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Hedef yerleşimi

Belgede Akıllı savunma sistemleri (sayfa 64-76)

3.7. Sistemlerin Ortak Özellikleri

5.2.11. Mesafe ölçümü

5.2.11.1. Hedef yerleşimi

O Survival Research Laboratories (SRL), é uma organização artística informal fundada por Mark Pauline em 1978. Após a repercussão do primeiro espetáculo do SRL, dois artistas de San Francisco resolvem tornar-se integrantes do grupo e auxiliar Pauline em suas performances. Matt Heckert e Eric Werner, egressos do San Francisco Art Institute, assim como Pauline, tinham experiência como mecânicos autodidatas. Entre 1982 e 1988, o trio criou treze espetáculos do SRL, até que os dois resolveram deixar a organização, que continua produzindo performances terroríficas e ruidosas sob a coordenação de Mark Pauline. A partir da década de 90, vários integrantes do SRL se destacam pela atuação no grupo: Geoff Bainbridge, Todd Blair, Violet Blue, Liisa Pine, Brian Normanly, Karen Marcelo, Phil Sanchez, Mike Kennan, Steven Lassovszky, Mike Wehner, Dan Collard, Courtney Sexton, Ralf Burgert, entre outros.

Nas apresentações do SRL, criaturas robóticas, que rememoram arsenais bélicos teledirigidos, se digladiam como em uma arena romana. Os robôs antropomorfizados, que muitas vezes contam com partes de animais mortos como componentes estéticos, lutam em um espaço repleto de húmus, lubrificante, óleo, gasolina e ainda explosivos e lança chamas controlados remotamente. Mark Dery reflete sobre as intenções poéticas que estão por trás das performances robóticas do grupo:

Sua estética de resgatar, reajustar e reanimar sucata militar e industrial é uma mescla de arte do terror e de Frankenstein, animada por uma política cyberpunk de insurreição “Low Tech”. Seus quixotescos artefatos parodiam a idéia dos benefícios do avanço tecnológico, das vantagens da sociedade de consumo e da generosidade coletiva americana; idéias que estão presentes nos antropomórficos robôs dos parques temáticos e nos disneyficados centros comerciais (DERY, 1998:115).

Nos anos 60, experiências precursoras dos espetáculos da SRL foram feitas por artistas como Nam June Paik, que criou o robô K-456, um monte de ferragens de dois metros de altura com olhos de hélices de avião e por boca um alto-falante de rádio, que vociferava o discurso de candidatura de John F. Kennedy. A reação do público das galerias ao ver criaturas hediondas como K-456 ou os robôs animados por sistema pneumático de Jim Whiting variava da piedade, passando pela fascinação e chegando ao terror.

Mark Dery (1998: 117), relata também a existência do The Robot Group da cidade de Austin. Influenciado pelas idéias de Pauline, o grupo também é composto por artistas, engenheiros e aficionados, contando com 18 membros, entre eles o escultor David Santos, que em um vídeo informativo do grupo diz: "A escultura do futuro será interativa, inteligente; andará, falará, voara." Eles não querem fazer robôs que sirvam para algo, porque “os robôs úteis são burros”. Outro artista importante a utilizar sucata e engenhos mecânicos em suas criações é Brett Goldstone, um mecânico autodidata que estudou arte enquanto viajava pelo mundo e radicou- se como artista em Los Angeles. Em trabalhos como O País dos Pássaros ele usa ferro velho reanimado para refletir sobre a degradação gradativa da biosfera. Suas obras reutilizam o ferro velho de onde surgem máquinas pássaro que pulam, andam ou engolem montanhas de sucata.

Chico MacMurtrie é outro conhecido ciberescultor, que vive em San Francisco. Ele cria estranhos robôs, como Tumbling Man, um acrobata de olhos saltados; e os Horny Skeletons, robôs superdotados e onanistas, que passam todo o tempo masturbando seus membros

sempre eretos, enquanto a fumaça sai de seus olhos, ouvidos e boca. Um de seus robôs é uma espécie de subumano, que toca tambor e desenha. A obra permite que um interator improvise um ritmo em um terceiro tambor, que envia informações para um programa de desenho aleatório instalado no robô fazendo com que ele desenhe.

A obra pioneira do SRL produz ressonâncias entre esses ciberescultures citados, e parece reforçar as idéias do semiólogo Umberto Eco, que qualifica a Disneylândia como um imenso robô e assinala tratar-se de um lugar de absoluta passividade e obediência, onde os visitantes devem aceitar comportar-se como autômatos, a eles é permitido apenas consumir:

Um dos efeitos mais curiosos desta obediência é a tendência a aplaudir os atores mecânicos nos espetáculos da Disney, atores que não são mais que esqueletos de poliester e fibra de vidro controlados por computadores. (...) A Disneylândia é um monumento assexuado e asséptico a um futuro normativo no qual o único contato entre a elite tecnocrática e as massas tecnologicamente analfabetas é o ponto de venda (DERY, 1998: 161).

Voltando aos espetáculos da SRL, eles tratam da interpenetração entre carne e máquina, um dos substratos essenciais da cibercultura. A experiência de Pauline no desenvolvimento de lança-mísseis é subvertida e utilizada na construção dos robôs para os espetáculos da SRL que são jogos de guerra no sentido literal, uma mistura - indigesta para uns, genial para outros - de campo de batalha e alegoria carnavalesca, cujas finalidades são: destruir paradigmas sobre os benefícios da tecnologia, refletir sobre seus custos sócio-culturais e ironizar mitos midiáticos como o dos "ataques seletivos" em guerras como a do Golfo e do Iraque. Os monstros mecânicos com partes animais lutando desesperadamente em uma arena inumana, interagem de maneira visceral e inesperada com o público presente às performances. Esses espetáculos tecnológicos ironizam os avanços tecnocientíficos, produzindo máquinas bestiais e truculentas, usando efeitos high-tech para criticar o mundo da tecnologia, em um paradoxo típico da estética Cyberpunk:

Apesar das objeções que podem existir, poucos críticos negariam que Pauline é um pioneiro definitivo da arte cyberpunk, o espetáculo mecânico. Para muitos o SRL representa a essência tecnolibertária.(...) Também é um bom exemplo de híbrido entre o cibernético e o orgânico, entre tecnologia de ponta e máquinas desordenadas que caracteriza a estética cyberpunk. (...) O filme cyberpunk Hardware é inspirado inegavelmente nos robôs do SRL, o nome do andróide do filme é Mark 13 (em inglês a pronúncia é similar a "Mark Pauline") e são vistos brevemente trechos de vídeos da SRL na televisão do protagonista (DERY, 1998: 138).

A ligação efetiva entre o SRL e o movimento Cyberpunk foi evidenciada na homenagem feita por William Gibson em seu romance Monalisa Overdrive (1988), onde o autor batizou uma das personagens - um projetista de robôs assassinos – com o nome de Mark Pauline. Bruce Sterling, outro dos papas do Cyberpunk, em carta endereçada a Pauline e ao SRL, demonstra sua admiração e respeito pela obra singular e marcante do artista no contexto da cibercultura:

Não é coincidência o fato de que os escritores de ficção científica contemporâneos, incluindo eu, considerem Mark Pauline com respeitável admiração. Ele fala nossa linguagem – mas ele diz o mesmo com um rugido e debaixo de uma intensidade brutal. Como Seiko Mikami, o escultor industrial de Tóquio, ele dá uma vitalidade frankeisteiniana aos detritos industriais de uma sociedade que prefere esquecê-los, reprimi-los e ignorá-los (STERLING, 1989: 2).

As apresentações do SRL não podem ser definidas em um único conceito ou intenção, pois estão repletas de elementos ambíguos que permitem interpretações diversas, entretanto, é possível encontrar no discurso de Pauline o desejo de representar em suas ações uma crítica às tão aclamadas benesses trazidas pelos avanços tecnológicos. Sua visão desta interação gradativa entre homem e tecnologia é distópica e negativista. Numa perspectiva cibercultural, a obra de Pauline pode inseri-lo dentre o grupo dos neo-luddities, que são críticos ferrenhos das novas tecnologias – as bases desse ideário anti-tecnológico podem ser encontradas no movimento Luddites, dos operários ingleses do Século XIX. Liderados por Ned Ludd, eles protestaram e destruíram máquinas em plena Revolução Industrial, com medo de perderem seus empregos. Os neo-luddities podem ser encontrados atualmente nos mais diversos universos ciberculturais, da ciberarte à filosofia. Para André Lemos (2000), Paul Virilio e Jean Baudrillard são exemplos notórios de pensadores neo-ludditas:

A cibercultura contemporânea vai acirrar a ambigüidade ancestral que está na origem do fenômeno técnico. Estamos hoje no fogo cruzado entre intelectuais que associam uma postura "crítica" com uma visão negativa da tecnologia (por exemplo Virilio, Baudrillard, Shapiro, Postman) e aqueles ditos utópicos, que vêem nas novas tecnologias um enorme potencial emancipatório, fonte de criação de inteligentes coletivos, de resgate comunitário e de enriquecimento do processo de aprendizagem (Negroponte, Lévy, De Rosnay, Rheingold). (...) Por um lado os neo-luddites que insistem em regular e manter sob controle social as novas tecnologias, alertando contra o seu potencial destruidor (da sociedade, do homem e da natureza). Por outro, os tecno-utópicos que tentam mostrar como as novas tecnologias criam possibilidades inusitadas para a humanidade, sendo uma espécie de panacéia contra os males da tecnocracia moderna (LEMOS, 2000).

Os espetáculos do SRL e todo o ideário de Mark Pauline estão permeados das características que elenquei como estruturadoras das poéticas prospectivas das ciberartes. As batalhas inumanas entre criaturas animatrônicas podem ser vistas como uma paródia da corrida tecnológica da atualidade ou um grito de socorro antitecnológico. Como o próprio artista diz em entrevista gravada para o documentário Les Humanoïes (Société Radio-Canada, 2000): “Os espetáculos do SRL são uma parábola sobre o medo (...) medo do que nos reserva o futuro, de sermos superados por nossas invenções”, refletindo sua visão distópica dos avanços tecnológicos. Sua proposta artística se confunde com o surgimento do movimento Cyberpunk e possivelmente Pauline mais influenciou do que foi influenciado por ele, como provam as declarações de admiração de Gibson e Sterling.

Belgede Akıllı savunma sistemleri (sayfa 64-76)

Benzer Belgeler