2.1. KURAMSAL BİLGİLER
2.1.6. Eğitim Örgütlerinde Mutluluk
2.1.6.1. Öğrenci Mutluluğu
A equipe de formadores do CAPE ofereceu cursos para os profissionais da Rede Municipal de Ensino de Belo Horizonte. Alguns cursos tinham duração de 40 horas e abordavam temáticas variadas sobre a sexualidade. Outros eram de aprofundamento e tinham apenas 20 horas de duração, pois eram destinados àqueles professores que já tinham participado do curso de 40 horas. As turmas eram formadas por profissionais de diferentes instituições, mediante inscrição dos interessados. Eram enviados ofícios para as escolas, com a delimitação de vagas, e os professores que se inscrevessem participavam. Esses cursos aconteciam no CAPE ou em Escolas Polos, em cada Regional da Prefeitura. Algumas instituições de ensino também demandaram cursos para seus profissionais nas próprias escolas. Na Escola Municipal Jardim Felicidade, por exemplo, aconteceu um curso de 45 horas para suas/seus educadoras/es, relatado no Caderno de Sexualidade e publicado pelo CAPE.
No ano de 1997, aconteceram ainda três cursos para escolas de Ensino Especial nas Regionais Venda Nova, Centro-sul e Oeste. Além dos cursos, a equipe do CAPE acompanhou a implantação dos projetos de educação em sexualidade nas escolas. Faziam visitas às escolas no chamado CAPE ITINERANTE. Com isto, as mudanças esperadas na prática pedagógica, após a participação nos cursos, podiam ser potencializadas com um acompanhamento mais próximo da realidade de cada escola, otimizando os esforços.
A Professora Eliza Queiroz nos entregou todos os seus cadernos de planejamento do Curso Educação e Sexualidade, que aconteceu de diferentes maneiras entre 1995 e
1997. Foram realizadas oficinas, encontros sucessivos, encontros isolados, acompanhamento do desenvolvimento de projetos. Nos cadernos encontramos registros de encontros de formação realizados com: professores de determinados ciclos, professores do Núcleo de Educação de Jovens e Adultos, professores do Curso de Magistério, alunas do Curso de Magistério, gestores que participaram do Curso de Diretores, professores de turmas aceleradas, alunos do 3º ano do Ensino Médio (durante uma Feira da Saúde em uma escola), alunos do Supletivo. A variedade de públicos demonstra o alcance que as ações de formação atingiram naquela época.
Os cadernos de planejamento também revelam a utilização de metodologias variadas como músicas, dramatizações, exibição e discussão de filmes, estudos de caso, leitura de textos, dinâmicas de grupo, entre outras metodologias ativas. Alguns dos temas abordados foram: sexualidade, AIDS e sexo seguro, Metodologia, Adolescência e Sexualidade, Sexualidade e Corpo, Gravidez na Adolescência, Sexualidade na escola, Gênero na escola, Autoestima, Drogas, Planejamento Familiar, Doenças Sexualmente Transmissíveis. Em artigo intitulado Educação e Sexualidade - uma proposta de
formação, de autoria de Eliza Queiroz e publicado no Caderno de Sexualidade do
CAPE, encontramos que:
Utilizando a metodologia vivencial-dialógico-reflexiva nos cursos oferecidos pelo CAPE, o educador tem a oportunidade de vivenciar, por meio da troca e do diálogo, o desenvolvimento de melhores condições de aprendizagem. Eliminam-se as respostas prontas e receitas do “como fazer”. Assim, os alunos desses cursos elaboram suas próprias conclusões, refletem, criticam e reveem suas atitudes no encontro com o novo. (QUEIROZ, 1998, p.19).
No artigo Educação Sexual: o papel do(a) educador(a), de autoria de Vanda Eliza Martins Pereira, publicado no mesmo Caderno, encontra-se a definição da metodologia vivencial-dialógico-reflexiva e de seus pressupostos. A autora afirma que essa metodologia baseia-se em Paulo Freire e seus seguidores e possui três pressupostos:
Para modificar atitudes e comportamentos, as oportunidades de
aprendizagem devem integrar o sentir, o pensar e o agir;
Investigação e aprendizagem encontram-se indissoluvelmente unidas; O papel do(a) professor(a) é o de facilitador(a) do processo. (PEREIRA,
1998, p.22).
A utilização de técnicas vivenciais e de dinâmicas justifica-se pelo primeiro pressuposto, ou seja, busca facilitar a “emergência do vivencial” (PEREIRA, 1998, p. 22). O argumento presente também em outros artigos do Caderno de Sexualidade do
CAPE é que a racionalidade é insuficiente para o trabalho com sexualidade. Afirma-se a necessidade de integrar corpo e mente, estimular a imaginação das/os educadoras/es, desmistificar o saber como algo fechado e acabado. A descrição da metodologia vivencial-dialógico-reflexiva parece aproximar-se da pedagogia engajada proposta por bell hooks. No artigo Metodologia para desenvolvimento de um tema, Mary Ribas Passagl, afirma que “A metodologia está intimamente relacionada com a concepção que se tem a respeito do que seja Educação no sentido mais amplo e do que seja, mais especificamente, Educação Sexual”. (PASSAGL, 1998, p. 29).
De fato, conforme discutimos com bell hooks, Paulo Freire e Miguel Arroyo, a forma como um conteúdo é apresentado, sua metodologia, impacta definitivamente o processo de aprendizagem dos conceitos e propostas. Encontrar uma metodologia de trabalho que facilite a abordagem de conteúdos da sexualidade de maneira coerente com a concepção de educação em sexualidade que se tem é um grande desafio. No artigo supracitado, são apresentadas algumas propostas para a metodologia de trabalho:
propiciar igual oportunidade de participação dos integrantes do grupo; conduzir a um questionamento em direção à construção de espírito
crítico;
ser livre, descontraída e, sempre que possível, alegre e prazerosa; ser compatível com a coexistência de posições diferentes; permitir que alunos e professor se sintam à vontade;
ser capaz de atingir os objetivos pretendidos. (PASSAGL, 1998, p.29).
Ao ampliar a reflexão para o papel do professor na condução de trabalhos sobre sexualidade na escola, as recomendações do artigo são as seguintes:
1. Dispor o grupo em círculo;
2. Organizar os momentos e tempos das falas;
3. Utilizar dinâmicas para criar um clima propício a cada atividade;
4. Avaliar cuidadosamente os encontros para reestruturar, caso necessário, o planejamento dos encontros seguintes;
5. Estar atento às necessidades reais do grupo. (PASSAGL, 1998, p. 29).
A questão de organizar momentos e tempos das falas é convergente com a discussão da pedagogia feminista que bell hooks defende. É preciso facilitar que as pessoas se expressem e que mulheres e minorias tradicionalmente silenciadas tenham assegurado espaço de fala.
No artigo Educação e Sexualidade – uma proposta de formação, já mencionado, Eliza Queiroz apresenta um dos cursos oferecidos pelo CAPE enumerando os impactos que promove sobre seus participantes:
interpreta as representações sociais, crendices e preconceitos que
permeiam os temas inerentes à sexualidade humana;
problematiza os agentes sociais que atuam ou atuaram na sua
formação como sujeito biopsicossexual;
identifica como se deu a construção do conhecimento sobre si mesmo,
seu corpo e sua potencialidade;
desenvolve sua auto-estima e reflete sobre os elementos
discriminatórios de gênero que internalizou;
respeita e adota atitudes igualitárias e responsáveis em suas relações
interpessoais;
reflete e busca caminhos para uma ação educacional mais
conscientizadora;
percebe seus sentimentos, conceitos, dúvidas, ansiedades, sendo
sincero frente às suas limitações;
procura parceria junto aos pais, educadores, funcionários e alunos de
sua comunidade escolar, para desenvolver um projeto de educação e sexualidade. (QUEIROZ, 1998, p.18).
São aspectos amplos e que não se restringem a determinados temas. Porém, ainda são focados no indivíduo e seu desenvolvimento. É possível perceber a abordagem pedagógica da educação em sexualidade nessa proposta. A entrada dos movimentos sociais pode politizar a discussão e inserir questões de direitos coletivos nos espaços de reflexão.