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2.7. Ülkemizde Özel Yetenekli Bireylerin Tanılanması

2.7.6. Ülkemizde Tanılanma Sürecinde Karşılaşılan Güçlükler

Tal a importância a eles atribuída, os caminhos principais merecem destaque, pois mesmo durante um período em que pouca coisa acontecia na região, o ir e vir continuava. É certamente deste movimento que a cidade de São Bernardo do Campo finca suas raízes. A cidade tal qual todos a concebem hoje nasceu e cresceu em torno dos caminhos: o caminho do mar, a estrada do vergueiro, a via Anchieta, a estrada das Lágrimas e a menor, mas não menos importante, estrada do Sacramento. Uma das hipóteses é a de que a atual avenida Caminho do Mar possui em sua extensão um trecho do antigo caminho do século XVI.

Tudo começou com o primeiro caminho usado pelos portugueses. Trata-se do caminho que foi usado por João Ramalho e pelos primeiros portugueses que ocuparam a região genericamente denominada Campo. Apesar de possuir uma qualidade péssima, a estrada de Paranapiacaba serviu muito aos interesses dos portugueses, inclusive no que concerne à defesa, pois era a única ligação entre os portos de mar e São Paulo. Segundo Madre de Deus (1975: 139), “[...] bastaria lançarem-se pedras pela serra abaixo, para se retirarem derrotados os expugnadores.”

Depois deste caminho, aproveitado daquele de que se serviam os índios, face a sua brutal dificuldade de percorrer, “em 1553 rasgava-se nova estrada feita pelos índios sob a direção de Anchieta.” (TAUNAY, 2003, p. 174). Por isso, este caminho teve por muito tempo o nome de caminho do Padre José. Pouco depois, em 1560, outro caminho foi aberto, visto que o primeiro era muito assaltado pelos índios Tamoios.

O caminho do Mar foi sempre uma preocupação porque era muito difícil o seu percurso. Daí a célebre citação de Anchieta (apud TAUNAY, 2003, p. 175):

Vão lá (a Piratininga) por umas serras tão altas que dificultosamente podem subir os homens com trabalho e às vezes de gatinhas por não se despenharem e, por ser o caminho tão mau e ter tão ruim serventia, padecem os moradores e os nossos, grande

trabalho.

Ao que diz José de Anchieta, corrobora o trecho de Taunay (2003, p. 337):

Penosíssimo como era o Caminho do Mar, intransitável para animais cargueiros, fazia-se o comércio do planalto com o litoral por meio de carregadores índios. Vergando ao peso das mercadorias, desciam ou galgavam os infelizes silvícolas as veredas aspérrimas da serra marítima.

Este caminho era demasiado penoso que, segundo Teodoro Sampaio (1978, p. 66): Os jesuítas, fundadores de S. Paulo, modificaram-lhe o traçado, melhoraram-lhe o acesso dos montes em 1553, pelo que, desde essa época, se ficou chamando o

caminho do Padre José, em alusão a Anchieta, que, com seus guaianás e com o

auxílio de Afonso Sardinha, o construiu e melhorou.

Esta referência ao Padre José é feita também por Gaiarsa (1968, p. 18):

João Pires Gago (de alcunha!). Tendo vivido mais de vinte anos em São Vicente, passou-se para Santo André onde esteve até a destruição desta. Por ter matado um índio, incorrera numa pena da qual se teria livrado, comprometendo-se a fazer, a sua custa, o caminho novo para o mar e que se chamou ‘caminho do Padre José’. O oferecimento foi aceito e foi-lhe concedido o perdão.

As alterações no traçado e as frequentes melhorias se faziam sempre necessárias. Sampaio (1978, p. 66) relata isso quando diz que

A passagem dos rios e de brejais sem conta no alto dos campos , como a travessias dos montes alcantilados, úmidos e quase sempre desmoronados pelas chuvas tempestuosas e frequentes, inçavam de perigos e dificuldades esse caminho, por isso mesmo objeto de maiores cuidados por parte dos governadores.

É só no final do XVI, após solicitação de Dom Francisco de Souza que a Câmara de São Paulo e o povo da cidade resolvem deixar o caminho melhor. Mas apesar disso este caminho ficará por três séculos “de tão difícil estabelecimento e conservação” (TAUNAY, 2003, p. 174) que as viagens por ele realizadas não eram lá muito fáceis.

Teodoro Sampaio (1978, p. 66), citando Azevedo Marques68, menciona algumas melhorias no caminho:

D. Luís Antônio de Souza melhora-o consideravelmente. Martim Lopes manda fazer os aterrados através dos pântanos entre o Rio Grande e o Rio Pequeno. Raimundo Chichorro faz abrir o trecho que vai da raiz da serra à margem do Rio Cubatão. Bernardo José de Lorena faz executar o gigantesco trabalho de calçamento, consolidação e ziguezagues pela encosta da serra. Antonio Manuel de Melo manda construir ao longo do caminho os ranchos-reunos para abrigo das tropas. Lucas Antonio Monteiro de Barros depois de Visconde de Congonhas de Campos, consegue em 1826 concluir o grande aterrado, tantas vezes tentado, entre o Porto do Cubatão e a

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cidade de Santos.

Em determinados momentos este caminho era designado de outras formas. A Toponímia se interesse demasiado por isso, até porque mostra outra forma de nomeação que concorreu, naturalmente, com a original. É bastante natural que uma das formas perca força e a população mantenha apenas uma. Esse nome aparece em Gabriel Soares de Sousa (apud TAUNAY, 2003, p. 140) quando ele diz, ao tratar de São Paulo, que

[...] pelo sertão desta Capitania, nove léguas, está a Vila de São Paulo, onde geralmente se diz o campo, na qual Vila está o mosteiro dos padres da Companhia, e de redor dela quatro ou cinco léguas estão quatro aldeias de índios forros cristãos, que os padres doutrinam e servem-se desta Vila para o mar; pelo esteira do Ramalho. Ora, aqui há esteira do Ramalho como sinônimo de estrada de Paranapiacaba, ambos pertinentes, acredita-se, ao trecho de serra. Salienta-se que estes nomes atualmente não mais existem como denominações deste caminho. Sobre a parte de planalto deste caminho, seguia até juntar-se ao caminho do Ipiranga, que nos dizeres de Dick (1996, p. 97) é o mesmo que Caminho do Mar. Este caminho do Ipiranga “era uma campina à margem do ribeiro desse nome, localizado à sudeste da vila, distante uma légua, e na mesma direção do antigo Caminho do Mar.” (DICK, 1996, p. 102). Este caminho, por ser São Vicente sede da Capitania, já foi inclusive citado como caminho de São Vicente, por razões lógicas. Há registros deste caminho também como caminho de Santos. Mais modernamente surgiu a Estrada de / para Santos ou o Novo Caminho do Mar. Além desses, Sampaio (1978, p. 65-66) registra-o como estrada do Cubatão. Ele diz que

[a estrada do Cubatão] tinha-se mesmo tornado lendária na história paulista, tão grande fora sua influência na civilização dos povos serra-acima. Como simples trilho ligando as campinas altas de Piratininga às praias do mar, existiu, de certo, desde época imemorial, este caminho praticado pelo gentio através dos alcantis dos montes de Paranapiacaba. Alguns europeus, dos primeiros que se estabeleceram no país, teriam por aí penetrado em exploração às regiões remotas que, segundo a tradição, eram fabulosamente ricas. João Ramalho, que se estabelecera na Borda do Campo, tê- la-ia percorrido e melhorado muitas vezes, garantindo o seu tráfico com a feitoria de

Temiuru, junto do mar, onde depois se fundou S. Vicente.

Em 1572, segundo Taunay (2003, p. 91), “reuniu-se a edilidade paulistana a fim de, a mandado do ouvidor geral, votar uma contribuição para o estabelecimento do Caminho do

Mar”. Este caminho, segundo Teodoro Sampaio (1978, p. 160),

Do pátio do Colégio partia na direção do Sul o caminho velho do mar pela atual rua do Carmo, descendo para a várzea, contornando-a nas proximidades da vivenda de Bartolomeu Carrasco, e antes de se perder no horizonte para os lados da Borda do

Campo, onde existiu Santo André, passava por um grupo de moradores junto da

Ribeira do Ipiranga, onde estivera outrora a ermida de Nossa Senhora da Luz, que depois se mudou para o Guarepe.

Certamente este caminho passava pelo Ipiranga, pois Taunay (2003, p. 379) afirma que Domingos Luiz, o Carvoeiro e Antônio de Proença “tinham terras da banda do Ipiranga”, que era “Caminho do Mar”.

Atualmente faz-se muito clara a utilidade do caminho do Mar. A importância que ele tinha compara-se à importância atual da via Anchieta. No entanto, em se tratando de século XVI a realidade era outra. O caminho era importante já naquela época, tanto que era considerado um dos três mais importantes do século XVI, ao lado do caminho de Pinheiros e do caminho do Ibirapuera e sua manutenção também. É inclusive por isso que, ao tratar do gado que havia em São Paulo no XVI, Taunay (2003, p. 169), diz que “Estavam os caminhos do mar péssimos e intransitáveis para o gado.” A necessidade de enviar gado para o litoral ia de encontro com a problemática da conservação do caminho. O gado destruía o caminho e por isso, repetidamente, era proibido levar gado para o litoral. “Do litoral, onde não havia pastagens, constantemente solicitavam a remessa de boiadas e esse trânsito de rebanhos imenso prejudicava a conservação do “Caminho do Mar”.” (TAUNAY, 2003, p. 172). Mais recentemente, Martins (2004, p. 10-11), ao tratar da ferrovia construída pelos ingleses e que passava pelo Alto da Serra, em Paranapiacaba, coloca que os velhos caminhos do mar eram “contato dos paulistas com o mundo”.

Gaiarsa (1991, p. 48) diz que “as denominações se sucederam: Caminho do Mar; Caminho do Padre José; Caminho dos Índios, todos da primeira fase histórica.”

Os vários nomes desses caminhos entre o campo e o litoral citados são: estrada de Paranapiacaba, esteira do Ramalho, caminho dos Índios, caminho do Padre José, caminho

do Mar, caminho de São Vicente, caminho de Santos, novo caminho do Mar, estrada para / de Santos e estrada do Cubatão.

Em Rudge Ramos há um resquício do antigo nome Caminho do Mar, que é a avenida Caminho do Mar. Acredita-se, contudo, ser esta avenida o antigo caminho antes da construção da via Anchieta. Esta avenida começa na parte central do bairro de Rudge Ramos, perto do antigo pouso de tropeiros que por lá existia e da estrada das Lágrimas.

A avenida Caminho do Mar, que em 1948 ainda era conhecida como Estrada do Mar e que por algum tempo fora conhecida (ao menos na parte próxima da vila Mussolini) como avenida Conde Francisco Matarazzo (MÉDICI, 1984, p. 146)69, teve um trecho de sua extensão renomeado. A parte em que esta estrada seguia junto com a estrada do Vergueiro, sendo uma como lado par e outra como lado ímpar, teve o nome alterado para avenida dos Meninos, através da Lei n. 37 de 09 de novembro de 1948. Justifica-se a alteração pelo fato do trecho de intersecção das duas avenidas atravessar a parte mais antiga e central do bairro, que antes do nome atual chamou-se dos Meninos. Atualmente a avenida dos Meninos denomina- se avenida Doutor Rudge Ramos.

O curso atual da avenida Caminho do Mar, até por causa da construção da via Anchieta, foi projetado em 1910 por Arthur Rudge da Silva Ramos, o Dr. Rudge Ramos. Ao mesmo Rudge Ramos, “coube [...], em 1913, com auxílio de toda parte, dar início a reconstrução da estrada do mar, que foi inaugurada – mais uma vez – em 1917.” (GAIARSA, 1968, p. 24). A via Anchieta mais moderna é inaugurada em 1947. A motivação de Rudge Ramos para reformar o caminho, dizem, foi o fato de que ele não conseguiu andar de carro adequadamente com convidados de outro país pelo caminho.

Sobre o antigo caminho do Mar, muitos pensam que ele passava pelo trecho onde hoje está a avenida Marechal Deodoro, na parte em que se encontrava São Bernardo Velho. No

69 A primeira drogaria da vila Mussolini chamou-se Droga Conde. Isso e o fato da notória homenagem a italianos, iniciada com o nome da vila, corroboram a existência de trecho da avenida Caminho do Mar como

entanto, o antigo caminho passava pela parte mais elevada, saindo do atual bairro de Rudge Ramos em direção à atual vila Euclides e de lá seguindo para os lados da serra. Isso ajuda em muito a comprovação de que parte da atual via Anchieta está no antigo caminho e que o nome da avenida Caminho do Mar é esse por ser parte do curso do antigo caminho, que no trecho entre Rudge Ramos e vila Euclides passava pelo centro do então bairro dos Meninos, ou Guapiú.

A isso se soma o fato de que antigamente a ligação entre o centro de São Bernardo e o bairro de Rudge Ramos e a cidade de Diadema (naquela época bairro de São Bernardo) se dava pela atual avenida Redenção. A intersecção do curso da citada avenida com destino à cidade de Diadema se dá pela atual via Anchieta.

Sobre a avenida Senador Vergueiro, nome dado a uma parte da antiga estrada do Vergueiro, Honório de Sylos (1976, p. 24) diz que este grande caminho recebe o nome de ilustre figura. Para se ter uma ideia do grau de importância, a citação de Straden acerca do senador Vergueiro é bastante elucidativa:

Em 1840, o senador Vergueiro – quem não conhece seu pioneirismo na vida agrícola paulista? – remodela em sua fazenda Ibicaba, em Limeira, o regime de trabalho, mandando buscar, na Europa, 90 famílias portuguesas, às quais da meação na colheita. Mais tarde, renova a experiência, promovendo a vinda de 80 famílias alemães e suíças. De Santos a Ibicaba a distância é de 38 léguas brasileiras e os caminhos são difíceis. Os imigrantes alemães fazem a viagem em 14 dias [...]70

Tão importante é a figura de Vergueiro que, em 1842, Limeira é elevada à categoria de vila. (SAMPAIO, 1978, p. 83) Um pouco antes, “em 1835, a 2 de fevereiro, por efeito do Ato Adicional, instala-se na Capital a primeira assembleia provincial, de que eram figuras salientes: Feijó, Paula Sousa, Vergueiro, que foi o primeiro presidente dela [...]” (id., ibid., p. 86)

Sérgio Buarque de Holanda, no prefácio escrito para a obra de Hutter (1972, p. 5) diz que o senador Vergueiro fundou o sistema de colônias, depois melhorado.

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Conde Augusto van der Straden. Le Budget Du Brésil. Ponthos, Paris, 1854. As famílias alemãs, segundo Sampaio (1978, p. 96) chegaram em 1847.

Gaisarsa (1968, p. 24), ao tratar dos melhoramentos do caminho do Mar, diz que muitos o melhoraram,

Muitos outros, certamente, trabalharam nos serviços de melhoramento da estrada, quer desviando certos trechos para dar-lhe menor declividade, quer alargando o leito ou construindo e reconstruindo pontes. O passo decisivo foi dado por José Vergueiro, filho do senador, com o qual foi modificado na quase totalidade o traçado situado entre o topo da serra e a cidade de São Paulo, permitindo o transporte por carros mais pesados.

“As obras foram iniciadas em 1860 e inauguradas em 5 de dezembro de 1863, tomando o nome do seu construtor.” (id., ibid., p. 24)

Antônio P. Mendonça, ao tratar da estrada do Vergueiro – antigo nome da avenida Senador Vergueiro – diz que era o caminho das carruagens que saíam de São Paulo com destino ao litoral e vice-versa, era uma “estrada costumeiramente em péssimas condições de tráfego, por onde, desde o século 16, grosso modo, se fazia a ligação entre o litoral e o planalto.” (Jornal da Tarde, 26/04/08). Essa condição precária do caminho é confirmada pelo comentário a seguir:

Em 1908 a estrada – na verdade uma trilha de terra nem vagamente comparável às modernas rodovias paulistas – estava longe de oferecer algum tipo de conforto, cruzando longos trechos de mata fechada, sem nenhuma pavimentação, exceto a terra batida pelo uso, misturada à lama, mais ou menos encascalhada em algum trecho mais íngreme e com manutenção bastante precária. (MENDONÇA, Jornal da Tarde, 26/04/08)

Já em 1962, conforme Médici (1984, p. 199), “tanto a estrada do Vergueiro como o Caminho do Mar eram duas vias diferentes, sem os problemas do passado. Pavimentadas até.” No entanto, no início do século, tal como mencionado por Mendonça, a estrada do Vergueiro “era quase intransitável” (MÉDICI, 1984, p. 199)

Sobre a atual rua do Sacramento, já conhecida como estrada do Sacramento, sua história é também vasta e digna de apontamentos detalhados. José de Souza Martins (1957, p. 76), ao tratar da história de São Caetano do Sul – local por onde a referida estrada do Sacramento passava – escreve:

Uma nota interessante é o fato de que os monges beneditinos somente pediram o empossamento destas terras para a Ordem quando este último século já ia em meio, através de requerimento do abade frei Ângelo do Sacramento. (grifo nosso)

Certeza absoluta de que o nome atual é realmente uma homenagem ao frei citado não há. De qualquer forma, sendo um antropotopônimo ou não, a referência à igreja ocorre.

Este topônimo é citado por Santos (1992, p. 114), quando este autor reproduz trecho das Atas da Câmara71.

23-8-1887 – É lido abaixo-assinado de moradores nos limites de São Bernardo e Santo Amaro. Estes reclamam contra a intimação que lhes foi feita para concorrerem com serviços nos caminhos denominados Sacramento, na Freguesia de São Bernardo. Alegam que se utilizam dos caminhos de Santo Amaro. O abaixo assinado é enviado à Comissão de Obras.

Em texto publicado pela folha de São Bernardo, suplemento especial, 18 de abril de 1979 (apud SANTOS, 1992, p. 231), Newton Ataliba Madsen Barbosa escreve:

Primitivamente, a estrada do Taboão não existia, e eram conhecidos por esse nome duas outras estradas: a do Zoológico, porque vindo de São Paulo, do bairro da Água Funda, chegava à Pedreira do Taboão; e uma outra marginal ao córrego do Taboão, que, partindo da estrada do Cavaleiro ou Sacramento, do Bairro dos Meninos, através da estrada dos Alves, e pelo sítio Canhema, atingia a mesma pedreira pelo Sul. A atual estrada das Lágrimas, que apesar de ter apenas um pequeno trecho localizado no bairro de Rudge Ramos, é aqui mencionada e analisada porque não há como tratar de tão importantes caminhos e deixar de lado este que, juntamente com os já citados, remetem ao passado da região e com isso tanto pode ser explorado. José de Souza Martins (1957), ao tratar do município de São Caetano do Sul, principalmente no que se refere aos caminhos, cita por diversas vezes a estrada das Lágrimas, atribuindo a ela importância para o desenvolvimento da região.

Teodoro Sampaio (1978, p. 73-74), diz:

Estava nos costumes o bota-fora, ou antes a despedida fora de portas, para o que e por prova de afeto se acompanhava o amigo que partia até certa distância fora da cidade, obra de duas léguas a cavalo, até o ponto em que deviam despedir-se ou trocar entre si o último adeus. Pelo tempo adiante, essa tradição, conservada entre os estudantes da academia de direito, fazia célebre a árvore das lágrimas, a cuja sombra tantos peitos juvenis se estreitaram no mais copioso pranto, separando-se talvez para sempre ou voltando no livro da vida essa página de infância e de mocidade que não volve jamais. A explicação do nome lágrimas aparece em Martins (1992):

A antiga estrada de Santos é a atual estrada das Lágrimas, nome que lhe foi dado por extensão de uma velha figueira assim denominada, que existiu até há pouco tempo em São João Clímaco. Era o local de despedida dos residentes na Capital. Até o século passado, ainda havia o hábito secular de acompanhar os viajantes, parentes, amigos ou hóspedes até ali para, então, fazer-se as despedidas.72