BÖLÜM 3. DÜNYA GENELİNDE UYGULANAN YEŞİL BİNA
4.5. Yerleşimlere Yönelik Verilerin Toplanması
4.5.5. Yerleşimde Bulunan Konutların Tarihi Merkez ve Oluşturulan Yen
um entendimento acerca de algo no mundo – entender-se com alguém a respeito de algo –, coordenar as ações mediante a interação intersubjetiva e vivenciar processos de socialização, que servem para formar e para manter identidades pessoais.
3.1.3 As condições formais do entendimento recíproco
Habermas entende que é possível reconstruir as condições gerais do discurso humano, aquelas condições que possibilitam o entendimento e o acordo entre os diversos agentes. A essa reconstrução, ele denomina de pragmática formal, uma ciência que busca identificar e reconstruir as condições gerais do discurso universal e da compreensão mútua. Trata-se da ciência que parte da questão de como é possível o entendimento e o acordo mútuo, buscando identificar as regras que um falante competente deve dispor87.
Nessa tarefa, a ação comunicativa possui papel de destaque, porque, na visão de Habermas, todos os outros modos de ação social – ação estratégica e ação teleológica – são derivados da ação orientada ao entendimento88. Trata-se, portanto, da tentativa de reconstruir e tornar explícitas as estruturas universais da competência comunicativa da espécie89.
Para Habermas, o entendimento relaciona-se à compreensão do significado dos atos de fala num contexto comunicativo e a aceitação das ofertas linguísticas dos outros através do estabelecimento de um acordo. Consiste num processo que leva a um consenso ou a uma concordância acerca de algo no mundo objetivo, subjetivo ou social. Tal processo necessita pautar-se em pretensões de validade mutuamente reconhecidas.
Entender-se é um processo de obtenção de um acordo entre sujeitos linguística e interativamente competentes. [...] Um acordo alcançado comunicativamente, ou um acordo suposto em comum na ação comunicativa, é um acordo proposicionalmente diferenciado. Graças a esta estrutura linguística, não pode ser somente induzido por uma influência exercida de fora, mas que tem que ser aceito como válido pelos participantes (HABERMAS, 2003a, p. 368).
87 Ao analisar a proposta reconstrutiva de Habermas, Bannell (2007, p. 278), afirma: “Junto com a virada
linguística, Habermas estabelece uma nova metodologia de análise, a que chama de reconstrução racional, cujo objetivo principal é reconstruir o sistema de condições, categorias e regras que condicionam a possibilidade de agentes capazes de falar e atuar, construir e utilizar conhecimento, bem como agir racionalmente”.
88 Habermas (2002d, p.09) entende que a ação orientada ao entendimento (Verständigung) é a base a partir da
qual “derivam outras formas de ação social”, como por exemplo a ação estratégica e a competição. Igualmente ele entende que a competência comunicativa “é resultante de um processo de aprendizagem” que pode ser reconstruído mediante a análise pragmática dos atos de fala, pois os mesmos possuem uma estrutura universalmente válida que pode ser reconhecida (ibid., p. 38).
89 McCarthy (2002, p. 323), ao analisar a ideia da pragmática universal como um fundamento da teoria da
comunicação afirma que “igual à filosofia transcendental de Kant, a pragmática universal se propõe revelar condições de possibilidade, porém o foco da atenção se muda da possibilidade de ter experiência dos objetos para a possibilidade de chegar a um acordo na comunicação na linguagem ordinária”.
O processo de entendimento tem como fim último o estabelecimento de um acordo que satisfaça as condições de validade e justificabilidade. Este acordo não pode ser imposto por nenhuma das partes, seja intencionalmente, mediante uma intervenção direta numa situação de ação, seja estrategicamente, por intermédio de uma influência calculada sobre as decisões de um oponente. Desse modo, todo acordo alcançado comunicativamente baseia-se no reconhecimento de convicções comuns e de certas pretensões de validade. Para dar conta das pretensões de validade, o falante deverá comunicar-se num modo que possa ser compreendido pelo outro, escolhendo uma forma de expressão inteligível. Deverá demonstrar, também, possuir a intenção de comunicar algo verdadeiro, de modo que sua fala ou discurso seja digno de confiança, à medida que respeite as normas e os valores vigentes.
Habermas chama a atenção para a distinção entre as condições de validade, as pretensões de validade e a justificação das mesmas. As pretensões de validade estão fundamentadas nos contextos específicos do mundo objetivo, do mundo social e do mundo subjetivo, respondendo, respectivamente, por verdade proposicional, correção normativa e autenticidade subjetiva. Em relação ao mundo objetivo, a validade das pretensões está correlacionada à verdade proposicional das asserções. A existência de um mundo social e de um mundo subjetivo implica na existência de outras formas de validade distintas da verdade proposicional. Por isso, das experiências normativas originadas no mundo social espera-se que sejam justas, enquanto das experiências subjetivas espera-se que sejam autênticas.
Aos atores sociais que, em suas práticas comunicativas, satisfaçam as condições anteriores de validade, se lhes atribui o adjetivo de sujeitos comunicativamente competentes. Na teoria habermasiana, essa competência possui um caráter universal que pode ser diagnosticado independente da língua e do contexto histórico-social no qual o sujeito fala e age.
Por competência comunicativa entendemos a capacidade de um falante orientada para o entendimento, de forma a poder conceber uma frase corretamente formulada em relação com a realidade. Ou seja: (i) escolher a frase proposicional de forma a que, ou as condições de verdade da proposição apresentada, ou os pressupostos existenciais do conteúdo proposicional mencionados sejam satisfeitos (de forma a que o ouvinte possa partilhar dos conhecimentos do falante); (ii) expressar as suas intenções, de tal forma que a expressão linguística represente aquilo que se pretende (de forma a que o ouvinte possa confiar no falante); (iii) desempenhar o ato de fala em conformidade com as formas reconhecidas ou com as imagens aceites de nós próprios (de forma a que o ouvinte possa estar de acordo com o falante nas orientações de valor partilhadas) (HABERMAS, 2002d, p. 50).
Vale reiterar que a competência comunicativa consiste num traço característico da espécie humana, numa capacidade universal que pode e deve ser desenvolvida, mediante
processos contínuos de aprendizagem. O ator competente é aquele que possui competência cognitiva, competência discursiva e competência interativa90. Tais competências permitem que os indivíduos, ao aplicarem o sistema de regras intuitivamente, produzam configurações de sentido em relação a si mesmos e ao seu mundo, atuem sobre a realidade externa produzindo entendimento sobre o mundo objetivo e, ao mesmo tempo, interajam no meio social, sendo capazes de emitir juízos práticos e participando responsavelmente da construção do grupo social ao qual pertencem.