II. BÖLÜM: KARAR VERME SÜRECİNİ ETKİLEYEN FAKTÖRLER
2.1. Karar Verici veya Karar Vericiler
2.1.5 Grup Olarak Karar Verme-Karara Katılma
ESCOLA NORMAL CAETANDO DE CAMPOS – RAMOS DE AZEVEDO
As primeiras escolas construídas na cidade de São Paulo, a partir do espírito de renovação e modernidade apregoado pelos “Renovadores da Escola Nova”, foram empreendidas pela Comissão Permanente de Ensino, por iniciativa do Estado. Essa Comissão foi instituída pelo Código de Educação do Estado, datado de 1933 e organizado pelo educador Fernando de Azevedo, que o destacou no capítulo intitulado “Do serviço de prédios e instalações escolares”, com o objetivo de:
“propagar a nova política das construções escolares, ampliando em todas as camadas sociais a consciência da necessidade de cada escola possuir instalações pedagógicas que façam dela centro de saúde e alegria, ambiente de educação estética e fator de nacionalização” (Artigo 32).
É importante salientar que o Estado de São Paulo, a partir da Revolução de 1932, firmou, perante a Nação, seu compromisso com o desenvolvimento e a modernidade, e, assim, a educação mereceu seu devido e estratégico destaque neste processo.
Até então as escolas construídas na Primeira República pelo Departamento de Obras Públicas (DOP) do Estado representavam uma nova condição para a educação da sociedade, na possibilidade que ofereciam de formar o cidadão repu- blicano. As majestosas escolas neoclássicas colocaram o edifício escolar como protagonista do espaço urbano; com a chegada de um novo tempo, porém, reduziram-se a edifícios com o simplificado programa de um conjunto de salas de aula, organizadas em duas alas simetricamente divididas, uma para cada sexo, pátio para recreação, uma pequena administração e sanitários. A educação era nessa
As escolas da Primeira República representavam, na vida dos estudantes, momentos de instrução intelectualista e verbalista. Eram em pouco número, e por isso somente privilegiados tinham direito a esse serviço público. Na maioria das vezes, nem o programa mínimo era atendido, e a situação dos professores e estudantes era bem pior, uma vez que contavam unicamente com espaços improvisados em edifícios alugados, sem condições mínimas de salubridade para as atividades pedagógicas.
As escolas construídas pela Comissão Permanente de Ensino inauguraram a modernidade na arquitetura escolar em nosso Estado. Importa frisar que essas escolas carregam a experiência trazida do Rio de Janeiro, então Capital do país que, como já vimos anteriormente, implantou a primeira rede de escolas com o espírito de modernidade, através de iniciativa do educador Anísio Teixeira.
A Comissão Permanente, para efetivar o planejamento da rede de escolas do Estado, além de contar com a referência das escolas-classe e escolas-parque e o modelo Platoon da rede pública do Rio de Janeiro, contou, para o seu planejamento, com os dados coletados pelo Censo Escolar de 1934. Os dados técnicos e a ciência começavam a fazer parte também do planejamento da rede escolar paulista.
O Censo Escolar revelou em números para o Estado de São Paulo a já conhecida e calamitosa situação do ensino público de nosso país, denunciada pelos “Pioneiros da Escola Nova”: contabilizou-se nesse censo uma população escolarizável de 1.137.091 habitantes entre 7 e 14 anos, com uma população urbana de 38,36% e rural de 61,64%. Os números finais do censo revelaram que mais da metade da população escolarizável não freqüentava a escola – (62,07% ou seja 705.793 habitan- tes) e revelaram também que a situação já preocupante nas cidades era pior ainda na área rural.A falta de edifícios específicos para a educação era apontada com veemência
no resultado apresentado. A partir dessa constatação, o Governo do Estado encomendou à Diretoria de Ensino recém criada, órgão ligado à Secretaria dos Negócios da Educação e Saúde Pública, um plano de edificações e adaptações de escolas, que resultou no livro publicado em 1936, intitulado “Novos Prédios para Grupo Escolar”, com a finalidade de subsidiar sua política educacional, no que tange à expansão de sua rede de escolas.
A Comissão Permanente formada contava com técnicos de duas Secretarias Estaduais (Secretaria da Educação e Saúde e Secretaria da Viação e Obras Públicas) e era constituída por uma equipe multidisciplinar de notáveis profissionais, o que demonstra a importância dada à questão da educação no Estado nesse momento. Dessa comissão participavam arquitetos, engenheiros, administradores, professores, médicos e higienistas, nomes expressivos como Antônio de Almeida Júnior – ex- chefe do serviço de higiene escolar, Francisco de Prestes Maia – engenheiro chefe do escritório técnico da diretoria de obras públicas, José Maria das Neves – chefe da seção técnica de projetos de grupos escolares, Carlos Alberto Gomes Cardim Filho – chefe da divisão de urbanismo da prefeitura da capital, Oscar Machado de Almeida – diretor de obras públicas, Luis Motta Mercier – chefe dos serviços de prédios escolares da Diretoria de Ensino, Geraldo de Paula Souza – diretor do Instituto de Higiene, Figueira de Mello – inspetor chefe da Inspetoria de Higiene Escolar e Educação Sanitária, Danton Malta – inspetor médico escolar,Vicente de Sampaio Lara – médico instrutor do Instituto de Higiene, Moacir Álvaro Eyck – médico oftalmologista, Noemy Silveira Rudolfer – professora de psicologia educacional do Instituto de Educação, Quintiliano José Sitrangulo – Delegado Regional de Ensino, Carolina Ribeiro – diretora do curso primário, Milton da Silva Rodrigues – professor
de estatística e educação comparada do Instituto de Educação e Jorge Mancebo – desenhista arquiteto da Diretoria de Ensino. (in: Novos Prédios para Grupos Escolares, 1936, págs.37 e 38).
A composição da Comissão, tendo em vista o expressivo número de médicos e higienistas nos dá a dimensão da preocupação do Estado com as questões de saúde pública, questões essas que passaram a ser consideradas nos desenhos dos projetos dos novos edifícios escolares. Assim, novos ambientes foram propostos para atender ao programa arquitetônico das novas escolas, a fim de abrigar no edifício escolar o médico sanitarista, o dentista e a colocação dos vestiários para promover o hábito de banho nos alunos.
A Comissão Permanente caracterizou-se por promover discussões multi- disciplinares. Assim, reuniões promovidas pelo Secretário de Educação, para discutir questões relativas ao edifício escolar, contavam com as diversas áreas de conhecimento ligadas às questões educacionais. No livro “Novos Edifícios para Grupo Escolar”, algumas dessas reuniões são relatadas.
Capítulos foram escritos ressaltando a importância dos auditórios e das bibliotecas nos programas arquitetônicos das escolas desse período. As janelas e sua relação com o espaço externo mereceram capítulo a parte, em que foram minuciosamente discutidas. Entretanto não consideravam, ainda, a escala da criança para definição final de suas dimensões.
A elaboração dos projetos dos novos edifícios escolares revelou a preocupação com as questões higienistas, que pautaram o urbanismo moderno, através da correta implantação dos edifícios em relação à insolação e à ventilação dos ambientes. Assim, a rígida simetria do edifício eclético das escolas da Primeira
EEPG VISCONDE CONGONHAS DO CAMPO – JOSÉ MARIA DA SILVA NEVES
Republica rompe-se e cede espaço para o edifício que busca o sol. Edifícios com plantas em forma de “L”, “Z”, “U”, “E” são projetados, de preferência, com os corredores que dão acesso aos ambientes de um só lado, para garantir a iluminação das salas de aula na fachada mais propícia à incidência de luz solar.
As salas, dispostas em corredores, unilateralmente, apesar de serem as melhores do ponto de vista da insolação, não foram as mais recomendadas, diante do enorme número de salas a ser construído; assim, recomendaram-se corredores com salas de aula dos dois lados, para tivessem, na cidade de São Paulo, iluminação NNE ou SSO. Todas essas recomendações foram feitas por Prestes Maia, em seu estudo publicado no livro “Novos Prédios para Grupo Escolar”, baseadas na experiência de vários autores em diferentes países. Nesse estudo, Prestes Maia detalha as várias situações climáticas do estado de São Paulo e propõe, cientificamente, a adequação dos projetos a essas particularidades.
Com o intuito de gerar informações para a construção específica de edifícios escolares, Prestes Maia faz várias considerações a respeito da questão relativa à orientação dos edifícios; relata, por exemplo, um estudo que prioriza a busca pelo menor nível de ruído para o desenho das plantas, ou da melhor claridade e não, necessariamente, da melhor incidência solar. Em suas considerações, propõe a insolação para cada um dos ambientes a partir do uso pretendido, assim, até a fachada sul poderia ser a mais indicada para as aulas de culinária, por exemplo. Arremata, colocando que essas considerações fazem parte da maneira moderna de pensar o projeto, em detrimento da estética que dominava a simetria dos edifícios neoclássicos, então referência para a produção da arquitetura escolar. (in “Novos Edifícios para Grupo Escolar, págs. 42 a 60)
No livro “Novos Edifícios para Grupo Escolar”, a arquitetura moderna é cons- tantemente colocada como aquela que atende, em sua funcionalidade, à nova pedagogia. A esse respeito, o arquiteto José Maria das Neves coloca que “as escolas de fachada” são substituídas por “fachadas de escolas”, que resultam de uma nova maneira de compreender a função da arquitetura a serviço das questões educacionais; assim, critica o neocolonial como reprodução artificial de técnicas superadas, longe da verdade necessária que o edifício escolar deveria revelar, no tocante à sua construção.
“...fazer arquitetura não é somente construir fachadas.A arquitetura é função dos processos de construção da época. O grande arquiteto de uma época é o seu estado social. Acima das obras, acima dos programas especiais, há o programa dos programas: a civilização de cada século, - a fé ou a incredulidade, a democracia ou a aristocracia, a severidade ou a desmoralização dos costumes. A verdade se impõe à arquitetura...
Fazer arquitetura moderna não significa copiar o último figurino de Moscou ou Paris. A arquitetura racional exige o emprego de materiais da região, atendendo às condições de clima, usos, costumes, etc. Obedecendo a esses princípios básicos criaremos um estilo para cada povo. Não deve haver temores quanto a monotonia da arquitetura.
A arquitetura nacional brasileira virá naturalmente, apresentando aspectos característico de cada estado.” (in José Maria das Neves, págs. 63 e 64)
EEPG PROFª MARINA CINTRA EEPG PRINCESA ISABEL EEPG SILVA JARDIM
Os volumes resultantes, a partir dos arranjos das plantas, são, dessa maneira, conseqüência da funcionalidade e eficiência pretendida no programa arquitetônico proposto. Assim, a planta, a partir das considerações funcionais, passa a ser a geratriz para o desenho da volumetria final.
A leitura dos volumes revela as funções dos ambientes: os maiores abrigam as sa- las de aula e mostram rasgos horizontais em toda a sua extensão, com molduras reforçando sua horizontalidade, uma vez que a, ainda incipiente, tecnologia do concreto armado não possibilitava o rasgo contínuo de todo o vão da sala de aula. Os volumes verticais das esca- das, amplas e claras, por sua vez, quebram a horizontalidade do conjunto, funcionando como elementos plásticos de transição entre as diferentes funções e seus diferentes volumes.
Os volumes são marcados por aberturas que lembram escotilhas; nos terraços, seus guarda-corpos em alvenaria são arrematados por tubos metálicos, um conjunto de detalhes que remete à arquitetura naval, tão cara aos arquitetos que trabalhavam com a linguagem art déco. As entradas são marcadas por marquises que identificam a transição entre os espaços público e privado.
A volumetria final mostra um articulado conjunto de sólidos simples que, em alguns casos, ergue-se do chão através da colocação de pilotis, definindo o pátio coberto que, até então, era um volume separado do conjunto arquitetônico nas escolas da Primeira República.
Ensaia-se, assim, nos novos edifícios escolares construídos pela Comissão Permanente, o modernismo que precederia a composição dos edifícios escolares na década de 40 e 50.
O livro “Novos Prédios para Grupos Escolares” registra na página 34 a explícita opção pela arquitetura moderna para as novas escolas: “modernismo
EEPG PADRE MANOEL DA NÓBREGA – HERNANI DO VAL PENTEADO
sóbrio, discretamente sentimental, mais próximo do equilíbrio francês do que do arrojo desconcertante das composições mexicanas”.
O significativo resultado arquitetônico que descrevemos refere-se a um con- junto de apenas 11 escolas construídas na cidade de São Paulo, dentro de um conjunto em todo o Estado que somava mais de 400 edifícios, na maioria térreos e bastante singelos, com a finalidade de atender à enorme demanda por novas escolas.
Exemplos de referências à arquitetura neocolonial brasileira fizeram parte da linguagem adotada por algumas das escolas construídas no interior, em um claro compromisso de, no edifício escolar, refletir a busca de nossa identidade nacional.
Dois arquitetos merecem destaque na construção de escolas desse período, sendo que o primeiro – José Maria das Neves – projetou nove dos 11 edifícios mencio- nados. O segundo é Ernani do Val Penteado, que projetou importantes obras públicas como funcionário do Departamento de Obras Públicas (DOP), entre as quais a mais significativa foi o Aeroporto de Congonhas, na cidade de São Paulo. José Maria das Neves, por sua vez, foi um incansável defensor da arquitetura moderna e da arquitetura de Le Corbusier, em particular.
Em 1934, a Associação Brasileira dos Educadores promoveu uma exposição de arquitetura escolar (num total de duas) em que o Prof. Sud Menucci argumentou sobre as vantagens da arquitetura moderna defendida por Le Corbusier e seus cinco pontos dogmáticos – terraço-jardim, janelas horizontais, fachada livre, uso de pilotis e planta livre. Ao analisarmos as escolas projetadas por José Maria das Neves, podemos concluir que seus projetos se comprometem com os pontos apregoados por Le Corbusier, ainda de maneira tímida, uma vez que nossa tecnologia construtiva era ainda incipiente para atender a todas as inovações propostas.
EEPG PROFª GODOFREDO FURTADO – JOSÉ MARIA DA SILVA NEVES EEPG PROFª GODOFREDO FURTADO – JOSÉ MARIA DA SILVA NEVES