A conjuntura histórica em que se deu o surgimento das prisões na Europa e demais regiões do mundo, não é diferente da conjuntura do surgimento das prisões brasileiras. Elas são criadas para o exercício direto da regulação, da dominação e do poder sobre a dinâmica social.
Historicamente, até o século XVI, as prisões brasileiras existiam como medida cautelar31. A partir do século XVII com o surgimento das Ordenações das Filipinas as prisões foram substituídas pela pena de morte, com julgamentos desiguais e castigos corporais e nem mesmo com a chegada da família portuguesa estes procedimentos tiveram fim. Somente em 1830, as prisões “tomam os seus postos” de punição seguidos da obrigação do exercício de trabalho no recinto dos presídios.
Segundo Lima; Pires (2006), os séculos XVII e XVIII foram palcos de um processo que altera as estruturais sociais, econômicas, políticas e culturais até então existentes. A humanidade assiste ao processo de ascensão da burguesia a condição de classe dominante, instalando definitivamente o modelo capitalista de produção e as idéias do Movimento Iluminista, afetando diretamente a ordem do Direito Penal.
30 A função preponderante dos sistemas de leis criadas é a manutenção da ordem social,
sob a égide do capital e da ideologia dominante (CAMARGO, 1990).
31 Entendemos como uma apreensão provisória do sujeito ou retenção de bens materiais
Desse modo, o agente do crime passa a ser considerado como um indivíduo racional e livre que adere ao pacto social32 e, portanto, as leis instituídas. O seu crime dessa forma, não afeta apenas aos indivíduos particulares, mas também a própria sociedade, sendo punido a partir da legislação estatal, considerada como representação do povo. O corpo ainda é visto como instrumento de arrependimento. Mas a finalidade maior das penas é a privação da liberdade, vista neste período, no qual o Liberalismo estava em ascensão, como o bem maior do indivíduo. Assim, a privação de liberdade é considerada como uma pena de recuperação para o infrator. Este período, assim retratado, é considerado o período das penas humanitárias o qual se instaurou dentro do sistema capitalista e liberal.
No Brasil, especificamente, estes ideários liberais passaram a ser adotados a partir do século XIX, sendo configurados legalmente, a partir da Constituição outorgada em 1824, pelo Imperador Dom Pedro I. Nesta Constituição, o período humanitário era caracterizado como um momento em que se aplicam penas que primam pela Legalidade; proporcionalidade; personalidade e Igualdade, sendo este último, constantemente desrespeitado, haja vista, que as penas continuavam sendo aplicadas de acordo com os interesses das classes sociais dominantes.
Atrelado a estes princípios, esta Constituição em seu Inciso XXI do artigo 179, primava na fiscalização da execução da pena, pelas condições salubres das prisões brasileiras e pela individualização33 das penas conforme as circunstâncias e a natureza dos crimes (atenuantes e agravantes). Com base nestas prerrogativas, em 1830, D. Pedro I sanciona o Código Penal do Império Brasileiro, baseado no Código Francês, que além de executar a questão da individuação, da existência de atenuantes e agravantes, estabelecia julgamento especial para os menores de 14 anos (tipo de maioridade penal). Quanto à pena de morte, a ser executada pela força, trouxe polêmicas entre os liberais e conservadores no congresso, mas foi aceita, visando coibir a prática de crimes pelos escravos. Apesar dos avanços, o código ainda estava pautado em um forte apelo religioso e os crimes praticados na época eram considerados uma ofensa à religião estatal. O documento ainda não atentara para a caracterização dos crimes dolosos e culposos, com intenção ou não de praticar, respectivamente, assim como, promovia grande desigualdade no tratamento das pessoas, no caso, os escravos.
32 Acerca do Contrato Social ver Rousseau (1978).
Em consonância com este período humanitário das penas, temos o período chamado de criminológico34 ou científico, instaurado no Brasil nas últimas décadas do século XIX, caracterizado por considerar o indivíduo criminoso como “anormal” dentro de uma perspectiva da medicina positivista. Segundo Lima & Pires (2006), o criminoso deixa de ser visto como amoral para figurar como um “anormal”. A pena continua privilegiando a recuperação, mas no sentido de “cura”.
Podemos afirmar que, neste período, havia uma diferenciação entre o “louco criminoso” (pessoas portadoras de transtornos mentais) e o “criminoso”. Porém todos os dois tipos eram vistos sob a ótica médica. Orientado por este apelo positivista e como ressonância do período da Proclamação da República no Brasil, o Código Penal de 1830 foi substituído pelo Código de 1890, que baniu a pena de morte, e instaurou o regime prisional como uma medida curativa para o infrator. O documento ainda previa, as penas de interdição (suspensão de direitos políticos), a suspensão de emprego público, as penas de multa e de banimento (prisão perpétua).
Em 1932, sob a forma de Decreto Lei, nº 22.213, foi promulgada a consolidação das Leis Penais de 1890, pelo desembargador, Vicente Piragibe, que vigorará até 1940.
A partir do governo de Getúlio Vargas, em 1940, foi instituído o Código Penal35, ficando em vigor até os dias atuais36, considerado, hoje, um atraso no direito penal, não condizendo com a realidade vigente. Esse código estabeleceu o
34 Sobre os períodos históricos e característicos das penas, ver no Capítulo II, o item 2.1. 35 É uma legislação eclética, que não assumiu compromisso com qualquer das escolas ou
correntes que disputavam o acerto na solução dos problemas penais. Fazia uma conciliação entre os postulados das Escolas Clássicas e Positiva, aproveitando o que de melhor havia nas legislações modernas de orientação liberal, em especial nos códigos italiano e Suíço. É importante assinalar que a legislação exprimia as contradições e compromissos de Getúlio Vargas, ícone maior da política populista no Brasil, que se caracterizou pela prática da tentativa de conciliação entre as classes sociais e com cunho de forte apelo popular.
36 Podemos afirmar que houve algumas mudanças na lei, como as ocorridas em 1969 (lei nº
6.016/73, prevê a questão do local do crime, os crimes dolosos e culposos, a questão da embriaguez etc) e as de 1984, com a promulgação da Lei de Execuções Penais, nº 7.210 e em 1989, com a Lei nº 9.714, no que concerne às penas restritivas de direitos. Incluídos foram mais dois tipos de penas: a prestação pecuniária e a perda de bens e valores. Ademais, no que tange à substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos, poderá ela se dá quando, atendidos os requisitos específicos – não reincidência, culpabilidade, antecedentes, conduta social, personalidade, motivos e circunstâncias do crime favoráveis e a pena aplicada não for superior a quatro anos. Vale salientar que, em sendo o crime culposo, haverá a substituição, qualquer que se seja a pena aplicada. Porém, a base conservadora é a mesma.
rol de penalidade por prática delituosa, a partir da reclusão do indivíduo considerado criminoso pela ordem social.
Desde a sua origem no Brasil até a contemporaneidade a prisão se transformou na forma explícita de controle social, com a utilização de termos como “ressocialização, reinserção ou recuperação social”. Apesar de hoje, o criminoso não ser considerado biologicamente anormal como no início do período da criminologia, estes termos são ainda muito freqüentes. Na sua essência, o objetivo do sistema prisional como um todo, não é de recuperar e sim, vingar-se contra um indivíduo que cometeu algum delito que atingiu a ordem social.
De acordo com o Código Penal Brasileiro (1940), em seu Título V, Capítulo I – Das Espécies das Penas - temos as seguintes penas: as privativas de liberdade (detenção e reclusão), previstas dos artigos 33 ao 42, variações de acordo com o regime; as penas restritivas de direitos37, os quais, de acordo com o artigo 43, são definidas como penas de ordem pecuniária, prestação de serviços à comunidade ou entidades públicas, perda de bens e valores, interdição temporária de direitos e limitação de fim de semana e as penas de multa38, regida pelo artigo 49 do Código,
que prevê o pagamento de uma quantia fixada na sentença, sendo geralmente aplicada concomitantemente com a pena restritiva de direitos.
No sentido de organização da aplicabilidade da pena no Brasil, atualmente temos três fases no direito penal: a legislatória, a judiciária e a executória.
Na fase legislatória temos a utilização do Código Penal Brasileiro (1940), com objetivo de definir e aplicar as penas e enquadrar os indivíduos “criminosos” de acordo com os delitos cometidos. A esta fase corresponde a abertura do processo pela promotoria pública e a apresentação da acusação.
É a partir da execução do objetivo do código que entra-se na fase judiciária, na qual a figura do juiz delibera a pena mais adequada ao indivíduo a partir do delito
37 É aplicado este tipo de pena de acordo com o artigo 44 do Código Penal, nos casos em que: I - a
pena privativa de liberdade não é superior a quatro anos e o crime não foi cometido com violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer que seja a pena aplicada, se o crime for culposo;II – o réu não for reincidente em crime doloso; III – a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, bem como os motivos e as circunstâncias indicarem que essa substituição seja suficiente.
cometido, considerando os agravantes e atenuantes do caso39. Aqui é o momento do julgamento e ainda se utiliza o Código Penal Brasileiro como lei norteadora.
Já a fase executória é regida pela sua expressão máxima, a Constituição Federal de 1988, em particular o seu artigo 5º que dispõe sobre direitos e deveres de presos e pela Lei de Execuções Penais – LEP, nº 7.210 de 11/07/1984 que tem por objetivo fiscalizar e garantir as condições necessárias para a execução das penas nos estabelecimentos prisionais. Por isso é considerada a fase executória da pena. Não envolve apenas a fiscalização da execução penal, mas também o “tratamento” penal, estudos psicossoais que tem por base a personalidade do apenado, seus antecedentes, bem como os motivos que o conduziu ao crime.
O fato é que este sistema que “prega” uma ressocialização ou reintegração social é o mesmo sistema que “extramuros”, não promove a igualdade social. Assim, “é um sistema falido, caótico, precário, terá muita dificuldade de recuperar um sequer”, diz o Deputado Federal Neucimar Fraga, presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito do Sistema Carcerário, em entrevista ao Jornal da Globo, na série de reportagem sobre “o apagão carcerário” (26/05/2008).
“Mesmo as melhores condições de cárcere, que não são o caso brasileiro, são incapazes de garantir a reintegração social de uma população que nunca foi verdadeiramente integrada e que não tem possibilidades de o ser em uma sociedade excludente como a capitalista” (LIMA & PIRES, 2006, p. 29).
Em outro momento, o coordenador do Movimento Nacional de Direitos Humanos, afirma: “As pessoas cometem crimes e vão parar no sistema prisional, exatamente para que possam ser reeducados ou ressocializados, mas elas acabam saindo muito piores e muito mais violentas. Então, o sistema prisional acaba sendo grande reprodutor, uma incubadora de violência que vai se refletir na sociedade” (Jornal da Globo – 27/05/2008).
Politicamente falando, o sistema penitenciário brasileiro é regido a partir da Política Nacional de Segurança Pública, que se expressa no Plano Nacional de Segurança Pública (PNSP) que tem como objetivos propor ações e metas voltadas para as melhorias nas estruturas físicas das penitenciárias, como também, melhorar as condições de trabalho do corpo técnico profissional dos que trabalham na área de
39 Sobre esta medida do juiz é correto afirmar que afeta diretamente na conduta do
indivíduo, no tempo em que ficará sujeito à pena e nas suas condições de comportamento, ou seja, podemos dizer que uma vez envolvido no crime, teremos mudanças no indivíduo, não só no que tange a seu “eu”, mas o seu social, o seu cultural, enfim, as suas relações sociais ficam diretamente envolvidas.
Segurança do país. Almeja ainda resgatar a confiança da sociedade e reduzir a criminalidade no nível Federal, Estadual e Municipal. Como o próprio plano ressalta, as problemáticas que perduram nas prisões brasileiras são encaradas como medidas de segurança, ou melhor, como caso de polícia e não como problemática social, que faz parte de um contexto social, político e econômico marcado pela desigualdade social, pobreza, exclusão /inclusão social e ausência de políticas públicas eficazes que combatam as diversas expressões da Questão Social.
De acordo com o Ministério da Justiça (2008) o Plano nacional ampliou o seu projeto para a instituição de um Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (PRONASCI), instituído pela Medida Provisória nº 384 de 20 de agosto de 2007, que em outubro do decorrente ano, foi sancionado como Lei (nº 11.530). De acordo com o ministério, o programa é considerado como uma iniciativa pioneira que reúne ações de prevenção, controle e repressão da violência com atuação focada nas raízes sócio-culturais do crime. Articula programas de segurança pública com políticas sociais já desenvolvidas pelo governo federal, sem abrir mão das estratégias de controle e repressão qualificada à criminalidade. As ações desenvolvidas pelo PRONASCI seguirão ainda as diretrizes estabelecidas pelo Sistema Único de Segurança Pública, cujo eixo central é a articulação entre União, estados e municípios para o combate ao crime.
Os estados nos quais o programa já vem sendo implantado são: Alagoas, Acre, Bahia, Ceara, Distrito Federal e entorno, Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, São Paulo e Sergipe.
Além da “atenção” aos profissionais do Sistema de Segurança Pública, o PRONASCI, tem como público-alvo os jovens entre 15 e 24 anos que estão sendo considerados como vulneráveis a criminalidade ou que já estão em conflito com a lei. O objetivo é a inclusão e acompanhamento do jovem em um percurso social e formativo que lhe permita o resgate da cidadania. Composto por 94 ações, o PRONASCI trabalha com os seguintes objetivos:
Modernização do Sistema de Segurança Pública e valorização de seus profissionais e reestruturação do sistema prisional;
Ressocialização de jovens com penas restritivas de liberdade e egressos do sistema prisional;
Inclusão do jovem em situação infracional ou criminal nas políticas sociais do governo;
Enfrentamento à corrupção policial e ao crime organizado;
Promoção dos direitos humanos, considerando as questões de gênero, étnicas, raciais, de orientação sexual e diversidade cultural;
Recuperação de espaços públicos degradados por meio de medidas de urbanização;
Apesar de suas ações prever a promoção de direitos humanos considerando as diversidades, assim como, a atenção à população jovem que é a que mais superlotam os presídios do país, o próprio projeto afirma que haverão medidas que assegurem ações de cunho repressivos frente a criminalidade no país. Na verdade estas ações não passam de medidas que assegurem o poder do Estado brasileiro como instância legal, a qual é permitido o uso legítimo da violência e da força.
No sentido institucional as penitenciárias do país são regidas pelo Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN), subordinado a Secretaria Nacional de Justiça. De acordo com o Art. 71 da Lei de Execução Penal (LEP), o DEPEN tem por objetivo inspecionar e fiscalizar todos os estabelecimentos penais do país sendo ainda responsável pela promoção, requalificação e aperfeiçoamento dos servidores deste sistema. Objetiva ainda viabilizar meios de “reinserção” do apenado a sociedade. Temos também a Coordenação de Administração Penitenciária (COAP), sendo financiado pelo Fundo Penitenciário Nacional (FUNPEN). Possui 1.094 estabelecimentos penais40 distribuídos em Penitenciárias Estaduais e Federais; Cadeias Públicas; Casas de Albergado; Colônia Agrícola, Industrial ou Similar; Centro de Observação e Hospital de Custódia e Tratamento41.
40 São todos aqueles utilizados pela Justiça com a finalidade de alojar pessoas presas, quer
provisório, quer condenado, ou ainda aqueles que estejam submetidos à medida de segurança. (disponível em: /www.mj.gov.br/, em 28/04/2008).
41 a) Cadeias Públicas: estabelecimentos penais destinados ao recolhimento de pessoas
presas em caráter provisório, sempre de segurança máxima; b) Penitenciárias: estabelecimentos penais destinados ao recolhimento de pessoas presas com condenação à pena privativa de liberdade em regime fechado; c) Penitenciárias de Segurança Máxima Especial: estabelecimentos penais destinados a abrigar pessoas presas com condenação em regime fechado, dotados exclusivamente de celas individuais; d) Penitenciárias de Segurança Média ou Máxima: estabelecimentos penais destinados a abrigar pessoas presas com condenação em regime fechado, dotados de celas individuais e coletivas; e) Colônias Agrícolas, Industriais ou Similares: estabelecimentos penais destinados a abrigar pessoas presas que cumprem pena em regime semi-aberto; f) Casas do Albergado: estabelecimentos penais destinados a abrigar pessoas presas que cumprem
A Lei de Execução Penal, ainda prevê a criação de Penitenciárias Federais de segurança máxima especial para os presidiários considerados de alta periculosidade. O presidente atual previu até o termino do seu mandato a construção de quatro unidades federais no Brasil, em Campo Grande (MS), Catanduva (PR), Mossoró (RN) e Porto Velho (RO). Cada unidade terá capacidade para abrigar 208 presos em celas individuais. No momento, foram inauguradas a de Catanduva no Paraná e a de Campo Grande no Mato Grosso do Sul. Como expõe o próprio governo federal, por meio do Ministério de Justiça:
As penitenciárias federais vão abrigar criminosos de alta periculosidade, que comprometam a segurança do presídio ou possam ser vítimas de atentados dentro dos presídios. O objetivo do governo é, ao mesmo tempo, garantir um isolamento maior dos chefes do crime organizado e aliviar a tensão no sistema carcerário estadual. Livres dos indivíduos mais perigosos, o poder local poderá dar maior atenção à recuperação do restante da população carcerária, bem como da reinserção social do preso depois do cumprimento da pena. (BRASIL, Ministério da Justiça, 2008).
Quanto à historicidade das prisões no Rio Grande do Norte, tivemos a origem do aprisionamento de pessoas desde a colonização. O Forte dos Reis Magos foi à primeira edificação reconhecida no estado para este fim, tendo em seu interior lugares destinados ao cárcere, à prisão civil-destinada a presos civis, que eram pegos na costa litorânea traficando escravos. Também servia de prisão militar para aprisionar soldados que se revoltavam contra seus superiores, além dos calabouços42 que eram considerados os locais mais desumanos.
Em seguida veio a edificação conhecida como cadeia pública, que permaneceu até 1911 quando foi considerada como um prédio insalubre e com celas pequenas. Foi substituída quando seus prisioneiros foram transferidos para a
pena privativa de liberdade em regime aberto, ou pena de limitação de fins de semana; g) Centros de Observação Criminológico: estabelecimentos penais de regime fechado e de segurança máxima onde devem ser realizados os exames gerais e criminológico, cujos resultados serão encaminhados às Comissões Técnicas de Classificação, as quais indicarão o tipo de estabelecimento e o tratamento adequado para cada pessoa presa; h) Hospitais de Custódia e Tratamento Psiquiátrico: estabelecimentos penais destinados a abrigar pessoas submetidas à medida de segurança e que estejam em algum processo de transtorno mental. (disponível em: http://www.mj.gov.br// em 28/04/2008).
42 Os calabouços eram utilizados para aprisionar pessoas que se rebelasse contra a coroa
portuguesa, eram celas escuras, insalubres, onde os apenados eram constantemente espancados, se sobrevivessem passavam para outro recinto, onde ficavam cinco dias sem ver a luz solar e sem alimentação adequada, a maioria destes prisioneiros morria (GOSSON, 1998).
antiga casa de veraneio do famoso industrial Juvino Barreto, localizada no Bairro de Petrópolis. Diferente da cadeia pública esta tinha acomodações favoráveis para os apenados. Esta por sua vez, foi desativada totalmente em 1968 e os presos transferidos para a Penitenciária Agrícola Dr. João Chaves (como era chamada na época). Atualmente no prédio em que funcionava a “casa de veraneio de Juvino Barreto”, existe um mercado de artesanato conhecido como “Centro de Turismo”.
A Penitenciária Agrícola teve sua construção iniciada no governo do Dr. Silvio Pedrosa e só foi finalizado no ano de 1968, no governo do monsenhor Walfredo Gurgel, período marcado pelo início da institucionalização da prática prisional no estado. O seu projeto inicial era abrigar os presos do estado em uma instituição de base penal agrícola, onde os apenados produzem a sua própria subsistência e com presos em regime semi-aberto. Com o avanço do índice populacional e de urbanização, a criminalidade aumentou. Assim, uma instituição que foi pensada para atender a uma pequena demanda, foi substituída por um presídio que passou a funcionar com o cumprimento de penas privativas de liberdade, intitulando-se de Penitenciária Central Dr. João Chaves. Posteriormente