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Belgede F Harlequin Tarama Yelken (sayfa 27-32)

O Projeto Orla visa a compatibilizar as políticas ambiental e patrimonial com o planejamento do uso e ocupação desse espaço costeiro, identificado como local de sustentação natural e econômica da zona costeira, mediante um processo participativo.

Assim, foram previstos limites para a orla que incluem a faixa marinha e terrestre defrontante para o mar, onde parte dela compõe o Patrimônio da União, como praias, terrenos e acrescidos de marinha.

O Decreto-Lei no 9.760/46 discrimina estes últimos:

Art. 2. o – São terrenos de marinha, em uma profundidade de 33 metros, medidos

horizontalmente para a parte de terra, da posição da linha de preamar-médio de 1831,

a) os situados no continente, na costa marítima e nas margens de rios e lagoas, até onde faça sentir a influência das marés;

b) os que contornam as ilhas situadas em zonas onde se faça sentir a influência das marés;

Art. 3. o – São terrenos acrescidos de marinha os que se tiverem formado, natural ou

artificialmente, para o lado do mar ou dos rios e lagoas, em seguimentos aos terrenos de marinha.

São classificados, inicialmente como bens dominiais, porém, dependendo de sua situação, localização ou uso são tratados como bens de uso comum do povo ou de uso especial. No caso de serem dominiais, podem ser cedidos, alugados ou aforados. A Constituição Federal (reafirma a Lei no 7.661/88) qualifica as praias da seguinte maneira:

Art. 10.o – As praias são bens públicos de uso comum do povo, sendo assegurado,

sempre, livre e franco acesso a elas e ao mar; em qualquer direção e sentido, ressalvados os trechos considerados de interesse de segurança nacional ou incluídos em áreas protegidas por legislação específica.[...]

§ 3.o - Entende-se por praia a área coberta ou descoberta periodicamente pelas

águas, acrescida da faixa subseqüente de material detrítico, tal como areias, cascalhos, seixos e pedregulhos, até o limite onde se inicie a vegetação natural, ou, em sua ausência, onde comece um outro ecossistema.

Diante de tal constatação, justifica-se a implementação do Projeto Orla como auxilio à Secretaria do Patrimônio da União dedicado a rever a atuação federal na matéria, atualizando as conceituações e medições utilizadas e revisando os aforamentos e concessões de uso destes espaços.

O Projeto Orla define a orla marítima como uma unidade geográfica inclusa na zona costeira, delimitada pela faixa de interface entre a terra e o mar. Tem como característica o equilíbrio morfodinâmico, onde os fenômenos terrestres e marinhos se interagem, e tendo como condicionantes os elementos de conformação da orla (costas rochosas, falésias erodíveis, praias arenosas, praias de seixos, planícies lamosas, pântanos, manguezais e formações recifais) que fazem parte dos processos geológicos e oceanográficos que associados ao clima, a orografia ou a hidrolografia, compõem os ambientes naturais litorâneos que servem de suporte para os ecossistemas.

Os limites estabelecidos pelo Projeto Orla são os especificados a seguir, além dos critérios aplicáveis em algumas situações geográficas com base na legislação:

Na zona marinha, a isóbata de 10 metros, profundidade na qual a ação das ondas passa a sofrer influência da variabilidade topográfica do fundo marinho, promovendo o transporte de sedimentos.

Na zona terrestre, 50 (cinqüenta) metros em áreas urbanizadas ou 200 (duzentos) metros em áreas não urbanizadas, demarcadas na direção do continente a partir da linha de preamar ou do limite final de ecossistemas, tais como as caracterizadas por feições de praias, dunas, áreas de escarpas, falésias, costões rochosos, restingas, manguezais, marismas, lagunas, estuários, canais ou braços de mar, quando existentes, onde estão situados os terrenos de marinha e seus acrescidos (Projeto orla: fundamentos para gestão integrada/MMA/MPOG, 2002: 28).

Os limites, objetivos, instrumentos e competências para a gestão da orla marítima, bem como as regras de uso e ocupação, as disposições finais e complementares e transitórias estão definidas no Decreto n.° 5.300 de 2004, que regulamenta a Lei n.° 7661/1988.

O objetivo principal do projeto é (Projeto orla: fundamentos para gestão integrada/MMA/MPOG, op cit: 7):

Compatibilizar as políticas ambiental e patrimonial do governo federal no trato dos espaços litorâneos sob propriedade ou guarda da União, buscando, inicialmente, dar uma nova abordagem ao uso e gestão dos terrenos e acrescidos de marinha, como forma de consolidar uma orientação cooperativa e harmônica entre as ações e políticas praticadas na orla marítima.

Para alcançar esse objetivo, faz-se necessário fortalecer a parceria entre o setor público e o privado na gestão integrada da orla, desenvolver mecanismos institucionais de mobilização social e promover atividades socioeconômicas compatíveis com o desenvolvimento sustentável. Na identificação dos problemas a serem resolvidos pelo Projeto Orla, e para permitir a passagem para uma situação final ou desejada, é importante observar que o ambiente não significa apenas a definição das características físicas e ecológicas da orla. O ambiente é o espaço produzido socialmente, no qual se encontram atores sociais, interesses e conflitos.

Com a identificação dos principais atores e seus interesses, responsáveis pela produção social do espaço, é possível determinar áreas de planejamento e gestão. Nestas áreas, caracterizadas pelo seu uso atual, são propostas intervenções objetivando a melhoria do quadro ambiental, priorizando os interesses locais, indicando os atores e os órgãos públicos envolvidos no processo de participação e os que devem atuar de forma compartilhada na prática da descentralização.

Essas ações interventivas deverão ser monitoradas como forma de acompanhamento e avaliação da eficácia do Plano, como também de geração de subsídios para a revisão do Plano, aprimorando continuamente o banco de dados para o Projeto Orla.

O Projeto Orla está viabilizando não só a compatibilização de políticas ambiental e patrimonial do Governo Federal. Com ele, foi prevista a ocupação do território compatível com a viabilidade econômica e ecológica, ensejando o planejamento desses espaços. Analisa as limitações ambientais, sociais, econômicas e institucionais da orla, com vistas a otimizar o seu uso de maneira sustentável e integrar espacialmente as políticas públicas, sugerindo as áreas prioritárias para a ação. A garantia de sua efetivação,portanto, é estar contemplado no Plano-Plurianual – PPA e implementar uma gestão integrada das políticas públicas no Município de Icapuí.

Belgede F Harlequin Tarama Yelken (sayfa 27-32)