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Çocuğun Bakım ve Terbiyesi (Hidâne Hakkı) ve Bu Hakka Sahip Olanlar

B) İslam Hukukunda Çocukların Şahsı ile İlgili Koruyucu Tedbirler

3- Çocuğun Bakım ve Terbiyesi (Hidâne Hakkı) ve Bu Hakka Sahip Olanlar

A situação política mundial é pensada por Kahn e Wiener a partir de uma divisão mundial que considera os EUA e a URSS como duas superpotências, e a Europa (Ocidental), o Japão e a China logo em seguida, como elementos potencialmente decisivos. Por fim, a Europa Oriental, a América Latina, a Ásia e a África aparecem como coadjuvantes. Essa divisão é a base para todas as especulações, tanto as do mundo padrão, quanto as variações canônicas.

O aspecto político mais crucial do mundo padrão, conforme os autores, seria a continuação ou o declínio de interesse na coexistência e na détente. A idéia de coexistência pressupõe não somente a existência de forças que realizem uma cooperação e uma tolerância vantajosas para todos, mas também a existência de forças que possam produzir situações de confrontação competitivas. Dessa maneira, Kahn e Wiener defendem um equilíbrio, de forma que as forças que causam a divisão não se tornem predominantes, culminando em conflito, nem que as tensões diminuam ou os interesses comuns cresçam, transformando-se em uma combinação de indiferença, completa tolerância, cooperação ou entente. Conforme os autores, é, portanto, a ameaça sempre presente de que as hostilidades existentes levarão a um grau mais perigoso de hostilidade que distingue a coexistência da competição acirrada, da

                                                                                                                          386

KAHN, H.; WIENER, A.J, 1967, p. 223-224. 387 Ibid., p. 222-223.

indiferença ou da cooperação. Ou seja, com o equilíbrio das forças divisórias com as forças coesivas, a coexistência se manifestaria sob as condições de competição pacífica388.

Há claramente na visão de Kahn e Wiener uma defesa da e pela continuidade da competição entre URSS e EUA. Essa defesa é justificada, primeiramente, pela promoção que tal situação dá a outros interesses, evitando, assim, o conflito armado, apesar de não evitar os conflitos ideológico e político. Para os autores, essa coexistência estaria ameaçada se um dos países acreditasse ter alcançado uma superioridade militar. Contudo, dificilmente alguém atingiria tal superioridade, ou mesmo a confiança nela. Assim, a competição acabaria se limitando às imagens de cada país em relação à base industrial, ao crescimento econômico, ao desenvolvimento tecnológico, ao poderio militar e etc. Os futuristas sintetizam, então, o mundo padrão como o equilíbrio entre os EUA e a URSS, o qual poderia ser abalado se um dos lados sofresse uma perda de prestígio, acompanhada ou por um sentimento de recuperação dessa perda ou pelo oportunismo do adversário, que tentaria tirar vantagem389. É, portanto, uma competição que traz algum incentivo conforme o desenvolvimento do adversário, o qual, porém, possui avanços mais imagéticos do que concretos. Assim, os próprios avanços também podem ser ilusórios, de forma que acirrem as concretudes e as imagens do adversário, para que, então, possam-se fomentar as próprias.

Uma vez que a coexistência benéfica para os EUA dependeria do desenrolar do antagonista, os autores ocupam-se da URSS. Apontam-na, inicialmente, como um país recente, que tendeu ao autoritarismo e representou alguma desilusão para os marxistas, resultado do afrouxamento do partido e do abrandamento da crença na revolução mundial, que se refletia no pouco e ineficaz apoio soviético às revoltas pelo mundo. Porém, apesar da desagregação contínua do Estado policial e do aburguesamento progressivo do governo e das massas, os autores acreditavam que dificilmente a URSS tornar-se-ia um país democrático. Também não retornaria, todavia, a algo como o totalitarismo de Stálin. Essa queda da URSS na representatividade do movimento comunista faria, então, com que ela disputasse a liderança internacional do movimento com a China. Além disso, seria acusada de temer enfrentar os EUA, de estar se aproximando de práticas capitalistas, de estar enriquecida e, portanto, virando as costas aos pobres, e de ser dominada por brancos – que pouco compactuam com africanos e asiáticos. Para os futuristas havia uma tendência da URSS de fato se aproximar do Ocidente, porém, não se chegaria a entente. No entanto, essa situação                                                                                                                          

388

KAHN, H.; WIENER, A.J, 1967, p. 224-225. 389 Ibid., p. 225-226.

poderia causar a fragmentação do comunismo e, portanto, da unidade de propósito do movimento. Além disso, afirmam que o comunismo soviético era datado e, portanto, o comunismo como um todo estava desviando seu centro de gravidade da Europa para a Ásia e a África. A descaracterização do comunismo, para Kahn e Wiener, tenderia a aumentar ainda mais conforme as derrotas diplomáticas da China e da URSS continuassem390. Todavia, essas mudanças não afetariam o estatuto de potência da URSS.

Pensando sobre os outros participantes, afirmam que China, por 2000 anos (até 1800, aproximadamente), foi a cultura mais destacada. Assim, a atualidade poderia ser apenas mais um hiato chinês391. Sobre a posição da China no mundo padrão, os autores a desmistificam em vários sentidos. Primeiramente, dirigem-se contra o que consideram a superestimada capacidade política, militar e econômica da enorme população, a qual era majoritariamente camponesa e considerada uma fraqueza pelos futuristas. Outro mito seria a idéia de uma perfeita disciplina na China e um desenvolvimento industrial exemplar. Por mais que acreditassem em um crescimento, os autores não o viam produzindo resultados que seriam muito impressivos se comparados com os países vizinhos ou com os EUA e a URSS. Um terceiro mito era a concepção dos chineses como irracionais, o que os tornaria incontroláveis por meios materiais e militares. Esses três mitos resultavam em uma ilusão sobre o tamanho possível do exército chinês. Contudo, os autores argumentam que a capacidade financeira, alimentícia e produtiva da China para sustentar esse exército era baixa. Isso se refletiria em um baixo poder ofensivo, mesmo com o desenvolvimento de armas nucleares. Além disso, persistiriam os problemas relacionados à moral, à disciplina e à autoridade. Um último mito é a crença de que os chineses teriam uma capacidade fantástica de animar revoluções imediatas em regiões próximas e distantes. Os autores contrariam essa idéia, baseando-se em um discurso de Lin Piao, no qual foi afirmado que os movimentos revolucionários deveriam se sustentar sozinhos, sem a ajuda externa ser decisiva. A concretização cada vez mais clara dessa idéia poderia fazer a China perder parte de seu carisma internacional, ainda mais somasse o fato de que o regime não era tão fechado, sendo que, até 66, existiram mais empresas livres e escopo para a iniciativa privada na China do que na URSS392.

Dessa forma, Kahn e Wiener asseguram que as características da China, pelo menos no nível retórico, e desde que os contornos do mundo padrão se mantivessem, permaneceriam por um longo tempo, independentemente dos desenvolvimentos específicos. Isso se daria, em                                                                                                                          

390

KAHN, H.; WIENER, A.J, 1967, p. 233-234. 391

Ibid., p. 22. 392 Ibid., p. 230-232.

partes, pelos líderes chineses serem como qualquer outro: por mais que fossem introspectivos, chauvinistas, sujeitos a preconceitos e, talvez, tão agressivos quanto práticos, poderiam, por essas razões, tornarem-se apenas razoáveis e racionais. Portanto, nem o crescimento da capacidade de mísseis, nem a admissão na ONU fariam muita diferença. Os problemas poderiam advir da contrariedade chinesa aos EUA e à URSS, fruto de excesso ideológico e do nacionalismo, que se refletia na vontade de afastar as duas potências da Ásia. Outras questões apareceriam a respeito do poder chinês exercido sobre a Ásia, América Latina e África e do grau de sucesso econômico e militar que a China alcançaria393.

Os autores acreditavam que a política dos EUA de contenção à China continuaria, todavia, poucas nações européias poderiam concordar em condenar a China como um mal extraordinário e uma força mundial ilegal e, caso houvesse o apoio a isso, restringir-se-ia apenas à esfera militar. Assim, se existisse essa política de contenção geral, ela seria um fardo dos EUA e de seus aliados, enquanto vários europeus não estariam muito interessados, chegando até a uma oposição leve, desde que eles e seus aliados não fossem diretamente ameaçados. Todavia, Kahn e Wiener asseguram que, havendo o apoio de outros países, a URSS e os EUA poderiam conter a China394. Ou seja, a China é desmistificada pelos autores, fazendo-os concluir que ela não ameaçaria o equilíbrio pacífico e positivamente competitivo entre EUA e URSS.

O Japão é visto pelos autores como um possível substituto do poder dominante chinês na Ásia. Contudo, conforme os futuristas, o Japão, em 67, era ainda uma nação invisível na Ásia, apesar de possuir um reconhecido potencial econômico e uma passividade política que podia estar chegando ao fim. Argumentam, então, que, apesar do Japão ter saído derrotado da II Guerra, ele possuía uma população e uma produção industrial grandes, sendo que esta última continuaria a crescer. Além disso, Kahn e Wiener defendem que o Japão não encontrava qualquer pressão de aliados apreensivos ou passava por questões de reunificação. Baseados nisso, os autores apostavam na possibilidade, na década de 70, do Japão surgir como um colosso na Ásia, fazendo, então, frente à China. Por outro lado, afirmam que se alguma depressão séria acontecesse, o Japão provavelmente seria afetado395. Ou seja, o Japão aparece, nessa visão, como um aliado seguro para os EUA – e sua ideologia – na Ásia. Porém, em algumas variações, como veremos, ele poderia se tornar um problema para a coexistência.

                                                                                                                          393

KAHN, H.; WIENER, A.J, 1967, p. 231-232. 394

Ibid., p. 232. 395 Ibid., p. 237.

Sobre a Europa, viam-na como uma facilitadora da coexistência, já que oferecia máquinas e tecnologias aos soviéticos, e recebia, em troca, petróleo, ouro e outros produtos. Então, a importância da Europa na coexistência cresceria, tal como cresceria o comércio entre EUA e URSS. O que poderia afetar esse comércio, conforme os futuristas, seria a sua compatibilidade com os interesses políticos. Assim, além de evitar o conflito, asseveram que outros interesses comuns poderiam aparecer no mundo padrão. Contudo, um fator decisivo, inclusive para variações que aparecerão mais adiante, seria a possibilidade da Comunidade Econômica Européia poder atingir alguma unidade política396. A Europa, portanto, aparece como um intermediário vantajoso para que a coexistência não atinja a cooperação, a qual impediria a competição benéfica.

Os autores dedicam uma atenção especial à Alemanha como símbolo geral da divisão resultante da Guerra Fria. Acreditando na persistência da divisão, para os autores, a Alemanha Oriental cada vez mais se tornaria um país legítimo e viável e os regimes futuros não mais precisariam de apoio das tropas soviéticas, sendo que eles poderiam aumentar o prestígio do país se realizassem uma oposição efetiva aos soviéticos. Os autores cogitam ainda a possibilidade da retirada de tropas também da Alemanha Ocidental, sem, contudo, afetar o equilíbrio sobre Berlim. Todavia, os futuristas acreditavam na possibilidade do surgimento de um nacionalismo na Alemanha Oriental, o qual defenderia que sua construção como nação aconteceu sem ajuda alguma e sob a égide do comunismo, diferente da sua vizinha, que dependeu do sistema capitalista – e de toda sua corrupção – assim como dos EUA. Com isso, ela poderia constituir o verdadeiro espírito alemão, ou seja, uma cultura espartana, socialista, com uma personalidade austera, resoluta e disciplinada, restabelecendo a tradição do socialismo prussiano397. Haveria, ainda, o medo europeu da possibilidade de revitalização da Alemanha Ocidental, a qual era vista como um país que se sentia isolado e menos inclinado a acreditar que suas vontades seriam satisfeitas pela OTAN. Por outro lado, dentro da Alemanha, haveria uma preocupação maior com a ameaça soviética, por isso, então, a manutenção do alinhamento com os EUA. Todavia, os autores apontavam que o fato de a questão da reunificação da Alemanha estar ficando de lado, em prol da manutenção da                                                                                                                          

396 KAHN, H.; WIENER, A.J, 1967, p. 229.

397 KAHN, H.; WIENER, A.J, 1967, p. 236; KAHN, H.; WIENER, A.J, 1968, p. 292. Aqui, segue-se a idéia de Spengler, que Kahn e Wiener citam através de Bruce Mazlish e seu livro The Riddle of History. Spengler entende esse Socialismo prussiano como o sistema proposto por Frederico Guilherme I, que precedeu a teoria marxista e estava ligado intimamente com o sistema do Egito Antigo. Defendia, portanto, relações

econômicas permanentes, o treinamento do indivíduo para seus deveres com o todo e glorificava o trabalho como uma afirmação do Tempo e do Futuro. SPENGLER, Oswald. The decline of the West: form and actuality (vol. 1). London: Allen & Unwin, 1918, p. 138.

détente, poderia incomodar os alemães ocidentais, para quem a reunificação aparecia como a

principal questão do país398.

O papel da Ásia e da África seria o de perturbações, as quais decorreriam do contato entre civilizações desiguais. Para os autores, uma das manifestações mais recorrentes nessas regiões era o socialismo de vertente nacionalista – duas doutrinas trazidas da Europa que, porém, sofreram modificações. Sendo assim, os governos ditos socialistas dessas regiões pouco tinham de semelhante com a URSS ou a China. Ou seja, além da volição básica por liberdade e identidade, a revolução afro-asiática possuía elementos anteriores, como a xenofobia, o ódio racial e o exclusivismo cultural, assim como elementos novos com algumas qualidades romantizadas, como a “revolução social”, as religiões asiáticas ou as culturas africanas. Isso resultava em slogans socialistas que não eram somente contra as antigas potências coloniais, mas também uma forma de afirmação semi-talismânica com a pós- modernidade e uma rejeição a um sistema capitalista obsoleto. Contudo, esses socialismos tinham alguma forma de apoio da URSS ou da China e, então, conforme fossem bem sucedidos, a aproximação poderia se fortalecer. Porém, os autores acreditavam que esses fenômenos seriam transitórios e raros dentro do mundo padrão. Além disso, Kahn e Wiener não viam essas vertentes talismânicas como soluções aos problemas modernos, além de a rejeição à cultura não parecer, para os autores, algo racional ou praticável para grande parte do mundo em desenvolvimento. Por isso, a tendência, no mundo padrão, seria de sínteses semitalismânicas ou inteiramente racionais399.

Ao usarem a idéia e o conceito de talismânico, os autores novamente se alinham com Toynbee. Esse termo, o autor inglês utilizou para descrever a busca das civilizações não- ocidentais por valores ocidentais. Assim, a busca por ideais científicos e democráticos não existiria pelos méritos intrínsecos deles, mas pela eficiência, real ou imaginária, que faria tais ideais parecerem como talismãs que dotariam “seus usuários” de poder400. Kahn e Wiener entendem, então, que essas sociedades tradicionais, ao recorrerem ao socialismo, não fugiam dessa apropriação talismânica.

Outro participante desse jogo mundial é a América Latina, que, desde a metade do século XIX, conforme os autores, era anti-EUA. Atribuem essa antipatia a motivos racionais e irracionais, os quais foram re-afirmados pela tendência dos EUA em interferir política e militarmente em assuntos latino-americanos. As causas irracionais dessa antipatia foram                                                                                                                          

398

KAHN, H.; WIENER, A.J, 1967, p. 234-236. 399

Ibid., p. 237-238.

diversas, sendo a principal – e a qual acreditavam que continuaria pelo século XXI – a necessidade da América Latina se distinguir, como cultura, da civilização protestante, comercial e agressiva. Existia, ainda, a ameaça desta civilização engolfá-los. Além do medo, havia o ciúme pelo poderio estadounidense. Apesar disso, os autores acreditavam que algumas modificações estavam acontecendo, como, por exemplo, a autoconfiança que brasileiros, mexicanos e colombianos adquiriram. Ela decorreu principalmente do êxito da industrialização, a qual propiciou uma sociedade multi-racial, uma revolução social de sucesso e uma dada perícia em lidar com os EUA, sem precisar apoiar seu inimigo. Dessa forma, Kahn e Wiener criam que a modernização mudara e mudaria a imagem dos americanos dentro da América Latina. Supunham, ainda, que os setores urbanos da América Latina e dos EUA tenderiam a uma assemelhação, embora nunca chegassem a uma cultura gêmea401.

Por fim, os autores acreditavam que os problemas da América Latina pareciam mais solúveis e toleráveis do que os afro-asiáticos. Isso se daria pela proporção mais favorável, na America Latina, de pessoas em relação aos recursos, além de ela ser produto da cultura européia ocidental, evitando, então, a adaptação cultural das elites. Mas isso, conforme os futuristas, não excluiria os problemas culturais, como a implantação de governos parlamentares, ou as mudanças sucessivas, violentas e ilegais de governo que ocorriam e tenderiam a continuar. Afirmam, ainda, que o comunismo, se instaurado na América Latina, dificilmente se coadunaria com os moldes da URSS ou da China, já que tenderia ao caudilhismo, ou seja, mais ao líder que à ideologia. Frente a tudo isso, era provável que a América Latina conseguiria, no fim do século, padrões de vida comparáveis ao da Itália em 67. Todavia, passaria pelo problema italiano amplificado, ou seja, uma disparidade na renda média entre as classes sociais, talvez seguindo a questão urbano-rural, ou do êxodo rural para as favelas urbanas. Os autores acreditavam na solução desse problema, porém com o surgimento de grandes tensões. No mundo padrão, conforme os futuristas, tais disparidades originariam grandes tumultos, mas não movimentos opressivos e violentos402, o que aconteceria somente em algumas variações canônicas e cenários.

Assim, temos um panorama geral das questões geopolíticas que cercariam o mundo. Essa projeção geral é livre de surpresas, porém deixa vários ganchos possíveis para os autores pensarem as surpresas que poderiam acontecer, afetando, portanto, a coexistência pacífica e a possibilidade, então, da concretização da sociedade pós-industrial. Para os autores, uma das                                                                                                                          

401

KAHN, H.; WIENER, A.J, 1967, p. 240-241. 402 Ibid., p. 241-242.

questões cruciais necessária para a manutenção da coexistência eram o conhecimento e o controle das guerras.