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3. BULGULAR

3.1 Veri Hazırlama

3.1.6 Ġsabet ve yanlıĢ uyarı oranlarının belirlenmesi

Talita começou contando que não se considera muito judia, mas depois que conheceu melhor a historia, em uma viagem a Israel, sua visão mudou, principalmente por estar relacionada com sua família. Ao mesmo tempo em que sente orgulho do desenvolvimento de Israel, fica triste pelos acontecimentos do passado e os do presente, mesmo que não viva essa história diretamente. Ela acredita que esta história tenha mais influência em sua vida do que possa imaginar. Exemplifica dizendo que sente necessidade de se responsabilizar pelos outros, como se tivesse, no inconsciente coletivo, o anseio de resgatar seus antepassados. Além disso, tem medo de ficar sozinha, de perder as pessoas, sempre foi muito apegada à família e é muito emotiva. Ela não se considera judia por não ser praticante, mas gostaria de ter sido mais próxima e disse que em Ribeirão Preto ainda há muito preconceito e sua mãe sempre a ensinou a não contar para todo mundo que é descendente.

Entrevista Talita 09/10/2012 E: entrevistadora (Milena) TALITA: participante

Entrevista realizada na casa da colaboradora.

E: Eu queria saber o que significa ser judia ou “ser judeu” pra você, é... levando em conta a história do povo judeu, o Holocausto, não só, mas ao longo de toda a história, as perseguições, as dificuldades que eles enfrentaram,

E: ao longo da história... se é que você se considera pela descendência e...

TALITA: Uhum... Eu acho que eu não me considero tanto assim, mas eu acho que depois que eu comecei a conhecer mais da história, né, porque eu fui pra Israel, né, no meio do ano passado, já faz um ao, um pouco mais, mais de um ano já... conheci esse... mais a fundo a história...

E: Uhum

TALITA: É... é... é diferente, sabe, a visão que se tem E: Uhum

TALITA: quando se conhece mais a fundo, qualquer assunto né e esse ainda mais que tem a ver com família tudo né...

E: Uhum

TALITA: é... as vezes dá um sentimento de injustiça, E: Uhum

TALITA: por tudo o que aconteceu, lógico que é uma visão unilateral, deles, né, porque eu tenha conhecido a história pelo lado judeu mesmo

E: Uhum

TALITA: mas a impressão que eu tenho é... é muito injusto assim, sabe, acho que... o país, o próprio povo não seria tão desenvolvido, tão...tão... tão bem sucedido do jeito que é, eu acho que por tudo o que já aconteceu, existe ainda, né, esse povo, que tenta se juntar sempre

E: Uhum

TALITA: se não tivesse, é... se eles não fossem dignos, né... do... do amor de Deus, digamos assim, e eu me sinto assim também, né, um pouco... orgulhosa e digna de ta aqui hoje por alguma razão,

E: Uhum

TALITA: sabe, mas ao mesmo tempo, triste, assim, por tudo que já aconteceu, por tudo que ainda acontece... né, com o povo, de não ter paz... isso é uma coisa que magoa, digamos assim... né, por mais que não viva essa historia direto, diretamente, quando se houve falar...né lá eu ouvi falar sobre a guerra...

E: Uhum

TALITA: e tudo assim, acaba tocando muito, mais do que uma pessoa comum que não tenha uma ligação, eu acho que a mim toca mais...

E: Uhum

E: Você acha que isso tem alguma influência na sua vida? A história...

TALITA: Eu acho que tem mais do que eu possa imaginar, não que eu saiba te dizer assim exatamente, né.

E: Uhum

TALITA: Mas talvez tenha sim... por exemplo eu to fazendo terapia agora de novo, né, na ultima sessão ela... a gente tava comentando assim, por uns problemas de família que eu venho tendo... enfim e outras coisas, eu sempre tenho muita necessidade de me responsabilizar por aquela pessoa, tentar ajudar a resgatar ela, talvez alguma... algum inconsciente coletivo aí de...de que... tentar salvar os antece... antepassados, não sei, acho que por essa história assim, sempre de tentar salvar...

E: Uhum

TALITA: Não sei, assim, é bem viajado, né, pensar assim, mas, não se, sabe, acho que tem muito mais do que eu possa imaginar, do que eu possa perceber...

E: E isso faz sentido pra você?

TALITA: Faz, eu acho que é muito forte assim a carga que a gente carrega, sabe? E: Humm

TALITA: Eu acho que acaba tendo... eu acredito muito nisso, então... E: Porque você falou que é bem viajado, né...

TALITA: É, então, mas eu acredito, sabe? E: Aham

TALITA: Porque não é palpável, não é uma coisa que... linear, que faça muito sentido na hora de eu falar, assim, talvez por eu não estar com as idéias muito organizadas, não saber o tanto que isso realmente influencia,

E: Uhum

TALITA: mas eu acho que tem sim...

E: Entendi... e... que que isso tudo significa pra você? Você acha que, com relação à influência da história... como, o que que você sente, como que você percebe isso? TALITA: Isso que você diz o que?

E: A influênci...

TALITA: Na minha vida? Então, eu acho que assim eu gostaria de saber o que isso tem de influência, talvez eu não saiba, eu acho que é mais essa questão de não saber porque que realmente isso me afeta

TALITA: né, porque assim, eu tenho sentimentos, de... de orgulho também de... de... de... de tristeza mesmo, pela história já ocorrida, que aind... a atual situação, mas eu não sei até que ponto isso me afeta mesmo.

E: Uhum

TALITA: Sabe?

E: Você não se considera judia? TALITA: Não... não...

E: Uhum é mais pela história da sua família, da...

TALITA: É... porque assim eu nunca fui praticante, eu não conheço muita coisa, sabe? E: Uhum

TALITA: Mas gostaria de ter sido mais próxima... E: Uhum... como que foi sua experiência em Israel?

TALITA: Ah, foi muito gostoso é um pais de mais! Muito desenvolvido, sabe? Coisas incríveis eu vi lá... e... foi muito interessante ter contato com a população de lá.

E: Uhum

TALITA: Como é um povo diferente! Né, por conta do histórico, de várias guerras, tanto que o... que o guia nosso falou... que... uma pessoa de dez anos vivenciou uma guerra, uma pessoa de 50 já vivenciou cinco guerras.

E: Uhum

TALITA: Então as pessoas, elas não são calorosas e abertas igual aqui são, igual são no Brasil, né,

E: Uhum

TALITA: as pessoas lá são mais fechadas, não são simpáticas, digamos assim, mas é por conta desse histórico todo deles, né,

E: Uhum

TALITA: foi muito legal conhecer assim, de perto isso, o desenvolvimento do país, né, conhecer mais a fundo tanto o passado, quanto o presente, através do guia, né.

E: Uhum

TALITA: Nas viagens que a gente fez... a gente foi de norte a su... ao sul do país, foi muito legal assim conhecer, sabe?

E: Uhum

TALITA: E eu acho uma pena eu nunca ter sido assim mais próxima, por conta da migração, de eu ter vindo pra Ribeirão, nunca ter sido tão próxima, eu sinto, um pena, assim, digamos. Não sei como seria se eu realmente fosse judia, né, talvez aqui em

Ribeirão, né, as pessoas ainda tem muito preconceito, sabe? Né, minha mãe sempre me... me... não é ensinou assim, sempre falou, né, “não sai falando assim porque as pessoas tem preconceito”.

E: Uhum

TALITA: Né, em relação ao judeu, então eu não sei como seria se eu realmente fosse, se eu realmente me sentisse

E: Uhum

TALITA: mas ao mesmo tempo eu não me sinto católica, então... as vezes isso tem alguma influência também, sabe?

E: Você já passou por alguma situação ou sua família de preconceito ou alguma dificuldade...?

TALITA: Não... E: Nesse sentido?

TALITA: Não, nunca passei por nada... E: Mas também ninguém sabe (rindo)

TALITA: Ninguém sabe, entendeu? Assim, as pessoas que eu tenho mais contato acabam ficando surpresas, que aí eu conto a história do meu vô, por conta das guerras, E:Uhum

TALITA: que ele passou e tal, mas ninguém tem preconceito direto. Nunca aconteceu nada, assim,

E: Uhum

TALITA: mas as pessoas desconhecem... as vezes comenta alguma coisa e as pessoas desconhecem a religião... não sabem, tem gente que não sabe, assim e algumas podem reagir com preconceito, outras não...

E: Uhum

TALITA: Depende de quem a gente encontra no caminho E: Uhum... por isso que não é bom ficar falando...

TALITA: Exato, eu não falo sempre, né

E: Uhum... que mais que você tem pra me contar?

TALITA: Ah... é isso... a questão do... não sei se você quer que fale sobre a constelação familiar? Que eu comentei...

E: Pode falar!

TALITA: Porque assim, essa questão de eu não saber o tanto que me influencia realmente, né

E: Uhum

TALITA: a constelação familiar talvez seria uma...forma de descobrir isso, né... seria interessante saber o quanto que isso me afeta... né, ou não...

E: uum

TALITA: Mas eu imagino, segundo minha psicóloga, ela também imagina que tem uma carga forte (rindo) de alguma forma que eu não consigo... que ninguém consegue imaginar, na verdade, né, mas seria interessante saber...

E: Uma “carga forte” em que sentido?

TALITA: Ai, saber a maneira que a gente, que eu encaro os relacionamentos talvez, né. E: Uhum

TALITA: Eu tenho medo também de ficar sozinha, medo de perder as pessoas, E: Uhum

TALITA: né, eu sempre fui uma pessoa muito emotiva, na minha família, apegada... talvez isso possa ter tido influência pelo histórico de muitas perdas... que o povo tenha, que o povo tem.

E: Uhum

TALITA: Né, pode ser por isso... E: Entendi

TALITA: Entendeu? Um exemplo assim, mais claro, né, acho que é esse... e outras coisas assim não sei... é mais em relação a isso...

E: E como que você, e que que você sente, como você se sente quando lembra da história do seu avô ou mesmo do povo judeu? Ou quando você foi pra Israel, como você se sentiu?

TALITA: Eu fiquei muito abalada, assim, sabe, quando eu fui no museu do Holocausto eu fiquei me sentindo muito mal, eu fiquei... muito mal mesmo, sabe, eu não achei que eu fosse... eu sabia que essa historia me afetava, né

E:Uhum

TALITA: o fato da história do meu vô assim eu sempre soube que sempre me deixou muito triste... mas do jeito que me afetou lá e vendo aquilo... é muito forte assim, sabe? E: Uhum

TALITA: E acho que é isso, mais assim, que foi bem marcante pra mim.... E: Uhum

TALITA: Mas ao mesmo tempo quando a gente tava numa sinagoga ou alguma coisa mais relacionada à religião, não tenha me afetado tanto...

E: Uhum

TALITA: então, por isso que eu falo que eu não me sinto judia (rindo) E: Ser judia significa praticar a religião? Fazer parte de um povo?

TALITA: Então... é... é... tem esses dois lados eu acho assim, acho que as duas coisas, sabe?

E: As duas coisas juntas, as duas coisas separadas?

TALITA: Então, na verdade eu não sei! Eu não sei te dizer não... isso... teoricamente... não, eu não sei se são os dois juntos... ou um ou outro... não sei!

E: Como que você definiria pra mim o que é ser judeu?

TALITA: Eu acho que é a religião, crer na religião, praticar ela, né, não somente... apesar que, teoricamente, ser judeu é fazer parte do povo, né, de Israel, então por exemplo, lá em Isarel tem os muçulmanos judeus... de Israel, israelenses, mas hoje em dia é mais um sinônimo da religião mesmo,

E: Muçulmanos judeus são pessoas que são judias e se converteram ao Islã?

TALITA: Não, é... são muçulmanos que vivem em Israel, né, mas judeu é a religião mesmo, num... acho que não tem outra definição...

E: Uhum... quer falar mais alguma coisa?

TALITA: Ah... acho que não... não... você foi pra Israel também ne? E: Fui...

TALITA: E como que você se sentiu lá?

E: Olha é bem... é bem marcante mesmo a história.... e mesmo... o museu do holocausto é muito forte...

TALITA: Você foi também? É muito forte né?

E: O Memorial do Holocausto... é muito chocante mesmo... mas não sei se é... se foi no mesmo nível o impacto, assim, não consigo mensurar...

TALITA: Aham

E: Mas eu gostei muito de ter ido, também fiquei encantada...

TALITA: É... é muito desenvolvido lá, né... eu acho incrível, assim...

E: É muito engraçado, assim, muito interessante que... você vai em Tel Aviv tem aqueles arranha-céus super ultra modernos daí meia hora você tá em Jerusalém que é tudo face de pedra, sabe, tudo...

TALITA: Completamente diferente, né E: Parece que é... 4 mil anos atrás...

E: Eu gostei bastante... tem deserto, tem montanha, tudo ao mesmo tempo...

TALITA: E é incrível, você vê no meio do deserto umas flores, sabe? Hortas... como assim gente? Aquilo foi de mais pra mim... ver todo aquele contraste...

E: Uhum

TALITA: Né, é muito... né, isso dá orgulho, assim, de ver, depois de tudo que já passou, aquele país alcançou o que tem hoje...

E: Uhum

TALITA: Eu acho muito admirável E: É...

TALITA: É uma pena né, que ainda exista tanto preconceito, e... guerra, assim... E: Uhum

TALITA: Não sei, acabou que eu meio que desenvolvi um preconceito talvez assim contra os muçulmanos, por insistirem tanto em guerra, odiarem tanto assim o povo... né, não somente judeus, mas qualquer um que vai contra a religião deles, né

E: Uhum

TALITA: Mas... quem sabe um dia a paz realmente chegue... E: É...

TALITA: Né, parece tão coisa de miss falar “paz”, né, “paz mundial” (risos)

TALITA: Alguma coisa assim, mas é a realidade, a gente aqui no Brasil não imagina o que seja isso...

E: Uhum

TALITA: A gente não faz idéia... E: É...

TALITA: Eu acho, sabe? É só quem vive realmente... mas foi muito legal a viagem, assim, foi bem gostoso... é isso...

E: Ok... obrigada!!!