B) İslam Hukukunda Çocukların Şahsı ile İlgili Koruyucu Tedbirler
3- Yetimlerin Hidânesi
Os mundos mais introspectivos, conforme os futuristas, são caracterizados pelo pluralismo de poder e de influência política, pela preocupação geral com os interesses nacionais e pelo baixo nível de conflito (o que não significa que não exista potencial para que eles ocorram no futuro). São, assim, mundos estáveis. Tal estabilidade resultaria de preocupações internas, de desilusões políticas, de desconfiança política, de prudência ou de declínio ideológico428.
No caso da variação que considera o comunismo desintegrado, existiria um sistema multipolar, com relativa estabilidade, tendo os EUA e a URSS influência reduzida, resultado de prováveis períodos “neo-isolacionistas” de consolidação e reavaliação após uma série de desapontamentos e frustrações. Os EUA, por exemplo, cortariam o envolvimento no exterior, evitando intervenções militares na América Latina, pois as que fizeram, visando torná-la mais ordenada, criaram relações diplomáticas e econômicas difíceis e até hostis. Assim, a coexistência competitiva estaria mais frágil, estando cada uma das duas potências “fechadas”, abrindo espaço para outras forças e deixando dependentes e aliados sem muito respaldo. Contudo, os temas principais da primeira fase da Guerra Fria ainda estariam presentes, de forma mais tímida, nas questões entre EUA, URSS e China429.
As duas Alemanhas ainda existiriam, mas de forma menos acirrada, e isso, para Europa, não seria problema. Esta, por sua vez, teria boas relações políticas e econômicas com o Oriente e o Ocidente, todavia, não possuiria uma liderança. O Mercado Comum Europeu funcionaria bem, mas a comunidade política não. Isso ocorreria pelo medo que alguma ação política afetasse o MCE. A China possuiria ganhos econômicos consideráveis e faria parte da ONU, tendo relações diplomáticas com grande parte do mundo, inclusive os EUA. Haveria, ainda na China, uma base social mais estável e poderosa que sustentaria políticas exteriores
428
KAHN, H.; WIENER, A.J, 1967, p. 255. 429 Ibid., p. 255-256.
mais afirmativas, conforme o contexto revolucionário, tendendo, contudo, mais à prudência do que ao risco, posicionamento, este, que também resultaria da ascensão de tecnocratas ao poder. Porém, haveria uma reivindicação, disputada com os soviéticos, sobre a liderança dos movimentos revolucionários pelo mundo, apesar de os partidos revolucionários de países do terceiro mundo tenderem a ser pós-comunistas e democráticos e a realizar apenas alinhamentos táticos com os soviéticos ou os chineses. O Japão seria autônomo e teria consciência disso, apesar de desconfiar de sua posição internacional. Os seus principais interesses estrangeiros ainda seriam o comércio mundial e as relações econômicas430.
Neste mundo, as ambições tanto do Japão, quanto da Europa, seriam, na maioria, econômicas, mas que tenderiam a uma afirmação futura. Portanto, os dois poderiam entrar seriamente no terceiro mundo, no sentido do desenvolvimento e da ampliação do comércio exterior. Seria possível, ainda, novas afirmações políticas do Japão e da Europa, porém, sem serem perturbadoras e perigosas. Contudo, para a URSS e os EUA, tais atitudes poderiam parecer perturbadoras na questão do equilíbrio, fazendo com que os dois saíssem de seus estágios de “neo-isolacionismo” visando recuperar o lugar e o prestígio que tiveram anteriormente. O terceiro mundo, por sua vez, seria problemático e pouco alterado, com muita instabilidade, ainda que regional. Desse modo, apresentaria vários movimentos revolucionários recentes e muitos governos autoritários e tecnocráticos, que estariam mais interessados na estabilidade interna e no crescimento, do que em conseguir um destaque no cenário internacional431.
Outro mundo introspectivo é o da moral democrática desintegrada e com algum dinamismo comunista. Haveria, nele, o pluralismo de poder devido ao recuo dos EUA e da URSS e à desconfiança política dos europeus e dos japoneses em relação aos precedentes. Assim, este mundo se assemelha ao anterior, exceto pelo comunismo, que, como força ideológica e revolucionária, estaria longe da extinção, continuando a ser o fundamento da revolução do terceiro mundo. Os soviéticos, dessa forma, exerceriam uma influência real no seio desse movimento e continuariam hostis aos EUA432.
A Europa Ocidental, por acreditar possuir boas relações com a Oriental, não consideraria o comunismo uma ameaça política, mas uma disposição mais ou menos legítima para revoluções em países atrasados. Os europeus ainda se oporiam a qualquer intervenção ocidental nessas situações. Os EUA aceitariam esse posicionamento, tanto por existir alguma
430
KAHN, H.; WIENER, A.J, 1967, p. 255-256. 431
Ibid., p. 256. 432 Ibid., p. 257.
validade nessas revoluções, quanto pela influência diplomática e intelectual européia. O resultado, no terceiro mundo, seria que alguns países usariam algumas variações do marxismo e considerar-se-iam alinhados com a URSS e com a China. Assim, haveria grandes controvérsias entre as nações comunistas, sem nenhuma centralização, tendo, todavia, em comum, a hostilidade aos EUA. A URSS, após um recuo, teria boas relações com esses vários comunismos, podendo ter dois papéis: 1) de líder ou 2) de “estadista mais velho” de um movimento revolucionário importante. Os EUA, por outro lado, estariam isolados na posição de Estado anticomunista, podendo ter se envolvido em um conjunto de intervenções sem resultado na Ásia e na América Latina. Seriam, portanto, uma força, porém, isolada. Dessa forma, o mundo estaria bipolarizado politicamente e multipolarizado na questão do poderio material. A rivalidade entre comunistas e os EUA não chegaria a ser militar, restringindo-se às esferas política, moral e material. Sendo assim, os confrontos militares entre os EUA e a URSS e entre os EUA e a China já não existiriam433.
O último mundo introspectivo é o que considera a Europa ou o Japão dinâmico. Assim, a URSS e os EUA seriam ultrapassados em iniciativas políticas e em ambição pela Europa e/ou Japão. Portanto, este seria um mundo plural, próspero e estável tal como o primeiro dos introspectivos. Todavia, aqui, surgiria uma Europa ou um Japão agressivo. A Comunidade Européia poderia estar unida e com a Europa Oriental integrada. Esse dinamismo europeu apareceria a partir da rivalidade pela influência sobre o terceiro mundo e pela manutenção de uma independência agressiva em relação aos EUA e à URSS. O Japão, por sua vez, penetraria economicamente na África e na América Latina, mas com papel político maior na Ásia, principalmente no Sul e Sudeste. Poderia existir, ainda, uma vontade de se sentir independente dos EUA. O bloco comunista poderia estar em estágio avançado de desintegração ideológica. Este mundo se distinguiria pelo pluralismo, que seria maior do que os de outras projeções, já que o Japão e/ou a Europa também estariam na disputa com as superpotências434.
Esses três mundos representam um possível caminho para um desequilíbrio grave à
detente exposta no mundo padrão. Esse desequilíbrio aconteceria ou pela desintegração do
comunismo, que fecharia as duas potências, ou pela dinamicidade do comunismo, causando um isolacionismo americano, ou por uma ascensão da Europa e do Japão ao estatuto de potências no nível dos EUA e da URSS. Assim, os autores novamente cogitam possibilidades
433
KAHN, H.; WIENER, A.J, 1967, p. 257. 434 Ibid., p. 258.
que abalariam a situação padrão defendida e considerada como ideal pelos autores: a coexistência pacífica.