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3. Materyal ve yöntem

3.2. Yöntem

3.2.1. Örnek Seçiminde Kullanılan Yöntem

Furtado é um intelectual voltado à ação. Por este motivo, a maioria de seus escritos possui indicações de política econômica que podem levar ao quadro almejado de superação do subdesenvolvimento. Daí a importância de destacar alguns fatores importantes para estas formulações. Furtado sugere que certo grau de centralização deva ser aplicado no que concerne às decisões econômicas. Tais decisões podem ser da seguinte natureza: (i) nível de utilização dos bens que estão à disposição dos consumidores; (ii) nível de utilização dos fatores que já se encontram incorporados ao processo de produção; (iii) nível das iniciativas destinadas a aumentar a capacidade de produção; (iv) nível de equilíbrio monetário. A partir daí realiza a crítica ao sistema de

laissez-faire, que apenas centraliza o nível de equilíbrio monetário. Furtado concorda em manter descentralizadas as decisões referente aos itens (i) e (ii). Contudo, para o autor, o nível das iniciativas destinadas a aumentar a capacidade de produção deveria ser centralizado, pois “se as decisões de novas inversões são tomadas ao nível das empresas, com base nas informações que proporciona o mercado, a maximização da taxa de lucros não implicará necessariamente a utilização mais eficaz dos recursos da coletividade” (Ibid., p. 266-7).

Ademais, defende que necessariamente as políticas de desenvolvimento dos países subdesenvolvidos devem ser do tipo qualitativo, visando reformas estruturais, que surgem como um abandono de certas posições pelos grupos que controlam o sistema de poder. Cita como exemplo uma economia dependente, seja esta comercial, financeira ou

tecnológica. Nela, caso não haja uma alteração da estrutura de dependência, não há como almejar desenvolvimento (Ibid., p. 268-273).

Ainda dentro desta análise, poderiam ser apresentados conjuntos de projetos complementares, que desempenhariam o papel de Big Push11, ou seja, funcionariam como um pólo irradiador do impulso de crescimento. Estes impulsos, certamente, necessitariam de recursos, que poderiam vir de duas formas: (i) utilização mais intensiva de recursos já existentes no país e (ii) acesso a recursos externos (FURTADO, 1975: p. 278-9)12.

Para que haja a diminuição da polarização centro-periferia, Furtado lista quatro iniciativas básicas necessárias13, quais sejam: (i) necessidade de redução das flutuações dos preços de produtos primários nos mercados internacionais e de interrupção da tendência à deterioração dos termos de intercâmbio das nações exportadoras de produtos primários; (ii) acesso dos países subdesenvolvidos ao comércio internacional de manufaturas; (iii) desenvolvimento de pesquisa científica e tecnológica nos países subdesenvolvidos; (iv) orientação global do processo de desenvolvimento, visando a impedir que as relações externas (a imposição das formas de consumo) e o próprio progresso técnico aprofundem as desigualdades sociais e acarretem a degradação do meio físico (FURTADO, 1975: p. 327-330).

Uma boa síntese de um plano de desenvolvimento é apresentada em 1985, cujos fatores básicos de preocupação constituem-se no que segue: (i) obstáculos infra-estruturais, como transporte e energia; (ii) insuficiência de capacidade para importar; (iii) vulnerabilidade externa; (iv) problemas do setor agrícola; (v) necessidades insatisfeitas das obras públicas; (vi) educação; (vii) concentração industrial; (viii) produtividade; (ix) inflação (FURTADO, 1985: p. 127-8).

Também de forma a sugerir uma ação prática, Furtado aconselha que a indústria de bens

11 Furtado utilizou-se de expressão de Rosentei-Rodan

12 Furtado baseou-se em Ragnar Nurkse para chegar a estas conclusões.

13 Tais iniciativas tiveram inspiração baseada em duas Conferências das Nações Unidas para o Comércio

de capital seja a chave para o desenvolvimento de um país. Seus preços deveriam ser fixados com base em indicações obtidas no mercado internacional. Quaisquer desvios destes preços deveriam ser fruto de análise e objeto de melhoria de eficiência econômica. Indica, desta forma, que o país subdesenvolvido deve primar por sua indústria de bens de capital, oferecendo ao mercado interno preços que sejam no mínimo condizentes com os das indústrias internacionais. Sugere através desta abordagem que preços sejam controlados, o que pode ser demonstrado pela análise de sugestão de fixação de preços indicativos (FURTADO, 2003: p. 185-6).

Outro pilar não menos importante dentro de sua teoria é o do papel do planejamento. A

Técnica de Planificação14foi apresentada em uma Conferência da CEPAL realizada em maio de 1953. Furtado acreditava “haver inventado um instrumento de importância nos países de industrialização retardada” (FURTADO, 1985: p. 132). O autor via que era necessária uma programação para que houvesse desenvolvimento sem inflação (Ibid., p. 158-9). O objetivo central da programação, portanto, consiste em criar condições para que a economia mantenha um ritmo de crescimento estável pelo menos tão intenso quanto o que é capaz de alcançar espontaneamente quando se beneficia de condições muito favoráveis (Ibid., p. 199).

Pode-se identificar a importância concedida pelo autor a este instrumento na seguinte passagem, onde indica que o rompimento de obstáculos estruturais que levam à estagnação somente é possível via planejamento:

Para romper os obstáculos estruturais responsáveis pela estagnação, torna-se necessário atuar sobre a oferta – para dar- lhe maior flexibilidade – e sobre a procura, cujo perfil deveria ser modificado. O problema essencial passa a ser, portanto, a coordenação das modificações que estão sendo introduzidas na composição da procura, com aquelas que se estão realizando na estrutura de oferta. Essa complexa coordenação de decisões somente é viável no quadro do planejamento, isto é, de uma estratégia capaz de condicionar os processos econômicos no seu conjunto. Nessa perspectiva, o planejamento é essencialmente uma técnica a serviço de uma política de modificação das

14 Apresentada, segundo ao próprio autor, sob o título defensivo de Estudo Preliminar sobre a Técnica de

estruturas econômicas. A superação do dualismo depende cada vez mais de condições que permitam formular essa política e aplicar essa técnica (FURTADO, 1975: p. 291).