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3. AKRAN ZORBALIĞI

3.5 Zorbalıkta Yer Alanların ve Ailelerinin Özellikleri

As cartas ao lar foram espaço de um confronto familiar. Se com os irmãos, Agassiz dividia os segredos e as conquistas no campo da história natural, com os pais precisou ter uma boa dose de paciência e rebeldia para enfrentar a dura resistência à sua paixão pela ciência, e até certo preconceito que mostravam ter pela profissão do naturalista. Quando deixou a Suíça, os pais nutriram expectativas de que o filho estudaria para se tornar médico. No entanto, a estadia na Alemanha levou-o para outra direção. Ao se instruir na Naturphilosophie com os melhores professores que um jovem aprendiz poderia contar, seduzira-se pela história natural e decidira-se tornar mais um dentre aqueles homens de ciência que admirava. O mérito pelos estudos e uma pitada de sorte deram-lhe a oportunidade única de realizar a tarefa de examinar os peixes brasileiros da grande expedição científica de Spix e Martius. Tratava-se de um percurso intenso nos estudos dos animais aquáticos, águas profundas, em que Agassiz faria um mergulho nos estudos dos peixes.

Embora contasse com o acaso, a vocação e o apoio incondicional dos irmãos a seu favor, Agassiz veria seus interesses pela história natural se chocarem com os planos que os pais tinham para ele. As cartas ao lar trocadas com a mãe Rose Mayor Agassiz e com o pai Louis Rudolphe Benjamin Agassiz mostram que, durante esse período de estudos na Alemanha, o naturalista enfrentou uma verdadeira batalha, travada no campo da correspondência familiar. Esse duelo epistolar dá a medida dos enfrentamentos pessoais de !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 1829. In: AGASSIZ, E. Louis Agassiz: his life and correspondence, p.115. 1v. Transcrição inglesa: Elizabeth Cary Agassiz. Tradução desta autora.!

Agassiz para se tornar um homem de ciência. Antes mesmo de ser aceito por uma comunidade científica, foi preciso convencer a própria família de que sua escolha fazia sentido.

As cartas ao lar trocadas com os pais possuem essa tensão, o que as diferem das correspondências com os irmãos. Os jogos de linguagem epistolares se delineiam no drama familiar e na trama científica do conflito dos Agassiz. Os episódios e a descrição da natureza também permeavam os assuntos das missivas escritas aos pais. Ao chegar a Heidelberg, cidadela alemã onde deu início aos estudos, Agassiz escreveu ao pai duas cartas datadas, respectivamente, de 24 de abril e 24 de maio de 1826. O intervalo de um mês, tempo médio que as cartas levavam para atravessar os países, explica em parte a riqueza nos detalhes do conteúdo, o qual narrava não só os acontecimentos dos últimos dias, mas um conjunto de fatos recentes.

É um pouco curioso que o dia 24 tenha se repetido. Um acaso ou um ato disciplinar? Agassiz escolhera propositalmente a data certa no mês para dar notícias ao patriarca da família? São indagações provocadas ao longo da leitura dessas cartas, uma vez que o tom de obediência ou respeito conduziu boa parte da escrita, que criteriosamente narrava todas as atividades diárias. A missiva inicia-se da seguinte forma: “De acordo com seu pedido, eu escreverei a você todos os detalhes possíveis sobre meu anfitrião, como emprego meu tempo, etc., etc [...]”. E como quem cumpria uma ordem e prestava satisfações, continuou narrando como passava seus dias: “[...]todas as manhãs levanto às 6 horas, me troco e tomo o café da manhã [...]”xix 76. Respeitando o pedido do pai, Agassiz contou-lhe exatamente seus planos de estudos e sua rotina diária entre as atividades lúdicas da esgrima e a volta aos exercícios anatômicos do laboratório. Era como se assim retribuísse a confiança que fora nele depositada e levasse conforto ao lar. A leitura das cartas nos leva a uma voz oculta, que dizia, implicitamente, entre linhas: “Não se preocupem, está tudo bem”. Afinal, com família de recurso limitados, Agassiz realizava seus estudos com sacrifícios financeiros.

A tensão da relação de respeito entre pai e filho era suavizada em trechos de ternura, como quando Agassiz mencionou ter o pai em pensamento todas as noites, na esperança juvenil de que ele retribuísse a ação simultaneamente: “Realizo minha tarefa da noite e converso silenciosamente com você, acreditando que nesta mesma hora você também não se

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Carta de Louis Agassiz ao pai Louis Rudolphe Benjamin Agassiz, Heidelberg, 24 de maio. 1826. In: AGASSIZ, E. Louis Agassiz: his life and correspondence, p. 22. 1v. Transcrição inglesa: Elizabeth Cary Agassiz. Tradução desta autora.!

esqueça de seu Louis, que pensa sempre em ti [...].”xx 77 O carinho e respeito filial predominou na escrita epistolar intimista nas primeiras cartas. As missivas indicavam descontração e excitação ao conhecerem o cotidiano do jovem estudante. Ao passar dos anos, as cartas, antes narrativas, tornam-se mais argumentativas, persuasivas, mostrando a sedução de Agassiz pela história natural e a luta contra o preconceito dos pais em relação a sua decisão de se tornar naturalista.

A oposição dos pais ao envolvimento de Agassiz na história natural, leva-nos à dúvida se haveria nele um desejo pela ciência antes de sua estada em Munique. É certo que a atmosfera intelectual e o encontro com naturalistas respeitados na Baviera foram decisivos no seu destino. Caso ele possuísse mesmo aptidão e tendência para os estudos da natureza, como afirmou sua esposa Elizabeth Cary, os primeiros anos fora de casa contribuíram fortemente para alimentar o desejo infantil no jovem estudante.

Já nas primeiras correspondências ao filho, Rose mostrava sua insatisfação. Ficava evidente que os estudos da história natural contrariavam o desejo dos pais em ver o filho se formar médico. O que significaria, segundo a opinião materna, um homem de profissão respeitada, que assumiria uma posição confortável na sociedade moderna, possibilitando constituir sua própria família. O pai compartilhava da mesma opinião, via com risco a persistência na carreira das ciências naturais. A questão foi amplamente debatida em cartas e os pais persistiram na ideia de que era preciso uma “profissão estável”, longe dos riscos corridos pelos naturalistas em suas aventuras por regiões inóspitas. Apesar de acreditarem ser a história natural sublime e atrativa, viver como viajante significava um futuro de incertezas.78 Em 8 de janeiro de 1828, a mãe clamou ao filho:

Nem você é feito para viver sozinho, meu filho. Em uma casa, a verdadeira felicidade só pode ser encontrada onde você possa estabelecer o seu gosto. Quanto mais cedo terminar seus estudos, mais cedo poderá estender a sua tenda, pegar sua borboleta azul e metamorfoseá-la em uma dona de casa amorosa. Claro que você não vai reunir rosas sem espinhos, a vida consiste em dores e prazeres em toda parte. Para fazer todo o bem que puder para seus companheiros de vida, para ter uma consciência pura, para ganhar uma vida honrada, para adquirir por si mesmo trabalho ameno, para fazer aqueles ao seu redor feliz, esta é a verdadeira felicidade; todo o resto meros acessórios e quimeras [...].xxi79

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Carta de Louis Agassiz ao pai Louis Rudolphe Benjamin Agassiz, Heidelberg, 24 de maio. 1826. In: AGASSIZ, E. Louis Agassiz: his life and correspondence, p.23. 1v. Transcrição inglesa: Elizabeth Cary Agassiz. Tradução desta autora.

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Carta de Louis Rudolphe Benjamin Agassiz ao filho Louis Agassiz, Orbe, 25 de março de 1828. In: AGASSIZ, E. Louis Agassiz: his life and correspondence, p.69. 1v. Transcrição inglesa: Elizabeth Cary Agassiz. Tradução desta autora.

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Carta de Rose Mayor ao filho Louis Agassiz, Orbe, 8 de janeiro de 1828. In: AGASSIZ, E. Louis Agassiz: his life and correspondence, p.62. 1v. Transcrição inglesa: Elizabeth Cary Agassiz. Tradução desta autora.!

A moral materna sobre a felicidade de um homem não combinava com a vida de um naturalista, atividade que estava longe de oferecer a estabilidade e o status da carreira médica. A opção pela medicina era uma maneira de se afirmar socialmente e garantiria facilmente o futuro honrado ao filho. Os pais viam no naturalista a imagem do viajante errante, por isso, um misto de desdém e preocupação aparecem nos trechos subsequentes da mesma carta enviada por Rose a Agassiz:

Acredite em mim, meu querido Louis, a sua atitude está errada, você vê tudo na escuridão. [...] Você nos deixou há alguns meses com a certeza de que dois anos seriam mais do que suficiente para completar seus estudos médicos. Você escolheu a universidade que oferecia, como se pensava, os mais amplos meios para chegar ao seu fim, e agora, como você olha adiante só com desprezo para a prática da medicina? Você já refletiu seriamente antes de deixar de lado esta profissão? Na verdade, não podemos concordar com tal medida. Você iria perder a nossa credibilidade, da sua família e do público. Você passaria por um rapaz inconstante, imprudente e a menor mancha em sua reputação seria um golpe mortal para nós. Há uma maneira de conciliar todas as dificuldades, - a única saída em minha opinião. Completar seus estudos com todo o zelo de que você é capaz, e então, se você ainda tiver a mesma inclinação, vá em frente com sua história natural; dar-se totalmente ao seu desejo. Tenha duas cordas em seu arco, você terá maior facilidade para estabelecer-se. Essa é a maneira de pensar do seu pai bem como a minha [...].xxii80

Percebendo a insistência do filho pela “ameaçadora” profissão de naturalista, Rose, em reconciliação, sugeriu que ele não abandonasse a história natural, mas de tal maneira que não a priorizasse em sua vida, e assim, seguisse com seriedade nos estudos da medicina. O tom de decepção e intolerância que abria a carta cedeu espaço para uma tentativa harmoniosa de acordo. O pai usando do mesmo algoritmo metafórico escreveu ao filho, suplicando-lhe para que deixasse as ciências funcionarem como um “balão dirigível”, pelo qual ele preparava viagens para as regiões longínquas, mas que deixasse também a medicina ser o seu “paraquedas”. O naturalista e sua atividade eram comparados ao balão, em que risco e perigo acompanham-no. O balão que é levado pelo vento, que oscila, sem rumo certo e pode cair. Já a medicina seria o “paraquedas”, pela qual ele teria apoio e segurança em sua vida.81

Na resposta aos apelos maternos, Agassiz mostrou preferir se movimentar contra o vento e ser um jovem de princípios e de opinião formada a respeito de seu próprio destino. Em carta escrita em três de fevereiro de 1828, ele usou o termo homem de letras, chamando atenção da mãe para a representação social de prestígio da profissão de naturalista. O restante !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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Carta de Rose Mayor ao filho Louis Agassiz, Orbe, 8 de janeiro de 1828. In: AGASSIZ, E. Louis Agassiz: his life and correspondence, p.60-62. 1v. Transcrição inglesa: Elizabeth Cary Agassiz. Tradução desta autora. 81

Carta de Louis Rudolphe Benjamin Agassiz ao filho Louis Agassiz, Orbe, 25 de março de 1828. In: AGASSIZ, E. Louis Agassiz: his life and correspondence, p.70. 1v. Transcrição inglesa: Elizabeth Cary Agassiz. Tradução desta autora.!

da carta decorre em tom irônico e de certo atrevimento, colocando em seu favor a juventude que lhe oferecia energia e liberdade para se arriscar como homem de ciência no mundo:

Você sabe bem com quem fala, querida mãe, e como você prende a isca em seu gancho para fisgar o peixe. Quando você pinta o quadro, não vejo nada além da felicidade doméstica, e estou convencido de que o auge da felicidade deve ser encontrada no seio da família, cercado por pequenas marmotas para amar e acariciar. Espero, também, desfrutar dessa felicidade em tempo. [...] Mas, o homem de letras deve procurar repouso somente quando ele merecer por sua labuta, pois uma vez que se ancorar, adeus energia e liberdade, pelas quais somente as grandes mentes são providas. Por isso, eu tenho dito a mim mesmo, que fique sem casar até que minha obra assegure-me um futuro pacífico e feliz. Um jovem tem muito vigor para suportar o confinamento tão cedo; ele desiste de muitos prazeres que poderia ter tido, e não aprecia em seu justo valor aqueles que ele tem. Como dizem, o varão deve preceder o bom sujeito, então eu acredito que para o pleno gozo de uma vida sedentária deve se encenar o vagabundo por um tempo.xxiii 82 [grifos desta autora].

O retorno a essa carta ao lar veio rapidamente. Em 21 de fevereiro do mesmo ano, da cidade de Orbe83, o pai respondeu ao filho com seriedade e reprovação:

No entanto, a nossa gratificação carece de algo; seria mais completa se não tivesse a mania de correr a galope em direção ao futuro. Tenho o repreendido muitas vezes por isso, e você se sairia melhor se prestasse mais atenção a minha repreensão. Se for uma doença incurável, em todo o caso, não force seus pais a compartilhá-la. Se for absolutamente essencial para a sua felicidade que você quebre o gelo dos dois polos, a fim de encontrar os cabelos de um mamute, ou que você seque sua camisa no sol dos trópicos, pelo menos espere até que o seu baú esteja embalado e seus passaportes assinados, antes de falar com a gente sobre isso. Comece por atingir seu primeiro objetivo, um diploma de médico e cirurgião. Eu não vou escutar nada mais a partir de agora, e isso é mais do que suficiente. Fale com a gente, então, em suas cartas, de seus amigos, de sua vida pessoal, de seus desejos (aqueles que eu estou sempre pronto para satisfazer), de seus prazeres, do seu sentimento para conosco, mas não se coloque fora do nosso alcance com seus silogismos filosóficos. Minha própria filosofia é a de cumprir meus deveres na minha esfera, mesmo que isso seja mais do que posso. xxiv84 [grifos desta autora].

O trecho da carta acima indica porque os pais estavam insatisfeitos com os rumos tomados por Agassiz. Além da preocupação natural, Rose e Rudolphe possuíam uma imagem altamente desvalorizada e negativa da atividade de naturalista. As frases sentenciadas em cartas carregavam tom pejorativo, como “quebre o gelo dos dois polos, a fim de encontrar os cabelos de um mamute”; “seque sua camisa no sol dos trópicos” foram algumas das formas !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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!Carta de Rose Mayor ao filho Louis Agassiz, Orbe, 8 de janeiro de 1828. In: AGASSIZ, E. Louis Agassiz: his life and correspondence, p.62-63. 1v. Transcrição inglesa: Elizabeth Cary Agassiz. Tradução desta autora.! 83

Cidade da Suíça francesa, localizada no Cantão de Vaud. 84

!Carta de Louis Rudolphe Benjamin Agassiz ao filho Louis Agassiz, Orbe, 21 de fevereiro de 1828. In: AGASSIZ, E. Louis Agassiz: his life and correspondence, p.65-66. 1v. Transcrição inglesa: Elizabeth Cary Agassiz. Tradução desta autora.!

representativas utilizadas para descrever o que pensavam os pais sobre o ofício científico do viajante. Era tudo ou nada para o pai. O ultimato estava dado, a ordem e a sentença a ser cumprida: Agassiz deveria ter o diploma médico. Não haveria recurso. A carta estabelecia os limites e ameaçava romper a correspondência. Se quisesse escrever-lhes, Agassiz deveria fazê-lo com restrições, sem o seu “silogismo filosófico”. As cartas ao lar deveriam ser pessoais, isentas dos temas científicos.

O que os pais não sabiam é que Agassiz encontrava na medicina uma familiaridade com a história natural, ambas compartilhavam disciplinas comuns como a anatomia. Com certeza, ele não se tornaria médico, mas podia habilmente ganhar a confiança dos pais prometendo-lhes o diploma médico. Como de costume foi ao irmão Auguste, que Agassiz confessou a manobra:

Minha decisão é agora certa. Eu sinto que tudo será feito para render a esse estudo o valor do seu nome de ciência, que foi a tanto tempo usurpado. Sua aliança íntima com as ciências naturais e o esclarecimento que ela me promete sobre tais são de fato meus principais incitamentos para persistir nesta resolução.xxv85

No mês de abril de 1830, a mãe de Agassiz recebeu uma carta de poucas linhas, mas que finalmente a deixaria realizada ao ler: “Querida mãe, esqueça toda a ansiedade que tens sobre mim. Veja que sou bom assim como minhas palavras.”xxvi 86 O filho conquistara o diploma médico, após nove dias de exames escritos e argumentações orais. A solicitação dos pais fora parcialmente atendida. Ter o diploma médico atenuou as aflições vividas na família. No entanto, o jovem não seguiu a prática da medicina, ao contrário, continuou cada vez mais convencido de seu futuro como naturalista.

Logo após, escrever a mãe sobre a boa notícia, Agassiz partiu para Viena, de onde escreveu ao pai sobre a visita científica. Com bastante desapontamento, Agassiz narrou que, apesar de alguns casos interessantes, a cirurgia e a obstetrícia eram ministradas sem grandes avanços. De fato, a novidade e o entusiasmo vinham quando ele relatava sobre a visita a uma coleção de história natural, compartilhando com a família seus avanços científicos. Agassiz comunicava que conseguira finalmente o editor para publicar a obra sobre os peixes, devendo voltar logo a Munique para tratar a negociação da publicação, o que lhe garantiria a independência de seu sustento e a liberdade para seguir em seus projetos de história natural.

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!Carta de Louis Agassiz ao irmão Auguste, Munique, 18 de janeiro de 1830, In: AGASSIZ, E. Louis Agassiz: his life and correspondence, p.120-121. 1v. Transcrição inglesa: Elizabeth Cary Agassiz. Tradução desta autora.! 86

!Carta de Louis Agassiz a mãe Rose Mayor Agassiz, Munique, abril de 1830. In: AGASSIZ, E. Louis Agassiz: his life and correspondence, p.128. 1v. Transcrição inglesa: Elizabeth Cary Agassiz. Tradução desta autora.!

Eram as últimas cartas ao lar, dos anos de aprendizagem de Agassiz, e elas selavam a sua irremediável decisão de ser um naturalista. Os pais deveriam se conformar com a ideia de que o mundo da história natural era o lugar onde o filho poderia ser encontrado. Ele havia escolhido os peixes no lugar das pessoas, a natureza como seu gabinete e não os hospitais, negava a prestigiada prática da medicina, para dedicar-se às disciplinas de seus mestres alemães. Estudara a medicina, tinha o diploma obrigatório, mas lhe faltava o principal, a vocação para o ofício médico. Antes separados dos pais pela distância de dois países, agora Agassiz distanciava-se emocionalmente ao assumir seu próprio destino. Ele cresceu profissionalmente, tomou suas decisões e foi, enfim, recebido pela família como naturalista. Em 1830, em passagem breve pela casa dos pais em Concise87, Agassiz trabalhou com um material fóssil de peixes e trouxe a tira colo, em plena véspera natalina, seu artista Joseph Dinkel.88 Ao passar dos anos, as cartas ao lar nos dão o tom do distanciamento primeiro físico e geográfico, depois epistolar e emocional:

Isto exige, por exemplo, cerca de dois ou três anos ao redor do mundo, custeado pelo governo. Levantarei contribuições sobre todos os meus sentidos para que nenhuma única oportunidade possa escapar de fazer observações interessantes e belas coleções, para que eu também possa ser reconhecido entre aqueles que têm ampliado as fronteiras da ciência.xxvii 89 [grifos desta autora].

As cartas ao lar carregaram na escrita a dimensão privada das relações de Agassiz com seus familiares e mostraram que longe de excluí-los do mundo científico, o naturalista tentou, por diversas maneiras, fazê-los participar dele. Ora compartilhando e colaborando, em outros momentos polemizando. Os familiares acompanharam Agassiz tornar-se naturalista-ictiólogo e se entregar profundamente à história natural. Era hora de escrever mais e, principalmente, de expandir as fronteiras da correspondência, estabelecendo contato com correspondentes além do mundo familiar assim como para lugares diferentes. A atenção voltada para escrita das cartas ao lar seria dividida. O naturalista Agassiz passaria a escrever à sua nova comunidade afetiva, ou seja, a comunidade científica. Antes uma prática tímida, as cartas trocadas com homens de ciência se intensificariam a ponto de construir em torno dele uma rede de correspondência poderosa, responsável por dinamizar todo um campo de pesquisa e debates na história natural no século XIX.

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!Assim como Orbe, Concise é uma cidade da Suíça francesa, localizada no Cantão de Vaud. ! 88

!Carta de Louis Agassiz aos pais Louis Rudolphe Benjamin Agassiz e Rose Mayor Agassiz, Munique, 26 de novembro de. In: AGASSIZ, E. Louis Agassiz: his life and correspondence, p. 140. 1v.! Transcrição inglesa: Elizabeth Cary Agassiz. Tradução desta autora.!

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!Carta de Louis Agassiz à mãe Rose Mayor Agassiz, Munique, 3 de fevereiro de 1828. In: AGASSIZ, E. Louis