2.2. KATILIM KAVRAMI VE YEREL KATILIM
2.2.3. Yerel Katılım Kavramı ve Özellikleri
2.2.3.2. Yerel Katılımın Özellikleri ve Yararları
Com relação aos municípios correspondentes as 4 microrregiões do Seridó segundo o IBGE, 82% dos mesmos estão contidos na bacia do rio Seridó. Por outro lado, municípios do RN - Tenente Laurentino Cruz, São Vicente, Lagoa Nova e Florânia - que se encontram na parte norte da bacia, estão localizados na ZH das serras centrais criadas no âmbito do governo do estado (e fora da região definida pelo IBGE), representando aproximadamente 9% do total de municípios da bacia.
3.1.3 – Histórico da ocupação da região: o espaço construído.
O sistema de aquisição de terras na região seguia o sistema sesmarial a partir de 1600, com a concessão de grandes áreas de terras a pessoas influentes na corte portuguesa ou donatários (FELIPE et al., 2006, p.17). Até o final do século XVIII, o sistema de concessão de terras não fazia menção ao tamanho das mesmas, tendendo a latifundiarização, quando as doações foram fixadas em 3 léguas (aprox. 5 km) de extensão.
Um dos objetivos desta política era a de povoar o território e demarcar suas fronteiras. O resultado deste sistema de doação de propriedade de terras – maior riqueza colonial – resultou, ainda segundo os autores, na formação de uma sociedade elitista e na produção de territórios.
Na zona litorânea, a atividade açucareira expandia-se, baseada no latifúndio e no trabalho escravo. Esta empresa agrícola, assentada no latifúndio, criou uma cultura política que apresenta efeitos ainda nos dias atuais. A atividade açucareira se expande principalmente no século XIX.
Com relação ao sertão, incluindo o Seridó, as fazendas de criação de gado foram se expandindo sempre levando em conta a presença da água. Estabelecia-se o binômio pecuária-açúcar, uma vez que o gado servia de alimento para a mão-de-obra e força-motriz para a indústria açucareira. Apesar de ser uma atividade secundária na cadeia produtiva, foi esta o principal vetor do processo de ocupação e povoamento da maior parte do território estadual, incluindo o Seridó.
Um dos aspectos importante no processo de ocupação da região do Seridó diz respeito justamente aos longos caminhos a serem percorridos pelo gado e a necessidade de paradas de descanso e alimentação do rebanho, criando uma
geografia de apoio que culminaram, por exemplo, na criação da cidade de Currais Novos, no Seridó oriental norte-riograndense.
De fato, a pecuária expandiu-se ao longo dos rios Piranhas–Açu e do rio Seridó. Em 1775 a Ribeira (parte povoada de uma bacia hidrográfica) do Seridó - que continha a freguesia de Caicó - registrava um total de 70 fazendas - Ideia geral da Capitania de Pernambuco e suas anexas em Anais da Biblioteca Nacional, volume.XI, Rio de Janeiro, 1918 (in FELIPE et al, 2006, p. 20). Isto correspondia a segunda maior concentração de fazendas voltadas para a criação de gado no estado.
O fenômeno do algodão também esteve fortemente presente no Seridó. Cultura que foi aprendida com os povos indígenas locais, a cultura xerófila apresentava-se adequada à região, tendo sempre se apresentado como atividade secundária mais sempre presente na região. Com o advento da revolução industrial na Europa - especialmente quando da substituição do linho pelo algodão de fio longo pela indústria inglesa - coincidindo com a colonização portuguesa que passava a se intensificar no interior do estado, a economia algodoeira experimentou um crescimento importante na região.
Esta cultura se integrava muito bem não só ao clima semiárido, mas aos aspectos de produção baseada na pecuária – os subprodutos da cultura serviam como alimento ao gado.
Desta forma foi o algodão – mais do que a pecuária – o principal fator de atração para que pessoas fossem atraídas à região. A guerra de Secessão americana trouxe novo impulso ao desenvolvimento da cultura com a elevação da demanda e aumento do preço do produto no mercado internacional. Esta fase de evolução da cotonicultura representou, para Felipe et al (2006), uma segunda fase. Com a grande seca de 1877/79, a partir de quando a pecuária sofre grandes prejuízos, impulsionando ainda mais a cultura da região, surge uma terceira fase.
Esta terceira fase foi importante na medida em que trouxe algum processo industrial para a região, com a introdução de “bolandeiras” (máquinas de descaroçar) até o surgimento de uma primeira usina de beneficiamento e, no início do século XXI, os primeiros moinhos de óleo, que esmagavam o caroço do algodão.
Tais moinhos de óleo contribuíram para o surgimento de uma classe industrial separada do fazendeiro tradicional que focava no beneficiamento do algodão apenas.
Ainda segundo Felipe et al. (2006, p. 25) este processo, que contribuiu com o deslocamento da máquina do campo para a cidade, se deu através de dois movimentos distintos: “de um lado, a saída dos descaroçadores do interior das grandes fazendas e, do outro, a entrada de firmas estrangeiras no mercado algodoeiro local”.
Na década de 1940 ocorre uma das primeiras medidas protecionistas pelo governo do estado, resguardando o mercado de pequenos descaroçadores de multinacionais que estavam tendendo a monopolizar o mercado em grandes usinas.
A partir da década de 1960, a população urbana do estado como um todo começa a passar de um perfil mais rural para outro bem mais urbano. A população urbana quase triplicou entre 1970 a 2000, tendo ocorrido de forma mais lenta na última década do período6. Esses dados revelam uma migração crescente do campo para a cidade, que começa, segundo Felipe et al (2006), com a migração para a sede municipal e, em seguida, para centros de maior dinâmica de crescimento econômico.
3.2 – A DIMENSÃO AMBIENTAL
Quanto à questão ambiental, há sinais de que a degradação ambiental na região ameaça o desenvolvimento de novas atividades econômicas regionais. Atividades ligadas a piscicultura e à pesca artesanal também tem se desenvolvido na região, embora estejam sendo muito prejudicadas devido a problemas de qualidade de água (PDSS, p. 136).
O cenário do consumo de lenha, por exemplo, mostra uma condição preocupante no Seridó estadual. O PDSS (p.76) menciona a estimativa de área desmatada na região calculada no projeto PNUD/FAO/IBAMA/BRA/87/007 para o
6
ano de 1987, considerando 71 indústrias de cerâmica na região, de 3.847 ha (38,5 km2).
Por outro lado, observa-se ainda uma pequena área protegida pela legislação: apenas uma RPPN (Sernativo, em Acari, com 156 ha), estando a estação ecológica do Seridó, em Serra Negra do Norte, fora da bacia.
Dados do PDSS (p. 132) apontam para uma redução expressiva quanto a utilização da terra entre os anos de 1985 e 1995, tendo o Seridó do IDEMA recuado 12% em dez anos (de 112,9 para 99,5 km2). No entanto, a perda foi menor em termos percentuais quando comparada com aquela verificada no estado, onde se verificou queda de 15%.
Ao que tudo indica as maiores concentrações da indústria da cerâmica encontram-se exatamente nos municípios que mais sofrem com o processo da desertificação, sugerindo a incompatibilidade das práticas adotadas por esta atividade com o frágil ecossistema da qual retira sua matéria prima.
3.2.1 – Clima
A região onde se encontra a bacia do Rio Seridó está completamente contida no clima semiárido, apresentando índice de aridez alto (3,3), conforme os estudos de Duque (1964, p. 61). A temperatura média anual situa-se entre 26 e 28oC. A umidade relativa do ar está em torno de 64% (MELLO, 2008)
Com relação a classificação climática, a maior parte da bacia na região norte- riograndense (ZH Caicó e ZH Currais Novos) há uma predominância do clima tipo BSw’h’, da classificação climática de Köppen, caracterizado por um clima muito quente e semiárido, com estação chuvosa se atrasando para o outono. No extremo norte da bacia, nos municípios da ZH das Serras Centrais, o clima é semiárido a leste, e sub-úmido a seco a oeste (MELLO, 2008). A insolação média corresponde a 3.240 horas de luz solar/ano, pouco superior as primeiras estimativas de Guimarães Duque, que calculou em 2.988 horas por ano (DUQUE, 1964, p. 61 apud PDSS, p. 29).
Duque avalia as características climáticas da região a partir da relação P/Ev (Precipitação dividido pela Evapotranspiração) em cruzeta, demonstrando valores
excepcionalmente baixos e condições mais acentuadas, ao contrário de outros locais da região Nordeste (Tabela 3).
Tabela 3 - Os estudos de Guimarães Duque sobre as características climáticas do Nordeste: relação Precipitação – Evapotranspiração.
Fonte: Duque (2004, p. 19)
Quanto a temperaturas, as médias anuais na bacia situam-se entre 25 e 26,5
o
C. As variações trimestrais, no entanto são bastante acentuadas, podendo chegar a uma máxima média de 27 oC no verão e 24 oC no inverno (Mapa 15).
Fonte: Legattes e Willmott (1992) apud COSERN (2003)
Mapa 15 – Temperatura média anual e sazonal no estado do RN, baseada em médias