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Belgede Türk romanında aile (1971-1980) (sayfa 190-196)

O conceito de região, bem como os estudos que lidam com essa categoria de análise, foi (e ainda é) muito utilizado por diversas ciências ao longo dos últimos dois séculos, especialmente pela Geografia, ciência que lida com o espaço. Contudo, dentro da própria Geografia, houve momentos em que o conceito de região foi bastante valorizado e outros em que ele foi praticamente deixado de lado.

O breve histórico que se segue sobre a relevância do conceito de região, bem como sobre as diferentes definições que ele recebeu nos diversos “ramos” da Geografia ao longo dos séculos XIX, XX e XXI, ressalta que não existe um conceito de região definitivo, pronto e acabado. Ele foi sendo moldado e remoldado no decorrer dos séculos acima referidos, daí a utilidade de passar, mesmo que de forma superficial, pelos diferentes momentos em que a ciência geográfica foi confeccionando e modificando o conceito de região.

Um dos primeiros momentos em que a região surge como objeto de análise ocorre em meados do século XIX, através do determinismo ambiental. Nele, a região é tratada como região natural, na qual as características de clima, relevo, vegetação, entre outras não advindas da ação antrópica, eram preponderantes para

33 defini-la. Esse conceito de região natural serviu ainda como justificativa ideológica para o imperialismo e para demonstrar por que alguns povos (países) tinham vantagens em relação a outros devido à localização geográfica que ocupavam.

“No final do século XIX, e durante as duas primeiras décadas deste [o autor refere-se ao século XX], quando a ciência geográfica foi impulsionada pela expansão imperialista, sendo o determinismo ambiental uma de suas principais correntes de pensamento, um dos conceitos dominantes foi o de região natural, saído diretamente do determinismo ambiental. A região natural é entendida como uma parte da superfície da Terra, dimensionada segundo escalas territoriais diversificadas, e caracterizadas pela uniformidade resultante da combinação ou integração em área dos elementos da natureza: o clima, a vegetação, o relevo, a geologia e outros adicionais que diferenciariam ainda mais cada uma destas partes. Em outras palavras, uma região natural é um ecossistema onde seus elementos acham-se integrados e são integrantes” (CORRÊA, 2002, p.23-24).

A Geografia Tradicional, também denominada Geografia Clássica, que já na porção final do século XIX e início do século XX havia ganho respaldo acadêmico e se firmara como ciência, valorizava a região enquanto objeto de estudo. Mesmo antes desse período, na primeira metade do século XIX, as bases da Geografia Regional já tinham sido lançadas por Ritter. Haesbaert (2010a) enfatiza que Ritter, ao trabalhar com a Geografia Regional, preocupava-se com a organização das informações geográficas acumuladas de acordo com o princípio corológico, ou espacial, definidor do caráter de cada área. Paul Vidal de La Blache, um dos maiores expoentes da Ciência Geográfica do período, exerceu grande influência sobre os geógrafos de sua época, com obras como o Tableau de la Géographie de la France, de 1903, e a fundação da revista Annales de Géographie, em 1893. Nas primeiras décadas do século XX, merecem destaque também Alfred Hettner, Carl Sauer e Richard Hartshorne porque enfatizavam a diferenciação de áreas como fundamento da Geografia Regional.

Paulo Cesar da Costa Gomes mostra a forma pela qual o conceito de região natural passou a ser refutado, sendo substituído pelo conceito de região geográfica pelos adeptos da geografia clássica, na primeira metade do século XX. Segundo ele:

“O conceito de região natural nasce, pois, desta idéia de que o ambiente tem um certo domínio sobre a orientação do desenvolvimento da sociedade. Surge daí o primeiro debate que tem a região como um dos epicentros, o conhecido debate entre as determinações e as influências do meio natural. Contra esta perspectiva de um meio natural ‘explicativo’ das diferenças sociais e do conjunto da diversidade espacial, L. Fébvre, em 1922, forja a expressão ‘possibilismo’, que pretende ser uma resposta definitiva à idéia de estabelecer leis gerais e regras, tendo por base o ambiente natural. A natureza pode influenciar e moldar certos gêneros de vida, mas é sempre a sociedade, seu

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nível de cultura, de educação, de civilização, que tem a responsabilidade de escolha, segundo uma fórmula que é bastante conhecida – ‘o meio ambiente propõe, o homem dispõe’. A região natural não pode ser o quadro e o fundamento da geografia, pois o ambiente não é capaz de tudo explicar. Segundo esta perspectiva ‘possibilista’, as regiões existem como unidades básicas do saber geográfico, não como unidades morfológica e fisicamente pré-constituídas, mas sim como o resultado do trabalho humano em um determinado ambiente. São assim as formas de civilização, a ação humana, os gêneros de vida, que devem ser interrogados para compreendermos uma determinada região. são eles que dão unidade, pela complementariedade, pela solidariedade das atividades, pela unidade cultural, a certas porções do território. Nasce daí a noção de região geográfica, ou região-paisagem na bibliografia alemã e anglo-saxônica, unidade superior que sintetiza a ação transformadora do homem sobre um determinado ambiente, este deve ser o novo conceito central da geografia, o novo patamar de compreensão do objeto de investigação geográfica” (GOMES, 1995, p.55-56).

Assim, discordando do conceito de região natural advindo do determinismo ambiental, os geógrafos possibilistas cunham o conceito de região geográfica, considerando a ação humana sobre a natureza como preponderante para que uma região fosse moldada e se diferenciasse de outras. Haveria integração entre as características físicas e naturais presentes em uma região e as ações advindas da presença humana que a modelam.

“Reagindo ao determinismo ambiental, o possibilismo considera a evolução das relações entre o homem e a natureza, que, ao longo da história, passam de uma adaptação humana a uma ação modeladora, pela qual o homem com sua cultura cria uma paisagem e um gênero de vida, ambos próprios e peculiares a cada porção da superfície da Terra” (CORRÊA, 2002, p.27-28).

“A região geográfica abrange uma paisagem e sua extensão territorial, onde se entrelaçam de modo harmonioso componentes humanos e natureza. A idéia de harmonia, de equilíbrio, evidente analogia organicista que Vidal de La Blache adota, constitui o resultado de um longo processo de evolução, de maturação da região, onde muitas obras do homem fixaram-se, ao mesmo tempo com grande força e permanência e incorporadas sem contradições ao quadro final da ação humana sobre a natureza” (CORRÊA, 2002, p.28).

Para a Geografia Possibilista o conceito de região e o de paisagem são associados em razão das semelhanças linguísticas entre essas duas palavras. Em francês a palavra paysage (paisagem) deriva de pays, que significa pequena região homogênea; em alemão landschaft significa paisagem e extensão de um território que apresenta características mais ou menos homogêneas; já em inglês a palavra landscape significa paisagem, e Sauer a utilizou como sinônimo de região (CORRÊA, 2002).

Mas, em contraposição à Geografia Clássica pautada pelos estudos regionais defendida pelos autores acima referidos, há os escritos de Shaefer, que argumenta

35 principalmente contra as idéias defendidas por Hartshorne. Shaefer reafirmava o caráter nomotético da Geografia, em contraposição às questões idiográficas defendidas por Hettner e Hartshorne. Ele acreditava que as descrições científicas das regiões, da maneira proposta pelos cientistas neokantianos, transformavam a Geografia em uma ciência do excepcional, do particular, desse modo não era nem ciência, pois não há uma ciência do único e do particular. A Geografia, então, deveria romper com o particularismo e se voltar para a formulação de leis sobre a distribuição de determinadas características na superfície terrestre. Com o objetivo de criar um rigor cientifico para a análise regional o geógrafo deveria utilizar de linguagem matemática, pautada na lógica (LENCIONI, 2009).

Esse caminho proposto guiou e influenciou diversos pesquisadores de todo o mundo, através do procedimento científico (matemática, análise estatística) buscava-se encontrar uma ordem no real, uma lógica na organização do espaço. Dessa maneira, seria possível criar projeções, o que aproximaria a Geografia do planejamento regional, portanto a região deixaria de ser um objeto do intelecto e se tornaria um instrumento técnico-operacional, a partir do qual se procurou organizar o espaço (LENCIONI, 2009).

Dessa forma, o conceito de região e os estudos regionais tornam-se pouco expressivos dentro da Geografia de cunho mais matemático e quantitativista (chamados por parte da literatura de neopositivistas, ou ainda de Nova Geografia). A região não deixa de existir, mas passa de questão central para mero instrumento de análise determinada por um conjunto de regras e captação de dados, ou seja, é reduzida a “tipos” ou “classes” de área – o que para alguns autores era praticamente a decretação de sua morte (HAESBAERT, 2010a). Em outras palavras, a região passa a ser um meio e não mais um produto (GOMES, 1995):

“Para que esta noção de região se torne um conceito científico é absolutamente necessário que haja uma formulação clara de seu sentido, de seus critérios e de sua natureza. O estabelecimento de regiões passa a ser uma técnica da geografia, um meio para demonstração de uma hipótese e não mais um produto final do trabalho de pesquisa. Regionalizar passa a ser a tarefa de dividir o espaço segundo diferentes critérios que são devidamente explicitados e que variam segundo as intenções explicativas de cada trabalho. As divisões não são definitivas, nem pretendem inscrever a totalidade da diversidade espacial, elas devem simplesmente contribuir para um certo entendimento de um problema, colaborar em uma dada explicação” (GOMES, 1995, p.63).

36 Como pôde ser visto, a Nova Geografia, fundamentada no positivismo lógico, atribui outro sentido ao conceito de região, diferindo-o tanto do conceito do determinismo ambiental quanto do possibilismo. Sinteticamente, pode-se dizer que a região, na Nova Geografia, é definida como um conjunto de lugares nos quais as diferenças internas são menores dentro deles do que as diferenças existentes entre eles e os demais lugares. A coleta e análise de dados estatísticos são a tônica que direciona os pesquisadores a classificar certos lugares como uma região, sendo assim, pretende-se uma objetividade máxima, e que o subjetivismo seja abolido da análise (CORRÊA, 2002).

“As similaridades e diferenças entre lugares são definidas através de uma mensuração na qual se utilizam técnicas estatísticas descritivas como o desvio- padrão, o coeficiente de variação e a análise de agrupamento. Em outras palavras, é a técnica estatística que permite revelar as regiões de uma dada porção da superfície da Terra. Nesse sentido, definir regiões passa a ser um problema de aplicação eficiente de estatística: considerando-se os mesmos territórios, propósitos e técnica estatística, duas divisões regionais deverão apresentar os mesmos resultados, independentemente de terem sido feitas por dois pesquisadores distintos” (CORRÊA, 2002, p.32-33).

Com outros paradigmas e metodologias diferentes em relação à Geografia Clássica, aparece a Geografia pautada pelo materialismo histórico. Segundo Iná Elias de Castro, na perspectiva tradicionalista a indução era valorizada, enquanto a dedução era minimizada. Já no materialismo a totalidade impunha-se sobre a unidade, eliminando as possibilidades explicativas da escala regional, impondo a dedução de tal forma que não abria espaço a singularidades e particularidades. A vertente tradicionalista da Geografia privilegiava a escala regional, já a vertente materialista privilegiava a escala planetária.

“Na primeira, a região era a abordagem fundamental do método geográfico, todos os fenômenos podiam ser percebidos e explicados nessa escala. Na segunda, nenhuma causalidade ou plausibilidade explicativa era reconhecida nessa escala; a região tornou-se um epifenômeno ou mesmo um ‘mot vide’ (como declara Roger Brunet)” (CASTRO, 1993, p.58).

A Geografia pautada na visão marxista clássica11, realizada em meados do

século XX, especialmente nas décadas de 1960 e 1970, praticamente

11 Indo diretamente à essência, avalia-se que Marx deu pouca atenção à diferença geográfica

em sua obra: não avaliou em que medida a variedade local poderia tornar-se uma parte da dinâmica do capitalismo nem desenvolveu o pensamento acerca da “reprodução da força de trabalho” na escala local. Ele afirmava que “em lugar da antiga auto-suficiência local e nacional, temos as relações em todas as direções (...) tanto no material, quanto no espiritual”. Para Marx a diferença local é um problema que ambos, teoria e capitalismo, devem superar, e não usar como jogo (GREGORY, 1996). Importante ressaltar que, segundo Thrift, “o descaso por diferença regional em Marx fez com que os

37 desconsiderava o conceito de região, o que gerou o ocaso desse conceito nos estudos geográficos nesse período. Isso se deu, como afirma Duarte (1980), porque não cabe, sob o modo de produção capitalista, considerar que existam regiões, pois sob este sistema não há diferenciações de lugares. “(...) o capital homogeneíza o espaço descaracterizando a estrutura regional, isto é, dissolvendo-a” (DUARTE, 1980, p.17).

Sobre tal processo homogeneizador advindo das relações capitalistas, Francisco de Oliveira escreveu que:

“Afinal de contas, qual é a diferença essencial, num país capitalista plenamente desenvolvido como os Estados Unidos da América do Norte, entre a Califórnia e New York, entre Michigan e a Nova Inglaterra? À parte certas diferenças que chamaremos aqui de ‘culturais’ – e que a própria evolução capitalista, sob a forma das comunicações, da televisão, da indústria ‘cultural’ em suma, se encarrega de dissolver – na essência do movimento de reprodução do capital, na estruturação das classes sociais, não há mais ‘regiões’ no país norte- americano; há zonas de localização diferenciada de atividades econômicas” (OLIVEIRA, 1981, p.26) 12.

Com a aceleração do processo de globalização, mais pesquisadores marxistas passaram a negligenciar o conceito de região, pois ressaltavam que as relações econômicas estavam se tornando cada vez mais globais e isso levaria a uma não diferenciação do espaço e das relações socioeconômicas nele presentes.

Contudo, ao longo da década de 1980, o conceito de região e os estudos sobre ela vão ganhando novamente corpo. Isso se deu em diversos campos: na Geografia Cultural, em outras ciências como a Economia e a História, na mídia (não diretamente vinculada ao meio acadêmico), e também na linha de pensamento marxista (mais aberta e renovada) da Geografia – sem ignorar as relações possíveis entre essas diversas perspectivas.

Mesmo dentro das análises marxistas, a região, nas últimas décadas, passa a ser também objeto de estudo, é o que Corrêa (2002) mostra ao utilizar a Lei do desenvolvimento desigual e combinado (Trotsky). Segundo essa abordagem, os

geógrafos marxistas, quando apareceram nos anos 60 e 70, tivessem dificuldade em falar sobre geografia” (In: GREGORY ,1996, p.231).

12 Todavia, para não cometer injustiças com Oliveira, deve-se fazer uma ressalva, pois no

decorrer de seu texto ele fala sobre uma tendência homogeneizadora, e não sobre uma homogeneização fatídica; além disso, esta se aplicaria apenas onde as bases do capitalismo estiverem plenamente assentadas e desenvolvidas, ou seja, nas nações capitalistas centrais.

38 mecanismos do processo de regionalização tornam-se mais complexos ao longo da história. No capitalismo, o processo de regionalização se acentua, caracterizado pela simultaneidade dos processos de diferenciação e integração. Os mecanismos se tornam cada vez mais evidentes: divisão territorial do trabalho; desenvolvimento de meios e técnicas de produção e a combinação das relações de produção originadas em momentos distintos da história; ação do Estado e da ideologia que se espacializa desigualmente; “ampla articulação, através dos progressivamente mais rápidos e eficientes meios de comunicação, entre as regiões criadas ou transformadas pelo e para o capital” (CORRÊA, 2002, p. 45).

“A lei do desenvolvimento desigual e combinado, traduz-se, assim, no processo de regionalização que diferencia não só países entre si como, em cada um deles, suas partes componentes, originando regiões desigualmente desenvolvidas, mas articuladas” (CORRÊA, p. 45).

Assim, nessa perspectiva, a região é a realização de um processo geral em um quadro territorial menor.

Milton Santos (1996), em um de seus principais livros, A Natureza do Espaço, lida com a questão regional sem perder de vista sua inserção no mundo capitalista globalizado e dotado de uma infinidade de redes e conexões. Segundo ele:

“Da mesma forma, como se diz, hoje, que o tempo apagou o espaço, também se afirma, nas mesmas condições, que a expansão do capital hegemônico em todo planeta teria eliminado as diferenciações regionais e, até mesmo, proibido de prosseguir pensando que a região existe (...) ao contrário, pensamos que (...) o espaço se torna mundial, o ecúmeno se redefine, com a extensão a todo ele do fenômeno da região. As regiões são o suporte e a condição de relações globais que de outra forma não se realizariam. Agora, exatamente, é que não se pode deixar de considerar a região, ainda que a reconheçamos como um espaço de conveniência e mesmo que a chamemos de outro nome” (SANTOS, 1996, p.196).

Na Geografia Crítica, quando parte da corrente marxista se libertou das amarras do economicismo exacerbado, que enxergava as relações entre os homens e entre esses e o meio somente através da luta de classes, fruto da expansão e exploração capitalista, e começou a adotar em suas análises conceitos socioculturais, a busca pelas peculiaridades nos modos de vida de povos, comunidades e grupos de pessoas presentes em localidades distintas (regiões) passou a ser valorizada. Com isso, houve a revalorização da região como objeto de análise. Enfim, para identificar e entender a formação dessas peculiaridades, a investigação histórica das regiões torna-se fundamental.

39 Matos (2005) acredita que se deve relativizar o poder massificante e homogeneizador de uma economia globalizada que se espalhou pelo mundo, em especial, desde a década de 1970. Não se trata de negar a importância que a integração de mercados e a constituição de uma rede de metrópoles mundiais têm na atualidade, mas preconizar o fim do Estado-Nação ou não perceber as peculiaridades do local (como identidades e formações sócio-históricas específicas) seria um erro13 (MATOS, 2005).

Parte das críticas feitas ao conceito de região, especialmente as desenvolvidas na década de 1970, estavam ligadas a aspectos ideológicos conceituais. Elas se ancoravam no fato de que esse conceito era (e ainda é) amplo e múltiplo, podendo ser abordado de diferentes maneiras de acordo com o objetivo de cada estudo (DUARTE, 1980).

Iná de Castro (1993) acredita que a realização de estudos em diferentes escalas é enriquecedor. A autora mostra que há um paradoxo entre a planetarização das relações econômicas, financeiras e de poder e o fortalecimento das disputas políticas que ocorrem em escalas muito diferentes. Encarar essa realidade complexa se faz necessário. Problematizar o espaço geográfico é considerar esses paradoxos,

13 A partir dessa interpretação ele discute diversas propostas de divisões regionais

formuladas para o Brasil desde o século XIX, chegando finalmente à sua proposta, que leva em conta as peculiaridades locais como características sociais, econômicas, históricas e culturais; mas sem perder de vista que na atualidade não há o isolamento das regiões, pelo contrário, há uma série de redes geográficas que ligam os diversos pontos do país. Em suas palavras: “passa a ser oportuno pensar na urbanização como um processo socioespacial ancorado por conexões geográficas que articulam pontos especiais (cidades ou áreas urbanas) distribuídos no território. Estruturas que conformam redes, redes urbanas” (MATOS, 2005, p. 39).

Dessa forma, Matos (2005) nos mostra que o formato da rede urbana, a rede de localidades centrais mais importantes do Brasil, em 1991, juntamente com suas articulações viárias, tinha a seguinte configuração: A Fração Centro-Sul abrange amplas porções do Sudeste, Centro-Oeste e todo o Sul; caracterizado pela alta centralidade, com uma rede intricada e densa, com múltiplas articulações viárias; a densidade é expressiva, sendo que a distância que liga os nódulos raramente ultrapassa 100 km. A Fração Nordeste mantém fortes referências no arco Fortaleza, Natal, Recife, Maceió, Aracaju e Salvador (faixa litorânea); nessa fração há redução da densidade da rede e os centros são separados por distâncias médias superiores a 250 km. A Fração Norte reúne vasta porção das grandes regiões Norte e Centro-Oeste, e internaliza distâncias bem maiores; os condicionantes do quadro natural se fazem sentir nessa fração; há três subconjuntos, um ao longo da Belém-Brasília, outro na porção ocidental do Mato Grosso e Acre, e outro no corredor fluvial do Amazonas.

Com essa proposta Matos tentou demonstrar a grande articulação em rede que envolve o Brasil, com maior número de conexões em algumas regiões que em outras, devido às características sócio-históricas, econômicas, de infra-estruturas, etc., que caracterizam as três regiões por ele identificadas.

40 ainda mais em um período como o atual, no qual há múltiplas escalas de poder, onde surgem novas relações entre centro e periferia, novos arranjos espaciais e de solidariedades propiciadas pelas mudanças tecnológicas, onde há o fortalecimento dos poderes regionais e locais como interlocutores das relações supranacionais,

Belgede Türk romanında aile (1971-1980) (sayfa 190-196)

Benzer Belgeler