1.3 Obezitenin Ekonomik ve Politik Yapısı
1.3.1.2 Sağlıksız Beslenmenin Obezite Üzerinde Etkisi
O consumo de drogas sempre existiu na história da humanidade. Entretanto, a história da droga é muito mais antiga que a da toxicomania. Isso quer dizer que a relação dos indivíduos com a droga é milenar, ao passo que a toxicomania enquanto um termo, uma categoria utilizada para se referir à relação do sujeito com uma determinada substância, é bastante recente. É possível, portanto, pensar em diferentes usos da droga em diferentes épocas e culturas. (NAPARSTEK, 2005).
De acordo com Escohotado (1998), o uso de drogas pode ser situado em momentos históricos distintos. Um primeiro momento refere-se ao tempo em que o uso da droga não configurava uma patologia, estando ligado a questões míticas, religiosas e culturais. O consumo de drogas, tal como feito nessa época, pode ser vinculado aos rituais, cultos, “atos que pressupõem uma travessia dentro do campo do Outro” (Naparstek, 2005, p.27). Existe uma relação histórica milenar, especialmente com o canabis, em culturas orientais e indígenas, em que o uso dessa substância estava associado aos rituais de meditação e outras práticas de cunho estritamente religioso. Até mesmo no Antigo Testamento o consumo de álcool é mencionado de diferentes formas, sendo algumas vezes advertido quanto a seus efeitos, outras, recomendado como um analgésico.
O consumo de ópio na China é também um marco histórico. Durante séculos o ópio foi produzido e consumido pelos chineses. Os ingleses passaram a vender a substância levando à proibição do ópio na China, que passa a ser um negócio entre traficantes chineses e ingleses. Assim, os ingleses passaram a cultivar o ópio na Índia, colônia inglesa na época,
para vendê-lo novamente aos chineses. Esse fato revela o forte caráter econômico vinculado à produção e consumo da droga, que se perpetua até os dias de hoje, de forma cada vez mais complexa.
O problema da drogadição ou toxicomania se configura a partir da constatação da síndrome de abstinência. Esse momento é, portanto, marcado pela constatação de que o uso de drogas poderia levar a dependência. Trata-se de um período intimamente relacionado com a guerra civil americana, ocorrida entre 1860 e 1865, em que se passa a usar a morfina de forma sistemática para tratar a dor dos doentes e feridos pela guerra. A morfina era usada de forma intravenal, durante várias vezes ao dia, prolongados meses. Acabada a guerra começaram a surgir os casos de dependência da substância, casos que logo foram nomeados de “army disease” (doença militar). Trata-se de um dos primeiros momentos em que a dependência química é levada ao campo médico. Até então ela era tratada em termos morais, ou seja, era centrada na boa ou má fé da pessoa que consumia a droga e nos efeitos que isso poderia causar.
Assim, no princípio do século XX é criado o “Comitê sobre aquisição do hábito”, primeira instituição voltada ao consumo de opiáceos e cocaína. É interessante notar que a dependência, vinculada ao consumo cada vez maior e mais freqüente da substância, só passa a se tornar uma questão a partir da descoberta dos efeitos produzidos pela suspensão do uso. A partir de então, o uso de drogas passa a ser categorizado, assumindo diferentes nomenclaturas: toxicomania, drogadição, dependência química, entre outras. O tratamento do assunto passa a ser conduzido de acordo com questões ideológicas, assumindo caráter extremamente repressivo, que perpetua até os dias de hoje.
Em 1957 a OMS 44 propõe uma definição para adição a drogas:
Estado de intoxicação crônica e periódica originada pelo consumo excessivo de uma droga, natural ou sintética, caracterizada por:
1. Compulsão a continuar consumindo 2. Tendência ao aumento de doses
3. Dependência psíquica e física dos efeitos
4. Conseqüências prejudiciais para o individuo e sociedade. (ESCOHOTADO, 1998, p.611).
Atualmente no CID-1045 (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde) a dependência química esta incluída entre os “Transtornos
44 OMS – Organização Mundial de saúde 45
A CID-10 foi criada para padronizar e catalogar as doenças e problemas relacionados à saúde, tendo como referência a Nomenclatura Internacional de Doenças, estabelecida pela Organização Mundial de Saúde.
mentais e comportamentais devidos ao uso de substância psicoativa (F-10-F19)” Observa-se que:
Este agrupamento compreende numerosos transtornos que diferem entre si pela gravidade variável e por sintomatologia diversa, mas que têm em comum o fato de serem todos atribuídos ao uso de uma ou de várias substâncias psicoativas, prescritas ou não por um médico. (...) Exclui: abuso de substâncias que não produzem dependência. (CID - 10versão2008).
É importante notar que, em ambas as definições, existe o cuidado em distinguir o caráter de dependência presente no uso de uma determinada droga. Essa é uma questão a ser considerada em qualquer caso em que o uso de drogas se faz presente, independente da abordagem teórica. Tal fato parece ser útil para se pensar a definição de toxicomania
verdadeira em termos psicanalíticos. Tal como afirma Sinatra (1994), o termo toxicomania verdadeira corresponde ao uso desregrado que o sujeito faz da droga. Refere-se ao momento
em que o uso da droga leva o sujeito ao rompimento com o Outro, com o falo e, conseqüentemente, à perda de qualquer medida, à compulsão, ao consumo sem limites.
O toxicômano verdadeiro seria, portanto, aquele para quem a substância perde a dimensão de determinação significante que, em algum momento anterior, poderia ter sustentado a eleição de determinada substância pelo sujeito. O sujeito torna-se um consumidor permanente, sendo que, para ele, qualquer produto pode servir para seu gozo. O excesso, o consumo maníaco, característico da toxicomania verdadeira, retrata, portanto, um gozo real, ou seja, que prescinde do Outro, que está fora da regulação fálica. (SINATRA, 1994).
Por fim, cabe questionar o estatuto que a droga adquire na atualidade, uma época que tende a buscar respostas únicas e globalizadas, em que as diferenças são ignoradas e a valorização de um gozo único, igual para todos, se faz cada vez mais presente.
Não se pode mais pensar o uso da droga tal como na época de Freud, nem tampouco em períodos mais remotos. Nas sociedades nas quais a droga era utilizada em rituais e cultos religiosos, é possível perceber claramente tratar-se de um ato vinculado ao campo do Outro. Trata-se de práticas regulamentadas, com fins precisos e com forte conteúdo simbólico. Na atualidade já não existem tantas possibilidades para se responder ao mal-estar na civilização, tendo em vista que se trata de uma época em que o consumo é exaltado e apresentado como solução para todos os males. Hoje o uso de drogas relaciona-se a outro tipo de ato, desvinculado do campo do Outro: não se quer saber do Outro, já não há tanta possibilidade pela via da palavra. (NAPARSTEK, 2005).
O livro “Neurociência do Consumo e Dependência de Substâncias Psicoativas” 46, patrocinado pela Organização Mundial de Saúde e publicado recentemente, destaca que, ao longo dos últimos anos, uma série de dados indica a existência de alto grau de comorbidade entre os transtornos mentais e os transtornos por uso de substâncias psicoativas. Isto configura ponto de considerável interesse. No entanto, os fatores causais ainda permanecem obscuros, como indicado na publicação: “as doenças mentais levam a dependência de substância, a dependência de substância leva a doença mental ou tanto a doença mental quanto a dependência são manifestações sintomáticas das mesmas neuropatias subjacentes?” (OMS, 2004, p.169).
Essa noção de comorbidade não pode ser empregada em termos psicanalíticos, visto que a toxicomania não se configura como uma estrutura clínica, mas, sim, uma manifestação trans estrutural, isto é, que pode estar presente tanto na neurose quanto na psicose ou perversão. No entanto, essa publicação revela a preocupação em torno da presença da droga no campo da saúde mental, cada vez mais constante e evidente, revelando tratar-se de um caso de saúde pública.