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YENİLENEBİLİR ENERJİ KAYNAKLARININ GELİŞİMİ

TÜRKİYE KURULU GÜCÜNÜN YILLAR İTİBARIYLA GELİŞİMİ

7. YENİLENEBİLİR ENERJİ KAYNAKLARININ GELİŞİMİ

Essa defesa prévia da filosofia de Helvétius é importante, na medida em que prepara terreno para a defesa do autor de Do Espírito às críticas feitas por Rousseau em

81 Acerca da Lettre a M. d’Offreville, Derathé (2011, p. 103) perfila que a moral rousseauniana é notadamente

individualista e espiritualista: “[...] Praticar a justiça é preferir o bem de nossa alma e fazer representar um interesse de ordem superior, em oposição aos nossos interesses materiais”. Faguet (1910), por seu turno, afirma que só o interesse da alma, numa perspectiva rousseauniana, é compatível com a moralidade.

82 Sobre isso, no livro de Maruyama (2005), ver as diferenças e as convergências entre a vontade geral de

Lettres sur la réfutation de l’Esprit d’Helvétius. É principalmente na section V de Do Homem

que Helvétius faz a defesa de sua filosofia, bem como opõe-se ao pensamento de Rousseau83.

Dentre todas as críticas feitas por ele, destacamos cinco delas: 1) A crítica à tese de Rousseau de que “julgar” e “sentir” são duas operações diferentes; 2) A negação da ideia proposta por Rousseau de que a organização interior define o que é o espírito; 3) A oposição de Helvétius contra o inatismo da consciência moral rousseauniana; 4) A crítica de Helvétius sobre a negação do interesse por parte de Rousseau; 5) A defesa das Luzes feita por Helvétius contra o “elogio da ignorância” no Segundo discurso de Rousseau.

A crítica à tese de Rousseau de que “julgar não é sentir” está exposta no De l’Esprit e no De l’Homme. Em Do espírito, Helvétius (2004, p. 30) diz que “[...] não há juízo falso que não seja um efeito quer de nossas paixões, quer de nossa ignorância”. Segundo o pensador francês, a ideia de Rousseau de que os juízos nos conduzem ao erro84 não pode ser levada às

últimas consequências, haja vista que são outros os motivos que nos instigam para tal.

[...] O erro não está, pois, essencialmente vinculado à natureza do espírito humano; nossos falsos juízos são, portanto, o efeito de causas acidentais que não supõe em nós de modo algum uma faculdade de julgar distinta da faculdade de sentir; o erro é, pois, apenas um acidente; de onde se segue que todos os homens têm essencialmente o espírito justo. (HELVÉTIUS, 2004, p. 51).

Helvétius (2011, p. 10) esclarece que “[...] Seria inútil, para explicar as diferentes operações do espírito, admitir em nós uma faculdade de julgar e de comparar distinta da faculdade de sentir”. É o interesse o princípio que nos faz comparar os objetos entre si e a observar as suas ligações, e esse interesse é apenas um efeito da sensibilidade física, realça ele (HELVÉTIUS, 2011). O autor defende ainda a tese de que todas as nossas ideias nos vêm pelos sentidos. Para provar que seu argumento do “julgar é sentir” é correto, ele infere que a todo instante:

Um homem é envolvido por uma infinidade de objetos; é necessariamente afetado por uma infinidade de sensações, é tomado por uma infinidade de julgamentos, mas

83 Helvétius faz diversas críticas a Rousseau ao longo de Do Homem, mas é principalmente no decorrer da

section V que essas críticas tomarão contornos claros. Além das críticas mencionadas por nós no corpo do texto, destacamos outras, como a análise do conceito de piedade, a questão da bondade natural e algumas observações sobre o estado de natureza e as contradições sobre educação presentes no Emílio e na Nova Heloísa. No entanto, por uma questão de delimitação teórica, da mesma forma que expomos as críticas feitas por Rousseau a Helvétius, faremos o mesmo aos expormos as críticas de Helvétius a Rousseau. Caso contrário, corremos o risco de nos alongarmos ainda mais neste ponto de discussão.

84 A crítica de Helvétius à concepção de Rousseau que aponta que os “juízos nos conduzem a erros” está

presente no Livro III do Emílio e está ligada à ideia de que o raciocínio, como vimos, além de ser o constante abuso da razão, “[...] não nos ensina de modo algum a conhecer as verdades primitivas que servem de elementos às outras [...]; longe de nos esclarecer, ele nos torna cegos, não edifica a alma, mas exaspera e corrompe o julgamento que deveria aperfeiçoar” (ROUSSEAU, 2005f, p. 149).

ele os faz tão rápido que ele não toma conhecimento do que faz. Aqui a natureza dos julgamentos é a mesma das sensações85. (HELVÉTIUS, 2011, p. 5).

Consoante Helvétius (2011, p. 5), todas as operações do espírito se reduzem ao sentir: “É este princípio que nos explica que é dos nossos sentidos que nós tiramos as nossas ideias. É ao aperfeiçoamento desses sentidos que nós devemos o maior ou menor entendimento do nosso espírito”. Para ele, os sentidos são a causa dos nossos interesses. Helvétius (2011, p. 10) perfila que “[...] Este interesse fundado sobre o amor de nossa felicidade não pode ser mais do que um efeito da sensibilidade física [...]”. Contra a ideia de Rousseau de que “julgar” é diferente de “sentir”, em Notes sobre a section V de Do Homem, o filósofo sustenta que a sua tese do “julgar é sentir” é verdadeira e que, se Rousseau tivesse investigado mais a fundo, esse princípio teria descoberto que o juízo nada mais é do que o interesse que nós temos de comparar os objetos entre eles e que “[...] [este interesse] tem sua origem no sentimento do amor de si, [que é o] efeito imediato da sensibilidade física” (HELVÉTIUS, 2011, p. 4).

Reconhecendo que a causa do nosso entendimento está na sensibilidade física, Helvétius nega, contra Rousseau, que a organização interior e exterior a um indivíduo possa determinar o desenvolvimento do seu espírito. No discours III, chapitre II, De la finesse des

sens, do De l’homme, Helvétius lança sua crítica a Rousseau; ele diz que “A perfeição maior

ou menor dos organismos dos sentidos não influi em nada sobre a justeza do espírito; os homens, qualquer impressão que eles recebam dos mesmos objetos, devem sempre perceber as mesmas ligações entre os objetos” (HELVÉTIUS, 2004, p. 213). Helvétius (2004, p. 213) suscita que, pelo sentido da visão, ao qual nós devemos o maior número de ideias, as diferenças percebidas entre os objetos para duas ou mais pessoas é sempre a mesma: “[...] A medida (toise) parece sempre aos olhos maior que o pé (pied); a neve, sempre o mais branco de todos os corpos; e o ébano, a mais escura de todas as bebidas”.

Helvétius (2004) acredita que a organização exterior ao indivíduo, os objetos e sua extensão, por exemplo, independe do olhar de quem vê. Ele defende que os pequenos detalhes sempre escaparão à vista humana, mesmo aos espíritos mais bem organizados. Isso posto, os objetos nos são sempre apresentados da mesma forma, em sua simplicidade, e, portanto, como crê Helvétius, em nada influenciam sobre a justeza do nosso espírito. Dessa forma, o autor de Do Espírito postula que “[...] a extensão do espírito se mede pelo número de ideias e combinações” que um homem pode fazer (HELVÉTIUS, 2004, p. 214). Para ele, as

85 Helvétius (2011) chama isso de “sensações fracas” e assevera que elas não produzem em nós nem

conhecimento nem memória (lembrança). As “sensações fortes”, ao contrário, são frutos da nossa atenção e, por isso, resultam para o homem em conhecimento, pois concentram todo nosso espírito sobre um objeto (HELVÉTIUS, 2011).

qualidades de um indivíduo se igualam de alguma forma a de um outro, por isso o organismo externo, a visão, por exemplo, em nada pode influir sobre a extensão do nosso espírito (HELVÉTIUS, 2004). O filósofo termina esse capítulo deixando uma pergunta a responder: a que se deve a grande desigualdade dos espíritos? Sobre isso, ele nos diz que:

[...] entre os homens que eu chamo bem organizados, não há maior ou menor perfeição dos organismos tanto exteriores quanto interiores, dos sentidos, associada à superioridade das luzes; e que é necessariamente de uma outra causa que depende a grande desigualdade dos espíritos. (HELVÉTIUS, 2004, p. 215).

A resposta à pergunta anterior e à lacuna deixada nesse trecho de Do espírito aparece nesse mesmo escrito, mais exatamente no chapitre XXVI: “A grande desigualdade do espírito que percebemos entre os homens depende unicamente da diferente educação que eles recebem e do desconhecido encadeamento das diversas circunstâncias nas quais eles se encontram” (HELVÉTIUS, 2004, p. 348). No De l’Homme, Helvétius reforça suas convicções expostas no De l’Esprit. No Do homem, ele sinaliza que “[...] não é nem a força do corpo,

nem a frescura dos organismos, nem a maior ou menor fineza dos sentidos que depende a maior ou menor superioridade do espírito” (HELVÉTIUS, 2011, p. 13). Posteriormente Helvétius (2011, p. 6-7) sublinha que:

[...] malgrado a diferença de suas afeições, a desigual perfeição de seus organismos, todos podem se elevar às mesmas ideias. [...] Nós portamos os mesmos julgamentos sobre os mesmos objetos. Nós podemos sempre adquirir o mesmo número de ideias, por consequência, o mesmo entendimento do espírito [...]; os homens percebem sempre as mesmas ligações entre os objetos; a desigual perfeição de seus sentidos não tem nenhuma influência sobre seus espíritos.

Um outro aspecto importante da filosofia de Rousseau é criticado por Helvétius, especialmente no De l’Homme. Trata-se do inatismo da consciência moral proposto pelo autor

do Emílio. Helvétius (2011) observa que no Emílio Rousseau afirma que o sentimento de justiça é inato no coração do homem. Helvétius (2011, p. 4-5) responde dizendo que “Todos seriam justos se o céu tivesse gravado em todos os corações os verdadeiros princípios da legislação. Este sentimento seria tão natural como o prazer e a dor física”. A saída encontrada por ele contra o inatismo de Rousseau é de que somente as leis consentidas pelos homens podem dar a medida da virtude86 (HELVÉTIUS, 2011). Helvétius (2011, p. 7) ironiza o

inatismo natural ou o que existe de naturalmente bom no homem, pontuando que “[...] Não é o sentido do belo moral e o amor da glória e da pátria que formam os Horácios, os Brutos e os

86 Esta teoria não se afasta muito da de Rousseau, que assinala que “As leis não são propriamente mais do que

as condições da associação civil. O povo, submetido às leis, deve ser o seu autor. Só aqueles que se associam cabem regulamentar as condições da sociedade” (ROUSSEAU, 1999d, p. 108).

Scaevolas”. Contra a tese do inatismo da consciência moral de Rousseau, Helvétius (2011) reafirma sua ideia de que a sensibilidade física é a única qualidade essencial à natureza do homem e que em nós tudo o que somos é produto da educação que recebemos.

No De l’Homme, Helvétius não deixa incólume a rejeição de Rousseau à

importância do “intéresse” como um dos motores da vida humana, seja na vida política ou na aquisição dos conhecimentos próprios de sua curiosidade. Helvétius (2011) questiona por que Rousseau nega o “intéresse” como motor único e universal dos homens. Ele declara que no

Emílio Rousseau defende o princípio inato de justiça para proteger o indivíduo dos prejuízos

que ocorreriam a ele ao entregar-se a res publica. Helvétius (2011, p. 5) nega essa possibilidade, ao enunciar “[...] que ninguém jamais concorreu sem prejuízo ao bem público”. Consoante Helvétius (2011), na vida em sociedade, o interesse é o que move as ações humanas, havendo eventualmente prejuízo para um e para outro tão logo nenhum indivíduo possa representar integralmente os seus desejos no convívio social. No entanto, ressalta Maruyama (2005, p. 467), “[...] Helvétius concebe o que chamamos a moral do interesse a partir da redução do espírito à sensibilidade física, da análise das paixões, assim como das considerações acerca da história do homem”. O interesse é para Helvétius, portanto, não apenas um motivo da ação política, como vimos, mas uma peça fundamental na aquisição pelo homem de novos conhecimentos.

Essa crítica de Helvétius à negação do “intéresse” realizada por Rousseau instiga o autor de Do Homem a uma outra discordância com relação ao seu contemporâneo. Já no De

l’Esprit, Helvétius acusa Rousseau de ser um apologista da ignorância87. Essa defesa da razão

(Luzes) feita por Helvétius contra o elogio da ignorância desenvolvido por Rousseau encontra-se presente na section V de De l’Homme. Helvétius (2011) destaca que Rousseau

quer preservar o homem sem valorizar sua indústria. Helvétius (2011, p. 3) defende, em claro desacordo com Rousseau, que não há ligação entre o aperfeiçoamento das ciências e a corrupção dos costumes: “[...] A experiência ensina aos seus povos que o gênio, as luzes e os conhecimentos são verdadeiras causas de sua potência, de sua prosperidade, de sua virtude”. Posteriormente, na mesma obra, Helvétius (2011, p. 12) rebate a responsabilidade atribuída por Rousseau de que as ciências degeneram os costumes88: “As artes e as ciências são a glória

de uma nação; elas acrescentam [potência] à sua felicidade. É, portanto, unicamente ao despotismo interessado de os proteger, e não às ciências mesmas, que é necessário atribuir a

87 Essas críticas de Helvétius referem-se a algumas passagens de Rousseau, especialmente no Livro III do

Emílio e nos últimos parágrafos da Profissão de fé.

88 Não é do nosso conhecimento que Helvétius tenha lido o Discurso sobre as ciências e as artes de Rousseau,

pois, em suas críticas, ele refere-se sobremaneira ao Emílio, à Profissão de fé e à Nova Heloísa. No entanto, é sobretudo no Primeiro discurso que Rousseau sustenta a tese de que as ciências ajudam a degenerar os costumes.

decadência dos impérios”. Os governos, e não as ciências, para Helvétius (2011, p. 2), são os responsáveis pela decadência de um povo: “[...] As ciências não engendram, portanto, os males públicos, proporcionados em cada Estado pelo poder arbitrário”. Helvétius (2011, p. 35) critica Rousseau por sua leitura positiva da ignorância; para ele, o homem só pode tornar- -se autônomo através da instrução, ou seja, “O homem razoável é aquele que tem julgamentos justos e, para isso, é necessário estudar as ciências e as artes89”.