II. BÖLÜM
1.3. Kültür Yayıncılığındaki Meslekler ve Süreçlerin Tanımlanması
1.3.5. Ajanslar
A tese está estruturada em quatro partes. A primeira delas, introdutória, foi intitulada O Ponto de Partida, porque revela as origens do trabalho e o universo que ele pretende desbravar, enfim, o lugar do qual se parte para a sua construção. Além de apresentar as razões que levaram ao desenvolvimento da pesquisa (Prólogo) e precisar o projeto de doutoramento, o corpus documental e a estrutura do texto (Introdução), o que foi feito até o momento, buscou-se descrever, nessa parte inicial, quem são os brasileiros radicados em Rennes e os franceses radicados em Belo Horizonte, a saber: em sua maioria, de um lado, brasileiras casadas com franceses e estudantes em mobilidade internacional, e, de outro, aparentemente, franceses casados com brasileiras e franceses em missão de estudo ou trabalho. É tecido um retrato minucioso do primeiro grupo, enquanto, em se tratando do segundo, é proposto apenas um conjunto de impressões. O que um leitor apressado poderia julgar como sendo um desequilíbrio da pesquisa demonstra, tão somente, um desequilíbrio real entre os migrantes, pois, se Rennes abriga um número considerável de brasileiros que mantém estreitas relações entre si, vivem, em Belo Horizonte, uns poucos franceses que não se organizam em comunidade (Capítulo 1: Quem são eles?).
A parte que segue, Imaginários Casados, volta-se para as entrevistas do que se convencionou chamar “brasileiros de Rennes” e “franceses de Belo Horizonte”, ou seja, os migrantes permanentes entrevistados, com o intuito de compreender o imaginário de brasileiros sobre a França e o imaginário de franceses sobre o Brasil, na contemporaneidade, sem deixar de estabelecer um diálogo entre ambos. Isso quer dizer que, buscando responder porque os sujeitos envolvidos no desenvolvimento do trabalho migraram, tentou-se abarcar o seu olhar sobre a terra para onde partiram. São reconstruídas, em especial, histórias de amor que têm levado muitas mulheres brasileiras e um certo número de homens franceses a cruzar o Atlântico, desvelando o imaginário casado que escondem e que não deixa de estar nas suas raízes.
O Capítulo 2 (A História de Nádia), para começar, trás para a tese um fragmento considerável da transcrição da entrevista concedida por Nádia, uma brasileira que se mudou para Rennes para se casar com um francês. Optou-se por incluir no texto ao menos um dos muitos depoimentos recolhidos, na impossibilidade de incluir todos eles, não só para que o
leitor se desse conta da riqueza das fontes trabalhadas, mas também para que ele tivesse acesso à história de migração contada pelo próprio sujeito que a viveu. Isso porque concordamos com Sayad (1998), quando ele afirma que, na verdade, o discurso do pesquisador e o discurso do informante constituem dois discursos que são um só, pois, se o pesquisador constrói a fala do informante ao lhe colocar questões, é o informante que produz, com os meios que lhe são próprios, o que o pesquisador virá a traduzir para uma outra linguagem.
Em seguida, o Capítulo 3 (Em Busca do Eldorado) analisa a entrevista de Nádia e dos demais “brasileiros de Rennes” entrevistados. Na esteira de um quadro migratório internacional mais amplo, em que o Brasil emerge como país de emigração, desde o final do século passado, muitos dos nossos compatriotas têm deixado a terra natal em busca dos países centrais, dentre eles a França, que lhes aparece como uma espécie de Brasil às avessas com um quê de Eldorado dos tempos globalizados. Casar com um estrangeiro é, nessa perspectiva, uma estratégia utilizada para migrar. O Capítulo 4 (O Brasil e “a Brasileira”), em contraposição, se preocupa com o outro lado da moeda. Se tantos brasileiros sonham em ganhar o centro do mundo, porque motivos franceses migrariam para o Brasil? As histórias dos “franceses de Belo Horizonte” entrevistados ajudam a compreender que, para além das relações afetivas estabelecidas com “nativas”, “nativas” essas que têm sua feminilidade concedida na imbricação com a nacionalidade, o próprio país emerge com formas femininas no imaginário francês, confundindo-se com uma certa imagem da brasileira. Perdidos de amores por uma mulher ou pelo Brasil, esses homens se deslocam no globo.
A segunda parte da tese, Outros Entre-olhares, concentra-se nas entrevistas concedidas pelo que denominamos “brasileiros na França” e “franceses no Brasil”, ou seja, pelos migrantes temporários, pessoas que, embora residissem em outro país, nele se encontravam apenas de passagem, visto que deveriam lá permanecer por um tempo definido de antemão. É a partir dessas entrevistas, cotejadas com aquelas dos franceses que nunca estiveram no Brasil e dos brasileiros que nunca estiveram na França, que se procura pensar o imaginário contemporâneo entre os dois países em questão. Novos entre-olhares vêm, então, somar-se àquele trabalhado na Parte 1. Vale dizer, por fim, que, mais uma vez, o porque da migração é destacado como forma privilegiada de acessar o imaginário acerca do lugar para o qual se migra, no que concerne aos migrantes temporários.
O Capítulo 5 (Entre Usos e Abusos) e o Capítulo 6 (Estudantes-Turistas) esmiuça as trajetórias de migração dos estudantes brasileiros e franceses em mobilidade internacional
entrevistados. Os brasileiros que partem para estudar na França, personagens centrais do primeiro dos dois capítulos, deslocam-se em busca de um diploma ou de uma formação valorizadas no Brasil, que podem lhes garantir a manutenção de uma posição de classe ou até mesmo lhes permitir uma ascensão social. O valor atribuído ao título ou à experiência no exterior não está necessariamente ligado à qualidade do curso lá realizado, mas é do âmbito do simbólico e decorre de um lugar conferido ao país estrangeiro no imaginário dos brasileiros. A França, mais uma vez superior ao Brasil, ganha, agora, ares de metrópole cultural nas entrevistas. Os franceses que partem para estudar no Brasil, por sua vez, sobre os quais o segundo capítulo mencionado acima se debruça, vivem em uma sociedade onde a reprodução das elites é feita internamente e enxergam no nosso país a antítese do trabalho. Quando vêm estudar aqui, eles não têm em mente um projeto bem consolidado de formação e sim as belas praias ensolaradas, como se tirassem férias no paraíso e não viajassem em função dos estudos.
Por sua vez, o Capítulo 7 (Inventariando o Imaginário) constiui um verdadeiro inventário de todos os elementos associados, à França, pelos brasileiros que nunca estiveram no país e, ao Brasil, pelos franceses que nunca estiveram aqui entrevistados. E o que o inventário nos permite reencontrar são as mesmas imagens sobre a França e o Brasil, respectivamente, apresentadas pelos migrantes permanentes e temporários, nos capítulos anteriores, como se o imaginário se deslocasse com o sujeito e fosse através desse filtro que ele vivesse a experiência da alteridade.
Para concluir, a parte final da tese, intitulada O Ponto Onde Estamos, retoma de maneira resumida para o leitor o percurso transcorrido e esboça os possíveis desdobramentos da pesquisa, sem deixar de elaborar uma pequena análise crítica do trabalho. Quanto aos desdobramentos, são apontadas três possibilidades: 1. pensar o imaginário sobre o Brasil, a partir da África; 2. traçar o perfil das brasileiras e dos franceses envolvidos na trama dos casamentos mistos; 3. estudar as trajetórias escolares dos franceses que vêm estudar no Brasil.