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Anten yüksekliği ve hızı

Belgede Akıllı savunma sistemleri (sayfa 80-85)

3.7. Sistemlerin Ortak Özellikleri

5.2.17. Anten yüksekliği ve hızı

No contexto dos dez últimos anos da produção artística de Eduardo Kac, duas obras se destacaram por seu impressionante efeito sobre a mídia em diversas partes do mundo, tornando-se um fenômeno midiático com cobertura em grandes periódicos e televisão. Além disso, estes trabalhos anteciparam em alguns anos prodígios recentes da engenharia genética e das memórias implantadas no corpo humano. Os trabalhos são Time Capsule (1997) & GFP Bunny (2000). O primeiro envolve a inserção de um microchip no corpo do artista e o segundo a criação de um animal quimérico - uma coelha transgênica.

A performance Time Capsule tinha sido proposta para a exposição Arte e Tecnologia que ocorreu um mês antes no Centro Cultural Itaú de São Paulo, mas foi proibida, pois a instituição temia que a intervenção pudesse lhe trazer problemas legais. Finalmente ela aconteceu no dia 11 de novembro de 1997, no contexto da exposição Arte Suporte Computador, no centro cultural Casa da Rosas, em São Paulo. O ambiente da Casa das Rosas foi transformado em uma sala de hospital, onde na parede era possível ver sete fotografias em tom sépia de antepassados de Kac, que ele não chegou a conhecer e que viviam no leste europeu e foram mortos durante a Segunda Guerra Mundial. A performance foi transmitida ao vivo por um canal de televisão - Canal 21 - e também via rede Internet. Além disso, no mesmo dia dois outros canais, TV Manchete e TV Cultura, reproduziram as imagens gravadas do ato simbólico e iconoclasta do ciberartista. Eduardo Kac implantou em seu próprio tornozelo um microchip contendo um número de identificação único e o registrou em um banco de dados existente na Internet usado para registrar microships implantados em animais. O chip pode ser acessado por meio de um scanner portátil, que, através de rádio freqüência, lê o número contido nele.

O microship lacrado com vidro biocompatível foi implantado no tornozelo do artista, porque esse era o local em que os escravos negros eram marcados. O ambiente instalado, composto por fotografias de parentes que Kac não chegou a conhecer e que não fazem parte de sua memória de vida, mas contribuíram para sua “memória genética”, cria uma tensão com o ato do artista de implantar uma memória de base tecnológica em seu corpo. Independente das intenções poéticas de Kac, o seu trabalho causou comoção e indignação na opinião pública, saltando dos restritos universos da arte de galeria e das reflexões acadêmicas para a “boca do povo”, como destaca Arlindo Machado:

Talvez nem mesmo o artista tenha sido capaz de prever e medir todas as implicações e conseqüências de sua intervenção. Graças à transmissão televisiva e à cobertura periodística, por exemplo, o implante ultrapassou os limites do gueto intelectual e ganhou uma dimensão pública: no dia seguinte, a estranha história do homem que implantou um chip de identificação em seu próprio corpo circulava nos cafés, no metrô e nos ambientes de trabalho, na boca de gente que nem sequer remotamente segue a discussão artística ou científica. A intervenção de Kac toca pontos difíceis e incômodos da discussão ética, filosófica e científica com respeito ao futuro da humanidade (MACHADO, 2000: 55).

A repercussão do trabalho de Kac não ficou restrita ao Brasil, sua intervenção tornou-se motivo de debate em diversas listas de discussão na rede Internet, principalmente as relacionadas com o campo da cibercultura, também centros de pesquisa de Boston e Chicago nos Estados Unidos solicitaram cópias em vídeo da performance para analisá-la. Além da evidente discussão a respeito do controle social, que pode advir da inserção de chips de identificação no organismo, rememorando pesadelos de distopias da FC conhecidas como Admirável Mundo Novo, de Huxley e 1984, de Orwell, colocando em pauta a discussão das

chamadas “sociedades de controle” de Deleuze, a obra também coloca-nos outras questões como a da gradativa e crescente interpenetração entre carne e máquina, do universo molhado do carbono com o seco do silício – rememorando as teorias da “era pós-biológica” de Roy Ascott e o implante de memórias artificiais no organismo humano visto em histórias de FC Cyberpunk como no conto Johnny Mnemonic (1981), de William Gibson.

Mas a visão prospectiva artística de Kac veio a se confirmar no dia 10 de maio de 2002, quando a empresa norte-americana VeriChip Corporation66, com sede em Boca Raton, na

Flórida, apresentou seu produto ao mundo. Um microchip do tamanho de um grão de arroz feito para inserção subcutânea e inicialmente indicado para armazenar os dados do prontuário médico de pacientes com doenças que podem levar a ataques repentinos. No dia 13 de maio de 2002, o Dr. David Wulkan da VeriChip Corporation implantou o microchip nos três integrantes da família Jacobs (pai, mãe e filho), que se ofereceram para participar do experimento. A empresa noticiou o fato dos três serem as primeiras pessoas no mundo a possuírem um microprocessador implantado, pois o chip tem a capacidade de armazenar informações que podem ser atualizadas através de um dispositivo de escaneamento e troca de dados patenteado pela empresa. Como previu Kac, o chip permite o rastreamento por satélite de todos os que o inoculem.

Atualmente a VeriChip Corporation indica seu produto para múltiplas funções como: segurança pessoal (rastreamento da vítima no caso de seqüestros), identificação de pacientes, controle de acesso, proteção infantil etc. Em 2004, a empresa assinou um contrato de distribuição do chip no Brasil e enviou 800 unidades ao país, além de 24 scanners de detecção. O acordo para distribuição no país tem duração prevista de 5 anos, durante os quais 75 mil chips de identificação devem ser implantados em cidadãos brasileiros, além de haver previsão de 3.800 scanners de detecção. Atualmente, milhares de pessoas no mundo já possuem o microship implantado e sua disseminação tem sido motivo de acirrados debates em sites e fóruns na rede Internet, a ponto da palavra VeriChip resultar em 330 mil citações em uma busca feita no Google em maio de 2006. O debate tem girado em torno do cerceamento das liberdades individuais que o uso desse tipo de mecanismo pode acarretar e dos interesses de controle governamental que podem incentivar a sua adoção. Mas há também sites de fanáticos religiosos neo-luddities – eles apontam o VeriChip como o sinal dos tempos, a marca da besta descrita no Apocalipse bíblico –, e os sites de modern primitives, tecnopagãos e tecnófilos que têm adotado o microchip como um símbolo da adesão irrestrita ao universo cibercultural, um desejado fetiche cibertecnológico. Em Time Capsule, Eduardo Kac vislumbrou a maioria dessas discussões em seu ato poético que antecedeu ao fenômeno VeriChip em quase cinco anos.

No entanto, a obra mais polêmica de toda a trajetória artística de Kac até os dias atuais foi GFP Bunny (2000), a criação de um mamífero transgênico contendo o gene para a produção da proteína GFP (Green Fluorescent Protein) encontrada na alga marinha Aequorea Victoria. Quando exposta à luz ultravioleta ou à luz azul essa proteína emite um brilho verde claro. O artista isolou-a e propôs sua inserção nos genes de um cão e de um coelho. A escolha dessas espécies aconteceu por tratar-se de mamíferos que sofreram grandes mudanças em sua estrutura genética devido à domesticação pelo homem. Para Kac, animais “quiméricos” fazem parte do

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imaginário da humanidade há milênios, da quimera da mitologia grega (híbrido de leão, cabra e serpente) aos novos mitos da criptozoologia, como o chupacabras.

Kac conseguiu realizar parte de seu intento ao gerar uma coelha transgênica chamada por ele e sua família de Alba. Entretanto, a segunda parte do projeto envolvia a inserção do animal em um ambiente social - o artista queria torná-la uma coelha de estimação no convívio de seu lar – , não pode ser levada a cabo pelos perigos que o animal poderia representar à biosfera. Para ele, o elemento mais importante de sua poética artística não era a criação de Alba e sim a invenção de um “sujeito social transgênico”. O trabalho foi motivo de centenas de reportagens nos mais diversos veículos midiáticos em países dos cinco continentes, causando polêmica em muitos deles e dando notoriedade global ao artista.

Mais uma vez, a obra do ciberartista antecipou um controverso fenômeno tecnológico. No ano de 2002, foram colocados a venda os primeiros “peixes transgênicos fluorescentes” criados pelos cientistas da Taikong Corp67, de Taiwan, especializada na criação de peixes ornamentais. Os peixes de origem japonesa emitiam luzes néon verdes em todo o corpo, devido à hibridação com a mesma proteína GFP usada por Kac em suas obras. A Taikong Corp tem procurado atenuar os temores de ambientalistas, que acreditam que seus peixes transgênicos podem causar danos ao se misturar com peixes selvagens. A empresa diz que seus produtos são esterilizados por meio de uma "técnica de manipulação de cromossomos", antes de irem para o mercado. Mesmo assim, debates acirrados sobre o tema estão sendo travados em fóruns e sites da Internet. Enquanto isso, a empresa diversifica sua produção, tendo criado um novo peixe-fluorescente-dourado que foi incluído entre uma das "invenções mais legais" de 2003 pela revista americana Time.

Em 2004, a venda de peixes transgênicos rendeu mais de 40 milhões de dólares a Taikong, o mercado de peixes transgênicos conta inclusive com uma nova empresa, a norte-americana GloFish68. O intento de Eduardo Kac de levar para o convívio social sua quimera transgênica, tornou-se realidade dois anos depois de sua polêmica obra produzir discussões éticas, sócio- culturais e filosóficas sobre a criação de seres transgênicos. Os peixinhos fluorescentes da Taikong Corp estão nadando em milhares de aquários ao redor do planeta.

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