• Sonuç bulunamadı

Eşit Đstihdam Fırsatı ve Olumlu Eylem / Aksiyon’dan Ayrılan Yanlarıyla Farklılıkların Yönetim

FARKLILIKLARIN YÖNETĐMĐ ĐLE ĐLGĐLĐ TANIMLAR, TARĐHÇE, MODELLER, PROGRAM VE UYGULAMALAR

2.2. FARKLILIKLARIN YÖNETĐMĐNĐN TARĐHÇESĐ

2.2.1. Eşit Đstihdam Fırsatı, Olumlu Eylem / Aksiyon ve Farklılıkların Yönetim

2.2.1.3. Eşit Đstihdam Fırsatı ve Olumlu Eylem / Aksiyon’dan Ayrılan Yanlarıyla Farklılıkların Yönetim

Ao adentrarem pelas matas paulistas, os desbravadores encontram os índios. Os planaltos paulistas são ocupados pelos Caingangues, também denominados coroados. No final do século XIX, cinco pequenos grupos deles, vivem em clareiras entre os rios Peixe e Aguapeí. Eles pescam, caçam, retiram mel selvagem e palmito das matas, tecem fibras vegetais e fabricam cestas.

Para cultivar feijão, abóbora e milho em pequenas áreas, cortam as árvores pequenas, usando machados e foices roubadas ao homem branco, fazem a queimada para limpeza do terreno – conservando as árvores de troncos mais grossos. Seu sistema de construções, com habitações relativamente importantes, e seus cuidados para conservação dos caminhos, indicam uma certa estabilidade de habitat. Entretanto, sua

agricultura em terrenos queimados é um indicador de nomadismo. Não há dados sobre a duração dessas aldeias.

O contato entre os Caingangues e o colonizador sempre foi violento. Os indígenas costumam aproveitar-se dos momentos de desatenção dos colonizadores para atacá-los e tomar suas armas e utensílios. De suas casas levam tudo que conseguem carregar, matam usando flechas e facas. Os pioneiros, por sua vez, respondem aos ataques também com muita violência.

Expedições com caçadores de índios – os bugreiros – para punir os selvagens são organizadas, inclusive, pela Comissão Geográfica e Geológica do Estado.

A oposição indígena freou por algum tempo o avanço para os sertões, mas, à medida que as terras vão sendo ocupadas pelo homem branco, se acelera o processo de extinção das tribos. É o processo de colonização submetendo os naturais de um solo, que está sendo ocupado para ser explorado. Assim, a marcha pioneira para o oeste, finaliza a obra de destruição indígena, iniciada no Brasil Colonial.

Do nativo subsiste, ainda que de forma indireta, a técnica de queimada das matas para limpar o solo, os caminhos úteis aos primeiros desbravadores, uma vez que os plantadores de café deles se distanciam e alguns traços da língua presentes na toponímia da nova região, onde cidades, fazendas e riachos são “batizados” com nomes indígenas. Segundo MONBEIG (1998, p. 132)

Essa ressurreição erudita da língua indígena comprova o que vem a ser o

índio para o habitante da língua

pioneira: uma recordação que entrou no domínio da lenda.

A colonização, no sentido oeste, do espigão Peixe- Aguapeí só ocorre no final do século XIX. Essa ocupação inicialmente é muito tímida, se comparada à da Noroeste e Sorocabana.

Após a Primeira Guerra, já no ano de 1928, a Companhia Paulista de Estradas de Ferro prolonga seus trilhos, parados em Piratininga, até a cidade de Marilia, agora Município.

Como vimos anteriormente, no início do século XX, pelas estradas de rodagem, já haviam chegado os desbravadores das regiões de Duartina, Getulina, Garça e Marília, vindos de Presidente Alves, Lins, Pirajuí e, principalmente, de Cafelândia, cidades da região Noroeste.

Em Marília se estabelece, em 1924, o patrimônio de Alto Cafezal – ao sul do traçado da futura ferrovia – em 1927, funda- se a Vila Barbosa e, Bento de Abreu Sampaio Vidal cria o patrimônio de Marilia. A união desses patrimônios, no futuro, constituirá um único conjunto urbano: a cidade de Marilia.

O povoamento de Marília tem os seus momentos iniciais ligados à produção de café. Entretanto, nos momentos de crise desse produto, a região procura novas alternativas para impedir o seu retrocesso: por um lado diversifica sua produção plantando arroz, algodão e amora; por outro incentiva a implantação de

50 pequenas e médias propriedades, intensificando os loteamentos. Estes, em sua maioria, são da responsabilidade de grandes fazendeiros do café que precisam saldar suas dividas ou desejam fazer novos investimentos. Na década de 1920, segundo MOINBEG (1998), em Marília,

/.../ o champanhe corria a rodo, quando se jogava para valer. Em 653 edifícios somente três eram casas exclusivamente de moradia; 650 eram locais de comércio, dos quais 87 eram casas de tolerância.

As festas ocorrem ao mesmo tempo em que se intensificam as derrubadas de mata para o plantio do café. Em meio aos cafezais existem grandes plantações de arroz. Quando surge a crise de 1929, é a produção de arroz que atenua os efeitos da crise, possibilitando aos grandes proprietários superá- la por meio da comercialização, nas cidades mais desenvolvidas. O início da Segunda Guerra encontra a região dedicando- se à cultura da amoreira, com a finalidade de criar o bicho da seda, cujo casulo é matéria prima do tecido utilizado na fabricação dos pára-quedas. Com esse mercado garantido, os agricultores, sobretudo os grandes proprietários de terra, voltam- se para o cultivo da amoreira, no momento em que o algodão já não é mais tão lucrativo. Assim, as terras da região de Marília, ao final da Guerra, estavam ocupadas ou pelo café ou pelas amoreiras. Ao terminar a Segunda Guerra, o comércio dos casulos diminui muito e a amoreira deixa de ser cultivada em grande escala.

A região que, a partir de 1930, para atender à procura, inclusive, do mercado externo, expande a sua cultura agrícola diversificada, continua se dedicando à cafeicultura. Agora, há cafezais não só nas grandes propriedades, mas, também nas pequenas e médias.

Em Marília, em meados da década de 1930, existem quinze maquinas de descascar arroz, vinte e duas para descascar o café, dez descaroçadoras de algodão, três grandes serrarias e vinte e sete olarias. Marília perde, assim, sua aparência de patrimônio e adquire características de cidade. Conserva muito pouco de sua vida ruidosa. Suas principais ruas são pavimentadas e têm casas de alvenaria, grande parte delas de dois andares. Já tem, também, um Ginásio Municipal. A região, que pouco sofreu com a crise cafeeira, volta a progredir

quando o algodão substitui o café. Em 1945 a cidade já possui mais de 5000 edifícios.

Por volta de 1920, Sousa Leão, pernambucano filho de uma família de senhores de engenho, parte para o sul. De um caixeiro viajante adquire, no ano seguinte, uma vasta área de terra situada no espigão divisor Peixe-Aguapeí, onde funda a cidade de Tupã. Pelos caminhos abertos entre as estações de Quatá e Rancharia e o espigão Peixe-Aguapeí os pioneiros chegaram a Tupã.

Paralelamente à venda de lotes urbanos, Sousa Leão estabelece loteamentos rurais, banco local e lavouras de café. O progresso faz aumentar os loteamentos. A estrada de ferro não progride linearmente, os administradores só colocam os trilhos quando a região já conta com uma população razoável e está em plena produção. Na Alta Paulista, como vimos, é a rodovia que facilita a abertura dos loteamentos.

Quando os trilhos chegam a Tupã, no ano de 1941, a região já está muito ativa. Em Bastos, a primeira derrubada ocorre em 1928, quando o patrimônio é aberto. A seguir inicia-se a venda dos lotes rurais. Vindos por estradas ligadas à Sorocabana, ali se fixam as primeiras famílias japonesas.

A Companhia Paulista – que também desempenha o

papel de empresa de transportes rodoviários – constrói uma boa estrada de rodagem que liga Tupã à Lucélia e Adamantina. Essa estrada, embora de forma menos cuidada, estende-se até Gracianópolis (atualmente Tupi Paulista) e chega ao Rio Paraná, em Porto Marrecas. Plantadores de Presidente Prudente, abrindo estradas nas florestas, já chegaram também à Lucélia.

A rodovia novamente proporciona a ampliação dos loteamentos, uma vez que o sitiante, afastado mais de duzentos quilômetros da ferrovia, agora não se encontra mais isolado.

Em meados do século XX a concorrência entre os loteadores é imensa. Sua propaganda para vender as terras está assentada nas facilidades de comunicação. Cada vez que há notícia de que uma estrada será prolongada iniciam-se novos loteamentos. Cartazes publicitários destacam a existência, nos loteamentos, de tudo que é essencial tanto à vida material quanto à espiritual. Aqui, a fundação de pequenos núcleos urbanos, destinados à venda dos lotes rurais, precede a fixação do homem na zona rural. O desenvolvimento desses núcleos é o indicador do sucesso do empreendimento.

52 Os lotes mais valorizados são os que se encontram próximos ao patrimônio, geralmente localizados nos espigões, onde o solo é de melhor qualidade. A especulação é grande e as negociações desenvolvidas pelos sitiantes são bem vistas pelos loteadores, uma vez que quando o sitiante vende seu lote próximo ao patrimônio adquire outro, rural ou urbano, de maior valor, ou ainda uma área maior e mais distante, proporcionando lucros às companhias colonizadoras.

A rodovia favorece os loteamentos, que são levados, depois de 1940, até quase às margens do rio Paraná, na fronteira com o atual estado de Mato Grosso do Sul.

Em 1961, a Companhia Paulista de Estrada de Ferro completa o seu trajeto até a divisa do Estado. Em 1950, chega a Lucélia e a Adamantina; em 1959 a Dracena e, finalmente, em 1961, chega em Panorama, às margens do rio Paraná (Conferir Mapa 8).

O mapa de número 09 apresenta o que se conhece, hoje, formalmente como a sub-região denominada Nova Alta Paulista, situada entre as regiões da Alta Paulista (polarizada por Marília), Alta Noroeste (polarizada por Araçatuba) e Alta Sorocabana (polarizada por Presidente Prudente), delimitada, ao norte, pelo Rio Aguapeí; ao sul pelo Rio do Peixe; a leste pelos municípios de Quintana e Pompéia; a oeste com o Rio Paraná, fronteira dos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul.

Ainda que seja essa a configuração política oficial da Nova Alta Paulista, neste trabalho tal sub-região será reconfigurada, posto assumirmos, com Baraldi (2003), que “uma região é um espaço atravessado pela história que o institui como referencial para os próprios homens. Nenhuma região existe a priori: ela é resultado de uma série de representações que possuem historicidade, é um contexto, uma paisagem elaborada por nossos olhos e mentes, carregada de lembranças e significados, e antes de poder ser um repouso para os sentidos, a paisagem é obra da mente, compõe-se tanto de camadas de lembranças como de extratos de rochas”.

53

Feita essa reconstituição sobre a colonização da Nova Alta Paulista, a partir da literatura disponível, qual o passo seguinte?

O passo seguinte seria a escolha dos procedimentos a serem usados na Pesquisa, ou seja, tratava-se, então, de procurar conhecer mais as novas perspectivas históricas para entender nossa região de investigação. O contato com alguns trabalhos de historiadores ligados ao Grupo dos Annales e com alguns autores que deles tratam, também nos permitiu ampliar o conceito de

documento e isto influenciou nossa escolha sobre os

procedimentos a serem usados. Nossos documentos seriam registros recolhidos oralmente. Eles nos permitiriam enfocar o tema proposto de uma forma mais ampla, uma vez que o que se registra nos documentos escolares é de natureza burocrática, não tem vida. Desses documentos – frios e estáticos – não constam interferências de pais de alunos, as dificuldades que os professores têm com os conteúdos. Neles, o burburinho dos alunos e o toque da campainha são silenciados. O que registram sobre a vida dos professores diz respeito exclusivamente aos aspectos administrativos de suas carreiras. Assim, usaríamos a metodologia da História Oral que, ampliando concepções, dá status de documento aos arquivos sonoros, cria uma diversidade de fatos históricos e, sobretudo, situando o seu objeto de estudo em um passado recente, nos permite captar acontecimentos que transcendem os registros meramente administrativos. Tomar a História Oral com status de metodologia – como estabelecedora e

ordenadora de procedimentos da pesquisa teoricamente

fundamentados – constitui-se em uma postura “provisória” em relação ao status da História Oral, até porque o grupo de pesquisa16, do qual participamos, ainda mantém a discussão sobre este status, ou seja, sobre a própria natureza da História Oral.

16

Do grupo de pesquisa “História Oral e Educação Matemática” participam Emerson Rolkouski, Heloísa da Silva, Ivani Pereira Galetti, Ivete Maria Baraldi, Maria Ednéia Martins, Marisa Resende Bernardes, Rosinéte Gaertner, Luzia Aparecida de Souza, Antonio Carlos Carrera de Souza, Carlos Roberto Vianna, Gilda Lúcia Delgado de Souza, Sílvia Regina Vieira da Silva, Michela Tuchapesk, Zionice Garbelini Martos, Helenice Seara, Antonio Vicente Marafioti Garnica e Ronaldo Marcos Martins. É um grupo multiinstitucional (envolvendo UNESP, UFPR, USC, FURB, UFMS, UNIP, UNICAMP) formado em meados de

Assim, para nossa investigação, privilegiamos as entrevistas registradas com o uso do gravador. Nosso objetivo é a produção documentos referentes ao processo de formação e à prática cotidiana de professores ao ensinar Matemática. Neste processo consideramos, inclusive, a relação entre os dados da vida desses professores e o movimento histórico e cultural da região onde estão inseridos. No campo da história oral, de acordo com Meihy, um dos autores que lemos, é possível distinguir três tendências: a “história oral de vida” que trabalha com a narrativa das experiências de vida de um depoente; a “história oral temática” que busca versões de pessoas que presenciaram determinados acontecimentos e cujos depoimentos interessam ao pesquisador que foca um tema específico; e a “tradição oral” que opera com mitos permanentes, com a visão de mundo de grupos sociais cujas concepções têm referências em um passado remoto. Nossa abordagem, neste trabalho, se concentra na segunda dessas tendências, uma vez que nosso foco principal diz respeito às experiências vividas pelos professores em sua formação e prática cotidiana ao ensinar Matemática. Como o nosso depoente ao

mesmo tempo em que se constitui como professor de

Matemática da Nova Alta Paulista é, também, “ator” de um processo histórico mais amplo – o da colonização da região – sua narrativa foca outros aspectos de sua vida. Isto faz com que seus depoimentos não sejam meros relatos técnicos, como os decorrentes dos registros disponíveis nos arquivos escolares, que criticamos anteriormente. Assim, o sujeito narrando suas experiências como professor de Matemática da Nova Alta Paulista narra-se em processo.

Quantos e quais foram seus depoentes?

Trabalhamos com cinco depoentes. O professor Antonio Jorge, que se licenciou em Matemática, no Mackenzie, e chegou à Adamantina no ano de 1955, momento em que a região começou a se desenvolver. Ele conviveu com os professores Osvaldo Sangiorgi, Benedito Castrucci, Luis Henrique Jacy Monteiro,

2001, cujos participantes desenvolvem trabalhos que, em Educação Matemática, usam a História Oral.

55

entre outros. Foi o idealizador da FAI, Faculdades

Adamantinenses Integradas. A professora Mutsuko, sua ex-aluna, em seu e-mail, pode nos “apresentá-lo”:

“O professor Antonio Jorge tinha um método muito especial para ensinar Matemática: devagar e sempre, sem sofrimento. Não me lembro de ter estudado e eu sempre sabia. Quando saí de Adamantina para fazer o Científico tive que passar por exames de seleção em Português e Matemática. Tive que estudar sozinha o restinho de programa que ficou descoberto e foi fácil. No colegial (Colégio Estadual Presidente Roosevelt) descobri que tinha base melhor que os outros.”

E podemos saber um pouco mais da sua vida, pela suas próprias “palavras”, a partir da entrevista que com ele realizamos, em sua residência, na cidade de Adamantina.