4.1 Teknolojinin Eğitime Entegrasyonu Bağlamında Fen bilimleri Öğretmenlerinin
4.2.1 Teknolojinin Eğitim Sürecinde Entegrasyonu ile İlgili Etkinlik Sistemler
4.2.1.8 Öğretmen H İçin Oluşturulan Etkinlik Sistemi
2.2.7.1. O fato é que o ensimesmamento da obra literária no âmbito da “virada lingüística” da crítica literária ocidental, ainda que atrelado, via de regra, a uma violenta reação contra o historicismo determinista, nem sempre significou uma efetiva deposição do autor em favor do primado da linguagem, e isso porque não havia univocidade quanto à própria concepção de linguagem a subjazer à nova atividade crítica, o que acabou por engendrar importantes divergências epistemológicas nesse sentido. Bakhtin (1997:69-89) identifica, a propósito, duas grandes “orientações do pensamento filosófico-lingüístico” radicalmente opostas entre si a dividir, no início do século XX, o
mainstream dos estudos da linguagem na Europa, às quais chama de “subjetivismo
idealista” e “objetivismo abstrato”:
(1) “A primeira tendência interessa-se pelo ato da fala, de criação individual, como fundamento da língua (no sentido de toda atividade de linguagem sem exceção). O psiquismo individual constitui a fonte da língua. As leis da criação lingüística – sendo a língua uma evolução ininterrupta, uma criação contínua – são as leis da psicologia individual, e são elas que devem ser estudadas pelo lingüista e pelo filósofo da linguagem. Esclarecer o fenômeno lingüístico significa reduzi-lo a um ato significativo (por vezes mesmo racional) de criação individual. [...] A língua é, deste ponto de vista, análoga às outras manifestações ideológicas, em particular às do domínio da arte e da estética” (Bakhtin, 1997:72);
(2) “[Para a segunda tendência], o centro organizador de todos os fatos da língua, o que faz dela o objeto de uma ciência bem definida, situa-se, ao contrário, no sistema lingüístico, a saber, o sistema das formas fonéticas, gramaticais e lexicais da língua. [...] Cada enunciação, cada ato de criação individual é único e não reiterável, mas em cada enunciação encontram-se elementos idênticos aos de outras enunciações no seio de um determinado grupo de locutores. São justamente estes traços idênticos, que são assim normativos para todas as enunciações – traços fonéticos, gramaticais e lexicais –, que garantem a unicidade de uma dada língua e sua compreensão por todos os locutores de uma mesma comunidade”. (Bakhtin, 1997:77).
O subjetivismo idealista abarcaria um percurso que vai do pensamento lingüístico do romantismo alemão, em especial de autores como Hamann, Herder e Humboldt, até a teoria estética de um Croce, a lingüística idealista de um Vossler e a estilística
psicológica de um Spitzer; no âmbito do pensamento lingüístico russo, Bakhtin destaca, a propósito, o grupo formado por A. A. Potebniá e seus discípulos. O objetivismo abstrato remontaria, em contrapartida, ao racionalismo neoclassicista de filiação cartesiana, abarcando um percurso que vai de Leibniz e os iluministas franceses a Saussure e Bally e seus epígonos russos. “A pouca audiência que a escola de Vossler tem na Rússia corresponde inversamente à popularidade e influência de que a de Saussure aí goza”, afirmava Bakhtin (1997:84). “Podemos dizer que a maioria dos representantes de nosso pensamento lingüístico”, prosseguia, “se acha sob a influência determinante de Saussure e de seus discípulos, Bally e Sechehaye”. Donde, aliás, diríamos, a oposição dos chamados formalistas russos a Potebniá e seus discípulos.
Interessado que estava em oferecer uma síntese dialética das duas orientações citadas, Bakhtin (1997:72-73; 82-83) buscou resumir a apresentação das mesmas de modo a fazer corresponder a quatro teses subjacentes ao subjetivismo idealista quatro antíteses subjacentes ao objetivismo abstrato:
Teses
(subjetivismo idealista)
Antíteses (objetivismo abstrato)
1. A língua é um processo criativo ininterrupto (ou “energeia”), que se materializa em atos individuais de fala.
1. A língua é um sistema estável, imutável de formas lingüísticas normatizadas e apresenta-se como tal à consciência individual.
2. As leis da criação lingüística são essencialmente as leis da psicologia individual.
2. As leis lingüísticas são independentes da consciência subjetiva: estabelecem ligações entre os signos lingüísticos num sistema fechado.
3. A criação lingüística é uma criação significativa, análoga à criação artística.
3. Não há vínculo natural ou artístico entre palavra e sentido, pois não há nada na base dos fatos lingüísticos que não seja estritamente lingüístico.
4. A língua como produto acabado ou sistema estável (“ergon”) não passa de uma abstração construída pelos lingüistas para seus propósitos.
4. As mudanças e variações lingüísticas se dão apenas no uso individual, sendo, portanto, do ponto de vista do sistema, desprovidas de sentido.
Essa cisão epistemológica fundamental era patente no âmbito da então recém surgida “ciência dos estilos”, ou estilística, destinada a ocupar o lugar que fora da
retórica no que concerne aos problemas do discurso: divisava-se, então, por um lado, o programa de uma estilística “objetivista”, formulado por Charles Bally, discípulo e continuador de Saussure, e, por outro, o de uma estilística “subjetivista”, a de Vossler e Spitzer, epígonos da tradição do idealismo lingüístico que vai de Humboldt a Croce. À primeira, impunha-se basicamente “a análise e o inventário do conjunto de marcas variáveis (em oposição às marcas obrigatórias do código) próprias a uma língua dada: fala-se assim de uma estilística do francês, do alemão, do inglês, etc.”. (Schaeffer, 1995c:182); à segunda, “a análise das fontes estilísticas supostamente próprias às praticas literárias”, privilegiando-se “as obras – ou pelo menos os autores – em sua singularidade”. (Schaeffer, 1995c:182-183). À uma estilística dita “lingüística” opunha- se, assim, uma estilística dita “literária”.
Freqüentemente, contudo, quis-se ver aí tão-somente uma aparência de oposição: “a oposição entre ambas não é talvez senão aparente ou pelo menos é passível de ser reduzida à de uma teoria e de sua aplicação”. (Todorov, 1977b:84); entrever-se-ia, assim, uma estilística da langue – ou da língua –, a de Bally, e uma estilística da parole – ou da fala –, a de Vossler e Spitzer, bem como a complementaridade de ambas. Foi o próprio Bally, entretanto, quem excluiu a preocupação com a literatura de seu programa estilístico; além do mais, o subjetivismo psicologista da estilística literária alemã haveria de afigurar-se por definição incompatível com os anseios objetivistas dos adeptos da estilística lingüística. Não obstante, quando se refere, via de regra, à estilística como “a principal corrente da crítica européia do século” (Costa Lima, 1973: 127), é da escola de Vossler, Spitzer, Dámaso e Amado Alonso que se está, sem dúvida, a falar.