KAVRAMSAL ÇERÇEVE
3. Türk tarihi için önemli her türlü doküman (sadece antlaşma metinleri değil) ve nasıl kullanılacağına ilişkin bilgiler, öğretmen kılavuz kitaplarında yer
3.2. Veri Toplama Araçları
3.3.3. Çalışma Grubuna Uygulanacak Tarih Dergisinin Sayılarının Belirlenmes
O direito à intimidade se refere ao direito a estar só e ao direito de excluir do conhecimento de terceiros aquilo que só se refere ao indivíduo no âmbito da vida privada. Arendt (1997) aponta que o nascimento desse direito está relacionado com a emergência da esfera social no mundo moderno, bem como sua sobreposição sobre as esferas pública e privada. A autora fundamenta seu argumento analisando as fronteiras entre o público e o privado na Grécia Antiga. Conforme a concepção grega, havia uma oposição entre a esfera privada (referente ao que é próprio: ídion) e a esfera pública (referente ao que é comum: koinon). A esfera privada (âmbito familiar) era entendida como aquela em que os homens estão juntos por necessidade, por questão de sobrevivência e perpetuação da espécie. A esfera da polis, ao contrário, era o espaço do exercício da liberdade. De acordo com Arendt,
A polis diferenciava-se da família pelo fato de somente conhecer ‘iguais’, ao passo que a família era o centro da mais severa desigualdade. Ser livre significava ao mesmo tempo não estar sujeito às necessidades da vida nem ao comando de outro e também não comandar. Não significava domínio, como também não significava submissão (ARENDT, 1997, p. 41).
Havia, portanto, uma distinção clara entre as duas esferas, sendo que o mundo privado (da família) não poderia ser invadido pelo mundo público (da polis) e vice-versa. Em outras palavras, nenhuma atividade cuja finalidade era garantir o sustento do indivíduo era digna de adentrar a esfera política. Da mesma forma, o público não poderia penetrar nos limites do lar. Não obstante a clara distinção, esses mundos se relacionavam, pois, só era cidadão o homem
que possuísse um lar, que chefiasse uma família e que pudesse vencer as necessidades de sobrevivência para participar na vida da polis6. Na modernidade, houve um alargamento da esfera do privado que, confundida com a esfera social emergente, passou, gradativamente, a ocupar os espaços da esfera pública. A política se tornou uma função da sociedade e, com isso, ficou muito difícil perceber as diferenças que separam tais esferas. Arendt explica que
com a ascendência da sociedade, isto é, a elevação do lar doméstico (oika) ou das atividades econômicas ao nível público, a administração doméstica e todas as questões antes pertinentes à esfera privada da família transformaram-se em interesse ‘coletivo’. No mundo moderno as duas esferas constantemente recaem uma sobre a outra, como ondas no perene fluir do próprio processo da vida (ARENDT, 1997, p. 42).
A autora acrescenta que não houve apenas uma sobreposição entre público e privado, mas o próprio significado dos termos foi alterado. Para os gregos, a esfera privada significava o estado no qual o indivíduo se privava de alguma coisa, o homem que vivia exclusivamente uma vida privada se igualava ao escravo ou ao bárbaro uma vez que não participava da esfera política. Na modernidade, a privatividade tomou outra acepção, não é o oposto da esfera política (como era para os gregos), mas é o oposto da esfera social. Na privatividade moderna a função essencial não é mais o provimento das necessidades vitais, esse, passa para a esfera do social por meio da economia7. A função essencial da privatividade é justamente proteger aquilo que é íntimo.
Lafer (1991) esclarece que a esfera social é uma esfera híbrida, na qual as pessoas passam a maior parte de suas vidas e sobre a qual não podem ser aplicadas as distinções clássicas entre público e privado existentes no mundo grego. O princípio característico da esfera social é a variedade e a diferenciação. Cada um de nós ingressa na esfera social por motivos variados: desde seguir uma vocação até se associar a pessoas cujos interesses
6 O espaço do lar era o lugar de realização das atividades econômicas essenciais para a sobrevivência e que não
eram tratadas na esfera política, assim, a posse de escravos, por exemplo, libertava o homem do exercício das atividades de sobrevivência para participação na polis.
coincidam com os nossos. Não obstante, é na esfera social que emerge o risco do conformismo, do nivelamento e da proeminência do comportamento homogêneo. Foi justamente para que o indivíduo preservasse sua identidade que se tornou necessário abrir um espaço para a esfera da intimidade. Essa por sua vez, tem como princípio básico a exclusividade que, em muitos casos, pode ser oposta ao conformismo social. O que se passa na vida íntima não interfere no direito de terceiros e, nesse sentido, não é de interesse público e não pode ser tratado como tal. Assim, o privado é o que diz respeito ao indivíduo em sua singularidade, e que deve, por isso mesmo ser preservado, ficar protegido da luz da publicidade.
Ainda que esboçado principalmente durante os séculos XVIII e XIX, o direito à intimidade, assim como o direito à informação, ganhou maior relevância após a Segunda Guerra Mundial. Os regimes totalitários foram a expressão máxima de destruição do espaço privado, mas não podemos deixar de citar também todas as violações realizadas em diversos países tendo em vista o contexto bélico. Como resposta, o direito à intimidade da vida privada passou a ocupar lugar de destaque no ordenamento jurídico internacional. Esse direito está previsto na Declaração dos Direitos do Homem de 1948, cujo artigo 12 determina: "Ninguém sofrerá intromissões arbitrárias na sua vida privada, na sua família, no seu domicílio ou na sua correspondência, nem ataques à sua honra e reputação. Contra tais intromissões ou ataques toda pessoa tem direito à proteção da lei” 8. Ou seja, a valorização do direito à intimidade relacionava-se à necessidade de expansão dos valores democráticos e de proteção do indivíduo no contexto do pós-guerra. Todavia, foi também a partir da segunda metade do século XX que assistimos a uma crescente interferência do Estado na esfera do privado. Como exemplos, podem ser citados o alargamento do poder de polícia, a execução da atividade
8
O direito à intimidade consta também no Pacto da ONU sobre Direitos Humanos e Civis (art. 17), na Convenção Européia de 1950 sobre os Direitos do Homem (art. 8) e na Convenção Americana de 1969 sobre os Direitos do Homem (art. 11) (LAFER, 1991).
judiciária e os avanços na área da tecnologia da informação. Bobbio em uma colocação bastante esclarecedora, afirma:
[...] se é verdade que num Estado democrático o público vê o poder mais do que num Estado autocrático, é igualmente verdadeiro que o uso dos elaboradores eletrônicos (que se amplia e se ampliará cada vez mais) na memorização dos dados pessoais de todos os cidadãos permite e cada vez permitirá mais aos detentores do poder ver o público bem melhor do que nos Estados do passado. Aquilo que o novel príncipe pode vir a saber dos próprios sujeitos é incomparavelmente superior ao que podia saber de seus súditos mesmo o monarca mais absoluto do passado (BOBBIO, 1995, p. 31)
O direito à informação e o direito à intimidade surgiram, portanto, quase que concomitantemente e encontram suas bases no próprio desenvolvimento do Estado moderno e na constituição do regime de informação correspondente. Na configuração atual, tais direitos relacionam-se, por um lado, à necessidade de proteção da integridade moral do indivíduo, e, por outro lado, à liberdade democrática de participar da esfera pública. O direito à informação e o direito à intimidade são, portanto, delimitadores mútuos, sendo que a sobreposição de um sobre o outro pode acarretar prejuízos para os indivíduos ou para a coletividade.