2.2. KATILIM KAVRAMI VE YEREL KATILIM
3.1.3. Çok Partili Hayata Geçişten 1980 Müdahalesine Kadar Olan Dönem
As pesquisadoras Emilia Ferreiro e Ana Teberosky, nos anos 1980, também tiveram crescente interesse pelo tema alfabetização. A publicação do livro traduzido no Brasil em 1984, Psicogênese da Língua Escrita, assinada em parceria entre as duas autoras, representou uma grande revolução conceitual nas referências teóricas que tratavam a alfabetização. Apesar de não apresentar nenhum método pedagógico, revela os processos de aprendizado das crianças, contestando os métodos tradicionais de ensino da leitura e da escrita, quando apresenta novo paradigma para a interpretação da forma pela qual a criança aprende a ler e a escrever. Segundo as autoras (1987), há práticas que
[...] levam a criança à convicção de que o conhecimento é algo que os outros possuem e que só se pode obter da boca dos outros, sem nunca ser participante na construção do conhecimento. Há práticas que levam a pensar que o que existe para se conhecer já foi estabelecido, como um conjunto de coisas fechado, sagrado, imutável e não-modificável. Há práticas que levam a que o sujeito (a criança neste caso) fique fora do conhecimento como espectador passivo ou receptor mecânico, sem nunca encontrar respostas aos porquês e aos para quês que já nem sequer se atreve a formular em voz alta (p. 31).
Trata-se de uma abordagem pedagógica tradicional que tem uma forte tendência em tratar todos os alunos igualmente. Todos seguem o mesmo ritmo de trabalho, estudam os mesmos livros-textos, utilizam o mesmo material didático, aprendem a repetir as mesmas coisas e acabam por adquirir os mesmos conhecimentos. Isso ocorre, por exemplo, quando o professor conduz a classe através de propostas de produção textual escrita apresentada a partir de ―roteiro de instruções‖, para o aluno seguir o passo a passo para se chegar ao objetivo proposto pelo professor.
As pesquisas de Emilia Ferreiro, realizadas em conjunto com Ana Teberosky e outros colaboradores12 deslocaram a investigação sobre lf betiz ção do ―como se ensina‖ para o ―como se aprende‖ repercutindo mudanças na natureza das relações educacionais que vigoravam no Brasil até então. Ress lt m que ―existe um processo de quisição d lingu gem escrita que precede e excede os limites escol res‖ FERREIRO & TEBEROSKY 1987 p. 44).
As contribuições de Ferreiro e seus colaboradores sobre a mudança da compreensão do processo pelo qual se aprende a ler e escrever afetou todo o ensino de língua. As educadoras demonstraram que a criança tem hipóteses sobre a leitura e a escrita que necessitam ser valoradas e exploradas pelo professor, a fim de que a criança obtenha eficiência no processo de ensino e aprendizagem.
Teberosky 1995 propõe p r os escritores inici ntes e inexperientes ― escrit através da imitação/reprodução de modelos de um texto-fonte, que funciona como intermediário entre a linguagem escrit e su s diferentes inscrições‖ p. 189). Para a autora, ― condição de escutar, memorizar e depois fazer de conta que lê, assim como escutar, memorizar e depois relatar, escrever ou ditar são tivid des escol res‖ (TEBEROSKY, 1995, p. 46). É preciso ressaltar que essas práticas escolares não vão além da repetição, imitação de um texto tido como modelo. Seria uma primeira etapa de escrita, mas não uma prática suficiente para formar escritores proficientes.
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Telma Weisz (São Paulo), Esther Pilar Grossi (Porto Alegre), Terezinha Nunes Carraher e Lucia Browne Rego (Recife) mostram que os processos de conceitualização da escrita seguem uma linha evolutiva similar em Português.
Teberosky (op. cit.) defende que ― t ref d cri nç é repetir o que record do texto p r prender escrever ou ler‖ [...]. A utor sugere tivid des como: ―Tente repetir história tal como ela está escrita, com s p l vr s do livro‖ p. 46).
A grande maioria dos autores dos LDP orienta que propostas de produção textual escrita tenham como ponto de p rtid e cheg d os textos tidos como ―modelos‖ que são antecedidos aos exercícios de escrita. Desse modo, interpretamos que essas propostas reforçam os mecanismos de controle da escrita no ambiente escolar, por priorizar a imitação e reprodução de um texto-fonte, tal como defendido pelas autoras Teberosky e Ferreiro que desempenharam grande influência no ensino de escrita na década de 1980.
Décadas se passaram, mas na contemporaneidade não é difícil se deparar com propostas de produção textual escrita no ambiente escolar em que alguns autores propõem ―modelo‖ de texto prátic s de escrit enr iz d s n teori de Teberosky, que repercutiu na década de 1980. Ou seja, um exercício de reescrita que se desenvolve da seguinte maneira: ―um texto de um determin do g nero é lido p r cri nç ou el mesm l ; depois, pede-se que ela reescreva como estava no livro (ou num texto-fonte de determinado g nero ‖ (TEBEROSKY, 1995, p. 96).
A atividade de reescrita de um texto-fonte consiste em recorrer aos modelos convencionais de livros. Ao propor esses procedimentos, o objetivo d utor ―er f zer s crianças imitarem o comportamento do outro, e esse outro seria um profissional da redação escrit ‖. São exemplos: ―escrev m como no livro‖; ―como se fosse um jorn list ‖; ―como um senhor que escreve o jorn l‖ TEBEROSKY, 1995, p. 94). Ainda para a pesquisadora, esse procedimento de reescrita através da imitação ―estimul um espécie de ped gogi dos bons modelos, objetivando que a produção da criança coincidisse com os bons textos de diversos g neros.‖ p. 99 .
Teberosky 1995 v loriz o recurso ―modelo‖ de textos escritos por duas razões: ―modelo pode servir como amostra do produto, e todos sabemos como é importante escolher uma boa amostra para exemplificar, da melhor forma possível, as propriedades daquilo que é exemplificado [...]; se escolhermos exemplificar a linguagem escrita, o apropriado é mostrar o discurso sob form de texto escrito‖; b ―porque o modelo pode servir de exemplo para as habilidades da linguagem com as restrições próprias dos gêneros escritos‖. p. 188).
É comum no ambiente escolar professor e alunos se depararem com modelos de textos, como quando os LDP present m ―roteiro de instrução‖ p r imit ção/reprodução do texto-fonte. Assim, alunos e professores se tornam especialistas no uso dos modelos no
ambiente escolar. O documento oficial reforça também o mecanismo de controle, através dos procedimentos oferecidos para a composição de cada gênero textual: como se redige uma carta, um texto jurídico ou um texto jornalístico, uma crônica, etc.
No início dos anos 1980, pesquisadores da área da linguagem como Geraldi, Possenti, Britto, entre outros, desenvolveram estudos sobre o ensino de produção textual na escola e, mais especificamente, sobre um (re)dimensionamento das atividades de sala de aula. Surge nessa época, a coletânea O texto na sala de aula, Geraldi (2006), cujos artigos13 abordam assuntos referentes à área do ensino voltadas a sala de aula. Aponta nesse livro a necessid de de lev rmos em consider ção que ―um diferente concepção de lingu gem constrói não só um nov metodologi m s princip lmente um ‗novo conteúdo‘ de ensino‖ (GERALDI, 2006, p. 45).
Como consequência do avanço dessas pesquisas, e a partir dos estudos realizados por Bakhtin/Volochínov (1895-2009), acerca do caráter dialógico e interativo da linguagem, surgiram diversos estudos voltados para o processo de ensino e aprendizagem da língua escrita no ambiente escolar.
Devido às discussões derivadas de estudos linguísticos e da psicopedagogia referente ao fracasso escolar, foi preciso repensar o ensino, porque os alunos saíam da escola sem dominar a leitura e a escrita de textos. Mudanças no modo de ensinar foram necessárias. A escrit de textos por exemplo ntes se referi ― rtifici lmente mer t ref escol r p r se tornar momento de expressão da subjetividade do autor [...] registrando para outrem ou para si próprios suas vivências e compreensões do mundo de que p rticip ‖ GERALDI 2009 p. 62).
Conforme Geraldi (2006), ―aprender a escrever é ser capaz de colocar-se na posição daquele que registra suas compreensões para ser lido por outros e, portanto, como eles inter gir.‖ p. 66). Assim sendo, a linguagem é constitutiva e sua realização é a interação verbal. Através da linguagem os indivíduos interagem, pensam e produzem opiniões. Com isso, crescem e tornam-se capazes de transformar a sociedade em que vivem. Tal afirmação sugere a presença de um sujeito que possa se tornar autor do seu dizer. Para se tornar autor do
13
Artigos como: Sobre o ensino de português na escola (Sírio Possenti), Concepções de linguagem e ensino de português (Geraldi), Gramática e política (Sírio Possenti), Em terra de surdos-mudos (um estudo sobre as condições de produção de textos escolares) de Luiz Percival de Leme Britto, entre outros, tornaram-se leitura obrigatória para os professores.
seu dizer, dialogaremos, nesta pesquisa, com as construções propostas por Riolfi (2003/2011), que será apresentado no tópico que se segue.