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3.7. Sistemlerin Ortak Özellikleri

3.7.3. Veri birleştirme

3.7.5.4. Yok etme

The Ping Body é uma das performances de Stelarc que evoluiu a partir de The Third Hand. Foi encenada pela primeira vez em 10 de abril de 1996, no Artspace, em Sydney na Austrália. O trabalho foi apresentado como parte da conferência Digital Aesthetics e tinha o subtítulo de An Internet Actuated & Uploaded Performance. O corpo do artista é amplificado durante a performance pela conexão da prótese robótica da terceira mão, que possui uma interface com

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o braço direito do artista e sensores que captam o movimento dos tendões de Stelarc e os reproduzem na prótese através de um sistema pneumático. A mão robótica repete os movimentos da mão direita orgânica do artista. Além disso, diversos sensores de pulsação e fluxo sanguíneo são instalados em seus pulsos e indicador direito, coxa e perna direita e em seu abdome. Esses sensores captam os sons produzidos pela circulação sanguínea e movimentos do artista e depois mixam-nos em um aparelho especial que os reproduz amplificados no ambiente da performance. A atuação é transmitida em tempo real para um site na rede Internet por meio de três câmeras colocadas em pontos estratégicos, uma delas adaptada à perna direita do ciberartista.

Ao mesmo tempo em que parte de seu corpo é amplificada, Stelarc entrega seu braço esquerdo ao controle involuntário de sinais provindos da rede Internet através de um complexo sistema de sensores e impulsos elétricos. Um conjunto de eletrodos estimula os músculos do braço direito do artista em seis pontos distintos, dois próximos ao ombro, dois no antebraço e dois no braço. Um software desenvolvido especialmente para a performance e chamado Perl Program coleta dados estatísticos do número de acessos e uploads feitos na rede Internet através de um sistema randômico que escolhe aleatoriamente servidores de diversas continentes para coletar esses dados. Eles são decodificados e enviados para os eletrodos no braço do artista, estimulando-o a realizar movimentos involuntários, quanto maior o fluxo de dados na web maior será o estímulo elétrico.

Esse trabalho é muito instigante por propor uma dupla transformação do corpo, ao mesmo tempo em que é amplificado por uma prótese, câmeras e sensores, ele passa a estar conectado com os outros corpos dos internautas, pois o fluxo de dados depende da atividade

de pessoas que estão conectadas à rede - mesmo que de maneira involuntária. Essas pessoas estão interagindo com o corpo do ciberartista ao contribuírem com a estimulação elétrica de seus músculos. Stelarc fala de duas formas de hibridação nesse trabalho, a expansão do corpo por meio de próteses tecnológicas e também da conexão entre outros corpos proporcionada pelo ciberespaço. Em sua poética, transforma todos os Internautas do globo em interatores, integra-os involuntariamente a uma ação que irá promover parte de sua performance. Por mais que o ciberartista se negue a aceitar análises míticas e transcendentes de seus trabalhos, é impossível não nos recordarmos da idéia de Noosfera de Chardin ou mesmo da Telenóia de Ascott.

The Ping Body foi implementada por Stelarc, incluindo outros dispositivos de mapeamento e perscrutação do corpo, como: detectores de ondas cerebrais, fluxo respiratório e batimentos cardíacos, olhos laser e estimulação remota de músculos de sua perna, coxa esquerda, e ombro direito; gerando uma nova e mais radical performance batizada de Amplified Body. A condição de cyborg reivindicada pelo artista encontra eco entre os diversos campos de pesquisa da cibercultura. Obras como The Ping Body servem de referência para análises de filósofos, antropólogos e comunicólogos, ao mesmo tempo inspiram movimentos como The Extropy e Transhumanism. Com certeza, o trabalho de Stelarc tem também servido de referência e inspiração para múltiplos setores das artes. John Shirley (1990), outro notório escritor Cyberpunk, declara sua admiração por Stelarc e resume a obra do artista como “Uma quimera de horrores e maravilhas mixados, a síntese entre a humanidade presente e a de amanhã que luta para nascer”, e emenda “Tanto Stelarc quanto o SRL fazem o trabalho da ficção científica de um ponto de vista exterior ao gênero”.

O projeto The Extra Ear (or an ear on an arm) foi idealizado por Stelarc no ano de 1997. Trata- se de um work in progress, que entrou em uma nova fase no ano de 2003. Talvez seja um das propostas mais polêmicas do artista e sua primeira incursão pelo universo da biotecnologia. O

trabalho envolve a criação de uma orelha orgânica com uma leve estrutura cartilaginosa a partir da genética do artista e de técnicas avançadas de biotecnologia. Trata-se da primeira proposta de criação de uma prótese orgânica feita pelo ciberartista, que deseja implantar a prótese em seu rosto, ao lado e adiante da orelha direita, ou em um de seus braços. Stelarc reconhece a dificuldade em encontrar assistência médica e cirúrgica para realizar tal feito. Muitos dos

interessados desistiram, pois a cirurgia, que envolverá técnicas de reconstrução, cosmética e ortopedia, não é simplesmente um procedimento estético, “trata-se de uma modificação corporal extrema” que pode conjurar alguns defeitos congênitos e ser vista como algo monstruoso.

Stelarc tem investigado a fundo técnicas de produção de tecidos e considera sua obra uma avançada e radical intervenção genética no corpo humano. Ele sabe das dificuldades de uma proposta como essa e reconhece que o implante em sua face poderá causar muitos problemas nos tecidos faciais, sobretudo relativos aos músculos do maxilar, por isso propõe uma alternativa à essa operação, o implante da orelha em um de seus braços. É importante salientar que a orelha terá o mesmo design de uma orelha humana, mas uma função diversa, ela trará um chip implantado e um dispositivo sonoro que permitirá o acesso a rádios on-line e execução de música; mas o objetivo poético final da obra não é a questão funcional, e sim a complexidade e beleza do design de uma orelha e o fato dela ser considerada na acupuntura como o local de estimulação de todos os órgãos do corpo. Para Stelarc62, “a orelha não apenas escuta, ela é um órgão de equilíbrio do corpo. Ter uma orelha extra representa mais do que um simples excesso anatômico e visual”.

Os críticos mais céticos e ferrenhos da obra de Stelarc acreditavam que The Extra Ear nunca passaria de um trabalho conceitual do ciberartista, entretanto Stelarc provou que seu intento é sério. Ele apresentou em maio 2003, numa exposição na Galeria Kapelica, em Ljubljana, Slovenia, a fase atual do projeto, uma instalação com três orelhas orgânicas com ¼ de tamanho de uma orelha original, construídas geneticamente no dorso de ratos com o auxílio de uma equipe de pesquisa australiana do SymbioticA 63 - um laboratório de pesquisa dedicado

em geral à exploração artística de conhecimento científico, e tecnologias biológicas em particular. É o primeiro laboratório desse tipo a inserir artistas no contexto de uma instituição de pesquisa em ciências biológicas e está localizado na The School of Anatomy & Human Biology da The University of Western Australia. O projeto de Stelarc segue firme, e na mesma exposição o artista apresentou uma simulação com imagens animadas em 3D da orelha implantada em seu braço esquerdo, talvez o próximo passo a ser dado em sua polêmica obra.

Em um mundo no qual cirurgias de reparação permitem o transplante de rostos e membros inteiros e a cirurgia estética e inserção de próteses de silicone visando atender a padrões estéticos midiáticos tornaram-se algo trivial; a proposta de Stelarc parece olhar mais adiante no

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Texto no website do artista sobre o projeto The Extra Ear – Url: http://www.stelarc.va.com.au/ , acessado em 08/03/2006.

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tempo, vislumbrando um momento em que as modificações biotecnológicas do corpo não visarão apenas reparar partes defeituosas ou atender a uma demanda estética vigente, mas sim criar extensões orgânicas com o objetivo de amplificar os sentidos e implementar a interface com o mundo. No universo poético prospectivo de Stelarc, o corpo se tornará um “objeto de design” em substituição ao paradigmático corpo como “objeto de desejo”.

Belgede Akıllı savunma sistemleri (sayfa 27-45)

Benzer Belgeler