1.3. AFETLER
1.3.2 AFET ÇEŞİTLERİ
Concepções maternas e paternas e a importância dos dois primeiros anos de vida
As concepções maternas sobre as relações afetivas genitor-criança enfatizaram a importância de ter e demonstrar carinho para a criança, através do abraço, do sorriso, do olhar e do amor em interações diádicas; e as paternas, a importância das interações cotidianas,
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dando atenção, sendo companheiro, brincando, conversando, fazendo a criança rir muito e mudando a rotina nos finais de semana, além do contato físico/emocional. É importante ressaltar que os genitores também enfatizaram o quanto é negativo não demonstrar carinho e não interagir com seus filhos.
Em relação à importância que os genitores dão as relações afetivas, na fase de 0 a 2 anos, para o desenvolvimento posterior de seus filhos, as respostas de ambos os genitores enfatizaram a importância da base afetiva, isto é, do carinho, da dedicação, da atenção, da criança saber que é querida pelos pais, de abraçar, beijar, da estrutura de pai e mãe. Novamente os genitores referiram sobre os prejuízos de oferecer uma base afetiva negativa. Melchiori e Dessen (2008) destacam que a relação estabelecida entre os genitores-criança é à base do processo de socialização infantil, e esta relação se dá nos cuidados dispensados pelos genitores às crianças. Nos estudos de Ainsworth e cols (1978) referentes aos padrões de Apego, verificou-se que normalmente os genitores são tidos pelos filhos como uma base de segurança, pois sabem que quando necessitam de afeto, cuidados e proteção, encontrarão nas figuras materna e/ou paterna estarão disponíveis e acolhedoras. No entanto, outras respostas dos genitores enfatizaram a aprendizagem/desenvolvimento, não ressaltando a importância da relação afetiva nesse processo. Esse tipo de resposta em relação à importância da base afetiva para o desenvolvimento posterior da criança pareceu indicar a dificuldade deles em compreender o que é uma relação afetiva.
Percepção dos genitores a respeito da sua relação afetiva com os filhos, principais influências e papéis/funções maternas, paternas e infantis neste processo
Os genitores também relataram como percebiam o seu relacionamento afetivo com os filhos. Das respostas fornecidas por eles, a maioria classificava a relação afetiva como muito boa, por terem carinho pelos filhos, ensinarem o que pode e o que não pode e brincarem com
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eles, mas também pelo fato de as crianças retribuírem o carinho, rindo, abraçando, brincando, ou mesmo pelo modo da criança falar e se expressar. A literatura tem destacado que o vínculo entre os genitores e a criança se estabelece no processo de trocas bidirecionais (KREPPNER, 1992, 2003; MELCHIORI; DESSEN, 2008), aspecto enfatizado pelos genitores neste estudo. Contudo, duas respostas maternas relacionavam-se com a falta de tempo disponível, devido à necessidade de ter que exercer atividades remuneradas. Em outros momentos, ambos os genitores destacaram esse aspecto, também com forte carga emocional. Este dado corrobora os de Amazonas e cols. (2003) que referem que nas camadas populares muitas vezes as mulheres necessitam trabalhar o dia todo longe dos filhos; e com Sorj, Fontes e Machado (2007), pois, para estes autores “o modelo ‘tradicional’ do homem provedor e da mulher dedicada aos cuidados da família foi sendo substituído por um modelo no qual mulheres e homens se inserem no mercado de trabalho, mas os cuidados com a família permanecem, em grande medida, uma tarefa realizada apenas pelas primeiras (p 574)”.
Na pesquisa realizada por Mondin (2005), o tempo disponível que as mães possuem, é utilizado nas tarefas domésticas, auxiliando nos deveres escolares e separando brigas dos filhos; nem mesmo aos domingos conseguem modificar esta rotina; o que não foi encontrado nos relatos da maioria dos genitores da presente pesquisa, pois, eles mesmos conseguiam discriminar que sabiam aproveitar com qualidade o pouco tempo que possuíam para estarem com as crianças, sendo amigo(a), brincando bastante, estando presentes e se dedicando à elas.
Em um estudo realizado com mães norte-americanas, de classe média, Huston e Aronson (2005), avaliaram a relação do tempo que as mães trabalhavam fora ou não e a interação com seus bebês. Eles concluíram que as mães que passavam diariamente um tempo fora de casa, proporcionavam um ambiente no lar, mais estimulador à criança, e um comportamento maternal mais positivo. No entanto, os próprios autores destacaram que essas mães não tinham necessidades financeiras prementes e trabalhavam no que gostavam. Estudos
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nacionais dessa natureza, com genitores de diferentes classes econômicas e regiões são extremamente necessários para clarificar essa situação no contexto cultural brasileiro.
A importância do clima familiar, isto é, as características que são muitas vezes associadas com aspectos globais e não verbais de trocas afetivas na família, destacada por Kreppner (2003) na literatura, pode ser constatada na presente pesquisa, através dos relatos dos genitores sobre o que consideravam que influencia/interfere no relacionamento afetivo deles com seus filhos, uma vez que para os pais, era principalmente o relacionamento familiar, através das interações cotidianas e da presença dos genitores, e o contato físico e emocional; e para as mães, o contato físico e emocional.
Para os genitores, as pessoas do convívio familiar (incluindo eles e as crianças) e extra-familiar da criança e os ambientes que frequentavam ou não, influenciavam de forma positiva ou negativa a relação afetiva. Os genitores destacaram, como sendo papel deles, proporcionar um bom relacionamento familiar, interagindo com seus filhos, ensinando/dando exemplos. Em relação às crianças eles julgavam que elas deveriam agir com conformidade/passividade, isto é, correspondendo às expectativas dos genitores, aprendendo o que os genitores ensinavam e obedecendo, segundo as mães, e com reciprocidade para os pais, isto é, retribuindo a atenção recebida. Vários autores (RUSSEL, 1997; KELLER; ZACH, 2002; DEMULDER et a., 2000; DESSEN; MELCHIORI, 2008) apontam a importância dos genitores nos cuidados rotineiros com as crianças e da participação da criança no processo de estabelecimento das relações emocionais.
Expectativas e comportamentos ideais maternos e paternos
Dentre as expectativas quanto ao futuro das relações afetivas de seus filhos com outras pessoas relatadas pelos genitores, a maioria das respostas, de ambos os genitores, relacionavam-se ao futuro nas relações interpessoais, destacando, a importância de ser uma
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pessoa de bem, que valoriza a família. Para que seus filhos atingissem tais expectativas, eles acreditavam que deveriam principalmente, ensiná-los e dar exemplos. A preocupação em ensinar/dar exemplos é positiva, uma vez que é uma característica não encontrada nos pais negligentes (WEBER et al., 2004).
Nos relatos dos genitores referentes a esta parte da Entrevista sobre Valores e Práticas Parentais, é fundamental ressaltar o quanto os genitores evidenciaram a necessidade de dispensar às crianças cuidados relacionados ao afeto e à estrutura familiar, transmitido valores como amor, carinho, atenção, dedicação de tempo e estrutura de pai e mãe, muito mais do que os valores materiais (financeiro). Também ficou evidente a necessidade de estarem mais tempo com os filhos, oferecendo os cuidados e atenção que necessitam, pois, as atividades remuneradas que exerciam, tomavam-lhes grande parte de seu dia, restando poucas horas para acompanharem o crescimento e o desenvolvimento de suas crianças.
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