2.2 TRANSFORMATÖRLER
2.2.3 Özel Transformatörler
No final do século XX, a aproximação entre os países e a eficácia das ações integrativas dos organismos internacionais supranacionais modificam, novamente, o cenário de direito internacional, exigindo uma nova abordagem para o conceito de soberania. (GATTO:2005a)217
214 PIOVESAN, Flavia. Direitos Humanos e o Direito Constitucional Internacional. 3°edição. São Paulo,
Max Limonad, 1997. p. 67
215 DUPUY, Pierre-Marie. L’Unite de L’ordre juridique international. Cours General de Droit International
Public. Recueil de Cours, vol. 297 (2001) apud VALLE, Regina Op. Cit. Nota 75 p. 98
216 VALLE, Regina Op. Cit. Nota 75 p. 84 217 GATTO, Raquel F. Op. Cit. Nota 213
A necessidade de rever o conceito de soberania é motivada, devido principalmente às exigências econômicas para adequar o fenômeno da globalização e de integração dos Estados.
A interdependência entre os Estados, bem como a força dos organismos internacionais supranacionais, como a Organização das Nações Unidas – ONU ou a Organização Mundial do Comércio – OMC, realçam o questionamento da própria existência da soberania. (GATTO:2005a)218
Celso Bastos (1995) explica que, mesmo nesse contexto de estreitas relações internacionais, seria impossível conceber a exclusão do atributo soberania do Estado, pois não havia uma sociedade política internacional. Entende-se, portanto, que apesar de todo o aparato de tratados e acordos internacionais, não havia um poder superior aos próprios Estados.
Entretanto, a efetiva formação da União Européia admitiu regras superiores ao Estado, emanadas de organismos supranacionais. Segundo o professor Cláudio Finkesltein (2003):
“Atualmente, na União Européia, o que existe é uma compartilhação das
soberania dos Estados-membros. Isto implicou, no momento considerado oportuno, a cessão de parcelas de soberania dos Estados aos órgãos comunitários supranacionais. A soberania compartilhada exprime um desejo e um anseio dos próprios Estados-membros, e a parcela desta cedida ao órgão supranacional refletiu as vontades soberanas das nações, após
dezenas de referenduns219 e consultas populares. A integração regional
218 GATTO, Raquel F. Op.cit. Nota 213
219 Vale pontuar que Celso Bastos ensinou que: “a forma mais consentânea com a democracia contemporânea
é um procedimento de exercício do poder constituinte que permita o funcionamento de uma assembléia representativa, convocada para este efeito e que venha a submeter a aprovação das normas que edite a um
referendum popular.” BASTOS, Celso Curso de teoria do Estado e ciência política. 3° edição, São Paulo: Saraiva, 1995.p. 40.
indubitavelmente traz benefícios e, inerentemente, algum ônus, que também é compartilhado.”220
Lewandoski (2004) entende que:
“No acordo de preferência comercial, na zona de livre comércio e na união aduaneira, as relações entre os parceiros são disciplinadas pelo direito internacional clássico, visto que as decisões emanam de órgãos com caráter intergovernamental, ao passo que, que no mercado comum e na união econômica, elas estão sujeitas a um novo tipo de direito, o comunitário, de natureza supranacional.”221
Complementa Gabriela Rabello (2005):
“A pluralidade de estados soberanos, o comércio internacional, que
necessita de regras para sua regulação, e a existência de valores comuns entre os diversos Estados, foram alguns dos pressupostos para o fortalecimento do Direito Internacional. Afinal, só existe uma sociedade internacional porque existem relações contínuas entre as diversas coletividades.”222
No tocante à globalização, Lewandoski (2004) explica que, em sentido estrito, a globalização entende-se como um fenômeno econômico, fruto de uma nova fase do capitalismo, caracterizada pela intensa circulação de bens, capitais e tecnologia através das fronteiras nacionais, compondo o mercado mundial.223
Mais ainda:
“A chamada globalização constitui um processo que vem se desenvolvendo
desde o passado remoto da humanidade. Compreendida num sentido amplo, começa com as migrações do Homo sapiens, transita pelas conquistas dos
220 FINKELSTEIN, Claudio. O processo de formação de mercados de bloco. São Paulo: IOB – Thomson,
2003p. 75
221 LEWANDOSKI, Globalização, regionalização e soberania. São Paulo: Editora Juarez de Oliveira, 2004p.
299
222 RABELLO, Gabriela de Sampaio. Op. Cit. Nota 197 p. 60 223 LEWANDOSKI Op. Cit. Nota 218 p.297
antigos romanos, pela expansão do Cristianismo e do Islã, pelas grandes navegações da Era Moderna, pela difusão dos ideais da Revolução Francesa, pelo neocolonialismo do Século das Luzes e pelos embates ideológicos da centúria passada, culminando com a “aldeia global” que
caracteriza o mundo de hoje” (LEWANDOSKI:2004).224
Não obstante, é importante salientar que além do caráter econômico, a globalização gera o intercâmbio sócio-cultural, cujo espectro está presente nas sociedades atuais.
Por esta razão, Lewandoski (2004) afirma que o interesse econômico não é o único elemento de aproximação entre os Estados225, com o fito de compor um bloco regional, outros aspectos podem determinar este movimento, como a adequada proteção ao meio ambiente, diante do atual risco de perecimento do planeta.
Como bem conclui Lewandoski (2004):
“As mudanças trazidas pela globalização não tiveram o condão de abalar os fundamentos da soberania. No plano interno, o soberano continua dispondo da decisão final sobre todas as competências, ao passo que, na esfera externa, segue mantendo a independência que lhe possibilita assumir ou não determinadas obrigações. A delegação de alguns poderes a autoridades supranacionais, para empresar maior eficácia à ação estatal, na verdade permitiu que os Estados conservassem a essência da soberania, incrementando as possibilidades políticas do seu exercício.”226
Corrobora o entendimento Eduardo de Mattias (2005):
“A sociedade global ainda está longe, no entanto, de ser uma comunidade sem fronteiras – sobretudo no que se refere à mobilidade das pessoas pelos diferentes territórios do planeta. Os Estados, apesar de sofrerem as conseqüências da globalização e de apostarem na cooperação, não dão sinais de que poderiam deixar de existir em um futuro próximo.”227
224 LEWANDOSKI Op. Cit. Nota 218 p. 297 225 LEWANDOSKI Op. Cit. Nota 218 p. 298 226LEWANDOSKI Op. Cit. Nota 218 p. 300
227 MATIAS, Eduardo. A Humanidade e suas fronteiras: do Estado soberano à sociedade global. São Paulo:
Somente o dia em que as instituições globais possam assegurar a paz e a segurança, promover a justiça, o desenvolvimento econômico e a justiça social em cada canto do planeta, de forma mais eficiente do que o fazem os Estados, os indivíduos poderiam aceitar que o poder estatal deixasse de existir. (MATIAS:2005)228
E, também, somente no momento em que houvesse uma verdadeira identidade global, em que cada indivíduo se sentisse representado por uma nova soberania que viesse a substituir em definitivo a soberania estatal, reconhecendo na primeira a legitimidade que hoje percebe nesta última, poderíamos afirmar estarmos prontos para viver em uma humanidade verdadeiramente sem fronteiras. (MATIAS:2005) 229