processos de direito penal, com direito tributário em segundo.
entre os processos já decididos, a maior média é daqueles que versam sobre Direito Penal: 5,5 anos. A segunda maior média é a dos processos de Direito Tributário, com 4,2 anos. As médias mais curtas, de cerca de 2 anos e meio, são encontradas nos processos de Consumidor e Processo Civil e Trabalhista.
G r á f i c o 2 4 N ú m e r o M é d i o d e A n o s d e s d e a A d o ç ã o d o R i t o d o A r t . 1 2 n o S T F , p o r A s s u n t o ( 1 9 8 8 - 2 0 1 3 ) 2,3 3,6 4,6 4,8 5,0 5,1 5,3 5,4 5,8 Penal Previdenciário Civil Administrativo Proc. Penal Trabalho Consumidor Tributário Proc. Civil e Trabalho
As ações envolvendo questões processuais civis ou trabalhistas estão com o rito do art. 12 ainda em aberto há quase 6 anos em média, com direito tributário em um não distante segundo lugar.
entre os processos com decisão pendente, a maior média é naqueles de Direito Processual Civil e Trabalhista, com 5,8 anos. Tributário é no- vamente a segunda maior média: 5,4 anos. Direito Penal agora é a menor média, 2,3 anos. e a segunda menor média é de Direito Previdenciário, com 3,6 anos.
A terceira variável diz respeito ao relator do processo. As médias cor- respondem ao ministro ou ministra que tomou tal decisão de adotar o rito do art. 12. Nos casos em que houve posterior troca de relatoria os dias são contados apenas para o último relator e somente a partir da troca. Nesses casos os dias decorridos entre a adoção do rito e a troca de relator não são computados para nenhum ministro.
G r á f i c o 2 5 M é d i a d e A n o s e n t r e A d o ç ã o R i t o A r t . 1 2 e D e c i s ã o d e M é r i t o n o S T F ( 1 9 9 0 - 2 0 1 3 ) 0,1 0,2 0,5 0,7 0,7 0,9 0,9 0,9 1,4 1,5 1,5 1,5 1,6 1,6 1,7 2,0 2,3 2,5 2,5 2,6 3,0 4,5
Min. Sydney Sanches Min. Ilmar Galvão Min. Roberto Barroso Min. Menezes Direito Min. Teori Zavascki Min. Carlos Velloso Min. Nelson Jobim Min. Rosa Weber Min. Dias Toffoli Min. Luiz Fux Min. Sepúlveda Pertence Min. Maurício Corrêa Min. Ellen Gracie Min. Eros Grau Min. Celso de Mello Min. Ricardo Lewandowski Min. Cármen Lúcia Min. Joaquim Barbosa Min. Gilmar Mendes Min. Ayres Britto Min. Marco Aurélio Min. Cezar Peluso
O rito leva mais tempo quando é adotado pelo Min. Peluso - uma média 50% maior que a do segundo colocado, Min. Marco Aurélio.
entre os processos já decididos, a maior espera, em média, desde a adoção do rito é naqueles processos em que o relator era o Min. Peluso. São em média 4,5 anos até o julgamento do processo. em segundo lugar estão os processos de relatoria do Min. Marco Aurélio: 1.109 dias, cerca de 3 anos. o ministro aposentado Ayres Britto vem logo em seguida, com 2,6 anos. o ministro aposentado Sydney Sanches tem a média mais curta. Nos processos em que ele adotou o rito do art. 12, o julgamento ocorreu em mé- dia após 39 dias. o segundo com a menor média é o ministro aposentado ilmar Galvão, com 76 dias.
o levantamento do gráfico 25 mistura as médias de tempo até o julga- mento do mérito de dois tipos de processo: aquele no qual o próprio ministro
adotou o rito do art. 12 e aquele em que o ministro herdou o processo de outro relator que tinha feito essa opção. Comparamos a variação entre a quantidade média de dias do primeiro e do segundo caso.
G r á f i c o 2 6 V a r i a ç ã o d o T e m p o M é d i o p a r a J u l g a r M é r i t o a p ó s A d o ç ã o R i t o A r t . 1 2 ( 1 9 9 9 - 2 0 1 3 ) -85 -28 -12 -4 14 22 27 34 35 37 38 41 104 108
Min. Ellen Gracie Min. Rosa Weber Min. Luiz Fux Min. Gilmar Mendes Min. Ayres Britto Min. Carlos Velloso Min. Celso de Mello Min. Cármen Lúcia Min. Eros Grau Min. Ricardo Lewandowski Min. Marco Aurélio Min. Dias Toffoli Min. Cezar Peluso Min. Joaquim Barbosa
A maioria dos ministros conclui o rito do art. 12 mais devagar quando este foi adotado por um colega.
o Min. Joaquim Barbosa demora 108% mais tempo para levar a julga- mento de mérito os processos nos quais ele herdou o rito abreviado do que os processos nos quais ele mesmo optou pelo rito. Da mesma maneira o Min. Peluso (104%). Para alguns isso quase não faz diferença, como no caso dos Mins. Ayres Britto e Gilmar Mendes. Já a Min. ellen Gracie era 85% mais rápida com os processos do rito que havia herdado, em comparação com aqueles nos quais ela mesma adotou o rito.
G r á f i c o 2 7 M é d i a d e A n o s d e s d e A d o ç ã o R i t o A r t . 1 2 n o S T F ( 1 9 9 9 - 2 0 1 3 ) 0,2 0,4 0,7 1,2 2,0 3,1 3,2 3,3 4,6 5,1 5,4 7,1 7,2 8,6 11,4
Min. Roberto Barroso Min. Teori Zavascki Min. Rosa Weber Min. Luiz Fux Min. Dias Toffoli Min. Gilmar Mendes Min. Cármen Lúcia Min. Ricardo Lewandowski Min. Celso de Mello Min. Ellen Gracie Min. Marco Aurélio Min. Ayres Britto Min. Joaquim Barbosa Min. Cezar Peluso Min. Nelson Jobim
Nos processos com o rito sumário ainda em aberto no inal de 2013 o ministro com a maior média era Joaquim Barbosa.
entre os processos com o mérito ainda pendente as médias são visivel- mente maiores. Há erros no sistema do Supremo que afetam nossos resulta- dos nesse ponto. os ministros Jobim, Peluso e ellen Gracie, já aposentados, têm cada um apenas um processo usado no cálculo da média, o que significa que o número de dias ali atribuído sequer é uma “média”. o Min. Ayres Britto tem dois processos nessa situação.
Nesses cinco processos a relatoria foi trocada após a saída dos minis- tros, contudo um erro no sistema do Tribunal fez com que ela continuasse constando para eles. Como exemplo, temos o caso do Min. Jobim. Há apenas um processo no qual ele ainda consta como relator e o mérito não havia sido decidido até o final do ano passado – a ADi 2669. ocorre que o processo já foi redistribuído para a Min. Cármen Lúcia, porém a troca não foi efetuada no sistema.
entre os ministros cujos dados são realmente uma média, pois há di- versos processos com o rito do art. 12 ainda em aberto até o final do ano passado, aquele com maior média é o Min. Joaquim Barbosa, com 7,2 anos. A segunda maior média é do Min. Marco Aurélio, com 5,4 anos. os ministros mais novos e que, portanto, tomaram as decisões pela adoção do rito ape-
nas mais recentemente, têm as médias mais baixas. Mins.roberto Barroso, Teori Zavascki, rosa Weber e Luiz Fux, respectivamente, com 78, 151, 245 e 425 dias.
em seguida, separamos os dados por ministro em função do ano no qual foi adotado o rito do art. 12.
G r á f i c o 2 8 M é d i a d e D i a s e n t r e A d o ç a o d o R i t o d o A r t . 1 2 e a D e c i s ã o d e M é r i t o , p o r M i n i s t r o ( 2 0 0 2 - 2 0 1 3 ) 0 500 1.000 1.500 2.000 2.500 200220032004 200520062007200820092010 201120122013 Mediana
Ainda quando se considera um mesmo ano a duração do rito varia enormemente conforme o ministro relator.
Ainda quando consideramos a média de cada ministro em um mesmo ano há enorme discrepância entre a média de duração do rito do art. 12 para cada relator. Dois anos depois da eC 45, nos processos de relatoria do Min. Lewandowski, o rito durou em média 75 dias. Mas, quando o Min. Peluso adotou o rito, a duração média foi de 1.308 dias. Ainda em 2011, essa grande disparidade se mantinha. A média do Min. Celso de Mello é de 141 dias e a do Min. Marco Aurélio é de 898 dias.
Parece existir uma diminuição da duração do rito para os ministros de modo geral. No caso do Min. Ayres Britto, por exemplo, a queda é bem padronizada. As médias dos últimos dois anos, no entanto, devem ser lidas como um grão de sal. Assim como no caso da vigência das limina- res, também aqui os ritos de 3, 4 ou 5 anos começando em 2006 podem aparecer. entretanto, são contados em 2012 e 2013 apenas os que tiveram curta duração.
De qualquer modo, embora seja possível dizer que os ministros estão procurando diminuir a duração do rito a partir do momento em que se tornam responsáveis pelo processo, não é possível avaliar através desses dados se, de modo generalizado, o rito tem durado menos. Qualquer avaliação sobre o todo, ao invés de apenas sobre cada ministro, será enviesada. Conforme já explicado, os dias são contados apenas para o último relator, o que significa que, nos casos com troca de relatoria, todo um período anterior à troca não foi considerado. isso acaba afe- tando os dados como um todo e não permite tirar conclusões sobre a evolução geral a partir dos gráficos com os dados por ministro. Para isso devem ser usados os dados sem discriminação por ministro, que estão na sequência.
Computamos as médias em função do ano no qual foi julgado o mé- rito do processo ou, no caso daqueles cujo mérito ainda está pendente, o ano no qual o rito do art. 12 foi adotado. Comparamos, no gráfico a seguir, com o total de processos novos ingressando no Supremo em cada ano.
G r á f i c o 2 9 D u r a ç ã o M é d i a d o R i t o d o A r t . 1 2 v s . P r o c e s s o s N o v o s n o S T F ( 2 0 0 1 - 2 0 1 3 ) 0,0 0,7 1,4 2,1 2,8 3,5 4,2 4,9 2 0 0 1 2 0 0 2 2 0 0 3 2 0 0 4 2 0 0 5 2 0 0 6 2 0 0 7 2 0 0 8 2 0 0 9 2 0 1 0 2 0 1 1 2 0 1 2 2 0 1 3 0 20.000 40.000 60.000 80.000 100.000 120.000 140.000
Número de Processos Novos Duração Média do Rito em Anos
Númer o de P roc essos No v os D ur ação M édia do R it o em A nos
A duração média do rito estacionou acima de 4 anos desde 2010.
A média de dias transcorridos até o julgamento do processo aumentou até 2010, quanto então parece ter estabilizado em cerca de 1.500 dias, mais de 4 anos. Aqui a queda do número de processos novos não parece ter sido acompanhada por uma queda no tempo médio para julgar os processos do rito do art. 12.
A linha vermelha, que mostra a média dos processos com o mérito ainda pendente, não revela nada que não fosse possível intuir: a média de dias transcorridos em processos cujo rito foi adotado em 2001 é maior do que em 2002 e assim sucessivamente. A queda é linear, como não poderia deixar de ser. Mas decidimos colocar essa linha no gráfico porque marca a existência de processos cuja urgência motivou a adoção do rito sem liminar em 2001 e que até hoje não foram julgados. o mesmo vale para 2002, 2003... em 2006, por exemplo, o Supremo poderia ter feito um esforço pontual para julgar todos os processos do rito do art. 12 acumulados. ou poderia ter feito isso em 2009, quando a lei completou 10 anos. É a linha vermelha no gráfico que mostra uma oportunidade perdida.
A lista dos 10 processos com maior tempo transcorrido evidencia isso. G r á f i c o 3 0 T o p 1 0 P r o c e s s o s c o m M a i o r D u r a ç ã o e m A n o s e n t r e A d o ç ã o d o A r t . 1 2 e D e c i s a o d e M é r i t o n o S T F ( 1 9 9 9 - 2 0 1 3 ) 11,9 11,1 11,1 10,7 10,2 9,9 9,8 9,5 9,3 9,2 ADI
1842 2588ADI 2416ADI 2729ADI 2818ADI 2542ADI 2701ADI 2199ADI 2650ADI 3004ADI Os piores casos de rito já concluído icam próximos de 10 anos.
A decisão de mérito na ADi 1842 levou 4.357 dias (aproximadamente 12 anos). o Min. Maurício Corrêa optou pelo rito abreviado em 2001 e somente em 2013 a ação foi julgada. No caso em décimo lugar, a decisão demorou mais de 9 anos.
Da mesma maneira, são listados abaixo os 10 processos há mais tempo com o mérito pendente.
G r á f i c o 3 1 T o p 1 0 P r o c e s s o s c o m M a i o r D u r a ç ã o e m A n o s d e s d e a A d o ç ã o d o R i t o d o A r t . 1 2 n o S T F ( 1 9 9 9 - 2 0 1 3 ) 12,3 12,3 12,3 12,3 12,2 12,1 11,6 11,6 11,5 11,4 ADI 2390 ADI 2154 ADI 2386 ADI 2397 ADI 1940 ADI 2571 ADI 2658 ADI 2662 ADI 2500 ADI 2485 Nas ações com o rito em aberto a mais tempo a espera já passa de 11 anos.
os quatro primeiros colocados tiveram a adoção do rito no mesmo dia, em 24 de setembro de 2001. Na ADi 2390 essa decisão foi do Min. Velloso e nas outras três foi do Min. Sepúlveda Pertence. Até o final de 2013, os processos aguardaram mais de 12 anos no rito abreviado.
Dessa forma, quando se considera que o procedimento do art. 12 da Lei nº 9.868/99 foi criado há menos de 15 anos (novembro de 1999), é possível apontar tendência de que o tempo estimado de julgamento das ações rele- vantes de controle de constitucionalidade não tem sofrido o efeito esperado. Com isso, da perspectiva estrutural, é de se colocar em xeque a suficiência atual da medida legal para seus propósitos originários.
os acórdãos são o conteúdo escrito da decisão de um caso que foi julgado coletivamente, por um conjunto de juízes. No momento em que os votos são proferidos, fica evidente para os que acompanham a votação qual é a decisão de cada juiz e, consequentemente, qual é a decisão do tribunal, com a soma dos votos. No entanto, o resultado da votação e, portanto, também a própria decisão somente são oficializados com a publicação do acórdão em forma escrita.
No caso do STF, esse meio de comunicação é o Diário da Justiça eletrônico do STF. o prazo para que o acórdão seja publicado é de até 60 dias após a sessão de julgamento, com a possibilidade de o prazo poder ser estendido em casos excepcionais e com justificativa por tempo ilimitado.
embora em alguns casos a publicação não seja necessária para o efetivo cumprimento da decisão – como no caso da decisão que conce- de habeas corpus de réu preso a partir da expedição de alvará, ou nas ações de controle concentrado de constitucionalidade em que basta a publicação do dispositivo da decisão (ou seja, sem a publicação dos votos fundamentados) para que tenha eficácia contra todos e efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública federal, estadual e municipal (art. 27 da Lei nº 9.868/1999) –, é apenas com a publicação que a jurisprudência do Tribunal se torna efetivamen- te conhecida. ou seja, somente com a publicação dos acórdãos que as decisões do tribunal poderão consolidar-se como jurisprudência. Sem a divulgação escrita e oficial dos fundamentos da decisão, as partes, os
seja no STF ou em outros tribunais brasileiros.
No caso do controle concentrado de constitucionalidade, esse aspecto assume relevância ainda maior. Consoante entendimentos doutrinários e do próprio STF, tanto a parte dispositiva quanto os fundamentos determinantes da decisão vinculam todos os tribunais e autoridades administrativas nos casos futuros. Sem a publicação do acórdão torna-se inviável a utilização, de forma consequente, dos fundamentos de uma decisão que tem natureza vinculante.
Ademais, a importância desse indicador está em sua conexão com outros indicadores temporais. Sem a publicação do acórdão, as partes em um processo judicial não são intimadas, postergando o início de prazo para eventuais recursos. Além disso, a demora na publicação impacta diretamente o decurso do trânsito em julgado – o momento a partir do qual a questão está resolvida e a decisão do Supremo deve ser cumprida.
o Código de Processo Civil não mais estabelece prazo específico para a publicação do acórdão após a sessão final de julgamento. refere-se apenas a prazo (10 dias) em que as conclusões do acórdão devem ser publicadas após sua lavratura (art. 564)8. Até alteração legislativa de 1994 (Lei nº 8.950/1994), o CPC previa que o acórdão deveria ser apresentado pelo re-