II. BÖLÜM: KARAR VERME SÜRECİNİ ETKİLEYEN FAKTÖRLER
2.4. Zaman Faktörü
O 1º Convênio foi celebrado em 14 de setembro de 1943, quando era interventor estadual Fernando da Costa e nomeado prefeito, desde 1938, o urbanista Francisco Prestes Maia. Nesse ano, a cidade de São Paulo já era considerada o maior aglomerado humano do país, o maior parque industrial da América Latina e a cidade de maior índice de crescimento urbano em todo o mundo. Esses números deveram- se, sobretudo, ao cenário mundial que, em função da 2ª Grande Guerra arrasou a Europa e proporcionou o crescimento industrial de países americanos. Há que se considerar, para complementar o cenário em que se instalara o 1º Convênio, que ainda estávamos sob o regime do Estado Novo de Getúlio Vargas.
O convênio escolar fez-se necessário devido ao grande número de crianças sem escola na cidade paulistana, cuja população já encostava na casa de 1 milhão de habitantes, e a colaboração entre Estado e Município foi estratégica, a fim de reverter a situação alarmante que esse apresentava.
Educar as crianças passou também a ser estratégico para a nova burguesia industrial que se firmava, uma vez que a indústria lhe cobraria mão-de-obra qualificada, a fim de garantir o constante desenvolvimento de seu parque industrial.
Nessa soma de esforços, caberia ao município a construção das escolas e ao estado, a formação dos professores e a abertura das salas de aula a serem
construídas. Para tanto, o Município estaria obrigado a contribuir com um valor fixado percentualmente sobre sua receita (advindas do recolhimento de impostos): nos cinco anos desse Convênio (1943 a 1948), o município reservaria, respec- tivamente ano a ano, as porcentagens de 10%, 11%, 12%, 13% e 15%.
A cota anual reservada, de acordo com o estabelecido pelos termos do convênio, deveria ser dividida em 3 partes: a primeira de 68% seria destinada à construção, compra, adaptação, restauração e conservação de terrenos e prédios escolares para o ensino primário ou para instituições auxiliares; a segunda de 10% deveria ser reservada para o serviço de Caixa Escolar e para a instalação das insti- tuições auxiliares da escola primária, e a terceira, de 22%, para a construção, ampliação e manutenção das bibliotecas, parques infantis municipais e auxílio municipal às escolas primárias ou instituições auxiliares. Caso a verba reservada para determinado ano não fosse totalmente utilizada, deveria ser reservada para o próximo ano, a fim de ser investida na construção da rede primária de ensino.
Foi formada uma Comissão de cinco membros, composta por profissionais da Secretaria Estadual de Educação e Saúde e da Prefeitura Municipal, com a finalidade de informar e dar suporte técnico às ações do convênio.
O estado, por sua vez, comprometia-se a continuar investindo na compra e construção de edifícios escolares e a criar “o quadro de pessoal docente e admi- nistrativo necessário ao bom desempenho dos serviços do ensino primário e das instituições auxiliares” e “a prestar toda a assistência técnica solicitada pelo muni- cípio, para a mais perfeita organização dos serviços do ensino primário”.
Apesar da clareza com que se redigiram os termos do Convênio, os resultados foram pífios, perante as necessidades da população em idade escolar que
deveria se atendida. Foram vários os motivos que contribuíram para o fracasso dos objetivos. Entre eles, merece destaque, conforme nos relata Carlos Corrêa Mascaro, na pág. 76 de seu livro “O município de São Paulo e o Ensino Primário”:
“O compasso de espera inicial decorreu, segundo afirmam, do estilo de ação do então prefeito – urbanista de prestígio firmado e autoridade acatada pela orientação que havia adotado e vinha imprimindo... Centralizador e autoritário, o prefeito começou por não promover a instalação da Comissão prevista na cláusula 12 do Convênio, preferindo traçar pessoalmente os planos e fazer elaborar, por engenheiros de sua confiança pessoal e fiscalizar, pelo Departamento Municipal de Obras, sob suas vistas diretas, os projetos que seriam financiados pela Prefeitura, entregando as construções, sob regime de administração, a firmas idôneas.”
As primeiras escolas começaram a ser construídas somente em 1944 e visaram a atender os bairros de maior densidade populacional. Foram projetados edifícios de grande porte, de maneira a abrigar grande parte das crianças de um mesmo bairro.
“Construções de grande porte, sólidas e bem planejadas, capazes de impressionar pela majestade de suas linhas e capacidade de abrigar numerosa clientela. Junto ao estabelecimento deveriam ser construídas dependências para a instalação de serviços de assistência alimentar escolar, gabinetes médicos e dentários”. (Mascaro, 1960, pág. 77)
O saldo da administração de Prestes Maia foi somente de três novas escolas, algumas bibliotecas e parques infantis. Em 1945, com o fim do governo de Getúlio
Vargas, novo prefeito é imposto – o jurista Abrahão Ribeiro – e a partir dele, apesar de o Convênio Escolar manter-se, é dada prioridade à construção dos parques infantis, equipamento que sempre caracterizou os investimentos dos governos municipais paulistas na área da educação, desde o mandato do Prefeito Fábio Prado.
A morosidade no atendimento e o pouco volume de obras resultaram, entretanto, em uma generosa reserva de dinheiro a ser aplicada no 2º Convênio Escolar. Importante salientar que neste período como no período do governo de Prestes Maia, a Comissão Executiva praticamente não existiu, ficando a cargo do Gabinete do Prefeito as decisões a respeito da aplicação e das prioridades a serem dadas para as obras do Convênio Escolar.
Em 1946, é promulgada nova Constituição e nela fica determinada a nova cota a ser aplicada na educação: 20% e não mais os 15% dos recursos já reservados pelo município paulista.
O final do 1º Convênio é marcado, na administração estadual do governador Adhemar de Barros, pela constante troca de prefeitos, por um enorme saldo de dinheiro no caixa da Secretaria de Educação e Cultura e pela prioridade no atendimento à criança resumido aos parques infantis (18 construídos no total).
Somente em 1948, é instituída a Comissão Executiva do Convênio Escolar, prevista desde 1943. Sua principal tarefa passou a ser o estudo para a base de sua renovação, uma vez que se compreendeu que, para a parceria estado e município dar certo, a comissão seria estratégica para resolver com independência a enorme demanda de salas de aula.
Em 1950, já sob a gestão do 2º Convênio Escolar, a Comissão Executiva divide-se em duas subcomissões: uma de planejamento e outra de construções; assim,
independentes do gabinete do Prefeito conseguem trabalhar e atender à construção de edifícios escolares com mais eficiência ao poder colocar em prática suas metas.