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BÖLÜM 3. DÜNYA GENELİNDE UYGULANAN YEŞİL BİNA

4.3. Ergiri Kenti’nin Genel Analizi

4.3.2. Ergiri Geleneksel Konut Mimarisi

Ao analisar a sociedade contemporânea e os modelos históricos de racionalização da vida humana, Habermas constata que o paradigma racional da filosofia da consciência está esgotado. Essa constatação orienta-se, num primeiro momento, por uma crítica ao modelo vigente de racionalidade. A crítica direciona-se à visão unidimensional do modelo de racionalidade estabelecido pelo pensamento moderno, especialmente o privilégio atribuído à dimensão epistemológico-instrumental da razão em detrimento às outras dimensões, como a prático-moral e a estético-expressiva.

Enquanto a autocompreensão ocidental definir o homem, em sua relação com o mundo, como caracterizado pelo monopólio de confrontar o ente, de conhecer e manipular objetos, a razão permanecerá restrita a apenas uma das suas dimensões, seja no plano da ontologia, da teoria do conhecimento ou da análise da linguagem. A relação do homem com o mundo é reduzida cognitivamente, isto é, ontologicamente, ao mundo dos entes em seu todo (como totalidade dos objetos representáveis e dos estados de coisas existentes); no plano epistemológico, à faculdade de conhecer estados de coisas existentes ou provocá-los conforme a racionalidade com respeito a fins; no plano semântico, ao discurso que constata fatos, no qual são empregadas proposições assertóricas – e não é admitida nenhuma outra pretensão de validade além da verdade proposicional, disponível no foro interno (HABERMAS, 2002a, p. 433).

Como consequência do exagerado acento na dimensão instrumental da razão, Habermas constata o surgimento de um processo de “reificação e funcionalização de formas de vida e de relacionamento” (2002b, p. 43), bem como de uma compreensão objetivista e estreita da ciência e da técnica como fins em si mesmas. Trata-se, em síntese, de um processo de esgotamento do potencial emancipatório intrínseco à própria razão.

Num segundo momento, Habermas postula a necessidade de se estabelecer um novo paradigma para a filosofia contemporânea. Tem por objetivo apresentar um modelo alternativo de racionalidade, que faça frente aos atuais desafios do mundo e que seja capaz de fornecer elementos que possibilitem uma nova leitura da realidade da sociedade e da pessoa humana79. Isso seria possível através da “passagem para o paradigma do entendimento recíproco” (HABERMAS, 2002a, p. 414), que denota um alargamento da compreensão da racionalidade e a adoção de uma acepção comunicativo-discursiva de razão80.

79 Não se trata, pois, de descartar a razão e o exercício histórico de emancipação do ser humano mediante o

desenvolvimento da racionalidade. Trata-se, antes disso, de um necessário processo de crítica e de reconstrução do potencial racional humano ainda não desenvolvido. Por isso, de acordo com McCarthy (2002, p. 09-10), “mais do que nenhum outro pensador contemporâneo, Jürguen Habermas tem conseguido integrar a crítica da racionalização em uma reconstrução do projeto da modernidade”.

80 Dutra (2005, p. 09-10) chama a atenção que, para Habermas, a razão “manifesta-se historicamente e de forma

A crítica ao modelo vigente de racionalidade e a opção por um novo olhar acerca da razão estão sistematizadas naquilo que Habermas denominou de ‘teoria da ação comunicativa’.

A teoria da ação comunicativa é uma tentativa de provar a plausibilidade da ideia de que uma pessoa que se socializou numa determinada língua e numa determinada forma de vida cultural não pode senão dedicar-se a certas práticas comunicativas, acedendo assim tacitamente a certos pressupostos pragmáticos presumivelmente gerais. À reconstrução do conteúdo intuitivo desses pressupostos inevitáveis da ação comunicativa cabe revelar a rede de idealizações performativas na qual os sujeitos que falam e interagem acham-se envolvidos sem dela poder sair, na mesma medida em que participam das práticas culturais em questão (HABERMAS, 2002a, p. 20).

A tarefa crítico-reconstrutiva da sociedade, da cultura e do modelo de subjetividade, que Habermas se propõe, pode ser visualizada nos três propósitos que ele atribui a uma de suas obras mais importantes, a Teoria do agir comunicativo81: apresentar um conceito de racionalidade que faça frente às reduções cognitivo-instrumentais da razão na modernidade; desenvolver um conceito de sociedade que articule as esferas do mundo da vida e do sistema; e uma teoria da modernidade que explique as patologias sociais.

Com a opção pela racionalidade comunicativa, Habermas alinha-se a outros autores na aposta acerca do potencial da linguagem. Dá-se conta de que “não é o emprego de proposições per se, mas antes o uso comunicativo de uma linguagem estruturada em proposições que é peculiar a nossa forma de vida sociocultural e constitui o estágio da reprodução genuinamente social da vida” (HABERMAS, 2002a, p. 434). O paradigma da comunicação82 pressupõe uma acepção processual de racionalidade, na qual os participantes de uma situação argumentativa desejam alcançar o entendimento, mediante a comunicação, acerca de algo no mundo objetivo, social e subjetivo.

A fim de entender-se sobre algo, os participantes não necessitam apenas compreender as proposições utilizadas nos proferimentos: eles têm de ser capazes de se comportar uns em relação aos outros, assumindo o papel de falantes e ouvintes – no círculo de membros não participantes de sua (ou uma) comunidade linguística. As relações recíprocas e interpessoais, determinadas pelos papéis do falante, tornam possível uma autorrelação, que não precisa mais pressupor a reflexão solitária do sujeito agente ou cognoscente sobre si mesmo enquanto consciência prévia. A autorreferência surge de um contexto interativo (HABERMAS, 2002b, p. 33).

explicação da razão, ou melhor, torna-se a própria razão. Por isso, o tema da consciência é substituído pelo da linguagem, caracterizando assim um novo paradigma na filosofia”.

81 De modo geral, temos utilizado a edição espanhola do referido texto (Cf. HABERMAS, 2003a e 2003b),

embora já se encontre disponível a edição em língua portuguesa (Cf. HABERMAS, 2012a e 2012b).

82Segundo Siebeneichler (2003, p.62), “no paradigma da comunicação proposto por ele [Habermas] o sujeito

cognoscente não é mais definido exclusivamente como sendo aquele que se relaciona com objetos para conhecê- los ou para agir através deles e dominá-los. Mas como aquele que, durante seu processo de desenvolvimento histórico, é obrigado a entender-se junto com outros sujeitos sobre o que pode significar o fato de conhecer objetos ou agir através de objetos, ou ainda dominar objetos ou coisas”.

Além da opção por uma acepção comunicativa da linguagem, Habermas escolhe conceber a linguagem como forma de ação, não meramente enquanto representação. Considera, preponderantemente, a dimensão pragmática83 da linguagem, ou seja, a linguagem em uso, a fala, e não a linguagem reduzida a um sistema sintático ou semântico84.