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ALLAH’IN BAZI SIFATLARI İLE İLGİLİ MUKAYESELER

Assim como a educação jurídica dentro das colônias dos impérios europeus era destinada a cooptar elites locais e ajudar a legitimar os impérios nacionais e estrangeiros, a tendência em relação à modernização, ou a busca por melhores práticas no ensino jurídico atual — apesar de não ser parte do projeto de um império — encaixa-se no modelo imperial. Primeiro, o aumento das escolas de ensino jurídico e o mercado apresentam centros e periferias, e essas institui- ções e pessoas, que são tidas como estando no centro, possuem mais poder e influência. Esse fenômeno é bastante evidente em áreas como a de direitos humanos internacionais e direito comercial, nas quais os principais nomes loca- lizam-se em Nova Iorque ou Washington, D.C. (Dezalay e Garth 2006; Shaffer et al. 2008; Shaffer et al. 2014). O mercado favorece aqueles provenientes das faculdades de direito de elite nos Estados Unidos, assim como aqueles reco- nhecidos por essas escolas. Segundo, os advogados cosmopolitas servem uma ordem hegemônica, assim como os advogados indianos treinados pelos ingle- ses ajudaram a servir ao império britânico. Terceiro, os novos modelos de edu- cação jurídica também ajudam a produzir elites locais, capazes de obter acesso e sucesso na formação jurídica cosmopolita, e entrada nos escritórios de direito corporativos de elite, posições estas indisponíveis para os bacharéis de pouco prestígio. Quarto, conforme a ordem jurídica global é entendida como legítima, equilibrando o direito corporativo e os direitos mais humanitários e humanos, esta legitimidade reforça as regras do jogo, que são consistentes com as prio- ridades americanas e europeias. Os impérios majoritariamente desapareceram, mas os seus processos seguem conosco.

Conclusão

Há muitas razões para celebrar a reforma educacional jurídica, incluindo alunos mais engajados, melhores faculdades, voltadas para a solução de problemas, e a produção de conhecimento jurídico interdisciplinar, mas o impulso e os processos que levaram à reforma não são nem inevitáveis, nem dissociáveis, dos complexos processos globais hegemônicos. O futuro da profissão jurídica depende de como esses processos se desenvolvem globalmente, assim como

se darão as disputas econômicas e políticas dentro de cada estado. Mas a atual tendência, sujeita a todas as ressalvas, é no sentido da produção simultânea de, por um lado, números relativamente pequenos de advogados cosmopolitas, agora muito mais bem treinados para a ordem global atual, e, por outro lado, uma grande quantidade de bacharéis de direito que irão lutar para encontrar um lugar, a nível nacional, de modo a ter sucesso na profissão jurídica.

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Os últimos vinte e cinco anos consistiram em um período de intensas mudanças sociais e econômicas na América Latina e de mudanças nos sistemas legais de diferentes países latino-americanos. O número de advogados ou estudantes de direito aumentou em grande escala, assim como a economia e a população. O continente experimentou também um processo de democratização, mas as instituições ou o Estado de direito são fracos. Há alguma relação entre esses fenômenos distintos?

Enquanto escrevo este artigo, O New York Times informa que o cresci- mento econômico do México é duas vezes o dos Estados Unidos e que o fluxo migratório entre eles foi invertido. O México está recebendo também imigran- tes da Espanha e de outros países europeus. (NY Times, 22 de setembro de

1 Tradução de Tatiana Mesquita e revisão técnica de Izabel Saenger Nuñez.

2 Esse artigo deve muito a um projeto de pesquisa sobre bancas de advocacia venezuelanas que Manuel A. Gómez e eu estamos desenvolvendo com o apoio da Escola de Direito de Stanford. Meus colegas Pedro Grandez e Iñigo de la Maza forneceram-me informações sobre o Peru e o Chile. Sergio Stone, Sonia Moss e a biblioteca da Escola de Direito de Stanford ofereceram-me a assistência bibliográfica necessária. Sonne Lemke corrigiu meu inglês e ajudou-me a esclarecer o texto. Manuel Gómez revisou e corrigiu uma primeira versão. Sou extremamente grato pela ajuda que eles ofereceram. Mas, naturalmente, sou o único responsável pelos erros e outras limitações deste artigo.

3 Professor da Universidade Metropolitana de Caracas, professor jubilado da Universidade Central da Venezuela e Professor Visitante Permanente da Escola de Direito da Universi- dade de Stanford desde 1998. Possui Mestrado em Direito pela Universidade de Harvard e Doutorado em Direito pela Universidade Central da Venezuela. Foi professor-investigador no Instituto de Estudos Superiores em Administração (IESA, Caracas) entre 1989 e 1998. Foi pesquisador ou professor visitante no Instituto de Estudos de Desenvolvimento da Uni- versidade de Sussex (Inglaterra), Instituto Max Planck para História do Direito Europeu (Alemanha), Universidade do País Basco (Espanha), no Centro de Investigação e Docência Econômica (México) e do Instituto de Investigações Jurídicas da UNAM (México) e Univer- sidade Diego Portales (Chile). Foi Diretor da Faculdade de Estudos Jurídicos e Políticos da Universidade Metropolitana (Caracas), Diretor Acadêmico do Stanford Program for Inter- national Legal Studies (Califórnia) e Diretor Científico do Instituto Internacional de Sociolo- gia do Direito (Oñati, España). Foi presidente do Research Committee on Sociology of Law, International Sociological Association e membro do Board of Trustees da Law and Society Association. Foi ou é membro do conselho editorial de uma vintena de revistas acadêmicas que se publicam em distintos países. É acadêmico na Academia Nacional de História (Cara- cas) e na Academia de Direito do Peru (Lima).

2013). Brasil, Chile, Peru e Colômbia também estão atraindo fluxos migratórios. Este é um exemplo de seu sucesso econômico.

A democratização tem sido tendência na esfera política. Nas décadas de oitenta e noventa, a maioria dos ditadores latino-americanos foram destituídos e governos democráticos foram estabelecidos em vários países como Brasil, México, Argentina, Chile, Guatemala, El Salvador, Uruguai e Paraguai. O Méxi- co tornou-se uma democracia pluralista após derrotar a regra hegemônica de partido único que caracterizou o século XX. O Peru retrocedeu para um regime autoritário, sob o governo de Fujimori (1990-2000), mas a democracia foi res- tabelecida mais tarde. A Venezuela, um modelo democrático na maior parte do final do século XX, passou para um regime autoritário no governo Chavez (1999-2012). É interessante perceber, entretanto, que Fujimori e Chavez con- sideravam necessário mascarar seus regimes com elementos democráticos. Atualmente, Argentina, Bolívia, Equador, Nicarágua e Venezuela não são exa- tamente democracias, mesmo que sob regimes ditos democráticos, a proteção dos direitos do cidadão é fraca. O Estado de direito é amplamente elogiado, mas em muitos países há sérias dificuldades para sua implementação.

A massificação da educação é outra tendência que começou anteriormen- te, mas que continuou durante o período de vinte e cinco anos que estamos analisando. Vários milhões de latino-americanos matricularam-se na educação secundária e superior. As universidades cresceram. Algumas carreiras e estu- dos mostraram-se atrativos para os estudantes, enquanto outros, bem menos. O estudo do direito é uma das carreiras mais atrativas, algo que gerou um impacto na quantidade atual de advogados. Essa relação pode ser analisada a partir de dois pontos de vista: o primeiro de que, por ser a carreira de advoga- do atrativa, o número de estudantes de direito aumentou, ou de que o aumento no número de advogados é uma consequência do fato de que mais pessoas entraram em universidades.

Outro interessante fenômeno, visível na maioria destes países, é um au- mento na consciência dos direitos e a possibilidade de reivindica-los através de meios institucionais, ou até mesmo através de manifestações públicas com a tomada das ruas, visíveis na maioria dos países. Junqueira (2003) observou essa tendência para o Brasil, Bergoglio (2003) para a Argentina, López-Ayllón e Fix-Fierro (2003) para o México e Pérez Perdomo (2009) para a Venezuela. No Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica e México, uma tendência de judicialização das relações políticas ou sociais foi também observada (Sieder et al., 2005; Vianna, 1999). O mesmo foi válido para a Venezuela até 2002 (Pérez Perdomo, 2005). Entretanto, a opinião pública em relação aos corpos legislati- vos, tribunais e outros órgãos de aplicação da lei é geralmente negativa.

Este artigo tentará dar sentido a essas tendências discrepantes, ou até mesmo contraditórias, através da analise da interação entre a profissão de ad- vogado e a educação jurídica. Apesar de ser primeiramente um artigo reflexivo tentei, sempre que possível, também sustentar minhas ideias a partir de fontes estatísticas e secundárias. Me baseei também em conversas informais com ad- vogados e estudiosos do campo sócio-jurídico em diferentes países. Dessa for- ma, nenhuma fonte formal é citada a este respeito. A primeira parte apresenta um panorama geral concentrado em tendências demográficas. A segunda par- te volta o olhar para os advogados localizados no topo da carreira jurídica. O artigo finaliza articulando algumas conjecturas e preocupações.