A Constituição Federal de 1988, no artigo 182, estabelece que a política de desenvolvimento urbano deve ser executada pelo Poder Público municipal tendo por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes.
Assim sendo, o Poder Público municipal deverá exercer certa autonomia nos aspectos político, administrativo, financeiro e/ou tributário e legislativo para atender as demandas locais, entendendo como interesse local aquele em que predomina o interesse do município sobre os do estado ou da União.
Consoante o item VIII do artigo 30, da Constituição, compete aos municípios promover, no que couber, adequado ordenamento territorial, mediante planejamento e controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano.
O planejamento urbano deve abranger além do perímetro urbano, o meio rural: os recursos ambientais a serem considerados no planejamento de uma cidade muitas vezes extrapolam seus limites (MOTA, op cit: 25).
Os instrumentos básicos do planejamento urbano são: a Lei Orgânica Municipal, o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano, o Plano Plurianual, as Diretrizes Orçamentárias e os Orçamentos Anuais.
A Lei Orgânica é obrigatória para todos os municípios e o Plano Diretor é exigido para cidades de mais de vinte mil habitantes, conforme a Carta Magna de 1988.
O Plano Diretor é um documento que busca, mediante a melhoria das condições de vida da população na cidade, alcançar o desenvolvimento sócio-econômico e do sistema político-administrativo. Em razão da dinâmica da população, deve ser periodicamente revisado, avaliado e adaptado pelos técnicos e pela população, executado pelo Poder Municipal com a participação de segmentos representativos da sociedade.
Nas etapas preparatórias, a elaboração do Plano Diretor passa pelo levantamento de dados e diagnóstico; prognósticos; propostas; elaboração de leis básicas (Lei de Uso e Ocupação do Solo, Lei do Parcelamento do Solo, Lei Orgânica Código de Obras, Código de Posturas etc); e execução e avaliação. Através de leis complementares que visem ao desenvolvimento com enfoque na conservação, tudo isso poderá ser aplicado ao Plano Diretor.
O Plano Diretor apesar de ser obrigatório por lei para cidades de mais de vinte mil habitantes, não tem garantidas a sua elaboração e implementação. Algumas cidades têm mas não está implementado, outras não têm; se têm, não estão integrados com outros segmentos da administração municipal, ou não foram elaborados com a participação da sociedade, ou não foram avaliados periodicamente; ou não têm simplesmente.
O que resulta dessa situação é o crescimento desordenado e a ocupação desordenada da cidade, provocando problemas ambientais.
De acordo com a Constituição Federal, é competência comum da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios: proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas; e preservar as florestas, a fauna e a flora. Cabe, assim, aos três níveis de governo, o disciplinamento do uso e ocupação do solo, que pode ser alcançado através de legislação própria:
Lei no 4.771, de 19 de setembro de 1965, alterada pela Lei no 7.803, de 18 de julho de 1979, que institui o Código Florestal;
Lei no 6.766, de 19 de dezembro de 1979, dispondo sobre o parcelamento do solo urbano;
Lei no 6.803, de 2 de julho de 1980, estabelecendo as diretrizes básicas para o zoneamento industrial nas áreas críticas de poluição;
Lei no 6.902, de 27 de abril de 1981, dispondo sobre a criação de Estações Ecológicas e áreas de Proteção Ambiental;
Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, alterada pela Lei no 7.804, de 18 de julho de 1989, estabelece a Política Nacional de Meio Ambiente;
Lei no 7.661, de 16 de maio de 1988, institui o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro;
Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, que dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente;
Lei no 9.985, de 18 de julho de 2000, institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza;
Decreto Federal no 5.300. de 7 de dezembro de 2004, regulamenta a Lei no 7.661, de 16 de maio de 1988, que institui o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro – PNGC;
Lei estadual no 11.411, de 28 de dezembro de 1987, dispõe sobre a Política Estadual do Meio Ambiente, e cria o Conselho Estadual do Meio Ambiente (COEMA) e a Superintendência Estadual do Meio Ambiente (SEMACE);
Lei estadual no 12.488, de 13 de setembro de 1995, dispõe sobre a Política Florestal do Ceará;
Lei estadual no 13.103, de 24 de janeiro de 2001, dispõe sobre a Política Estadual de Resíduos Sólidos;
Lei municipal no 356, de 16 de setembro de 2002, dispõe sobre a implantação de empreendimentos que necessitam de licenciamento ambiental junto a Superintendência Estadual do Meio Ambiente – SEMACE;
Lei municipal no 262/98, dispõe sobre a criação da área de proteção ambiental – APA da praia de Ponta Grossa;
Lei municipal no 111/92, disciplina a concessão de alvará de construção em área situada na zona costeira do município de Icapuí;
Lei municipal no 234/97, autoriza o chefe do poder executivo municipal a associar o município de Icapuí à Associação Mundial de Ecologia – AME;
Lei municipal no 123/93, institui o Conselho Municipal de Planejamento;
Lei municipal no 298/2000, dispõe sobre a criação da área de proteção ambiental – APA do manguezal da Barra Grande;
Lei municipal no 095/92, institui o Código de Posturas do município;
O município pode se preparar para implementar e acompanhar o planejamento mediante alterações em sua estrutura organizacional, criando secretarias e incentivando a criação de comitês, fóruns, associações, estimulando, assim, a participação da sociedade nas decisões. Deve, também, promover a capacitação de seus técnicos.
Cabe ao Estado e a União incentivar a integração, criando canais de interlocução entre os três níveis de governo e instrumentos para sua implementação.
O Município de Icapuí não tem plano diretor, lei de parcelamento do solo, lei de uso e ocupação do solo nem código sanitário. São consideradas peças fundamentais para o planejamento territorial, e são, também, componentes do Estatuto das Cidades. Observa-se que o Município fica fora dessas normatizações, portanto, sem instrumentos legais para fazer barrar o crescimento desordenado, principalmente para a atividade turística. A população cresce com relativa velocidade, sem infra-estrutura, ameaçando contaminar os bens naturais, ocupando as faixa de praia e de falésias, desmontando as dunas e desmatando a vegetação, dentre outros problemas.
O descompasso entre os planos da União, Estado e Município é outro fator marcante no planejamento costeiro e nos investimentos. Esse descompasso origina conflitos, por exemplo, entre a implantação de fazendas de camarão e de equipamentos turísticos em áreas de preservação ambiental.
O Poder Público municipal é responsável pela execução da política de desenvolvimento urbano, que tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus cidadãos.
Sendo assim, o Poder Público municipal tem que estar capacitado e estruturado para cumprir efetivamente as suas atribuições no que concerne à proteção do meio ambiente
aplicando os princípios da Constituição Federal e da Política Nacional do Meio Ambiente e em especial, do Projeto Orla. Não deve ser feito por meio de achismos por conveniência de políticos, de oportunistas ou de interesses econômicos imediatos.
Para tanto, os efeitos das metas do Plano de Intervenção relativas às questões ambientais e ordenamento territorial, devem ser avaliados a longo prazo, com base em fundamentação e análise consistentes. É uma responsabilidade que deve ser assumida pelo Município como forma de garantir um desenvolvimento comprometido com o conceito de sustentabilidade.
Realizar uma avaliação do Plano de Intervenção depende das condições efetivas dos órgãos públicos competentes para executá-la de forma articulada de planejamento e gestão do território.
As intenções do Município devem ser gerir e fiscalizar e resistir à especulação imobiliária e turística nas áreas pertencentes à União. Na proposta de governo, os municípios que aderirem o Projeto Orla poderão aumentar sua arrecadação sobre essas áreas em até 50%. Para isso, terão de observar uma ótica nacional e não devem ser tratadas como por uma relação mercantil.
Deputado Chico Floresta, avalia que em vez de expor ecossistemas vulneráveis a uma experiência que não se sabe que resultado terá, o governo poderia buscar soluções para a fiscalização. Já o Governo acredita que o Município tem mais condições para administrar a orla de acordo com as necessidades da população, a partir da gestão patrimonial compartilhada com a política ambiental, compatível com o conceito de patrimônio coletivo (www.ambientebrasil.com.br, 27 de agosto de 2004).
Alguns instrumentos de planejamento municipal 5, como o Plano Diretor, estão ausentes do Município de Icapuí. No momento, o Município se inscreveu junto ao Governo federal para desenvolver seu Plano Diretor. No planejamento regional, o zoneamento ecológico-econômico costeiro (ZEEC) encontra-se em fase final e está sendo coordenado pelo órgão ambiental estadual, a SEMACE.
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.Instrumentos de planejamento municipal existentes em Icapuí: Lei Orgânica de Icapuí, de 1990;
Lei Municipal no 111/92, que disciplina a concessão de alvará de construção em área situada na zona costeira do
município de Icapuí;
Lei Municipal no 095/92, institui o Código de Postura;
Verificou-se, a partir da análise dos procedimentos metodológicos desenvolvidos pelo Projeto Orla, associados a monitoramento e avaliação participativa, que os futuros projetos deverão ter como base os resultados até então já obtidos. Constatou-se, mediante a análise detalhada dos planos, programas e projetos existentes em Icapuí, que estão ocorrendo, na prática, as avaliações fragmentadas de projetos e intervenções, por não virem acompanhadas de instrumentos de articulação, execução e gestão necessários para suas implantações efetivas. Ocorre que ao final, resultam em documentos desatualizados e desarticulados.
A Administração municipal carece de conhecimentos, planejamentos, profissionais capacitados e em número adequado, equipamentos, informações, isenção nas análises, estrutura, materiais e muitos outros recursos. Assim, não ficariam somente na responsabilidade de atuar em atividades de licenciamento, controle e fiscalização ambiental.
Apesar dessas carências, a administração local desenvolve o seu planejamento de forma participativa, como ocorre com os Planos de Desenvolvimento Local Integrado e Sustentável (PDLSI); de Desenvolvimento do Turismo; de Recursos Hídricos; de Educação; de Saúde e o Plano de Assistência Social.
Ainda no contexto local, a organização civil Fundação Brasil Cidadão, na busca da responsabilidade social, trabalha com a comunidade de Icapuí com o objetivo de formar pessoas cidadãs e promover a saúde com melhoria do meio ambiente e da qualidade de vida. Os projetos desenvolvidos têm foco no desenvolvimento sustentável e são interconectados, sendo assim nomeados: Peixe Vivo; De Olho no Ambiente; Movimento de Investimento Social; Em cada Casa uma Estrela; Poder de Transformar; Jovens Empreendedores; Esse Mar é Meu; Mulheres de Corpo e Alga.
O Projeto Orla tem ferramentas da gestão para o ordenamento territorial da orla brasileira muito boas, mas não deve ser fragmentado. O desenvolvimento do uso e ocupação do solo, assim como dos ecossistemas, não pode ser fragmentado, pois os resultados podem não ser os esperados. O desenvolvimento da orla tem que ser orgânico, caso contrário poderá não vingar. Se a orla do Município de Icapuí for protegida e preservada, e as dos municípios vizinhos não forem, corre o risco de o de Icapuí receber os impactos negativos proporcionados pelos seus vizinhos. É um projeto que tem de ter a visão do território brasileiro nas suas ações locais.