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Türkiye 22 Nisan 2016 tarihinde imzaladı. Ancak Türkiye henüz bu

Diderot, apesar de suas reservas críticas com relação à filosofia de Jean-Jacques98,

em dois de seus escritos, Réflexions sur le livre de l’Esprit e Réfutation de l’Homme

d’Helvétius, aproxima-se das críticas de Rousseau na primeira parte da Profissão de fé e nas Réfutations sur de l’Esprit d’Helvétius. Schøsler (1980) observa que a posição sensualista de

Diderot na Réfutation de l’Homme d’Helvétius torna mais legítima uma reaproximação com Rousseau99. Todavia, essa aproximação crítica entre Diderot e Rousseau com relação ao

pensamento de Helvétius será mais bem percebida em seu primeiro escrito. Nesse texto, Diderot realiza de início algumas constatações preliminares sobre o livro de Helvétius que estão em consonância com a leitura de Rousseau sobre o De l’Esprit. Diderot (1875) pontua

que: 1) Helvétius atribui a sensibilidade à matéria em geral; 2) Ele reduz todas as funções intelectuais à sensibilidade; 3) Não diferencia a atividade do espírito das percepções dos sentidos, por isso não reconhece a diferença entre o homem e a besta; e 4) Ele acredita que não há no espírito nada que o conduza a um falso juízo. Segundo Diderot (1875), Helvétius liga todos os nossos julgamentos errôneos à ignorância, ao abuso das palavras e ao fogo das paixões. Para o autor de Do Espírito, sublinha Diderot (1875), se um homem raciocina mal, é que ele não teve acesso aos dados verdadeiros para raciocinar melhor.

97 No tocante as posições de Rousseau a favor do cultivo de uma vida simples, dos cuidados com o trabalho, do

amor pela pátria e do respeito pelas leis, ler na obra de Rousseau principalmente o Discurso sobre as ciências e as artes, os Livros IV e V do Emílio, a Carta a d’Alembert sobre os espetáculos, o Projeto de constituição para a Córsega e as Considerações sobre o governo da Polônia e sua reforma projetada.

98 Na Réfutation de l’Homme de Helvétius, Diderot critica a concepção do estado de natureza, da bondade natural

do selvagem, e a retórica do discurso de Rousseau. Num quadro comparativo entre a filosofia de Helvétius e a de Rousseau, Diderot (1875, p. 57-58) é tácito em afirmar que: “A diferença que há entre Helvétius e Rousseau é que os princípios de Rousseau são falsos e as consequências verdadeiras; no lugar que os princípios de Helvétius são verdadeiros e as consequências falsas. Os discípulos de Rousseau, em exagerando seus princípios, não serão loucos; e os de Helvétius, em temperando vossas consequências, serão sábios”.

99 Referente às semelhanças e diferenças entre as filosofias de Rousseau e Diderot, ver o artigo de Fabre (1961)

Em Réflexions sur le livre de l’Esprit, Diderot (1875) analisa todos os capítulos do De l’Esprit e, em cada parte dessa obra, aponta os paradoxos de Helvétius: o primeiro

paradoxo é que a sensibilidade é uma propriedade geral da matéria; o segundo é que não há nem justiça nem injustiça absoluta. O interesse geral é a medida da estima dos talentos e a essência da virtude; o terceiro é que a educação, e não a organização interior, é que estabelece a diferença entre os homens; o quarto é que os homens saem das mãos da natureza e, por isso, são todos iguais; o quinto é que os princípios das paixões são os bens físicos. Para Diderot (1875), o grande erro de Helvétius é reduzir todas as funções do homem à sensibilidade física, e essa última à matéria100. Ao fazer essa crítica, Diderot insinua que Helvétius é um autor

materialista; leitura semelhante àquela feita por Rousseau.

Em Júlia ou a nova Heloísa, Rousseau continua suas críticas ao De l’Esprit de Helvétius; ele combate o princípio helvetiano de que “[...] não há nem justiça nem injustiça absoluta” (HELVÉTIUS, 2004, p. 214).

O crime é secreto, dizem eles, e dele não resulta nenhum mal para ninguém. Se esses filósofos creem na existência de Deus e na imortalidade da alma, podem chamar um crime secreto aquele que tem por testemunha o primeiro ofendido e o único verdadeiro juiz? [...] suponhamos que esses argumentadores sejam materialistas, temos ainda maior fundamento para opor-lhes a doce voz da natureza que reclama no fundo de todos os corações contra uma orgulhosa filosofia e que nunca se atacou com boas razões. (ROUSSEAU, 1994a, p. 317).

Nas palavras de Rousseau (1994a, p. 321), “[...] não há felicidade sem virtude”. E é novamente o sentiment intérieur que ele opõe a uma “filosofia das falsas virtudes” (ROUSSEAU, 1994a). Nessa mesma obra, como vimos, Jean-Jacques contrapõe a liberdade moral à redução feita por Helvétius das faculdades do homem à sensibilidade física; e essa última, à matéria (ROUSSEAU, 1994a). Schøsler (1980) assevera que Rousseau defende a atividade inata do espírito, que, segundo ele, não se deixa reduzir à sensibilidade física. Assim, como Diderot, Rousseau se opõe à psicologia reducionista e passiva de Helvétius, em sublinhando a característica irredutível de cada faculdade, ao mesmo tempo que ressalta a atividade do espírito no estabelecimento das ligações entre as ideias recebidas dos sentidos. Para ambos, a experiência, em pleno acordo com Helvétius, é o ponto de partida de todo conhecimento. No entanto, diferentemente do autor do De l’Esprit, para Diderot e Rousseau, a

organização interior do indivíduo, seu temperamento e o seu caráter devem ser levados em conta no processo de aquisição do saber.

100 Sobre a concepção do homem na filosofia de Diderot, ver seu artigo intitulado “Homem” na Enciclopédia

Rousseau, em seu Discurso sobre as ciências e as artes, embora mantenha um tom acentuadamente crítico com relação ao avanço das técnicas no século XVIII, mantém certa confiança na instrumentalidade da razão. A suspeição de Rousseau sobre as ciências é para evitar os vícios trazidos pelas Luzes em sua época, que se opõem ao seu ideal de uma vida simples e feliz. O resgate genealógico empreendido por nosso filósofo com relação ao homem, à sua natureza, ao seu desenvolvimento, à origem de sua linguagem, às desigualdades, ao avanço dos seus saberes e ainda à sua educação serão temas caros à nossa pesquisa na próxima seção deste trabalho.