D) Çocukların Malî İstismarını Önleyici Bir Tedbir Olarak Malî Velayet
1- Çocukların Malî Velayeti
Esse conjunto de possibilidades poderia, por fim, alterar a configuração política do mundo. Os autores discutem que essas predições que consideram grandes mudanças soam utópicas e tendem a um problema tal como o de Cassandra. Porém, qualquer um desses possíveis arranjos políticos para o futuro poderia ser natural ou mesmo uma reação a algum
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KAHN, H.; WIENER, A.J, 1967, p. 364-365. 467 Ibid., p. 339-341.
desenvolvimento específico, sendo que poucos resultariam de escolhas. Os planos de grande mudança, dessa forma, tendem a fracassar, e, segundo os autores, mesmo quando estão em processo, as pessoas submetidas à evolução ou à revolução têm grandes dificuldades, até mesmo quando prevêem o resultado, de reconhecerem o que está acontecendo468.
Os autores identificam oito caminhos possíveis para se chegar a essas configurações futuras, os quais dividem em dois tipos. Um primeiro tipo é o pacífico, que possui três rotas: evolução natural, evolução assistida e negociação. O outro tipo é o violento, possuindo cinco rotas: crises e pequenas guerras, guerras controladas, guerras descontroladas, mas com sucesso, guerras sem sucesso e armagedão. Assim, conforme os autores, em qualquer cenário realista, mais de uma dessas possibilidades poderia ocorrer. Contudo, acreditavam ser difícil saber o que adviria após uma guerra, pois se ela não representasse o fim, as nações envolvidas em breve estariam barganhando de novo por vantagens unilaterais. Destarte, acreditando que alguma forma de violência precederia a mudança no sistema, Kahn e Wiener defendem o estudo da violência como uma ferramenta ou agente da transição, ou seja, para usá-la, quando inevitável, para fins desejáveis. Portanto, asseveram o argumento de que a melhor maneira para evitar crises e guerras é entendendo-as. Uma vez isso feito, seria possível, então, influenciar as suas consequências469.
Aqui, trataremos apenas de algumas possibilidades de mudança política radical. Além das mencionadas a seguir, os autores também consideram o sistema de condomínios limitados entre algumas das maiores potências, que funcionaria como organizações que imporiam regras referentes às questões cruciais470. Outra possibilidade é a de arranjos informais, que poderia ser um sistema acessório e benéfico para a coexistência tal como defendida pelos futuristas. Seria, portanto, um acordo mais informal que o condomínio e envolvendo mais que duas ou três potências471.
Uma primeira possibilidade de mudança política radical pensada é o desenvolvimento do sistema de blocos. Os blocos que os autores consideram possíveis seriam: América do Norte (EUA-Atlântico Norte ou EUA-Atlântico-Pacífico), Europa, América Latina, Soviético, Africano, Árabe, Indiano, Chinês e outros. Cada um deles escolheria sua forma de governo e os métodos de sucessão, existindo um alto nível de soberania em cada bloco, além de que, se
468 KAHN, H.; WIENER, A.J, 1967, p. 373. 469
Ibid., p. 383-384. 470
Ibid., p. 374, 376-377. 471 Ibid., p. 377-380.
cada bloco adquirisse tamanho considerável, poderia ser tornar virtualmente inconquistável472. Contudo, não parece que isso atrapalharia, por exemplo, uma política de detente, a qual estaria, então, em outro nível geopolítico, assim como todas as relações internacionais.
O desenvolvimento da ONU poderia apresentar algumas possibilidades de regulamentação mundial. Uma forma que poderia manifestar esse controle seria a coletividade de pequenas potências, como um desdobramento da Assembléia da ONU. Ela seria o único arranjo neutro disponível e que as grandes potências permitiriam arbitrar questões. Todavia, essa coletividade conteria uma quantidade de novos estados, de sociedades relativamente primitivas e de governos instáveis, podendo dificultar, então, a disposição das grandes potências a se submeter aos julgamentos dessa coletividade. Assim, os autores argumentam que seria mais fácil às potências confiar esta tarefa às nações pequenas e avançadas (Suécia, Irlanda, Noruega, Dinamarca, Finlândia e alguns países balcânicos). Mesmo assim, dificilmente as maiores nações aceitariam tal possibilidade, resultando, com isso, em um sistema que poderia aliviar tensões, mas que não seria confiável473.
A própria ONU, desenvolvendo-se, poderia constituir uma possibilidade. Com, ou uma gradual conquista de força e novos poderes, ou por acordos e negociações, ela poderia ter papel central na regulamentação do mundo. A esse processo também acompanharia o aumento da importância das agências internacionais associadas à ONU. Um momento que poderia propiciar esse novo estatuto à Organização poderia ser uma guerra longa e de magnitude, ou, ainda, a necessidade de competir com outra organização regional que surgisse. Assim, a ONU poderia funcionar como um canal de ajuda internacional, já que desenvolveria, em alto grau, jurisdições sobre questões das áreas subdesenvolvidas, ganhando, então, o apoio dessas áreas474.
Outra possibilidade, para os futuristas, seria o ponto final do desenvolvimento da ONU, ou seja, o governo mundial. Ele se concretizaria ou por parlamento ou por sistemas legislativo, executivo e judiciário. Esse governo poderia ser criado, ainda, se começasse como um centro de estados aparentados e crescesse por acréscimo. Todavia, a sua criação só poderia ocorrer em um período de guerra ou de crise, ou seja, a partir de uma emergência que oferecesse uma combinação apropriada de motivações de medo e oportunidade475. Todas essas três formas que derivam da ONU decorreriam, provavelmente, de uma má sucessão da
472 KAHN, H.; WIENER, A.J, 1967, p. 373-376. 473
Ibid., p. 380. 474
Ibid., p. 380-381. 475 Ibid., p. 381-382.
coexistência defendida pelos autores, uma vez que ela não conseguiria sustentar o equilíbrio e a regulamentação internacional, abrindo, espaço, então, para o desenvolvimento da ONU.
Outra possibilidade que Kahn e Wiener consideram é retirada diretamente da história. Afirmam que o estudo da história da civilização revela que, na maior parte do tempo, ela viveu sob impérios. Assim, no mundo atual, e do ponto de vista tecnológico, o raio de um império seria limitado pelo tamanho do planeta. Esse império contemporâneo poderia se desenvolver a partir de uma guerra termonuclear, com uma terceira potência emergindo relativamente sem danos e tomando o poder. Ou, ainda, os participantes de tal guerra poderiam empatar e decidir que nunca mais enfrentariam uma guerra assim e, unidos por essa convicção, poderiam confiscar ou destruir as armas de qualquer pequena nação que discordasse deles. Os futuristas pensam, ainda, na possibilidade de vários impérios coexistindo476. Aqui há pouca diferença para a questão dos blocos, podendo, então, existir o equilíbrio, porém, em outro nível. Todavia, uma má condução do equilíbrio do terror poderia novamente abrir espaço para uma terceira força.
Outra possibilidade são as regras agonísticas. Dessa forma, a tecnologia moderna possibilitaria um sistema não oficial para punição de violações da ordem estabelecida pela comunidade internacional. Ou seja, um míssil poderia ser uma arma anônima. O ataque poderia surgir ou por um senso de ultraje, ou pela responsabilidade de preservar o sistema, ou por conta do medo de se tornar a vítima no futuro. Formar-se-ia, então, um comitê de vigilância internacional que – formalmente organizado, ou não – poderia fazer parte de uma aliança, ou ser, ainda, uma pequena força militar estratégica da ONU. A retaliação poderia tanto ser automática, ou seja, por doutrina, quanto poderia se tornar parte da evolução de uma lei mundial ou de um sistema legislativo477.
A última possibilidade que aventam é o recuo da civilização, que poderia acontecer pelo desaparecimento das armas de destruição em massa. O retrocesso da civilização poderia advir também de uma guerra, impossibilitando, então, a fabricação ou a manutenção de armas de destruição em massa. Por fim, essas próprias armas poderiam causar uma imensa repulsa478. Essa possibilidade deriva da idéia geral de Boulding, como já vimos, ou seja, da civilização associada ao desenvolvimento tecnológico. Porém, ao invés de esse avanço conduzir à pós-civilização, aconteceria alguma forma de retrocesso.
476
KAHN, H.; WIENER, A.J, 1967, p. 382. 477
Ibid., p. 382-383. 478 Ibid., p. 383-384.
Vimos, portanto, neste capítulo, a situação política mundial ideal para o desenvolvimento futuro da cultura, sociedade e economia pós-industriais. Contudo, essas condições não são perfeitas e apresentariam problemas cruciais. Aqui, analisamos os problemas políticos, tais como os autores entendem e percebemos, então, a defesa pela continuidade da Guerra Fria como forma de manter em atividade a tendência múltipla, otimizar os desenvolvimentos decorrentes dela e permitir, então, o surgimento da sociedade pós-industrial.
4. A SOCIEDADE PÓS-INDUSTRIAL
No capítulo anterior, iniciamos a análise da tendência múltipla e vimos como a acumulação de conhecimentos científicos, a institucionalização e o aumento de ritmo da mudança, a industrialização e a modernização, o crescimento demográfico e o aumento da capacidade de destruição em massa poderiam alterar a configuração geográfica e política do mundo, afetando a concretização da sociedade pós-industrial. Agora, exporemos especificamente a sociedade pós-industrial em dois aspectos: tanto os elementos necessários e presentes nessa sociedade, quanto os problemas que poderiam advir de sua concretização.