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AHMED HİLMİ’DE DELİLLER MESELESİ

Os municípios escolhidos no Mato Grosso do Sul são Costa Rica e Miranda, sendo que o primeiro apresenta melhores resultados em relação aos municípios com condições socioeconômicas semelhantes e o segundo, piores. Costa Rica está localizado na região Norte do Estado, fazendo divisa com Goiás, e Miranda, na Oeste, na região do Pantanal. Costa Rica possui 19.695 habitantes e 4.164,115 km² e Miranda, 25.595 habitantes e 5.478,825 km² (IBGE, 2010). Costa Rica apresentou 51.417.309,30 reais em receitas em 2009, PIB de 749.685 mil reais e PIB per capita de 36.843,18 reais em 2012 e Miranda, 37.496.083,64 reais, 282.839 mil reais e 10.884,29 reais. O IDH (2010) de Costa Rica é de 0,706 e o de Miranda, 0,632 (IBGE, 2015).

Na Educação, o IDEB de Costa Rica melhorou nos últimos anos e está acima da sua meta, nos anos iniciais do ensino fundamental, é de 6,5 e, nos anos finais, de 5,1. Já em Miranda, o IDEB dos anos iniciais tem melhorado e é semelhante a sua meta, que, em 2013, é de 3,9, e o dos anos finais piorou e está abaixo da sua meta, é de 2,9 (INEP, 2014).

Em relação à distribuição das matrículas, os municípios sul-mato-grossenses são os que apresentam uma menor taxa de municipalização em comparação com os outros quatro Estados. A educação infantil é toda ofertada pelas redes municipais e o primeiro ciclo do ensino fundamental é majoritariamente ofertado por elas, ainda que a rede estadual tenha ofertado aproximadamente 30% das matrículas dessa etapa do ensino em Costa Rica e 20% em Miranda em 2013. No ensino fundamental, redes estadual e municipais dividem quase que igualmente a oferta das matrículas (INEP, 2013).

Os entrevistados apontaram que o fato de haver oferta das matrículas do segundo ciclo por ambas as redes gera um esforço das Secretarias Municipais na contratação e elaboração de carreiras para os professores de disciplinas específicas. Dessa forma, alguns dos entrevistados defendem que os municípios ofertassem todas as matrículas do primeiro ciclo e o Estado

ofertasse as do segundo ciclo. O que, para eles, incluiria necessariamente uma maior cooperação entre Estado e municípios.

A partir dessa contextualização, as relações entre as Secretarias Municipais, o MEC e as Secretarias Estaduais e as suas políticas educacionais próprias são descritas. No âmbito da relação entre as Secretarias Municipais e o Governo Federal, os principais programas federais implementados nas redes municipais são: PNAIC, formação de professores pela Universidade Aberta do Brasil, Pró-infância (construção de centros de educação infantil), PDDE, Pró- letramento, Gestar e PNLD. Um dos municípios afirmou que não está implementado o Mais Educação, pois não acredita que seja um programa viável tal como desenhado pelo MEC. Segundo ele, para a implantação da Educação de tempo integral no município, deve haver a melhoria e ampliação da infraestrutura existente.

Em relação à sua relação com a Secretaria Estadual de Educação, os entrevistados das Secretarias Municipais apontaram que técnicos da Secretaria Estadual as visitaram para assessorá-los no processo de reorganização dos PARs municipais realizado no início da gestão da Nilene Costa. No entanto, após esse momento, o entrevistado ligado à Secretaria de Costa Rica afirmou que, quando necessário, entra em contato com a Coordenadoria, e o de Miranda disse que se comunica diretamente com o MEC.

Ademais, um dos entrevistados levantou uma questão referente à implementação do PNAIC que envolve outra fragilidade na coordenação federativa no Estado. Segundo ele, as formações do PNAIC nas redes estadual e municipais ocorrem em momentos distintos; contudo, muitos professores têm cargos nas duas redes, ficando fora da sala de aula em dois momentos distintos.

Os entrevistados das Secretarias Municipais citaram, nas entrevistas, outras esferas de cooperação entre Estado e municípios no Mato Grosso do Sul, que são o transporte escolar, cursos de formação em libras e cessão de prédios. No transporte escolar, não há um grande conflito em torno dos recursos transferidos, entretanto os calendários das redes estadual e municipais não são acordados. As Secretarias Municipais tentam, portanto, cumprir o calendário da rede estadual, o que nem sempre é possível.

No que se refere aos seus programas e projetos próprios, em Miranda, como solução para a melhoria do IDEB no município, foi adotado um material apostilado, abandonado na última gestão, mas sua retomada é o objetivo principal da atual gestão. A Secretaria vê o

material como solução, pois, conforme relatado, os livros didáticos distribuídos pelo PNLD nunca são numericamente suficientes para a quantidade de alunos, já que são comprados segundo o Censo Escolar do ano anterior. Além disso, alguns livros não são adequados para serem usados como o material principal. A Secretaria ainda realiza programas próprios de formação de professores e de avaliação diagnóstica de seus alunos.

Diferentemente da Secretaria de Miranda, em Costa Rica, há um número maior de programas próprios, incluindo diretrizes curriculares, sistema de avaliação, repasse de dinheiro para as escolas, atividades no contraturno escolar e formação de professores.

Não obstante essas diferenças, os entrevistados de ambas as Secretarias declararam que enfrentam dificuldades relacionadas ao financiamento da política, especialmente na educação infantil. Um deles disse que, o Governo Federal tem construído centros de educação infantil, mas não há recursos para a sua sustentabilidade, como para o pagamento de professores concursados e de cinco refeições diárias nessa etapa do ensino.

No caso de Miranda, houve uma mudança política recente. O que, segundo os entrevistados da Secretaria Estadual, é recorrente nas Secretarias Municipais. De acordo com eles, há poucos municípios que mantêm um técnico responsável pelo PAR quando o Secretário e a sua equipe são trocados, como Corumbá. Dessa maneira, a Coordenadoria, em algum grau, capacita os técnicos no processo de assessoramento, mas isso é perdido quando a gestão muda. Para os entrevistados, o Governo Federal tem recursos disponíveis para transferir para as Secretarias Municipais, no entanto é preciso que elas tenham técnicos que se dediquem diariamente a essa atividade.

O regime de colaboração no Mato Grosso do Sul não se aproxima do caso cearense, na medida em que não há intenção de estabelecer padrões mínimos estaduais. Apesar disso, o intuito da Secretaria Estadual é assessorar as Secretarias Municipais, o que consequentemente auxilia na profissionalização das burocracias locais. As Secretarias Municipais analisadas não têm recorrido a essa assessoria de maneira frequente, ainda que elas sejam diferentes entre si, tanto no que se refere à profissionalização de sua burocracia e à existência e abrangência de programas próprios, quanto ao desempenho dos alunos.