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Em busca de espaço e reconhecimento na história natural, Agassiz deslocou-se para diferentes regiões do Ocidente. Seu trajeto influenciou diretamente na geografia da circulação de suas cartas científicas (Tabela 2) e na seleção dos indivíduos de suas diferentes redes de correspondência. As cartas científicas foram trocadas principalmente entre Agassiz e membros da comunidade de naturalistas (profissionais e amadores), assim como os mais diferentes homens de ciência, de letras e poder envolvidos nas demandas das práticas do empirismo coletivo e saberes das disciplinas comparativas, experimentais e observacionais da história natural no século XIX.

mentor, o naturalista botânico Martius e a amizade do colega Alexander Braun, igualmente botânico. Foi com a irmã de Alexander, Cécile Braun, que Agassiz se casou pela primeira vez. A primeira esposa foi também sua assistente artística. Talentosa, Cécile desenhava à mão inúmeros fósseis de peixes para o esposo. Ao longo da vida, Agassiz trocou cartas tanto com o cunhado Braun, quanto com o mentor Martius. A correspondência com os dois botânicos permitiu que ambos acompanhassem suas glórias e os percalços no mundo científico. Essas cartas podem ser lidas como um canal de acesso à ciência alemã, apesar de possuírem cunho bastante afetivo. Nos anos de 1830 e 1873, o levantamento das cartas científicas de Agassiz mostram que somente 8% do total dos 142 correspondentes identificados estavam na Alemanha. Isso indica, primeiro, o grande interesse do naturalista na comunicação com novas comunidades de saberes na França, na Inglaterra e principalmente nos Estados Unidos, representando respectivamente 16 %, 17% e 40 % dos países de circulação das cartas de Agassiz (Gráfico 4.1); segundo, indica o próprio deslocamento do naturalista em direção a outros países.92

Tabela 2: Países de circulação das cartas de Agassiz

Localidade Correspondentes Estados Unidos 57 Alemanha 12 Inglaterra 22 Suíça 10 França 24 Brasil 3 Outros* 14

Fonte de dados: Louis Agassiz Correspondence and Other Papers (MS Am 1419). Houghton Library, Harvard University. Apesar de, na maioria das vezes, o lugar e a nacionalidade dos correspondentes se coincidirem, esses dados não se tratam exatamente da nacionalidade dos correspondentes, mas sim dos locais de onde os correspondentes escreviam suas cartas para Agassiz. Tabela desta autora.

* Bélgica, Itália, Dinamarca, Irlanda, Holanda e Ilhas Maurício.

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O casamento de Cécile Braun e Agassiz foi explorado na biografia publicada por Lurie: LURIE. Louis Agassiz: a life in science, p.77-78 A Escola de Munique foi tema da parte I desta tese (p.39-42.) Além de Alexander Braun e von Martius, a rede de correspondência de Agassiz na Alemanha incluiu os naturalistas: Leopold Buch (1774-1853), Johann von Charpentier (1786-1855), Christian Gottfried Ehrenberg (1795-1876), Daniel Frederick Eschricht (1798-1863), Carl Gegenbaur (1826-1903), Alexander von Humboldt (1769-1859), Carl Theodor Ernst von Siebold (1804-1885), Friedrich Tiedemann (1781-1861), Maximilian Wied-Neu Wied (1781-1861) e os dois reis da Prússia: Friedrich Wilhem III (1770-1840) e Friedrich Wilhem IV (1795-1861).

Gráfico 4: Circulação das cartas de Agassiz (1830-1873)

Gráfico 4.1: Circulação das cartas de Agassiz (porcentagem)

Fonte de dados: Louis Agassiz Correspondence and Other Papers (MS Am 1419). Houghton Library, Harvard University. Gráficos desta autora.

Em 1832, na procura de crescimento profissional, o naturalista suíço seguiu em direção à Paris. Na capital francesa, aproximou-se de Cuvier e dos naturalistas do Muséum National d’Histoire Naturelle. A morte inesperada de Cuvier, abalou os planos de Agassiz de se tornar um dos grandes colaboradores do Règne animal93, projeto que incluiu a história !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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Le Règne Animal é considerada a obra mais famosa do francês Georges Cuvier. Nela, o naturalista pretendeu descrever a história natural de todo o reino animal nas bases da anatomia comparada. CUVIER, Georges. Le règne animal distribué d'après son organisation : pour servir de base a l'histoire naturelle des animaux et d'introduction à l'anatomie comparée / par M. le cher. Cuvier. Paris: Deterville, 1817. Os doze discípulos naturalistas que contribuíram mais efetivamente na obra foram Jean Victor Audouin (insetos), Gerard Paul

57" 12" 22" 10" 24" 3" 14" 0" 10" 20" 30" 40" 50" 60" Estados Unidos Alemanha Inglaterra Suíça França Brasil Outros

Países de circulação das cartas de Agassiz

40%" 8%" 16%" 7%" 17%" 2%" 10%" 29%"

Países de circulação das cartas de Agassiz

Estados Unidos Alemanha Inglaterra Suíça França Brasil Outros

natural dos peixes do globo. O suíço ganhou a proteção de Humboldt, famoso por ter sido patrono de alemães como o químico Justus Liebig e o matemático Friedrich Gauss, em suas passagens por Paris. Esses homens, que tiveram grande eminência no mundo científico, beneficiaram-se da amizade de Humboldt, com uma palavra aqui, uma carta ali, e até um auxílio financeiro ocasional.94 Porém, o apadrinhamento do maior naturalista da história da Alemanha não foi suficiente para abrir os mesmos caminhos para Agassiz. Ocupando a cátedra de répteis e peixes do Muséum, Achille Valenciennes95, que era francês, nascido em Paris e amigo de Humboldt, foi quem assumiu o término do trabalho de Cuvier sobre a história natural dos peixes. Sem espaço nos salões científicos da França, no mesmo ano de sua chegada naquele país, sob conselho do próprio Humboldt, Agassiz retornou para a Suíça, decepcionado.96

Na terra natal, por duas décadas, ocupou um modesto posto de professor de história natural na pequena e fria Neuchâtel, com esperanças de que, mais tarde, pudesse dali voltar para as universidades alemãs. Com 25 anos de idade, Agassiz desdobrou-se em intensas pesquisas e não desistiu de sua história natural dos peixes; esforçou-se tremendamente até publicá-las; organizou a Société Neuchâteloise des Sciences Naturelles e dirigiu o museu de história natural daquela cidade, onde, mais tarde, deixou suas coleções particulares. Os laços com os naturalistas suíços foram mantidos por meio das cartas (Tabela 3).97

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Deshayes (moluscos), Alcide d'Orbigny (pássaros), Antoine Louis Dugès (aracnídeos), Georges Louis Duvernoy (repteis), Charles Léopold Laurillard (mamíferos), Henri Milne Edwards (crustáceos, anelídeos, zoófitos e parte dos mamíferos), François Desire Roulin (mamíferos), Achille Valenciennes (peixes), Louis Michel Français Doyère (insetos), Charles Émile Blanchard (insetos, zoófitos) e Jean Louis Armand de Quatrefages de Bréau (anelídeos e aracnídeos). Cf. COWAN, C. F. On the Disciples' Edition of Cuvier's Règne Animal. Journal of the Society of Bibliography of Natural History, v.8, n.1, p. 32-64, November. 1976.

94

Justus von Liebig (1803-1873), químico e professor alemão, foi um dos fundadores da química orgânica. Para uma breve biografia ver o artigo: MAAR, Juergen Heinrich. Justus Von Liebig, 1803-1873. Parte 1: vida, personalidade, pensamento. Quím. Nova, São Paulo, v.29, n.5, p.1129-1137, Out. 2006. Disponível em:

<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010040422006000500039&lng=en&nrm=iso>.Acess o em: 28 de dezembro de 2015. Friedrich Gauss (1777-1855) alemão considerado um dos maiores matemáticos de todos os tempos por suas contribuições à teoria dos números, geometria, teoria da probabilidade, geodésia, astronomia planetária, teoria de funções e teoria potencial (incluindo o eletromagnetismo).

Cf. ENCYCLOPÆDIA BRITANNICA ONLINE. Carl Friedrich Gauss. Disponível em:

<http://www.britannica.com/biography/Carl-Friedrich-Gauss>. Acesso em: 28 de dezembro de 2015. 95

Achille Valenciennes (1794-1865) foi um naturalista zoológo francês, seguidor da obra de Cuvier. Cf. LAROUSSE. FR: ENCYCLOPÉDIE ET DICTIONNAIRES GRATUITS EN LIGNE.

Achille Valenciennes.

Disponível em:<http://www.larousse.fr/encyclopedie/personnage/Achille_Valenciennes/148079>. Acesso em: 28 de dezembro de 2015.

96

O episódio de Agassiz em Paris foi tratado em: LURIE. Louis Agassiz: a life in science, p. 31-71. A biografia também comenta sobre os demais protegidos de Humboldt (p.66). Para uma leitura complementar da relação de Humboldt e Agassiz ver: WILLIAMS. “Jean Louis Rodolphe Agassiz: examination, observation, comparison”, p. 262.

97

Sobre a história de Agassiz em Neuchâtel, ver a biografia: LURIE. Louis Agassiz: a life in science, p. 72-122. Outra biografia, porém, com proposta mais literária do que histórica também resgata o período de Agassiz em

Tabela 3: Nacionalidades dos correspondentes de Agassiz Nacionalidades Correspondentes Estadunidenses 52 Franceses 23 Alemães 11 Britânicos 26 Suíços 13 Outros* 17

Fonte de dados: Louis Agassiz Correspondence and Other Papers (MS Am 1419). Houghton Library, Harvard University. Tabela desta autora. *Foram identificados entre os correspondentes por exemplo: belgas, dinamarqueses, prussianos, um brasileiro, um russo e um austríaco.

Gráfico 5: Nacionalidades dos correspondentes de Agassiz

Gráfico 5.1: Nacionalidades dos correspondentes (em porcentagem)

Fonte de dados: Louis Agassiz Correspondence and Other Papers (MS Am 1419). Houghton Library, Harvard University. Gráficos desta autora.

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Neuchâtel: KAESER. Marc-Antoine. Un savant séducteur. Neuchâtel: L’Aire, 2007. Para a biografia mais recente sobre Agassiz, ver: IRMSHER. Louis Agassiz: creator of American science.

0" 10" 20" 30" 40" 50" 60" Estadunidenses 37% Franceses 16% Alemães 8% Britânicos 18% Suíços 9% Outros 12% Outros 17%

Em Neuchâtel, nesse mesmo período, Agassiz e o nobre naturalista Charles-Lucien Bonaparte98 iniciaram uma relação epistolar de reciprocidade científica. Lucien Bonaparte tornou-se discípulo dos métodos classificatórios de Agassiz. Em troca de orientações, forneceu ao naturalista suíço grande parte de suas coleções, enviando a ele espécies de peixes mediterrâneos e pássaros da fauna italiana. A correspondência com Bonaparte também serviu para divulgar os trabalhos de Agassiz entre a comunidade de naturalistas espalhados nas cidades de Roma, Turim e Florença. Bonaparte apareceu como único correspondente a enviar cartas científicas da região italiana.

Itália, Rússia, Escócia, Irlanda, Áustria, Holanda, Dinamarca, Bélgica e Brasil representam, juntos, 10% dos países de circulação das cartas de Agassiz. Diferente da França e da Inglaterra, tais países tiveram uma expressão menor no conjunto de produções da história natural no século XIX, o que explica, em parte, suas participações mínimas no quadro da circulação das cartas de Agassiz. Mesmo assim, não deixam de ser importantes, como no caso italiano, acima comentado e que será analisado em detalhes adiante. Da mesma maneira, o Brasil foi o país central no conjunto especial da correspondência entre Agassiz e D. Pedro II, que é constituída exclusivamente por cartas científicas, e portanto, será um tópico abordado separadamente na parte III desta tese. De qualquer forma, o Brasil também aparece entre os países de circulação das cartas científicas de Agassiz, confirmando o grande interesse dos naturalistas na natureza brasileira (Gráfico 4.1).

De Neuchâtel, Agassiz alçou voos mais altos. Já que as fronteiras francesas estavam fechadas, a solução era escalar além dos Pirineus. Partiu em direção às montanhas suíças de Aar, em expedição, para estudar os glaciais, construindo uma teoria sobre a Era do Gelo. Esses estudos foram particularmente apreciados pela comunidade científica do Reino Unido. Sede da conceituada Royal Society e de outros centros científicos na Inglaterra, Londres recebeu o naturalista suíço, que participou de atividades e encontros, estreitando seus contatos com distintos homens de ciência no Império Britânico. O geólogo escocês Charles Lyell99 foi !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

98

Charles-Lucien Bonaparte (1803-1857) foi um naturalista francês, especializado principalmente na ornitologia. Cf. ENCYCLOPÆDIA BRITANNICA ONLINE. Charles-Lucien-Bonaparte. Disponível em: <http://www.britannica.com/biography/ Charles-Lucien-Bonaparte>. Acesso em: 28 de dezembro de 2015. 99

Sir Charles Lyell (1797-1875), nomeado cavaleiro, foi um naturalista geólogo escocês. O seu desenvolvimento da teoria do uniformitarianismo (inicialmente estabelecido por James Hutton) gerou impacto para a aceitação geral de que todas as características da superfície da Terra são produzidas por processos biológicos, físicos e químicos, através de longos períodos do tempo geológico. As realizações de Lyell lançou as bases para a biologia evolutiva, bem como para a compreensão da evolução da Terra. Sua obra de maior impacto foi Principles of Geology (1830-1833), publicada em três volumes. Cf. ENCYCLOPÆDIA BRITANNICA ONLINE. Sir Charles Lyell Baronet.

Disponível em: <http://www.britannica.com/biography/Sir-Charles-Lyell-Baronet>. Acesso em: 28 de dezembro de 2015.

um importante correspondente neste círculo. O autor de Principles of Geology tornou-se patrono de Agassiz na Inglaterra, concedendo-lhe premiações e somas em dinheiro. Na carta enviada ao naturalista inglês, o secretário da Geological Society of London, William Broderip, Lyell informou a decisão da instituição de premiar Agassiz pelos trabalhos com os peixes fósseis:

Eu tenho grande prazer em pedir-lhe que informe ao Senhor Agassiz de Neuchâtel que o Conselho da Geological Society o premiou com a Medalha Wollaston, pelo seu trabalho do ano passado sobre a Ictiologia Fóssil. Em uma ocasião apropriada apresentamos os procedimentos do Fundo de Doação por um ano para o mesmo distinto naturalista para assisti-lo na publicação da parte recente deste grande trabalho, cuja importância somente está começando a ser conhecida no mundo científico.xxviii 100 [grifos desta autora].

Lyell foi um dos mais importantes intermediadores na ida de Agassiz aos Estados Unidos. Ele mesmo visitou o país na década de 1840, proferindo conferências geológicas, estreitando suas relações com os americanos e abrindo possibilidades para seus protegidos. A teoria dos glaciais e os trabalhos com peixes fósseis renderam a Agassiz a admiração de muitos homens de ciência, como também dos letrados americanos, significando sua porta de entrada para os Estados Unidos. Com a mediação dos britânicos, dotado de um grande capital intelectual e de uma tremenda habilidade em corresponder-se com homens de ciência, de poder e de influência no Novo Mundo, Agassiz desembarcou na América em 1846.

Em 1847, aceitou o convite para assumir uma posição de professor na Harvard University, onde permaneceu até sua morte, em 1873. Nesses anos, consagrou-se como um dos mais eminentes naturalistas americanos, ao mobilizar um grande projeto sobre a história natural dos Estados Unidos. A tarefa motivou a realização de várias expedições às costas norte-americanas, ao México, mar caribenho das Bahamas, Cuba e à América do Sul, incluindo Galápagos e Brasil.101

Durante sua permanência nos Estados Unidos, os naturalistas de Paris foram fundamentais em suas redes de correspondência. Diante do território inexplorado das Américas, Agassiz percebeu a chance de se apresentar como um articulador de uma aliança científica entre os Estados Unidos e a Europa, o último continente representado !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

100

Carta de Charles Lyell a William Broderip, [Londres, fevereiro de 1836]. Louis Agassiz Correspondence and Other Papers (MS Am 1419). Houghton Library, Harvard University. Page (seq. 1671). Disponível em: <http://nrs.harvard.edu/urn-3:FHCL.HOUGH:2643633?n=1671>. Acesso em: 19 de maio de 2016.Transcrição e tradução desta autora. William John Broderip (1789-1859) foi um advogado e naturalista inglês, respeitado na comunidade de naturalista pelos gabinetes e coleções de vários objetos naturais. Cf. LEE, Sir Sidney; STEPHEN, Sir Leslie (editors). The dictionary of national biography. London: Smith, Elder, & Co., 1885-1901, p. 1285. 2v.

101

Sobre as expedições marítimas de Agassiz durante sua passagem pelos Estados Unidos, ver o capítulo XXII do volume II de: AGASSIZ, E. Louis Agassiz: his life and correspondence, p.668-696. 2v.

particularmente pela França. Agassiz convenceu os franceses a compartilharem informações, prometendo ser um informante fiel sobre as novidades das pesquisas americanas e fornecer todo o tipo de material sobre a história natural da ex-colônia inglesa. Explorando as tensões nacionais entre os dois países, Agassiz venceu duas vezes: ganhou o apoio institucional do Muséum, conquistando a confiança do maior centro de história natural do mundo e empreendeu seu próprio projeto gigantesco sobre a história natural na nação norte-americana. Além do amparo internacional, escrever a história natural do Novo Mundo exigiu o apoio incondicional dos intelectuais, políticos e da comunidade de naturalistas do país americano. Outra rede de correspondência foi estabelecida com os próprios estadunidenses. Ampliando consideravelmente o mapa geográfico da circulação de suas cartas nos Estados Unidos, incluiu em sua rede inúmeros homens e, também, algumas mulheres de ciência, políticos, letrados, indivíduos das mais diversas ocupações. Mas, Agassiz mobilizou principalmente os naturalistas das mais distintas especialidades (Tabela 4). Enfim, a dinâmica epistolar estimulante reuniu correspondentes de várias regiões daquela nação, com posições profissionais e campos de conhecimento diversos sob a mesma comunidade de saberes. As cartas científicas cobrem o amplo movimento de Agassiz pelo Ocidente. O desenvolvimento desta parte da tese acompanha a geografia da dinâmica epistolar e do trajeto de Agassiz pelo mundo científico Ocidental. Começaremos em Neuchâtel.

Tabela 4: Especialidades dos correspondentes naturalistas

Geólogos Zoólogos Paleontólogos Malacologistas Botânicos Outros*

24 13 6 4 4 17

Fonte de dados: Louis Agassiz Correspondence and Other Papers (MS Am 1419). Houghton Library, Harvard University. Alguns naturalistas tiveram mais de uma especialidades, portanto, foi escolhido o ramo em que cada um dos correspondentes mais se destacou, paralelamente, aos temas científicos abordados nas cartas. Tabela desta autora. * Anatomistas, fisiologistas, carciologistas, herptólogos, ictiólogos, mineralogistas e ornitólogos.

Gráfico 6: Especialidades dos correspondentes naturalistas

Gráfico 6.1: Especialidades dos correspondentes naturalistas (porcentagem)

Fonte de dados: Louis Agassiz Correspondence and Other Papers (MS Am 1419). Houghton Library, Harvard University. Gráficos desta autora.