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4.2 Ekonometrik Modeller ve Özellikleri

4.2.2.4 Yoğunlaşma İndeksi Yönteminin Temeli

Somente a partir da compreensão de que raça existe enquanto construção social e que opera no imaginário brasileiro será possível lutar contra um tipo de racismo que está impregnado nas estruturas sociais – o racismo institucional, que pode ser entendido como

o fracasso coletivo de uma organização ou instituição em prover um serviço profissional e adequado a pessoas devido à sua cor, cultura, origem racial ou étnica. Sua manifestação pode ser identificada nas normas, práticas e comportamentos discriminatórios adotados no trabalho cotidiano, resultantes da ignorância, da falta de atenção, preconceito ou estereótipo racista. Em qualquer caso, o racismo institucional sempre coloca pessoas de grupos raciais ou étnicos discriminados em situação de desvantagem no acesso a benefícios gerados pela ação de instituições e organizações (PNUD, 2005, p.6).

O conceito de racismo institucional é estudado em países como Estados Unidos e Reino Unido e vem sendo apropriado, no Brasil, a partir de meados dos anos 1990, para a formulação de programas e políticas de promoção da eqüidade racial. A experiência mais destacada desses programas se deu na área da saúde, com a implantação, em 2006, do Programa de Combate ao Racismo Institucional (PCRI), desenvolvido pelo Ministério da Saúde em parceria com organismos internacionais.

Um dos maiores problemas para a análise das desigualdades presentes na área da saúde é a baixa qualidade dos indicadores do perfil de morbidade e mortalidade da população como um todo. Em que pese o fato de apenas na década de 1990 o quesito raça/cor ter sido introduzido nos formulários institucionais que formam a base de informações estatísticas do Ministério da Saúde, entre os autodeclarados negros, é freqüente a reclamação de falta de acesso aos equipamentos de saúde e a baixa atenção dispensada pelos profissionais de saúde.

O fato de as pessoas virem a receber o atendimento médico ou hospitalar não significa que virão a ser atendidas de forma condigna. Segundo indicadores produzidos pela Fundação Perseu Abramo e pelo Instituto Rosa Luxemburgo,em 2003, entre as pessoas negras que já haviam relatado ter sofrido discriminação, 68% relataram tê-la sofrido no hospital e 26% nos postos de saúde (PAIXÃO, 2006, p.101).

Segundo Cashmore,

a força do racismo institucional está em capturar as maneiras pelas quais sociedades inteiras, ou seções delas, são afetadas pelo racismo, ou talvez por legados racistas, muito tempo depois de os indivíduos racistas terem desaparecido (CASHMORE apud Cavalheiro, 2001, p.77).

As pesquisadoras Ramos e Musumeci, em seu livro “Elemento Suspeito: abordagem policial e discriminação na cidade do Rio de Janeiro”, esclarecem que o racismo institucional gera hierarquias através de práticas profissionais tecnocientíficas ou rotineiras “neutras”, dentro de instituições públicas ou privadas, tais como mídia, shopping centers ou firmas de segurança que controlam espaços públicos, serviços e imagens. As autoras revelam que a grande dificuldade é identificar a sua ocorrência e dismistificá-lo, uma vez que há certa naturalização das discriminações (RAMOS e MUSUMECI, 2005, p.234).

Na avaliação das autoras, um aspecto do racismo institucional é a forma insidiosa com que alguns setores das polícias civis e militares, instituídas para oferecer proteção aos cidadãos, tratam os jovens negros brasileiros. Em geral, os policiais não reconhecem os homens e mulheres negros como sujeitos que têm direito a proteção.

Os traços fenotípicos negros (cor da pele e cabelo crespo) tornam o jovem negro do sexo masculino um elemento suspeito em potencial de todo e qualquer tipo de delito, podendo ser preso ou morto. De acordo com Luiz Soares

a seleção do suspeito é orientada pelo preconceito, pelo estigma aplicado aos pobres e pelo racismo contra os negros. Não por acaso o censo penitenciário nacional retrata uma distribuição perversa da prática de cor, idade, gênero e classe social (SOARES, 2005, p. 11).

Os dados disponibilizados pelos setores responsáveis pela segurança pública brasileira mostram um verdadeiro genocídio da população negra. De acordo com a pesquisa realizada por Ignácio Cano, na cidade do Rio de Janeiro entre 1993 e 1996 e citada por Paixão mostram uma discrepância no perfil de mortalidade dos grupos raciais onde “70,2% dos mortos pela polícia eram negros”. Para o autor os dados revelam “um nítido viés racial no que diz respeito à ação letal do aparato policial no Brasil” (PAIXÃO, 2006, p.112).

Na avaliação de Ramos e Musumeci, essa realidade

constitui-se num verdadeiro paradoxo, posto que a PM, que na opinião popular age de forma discriminatória contra os negros, é uma instituição com forte presença de negros em seus quadros, não só nos escalões inferiores (praças) como no oficialato e até nos altos postos de comando. Mas, em vez disso abrir uma porta ao debate franco sobre os temas da raça e do racismo, serve frequentemente de pretexto para contorná-lo (RAMOS E MUSUMECI, 2005, p.45).

Um exemplo concreto de abuso policial e que foi veiculado pela mídia foi o assassinato do jovem Flávio Sant´Anna, em 3 de fevereiro de 2004.

Dentista, negro, recém formado, Flávio foi assassinado por quatro policiais na cidade de São Paulo após ser confundido com um ladrão, quando tentava entrar em seu carro. A PM desse estado reconheceu o erro e admite que os policiais que mataram Flávio plantaram provas falsas, tentando incriminar o dentista assassinado. Por pouco esse jovem negro não foi enterrado como indigente (PAIXÃO, 2006, p.113).

Em geral, a sociedade pouco se mobiliza quando os policiais violam os direitos dos cidadãos negros e esse silêncio contribui para a permanência desse problema sócio-racial. Sobre este aspecto citamos Sérgio Costa, que afirma que

em primeiro lugar há que se considerar que boa parte das violações dos direitos humanos observadas em muitas regiões decorre não da inexistência de mecanismos democráticos de processamento da opinião e da vontade, mas da falta de efetividade do direito. Nesses casos, a violação dos direitos humanos tem lugar no plano constitucional, mas na esfera das relações sociais. Trata-se aqui da polícia corrupta que desrespeita os direitos civis, da sociedade preconceituosa que, em suas práticas sociais, discrimina negros, mulheres, homossexuais, protegendo-se em redes e mecanismos informais infensos à ação da lei (COSTA, 2006, p. 43).

Em relação à incidência de racismo institucional no campo do trabalho, Bento acrescenta que “o conceito de discriminação institucional é importante porque dispensa discussões sobre, por exemplo, se determinada empresa/instituição ou seus profissionais de recursos humanos e chefias têm preconceito contra negros e mulheres” (BENTO, 2000, p.22). Basta olhar onde estão esses grupos no quadro funcional ou quais são seus cargos, salários e atribuições.

Apesar da miscigenação da população brasileira e do discurso de que vivemos numa sociedade democrática, as vantagens da branquitude, em geral, são evidentes quando observamos a qual componente racial pertencem os ocupantes dos mais altos escalões no

governo e nas grandes empresas. Verificamos a forma desigual de usufruto dos direitos trabalhistas para negros e negras e, no limite, a vivência incompleta da cidadania, contrariando os princípios constitucionais do país.

No contexto deste trabalho, em que pesquisamos as trajetórias profissionais e de vida dos técnico-administrativos na UFMG, nos cabe interrogar se a falta de uma política de gestão de pessoas capaz de promover o desenvolvimento profissional e pessoal do trabalhador e englobar a sua participação nas discussões da política educacional pode ser interpretada como uma forma de racismo institucional.

Perguntamo-nos, ainda, se a recusa em discutir de forma mais enfática como se dão as relações étnico-raciais no contexto institucional, e como perpassam a esfera da educação e do trabalho, sobretudo no momento em que a temática ganha maior visibilidade em função das lutas pelas AA, não é sinal de que na universidade ocorre este tipo de racismo. Será que é essa forma de discriminação que está subentendida no depoimento de uma trabalhadora técnico-administrativa, que nos concedeu entrevista para a presente pesquisa?

Sofri todo tipo de discriminação quando era chefe: por parte dos médicos, que não acreditavam que eu era graduada e tivesse competência. Por parte dos técnicos e auxiliares brancos que achavam ruim acatar ordens de uma negra. Por parte dos negros, porque sentiam inveja, sei lá! E por parte das colegas enfermeiras brancas que se sentiam preteridas. E eu não tinha a quem recorrer! (Enfermeira– negra).

Essa discussão reforça os argumentos de que, se biologicamente as raças não existem, sociologicamente estão presentes na forma como se dão as interações entre brancos e negros na sociedade brasileira. A forma de observar, atribuir valor e relacionar-se com o homem negro e à mulher negra são apreendidas dentro da nossa cultura. Por outro lado, ser branco, no contexto brasileiro, confere uma distinção que é acompanhada de vantagens simbólicas e concretas que afetam as experiências, a visão de mundo, a identidade e demais aspectos da vida.